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Este
trabalho se configura como um resumo crítico do artigo O turismo
comunitário no nordeste brasileiro, que faz parte do livro “Turismo
de Base Comunitária: diversidades de olhares e experiências
brasileiras”, lançado pelo Ministério do Turismo no ano de 2009.
A
nova ordem capitalista provocou a revalorização do litoral nordestino
para o turismo e o lazer. A população nativa foi excluída deste processo
e a ocupação imobiliária de grandes empresários que buscavam os mais
belos e atrativos locais para grandes empreendimentos se tornou intensa.
Um bom exemplo dessa situação aconteceu no Ceará, mais precisamente em
Jericoacoara e em Canoa Quebrada.
Grandes empreendedores estrangeiros dominaram o mercado turístico local
e expropriaram as duas comunidades pesqueiras, tendo os seus espaços
descaracterizados pela construção de novos empreendimentos de grande
porte. Um grande facilitador para esses empresários estrangeiros são os
instrumentos jurídicos que os favorecem na construção destes grandes
empreendimentos. O governo geralmente se posiciona a favor desse mercado
assegurando infra-estrutura básica de serviços relacionados a
transporte, comunicações, pavimentação e etc. Este mesmo processo
voltado para o turismo internacional ocorreu na Praia de Porto de
Galinhas, em Pernambuco; na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte e em
outras localidades.
De
todos os serviços do turismo, a hospedagem é a mais impactante não só
por exigir espaço, mas também por necessitar de objetos induzidos pelo
turismo, transformando hotéis em mini centros comerciais. Os resorts
são obras arquitetônicas que utilizam muito espaço e proporciona uma
hospedagem no sentido mais pleno, dando prazer a quem se hospeda. Eles
são equipados com o que há de mais sofisticado em hospedagem, mas
apresentam dificuldade em computar dados estatísticos, pois há
imigrantes que se passam por turistas e vice-versa.
No
Brasil o turismo tem se consolidado como atividade geradora de riqueza e
vem se tornando produto de exportação. Uma grande preocupação é que
quanto mais cresce essa estratégia de desenvolvimento, mais a imagem da
atividade é reduzida a dimensões mercadológicas. A prática do turismo
apenas como trade pode ser desastrosa, já que políticas públicas
ficam reduzidas apenas a simples ações de marketing, para a venda de
destinos turísticos e assim terras, lugares, viagens, sonhos e imagens
viram mercadorias. Os países pobres são levados a acreditar no turismo
como atividade indutora de desenvolvimento, mas o desenvolvimento
econômico tem bases em atividades produtivas mais sólidas como a
industrialização. O lugar precisa se desenvolver para o turismo
progredir com êxito. O turismo comunitário surgiu como uma forma de
resistência aos grandes empreendimentos como os resorts, uma
forma de resistência, de defesa ao turismo que invade e
descaracteriza estes locais. No Brasil, as principais entidades que
fazem parte deste novo segmento de turismo são as comunidades, as ONG’s,
as organizações ambientais, os movimentos sociais, os operadores de
comercio e os de economia solidária. Enquanto os grandes hotéis
representam concentração de renda, os pequenos representam
solidariedade. O turismo mapeia e também cria territórios.
A
atividade introduzida nas comunidades é uma forma de inclusão, geração
de emprego e renda para os seus residentes que lutam para incluir-se e
atrair visitantes que consumam seus produtos. A atividade econômica
destes lugares é assegurada na base da ideologia do turismo, ou seja,
gerando renda e promovendo desenvolvimento ecologicamente sustentável,
sem poluir o ambiente e nem degradar a agricultura. Desta maneira,
pescadores transformam-se em garçons, jardineiros e vigilantes;
rendeiras em camareiras e garçonetes. Este turismo de base local
prioriza o rústico e não o luxo, associando sustentabilidade,
priorizando valores culturais e descobrindo formas inteligentes de
participação na cadeia produtiva do turismo, com produtos diferenciados.
Um turismo que não seja voltado apenas ao consumo, mas à troca de
experiências, fortalecimento de laços de amizades e valorização
cultural.
Pode-se definir turismo comunitário ou turismo de base comunitária,
como aquele onde a comunidade participa ativamente de todo o processo,
desde o planejamento à execução de forma que a própria comunidade tenha
o controle das terras e das atividades econômicas.
Em primeiro
lugar é estabelecido um acordo entre os membros em defesa de suas
propriedades no intuito de preservar e torná-las produtivas, isso
envolvendo também possíveis compradores de fora da comunidade. Como se
pôde perceber a atividade turística no litoral modificou algumas
atividades econômicas tradicionais como a pesca, sendo substituída pela
pesca industrial entre outros aspectos. Em decorrência dessa evolução
nesse tipo de turismo, as comunidades litorâneas viram-se obrigadas a
abandonar seus trabalhos originais para trabalhar com essa nova
realidade: o turismo globalizado.
Percebe-se que
esse turismo possui características menos positivas, pois explora a
força de trabalho de homens e mulheres, com jornadas de trabalhos
exaustivas, além de envolver o trabalho infantil, fator mais crítico do
processo. Além disto, é constatado que a comunidade não melhora suas
condições de trabalho nem de moradia.
Ao contrário
dessa condição o turismo comunitário preocupa-se com o trabalho do
adulto no intuito de melhorar a renda, associando a atividade turística
a atividades como artesanato, pesca e agricultura, fazendo com que sejam
priorizados os pequenos empreendimentos locais, priorizando a
participação da comunidade. No Brasil existem algumas comunidades
inseridas neste modelo de turismo mais sustentável, com ações da
agricultura familiar, a organização das APLs. Mas existe uma comunidade
que pode ser considerada referência nesse tipo de turismo: Comunidade da
Prainha de Canto Verde, em Beriberi, no Ceará.
Esta comunidade
destaca-se a princípio pela pescas da lagosta, mas possui outras
atividades e projetos desenvolvidos para melhoria na renda da população
local.
Ela está bem
articulada, possuindo equipamentos turísticos direcionados a hospedagem,
alimentação, eventos, passeios e trilhas, tudo isso sem perder a
característica simples do lugar, o que chama a atenção de turistas de
vários países, pelo fato de a comunidade preservar suas raízes e
mostrá-las a todos como são. Essa comunidade lidera um conjunto de
comunidades, mas assegura a participação das que ligadas a ela com
planejamento descentralizado além de lutar pela regulamentação das
terras litorâneas e das unidades de conservação, priorizando a população
indígena, pesqueira, ou seja, as comunidades nativas.
Para que o
turismo comunitário possa ser efetivado com desenvolvimento apropriado
devem ser observados alguns princípios básicos que seguem. Princípios
das necessidades sentidas, onde a própria comunidade sente-se apta e com
vontade de organizar-se de forma a atender a todos os residentes;
princípio da participação onde se deve assegurar o envolvimento da
população residente de forma profunda; princípio da cooperação, onde a
comunidade necessita de apoio do poder público e privado nos seus
projetos de desenvolvimento; princípio da auto sustentação onde deve
existir o controle de possíveis alterações econômicas através da gestão
manutenção e controle; princípio da universalidade onde deve-se
assegurar a participação de todos os grupos da comunidades e não apenas
de uma parcela dela.
O maior objetivo
do turismo comunitário é acrescentar um novo modelo de turismo na
sociedade, não necessariamente mudar o que já existe ou acabar com os
grandes empreendimentos, mas sim trazer novas opções para a sociedade.
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