|
RESUMO
Este estudo pretende
analisar a qualidade de serviços prestada nos níveis de satisfação dos
usuários do turismo de saúde da rede hospitalar do bairro centro do
município de Teresina-PI. Através dessa pesquisa, pretende-se contribuir
para a reflexão sobre a forma como os serviços vêm sendo ofertados,
proporcionando às empresas que atuam no setor um conhecimento
introdutório do mercado, permitindo-lhes definir uma oferta adequada às
necessidades, desejos e atitudes do seu mercado-alvo, com vista a um
melhor aproveitamento das suas potencialidades.
Palavras-Chave: Turismo de Saúde; Qualidade de
Serviços; Teresina
ABSTRACT
This study aims to examine the quality of services provided in the
levels of satisfaction among users of health tourism the hospital
network of the district center of the city of Teresina - PI. Through
this research, we intend to contribute to thinking about how services
are being offered, providing businesses that operate in an introductory
knowledge of the market, permeating them to define an adequate supply
needs, desires and attitudes of its market
target in order to make better use of their potential.
Keywords: Health Tourism; Quality of Service; Teresina
INTRODUÇÃO
O
Ministério de Turismo define Turismo de Saúde como toda atividade em que
haja um fluxo de pessoas em busca de bens e serviços ligados a
atividades médico-hospitalares, terapêuticos e estéticos.
Neste cenário, se enquadra a capital do Estado do Piauí, Teresina, haja
vista que este município é nacionalmente reconhecido com um dos maiores
centros médicos do Brasil, assim como compartilha com outros destinos o
título de referência maior da região Norte-Nordeste do país no âmbito da
saúde.
Em
busca de um melhor atendimento médico-hospitalar, migrações sazonais de
grupos de pessoas se fazem constantes em Teresina, sendo muitos destes
turistas oriundos de outros municípios ou mesmo de outros estados da
federação. Tendo em vista a alta lucratividade das atividades médicas, a
rede privada de hospitais investe cada vez mais em tecnologias e
especializações para fortalecer ainda mais o segmento médico na capital.
Entretanto, existem infra-estruturas de apoio humano para os “clientes”
da área de saúde nos hospitais particulares do centro médico de
Teresina? De acordo com os clientes/turistas, os preços dos tratamentos
são compatíveis com a sua função? Qual o grau de satisfação dos
turistas/pacientes acerca do tratamento, instalações, acessibilidade nos
hospitais particulares do centro de Teresina? Os hospitais contam com
uma equipe interdisciplinar bem composta e prática para atender as
dúvidas e reclamações das pessoas assistidas em suas instituições? Eis
que seguem as motivações para a realização deste trabalho.
1. ASPECTOS MERCADOLÓGICOS E SEGMENTAÇÃO NO TURISMO
Assim como qualquer outra atividade, o turismo gera produtos para serem
comercializados. A grande diferença é que os compradores precisam se
deslocar para consumir o que desejam, e este deslocamento já faz parte
do produto que ele consumirá.
No
mercado é onde ocorrem as trocas, numa relação oferta-produto e a sua
existência foi fundamental para diversas civilizações, como a egípcia, a
romana, asteca, entra outras. Para a sua existência, devem existir dois
lados fundamentais: a oferta e a demanda, e também estar condicionado a
três condições: haver uma necessidade, existir um desejo de satisfazê-la
e uma capacidade de compra. O turismo é uma necessidade social na maior
parte do mundo, e provoca o surgimento de novos atrativos que interessem
a crescente demanda da atividade. Um determinado atrativo pode adquirir
valor de um momento para o outro: um parque inexplorado, uma dança
folclórica, um lugar diferente, ou seja, podem ser comercializados e
ainda agregam valor.
Essa
capacidade de movimentar, de gerar valores de “coisas” que antes não
possuíam condições de contribuir economicamente, é o que torna o turismo
interessante na sua capacidade de desenvolver-se.
Voltando a falar de oferta e demanda, também voltamos a falar de como o
mercado turístico é constituído. A demanda é composta pelos turistas que
sentem a necessidade de adquirir um serviço turístico que atenda a sua
necessidade de lazer, descanso e cultura. Já a oferta é formada pelos
bens e serviços oferecidos aos turistas.
No
Brasil, o turismo é a atividade do setor terciário que mais cresce. O
país tem um enorme potencial turístico, devido às belezas naturais do
seu imenso território e as sua imensa diversidade cultural. Entre 1995 e
2000, houve um aumento significativo no número de turistas que vieram ao
país, mudando o ranking de 43° para 29°, sem citar o turismo interno que
movimenta 26,6 milhões anualmente. (Disponível em <http://www.brasilescola.com.br>,
acesso em 20 de Março de 2010.)
A
diversidade brasileira permite ao turista nacional e internacional
explorar várias opções de turismo. Ele pode praticar o turismo de
aventura, ou pode conhecer o centro histórico de uma antiga cidade,
praticando assim o turismo cultural. Esses são apenas dois exemplos do
processo de segmentação da atividade. Esse processo permite dividir a
população em grupos homogêneos, com diferentes canais de distribuição,
motivados por diferentes fatores.
A
segmentação possibilita conhecer diferentes destinos, organizar os
diversos turistas que compõem este processo, separados por faixa etária,
nível de renda e econômico, grau de instrução, profissão e modo de vida.
Segundo Dias (2005, p. 67):
A segmentação de
mercado consiste na sua divisão em grupos de consumidores relativamente
homogêneos em relação ao critério adotado (idade, interesses
específicos, etc) com o objetivo de desenvolver, para cada um desses
grupos, estratégias de marketing diferenciadas que ajudem a satisfazer a
suas necessidades e conseguir os objetivos de atração da demanda para
determinado núcleo receptor.
Os
maiores nichos desse mercado (por afluência dos turistas) são: turismo
de lazer; de negócios ou compras; de eventos (congressos, convenções,
feiras, encontros e similares); terceira idade ou melhor idade;
desportivo; ecológico; rural; de aventura; religioso; cultural;
cientifico; gastronômico; estudantil; familiar e de amigos; de saúde ou
médico-terapêutico. Com isso, várias vantagens podem ser obtidas com
esta divisão, entre as quais:
§
Melhor preparação do núcleo receptor para atender adequadamente os mais
diferentes públicos, atendendo as necessidades específicas de cada um;
§
Ocorre uma definição mais precisa do mercado em função das necessidades
da demanda, especialmente no quesito especificidades;
§
Identificar novas necessidades dos consumidores, que nunca foram
observadas ou compreendidas;
§
Oferece vantagens para empresas turísticas, como o aumento da
concorrência no mercado, criação de propaganda especializada e
possibilidade de um maior número de pesquisas científicas.
Para
um segmento turístico ser viável e eficaz como um meio de divulgação,
ele deve apresentar as seguintes características: ser mensurável em
tamanho e outras variáveis; ser substancial, ou seja, grande e lucrativo
o bastante para servir como mercado-alvo; ser competitivo e que
proporcione vantagem em relação à concorrência e apresentar
características únicas, que justifiquem iniciativas de marketing
especifico.
A
Organização Mundial do Turismo recomenda segmentar o mercado turístico
em quatro grandes categorias que podem ser subdivididas em grupos
menores. São elas:
§
Demográfica: Idade, tamanho, raça, estado civil, renda, escolaridade,
profissão, tamanho da família, etc;
§
Geográfica: Tamanho da região, clima, relevo, etc;
§
Psicográfica: Personalidade, estilo de vida, motivações, valores,
atitudes, etc;
§
Comportamental: Conhecimento, atitude, uso ou resposta a determinado
produto, etc.
O
mercado é composto por uma grande variedade de compradores que diferem
entre si por vários aspectos. As empresas estão segmentando pelas
preferências ou necessidades dos clientes e isto permite identificar os
diversos consumidores pertencendo a grupos distintos. Segundo Moraes
(1999, p.24) apud Trigo:
Um dos fatores
determinantes para a segmentação do mercado turístico é a concorrência
cada vez maior nos diversos segmentos, o que leva a busca de
diferenciais que garantam uma clientela identificada com seu produto. As
maiores vantagens nas vendas serão conquistadas pelas empresas que
conhecerem seus clientes ou seu mercado potencial; esse conhecimento
deverá direcionar melhor seus recursos financeiros e adequar os produtos
ao mercado visado.
É de
fundamental importância que uma empresa ou órgão ligado não só à
atividade turística, mas também a qualquer outro ramo econômico ou
social, conheça o seu público, seus anseios, aspirações e necessidades.
Essa importância trabalha os dois lados e os deixa em equilíbrio, ou
seja, oferta e demanda se complementam e se conhecem melhor.
O
Ministério do Turismo define os tipos de turismo cuja identidade pode
ser conferida pela existência, em um território, de: atividades,
práticas e tradições (agropecuária, pesca, esporte, manifestações
culturais, manifestações de fé); aspectos e características
(geográficas, históricas, arquitetônicas, urbanísticas, sociais); e
determinados serviços e infra-estrutura (de saúde, de educação, de
eventos, de hospedagem, de lazer).
Portanto, a segmentação se torna de fundamental importância para
promover uma melhor adequação mercadológica dos produtos/serviços a
serem ofertados para um público-alvo direcionado. E neste contexto, um
dos segmentos que mais tem crescido nos últimos anos é o turismo de
saúde, objeto de estudo da nossa próxima discussão.
2. TURISMO DE SAÚDE: UMA BREVE CARACTERIZAÇÃO TEÓRICA
O
surgimento do Turismo de Saúde não é algo recente,
remonta a diversas culturas históricas, como a indiana, grega e romana,
e compreendia desde os tratamentos medicinais ligados a água, como
também ao clima e ao espiritualismo.
Percebe-se que a busca por algum
tratamento de saúde sempre moveu pessoas de diferentes classes sociais
em todas as épocas e partes do mundo a viajarem grandes distâncias,
mesmo em face de perigos e guerras, a locais que oferecessem alguma
forma de alívio temporário ou definitivo.
No século XIX, o volume de
deslocamentos para tratamento em estâncias hidrotermais imprimiu caráter
turístico a essas viagens. No Brasil, a primeira foi Caldas da
Imperatriz, em Santa Catarina, criada em 1813. (Ministério do Turismo)
A análise dessa evolução
resultou nos últimos anos numa mudança gradativa nos fluxos desses viajantes até
então despercebidos dentro do turismo e na economia, alterando a forma e
os destinos dos deslocamentos tendo em vista o surgimento de novos
destinos que passaram a oferecer o produto “saúde”.
O declínio de alguns destinos e o
surgimento de outros, assim como fatores econômicos, políticos,
religiosos e sociais aumentou o número, tanto de pólos ou países
emissores quanto de clientes que tem encontrado mais facilidades nesses
deslocamentos, aquecendo esse segmento de mercado.
(Disponível em http:// <www.revistaturismo.com.br>, acesso em
29 de Março de 2010)
De acordo com o Ministério do Turismo, os avanços tecnológicos e a
evolução do conceito de saúde, compreendido não mais apenas como a
ausência de doenças e sim o completo bem-estar físico, mental e social,
levaram à ampliação das possibilidades de tratamento e das interações
com a atividade turística, configurando um novo segmento denominado
Turismo de Saúde.
Atualmente esse tipo de atividade agrega um
conjunto de atividades turísticas que as pessoas exercem na procura de
meios de manutenção ou de aquisição de bom funcionamento e sanidade de
seu físico e de seu psíquico ainda chamado de turismo de tratamento ou
turismo terapêutico, praticado por pessoas que necessitam realizar
tratamentos de saúde e, por isso, procuram locais onde existam clinicas
médicas especializadas.
O turismo de saúde compreende os
deslocamentos de pessoas entre diferentes localidades cujo objetivo seja
a busca de tratamento médico ou de recuperação da saúde, utilizando-se
de forma parcial ou completa da infra-estrutura turística. Embora seja
uma atividade planejada ou eletiva, ainda assim podem ocorrer situações
emergenciais que desencadeiem a atividade de forma similar à planejada.
Embora haja uma concentração dos serviços
no entorno de algum hospital, clínica, SPA ou outro local de tratamento
ou recuperação da saúde, uma parcela considerável dessas viagens incluem
atividades turísticas, de lazer e principalmente atividades culturais no
destino. Em muitos casos, o período de recuperação pode ser
complementado com city tours ou atividades recreativas e de
entretenimento. Obviamente o objetivo principal está voltado para a
saúde, sendo o restante complementar e relacionado ao tipo de tratamento
que a pessoa realizará.
O mercado de
Turismo de Saúde
é uma realidade no mundo inteiro e já movimenta cerca de US$ 40 bilhões
por ano. O Brasil começa a dar seus primeiros passos rumo a este
segmento já que a qualidade de sua Medicina é de excelente e espera, com
isso, atrair turistas do mundo todo que tenham o objetivo de viajar rumo
a um procedimento estético ou médico. (Disponível em: <http://www.turismo.gov.br>, acesso
em 29 de Março de 2010)
O segmento de turismo de saúde
é relativamente novo no Brasil, dados de 2003 do Ministério do Turismo
apontam que o estrangeiro que vem ao Brasil por motivos de saúde é o que
permanece por mais tempo no país (em média 22 dias) e também o que gasta
mais (US$ 120 por dia). Naquele ano, o grupo representou 0,5% dos
estrangeiros que desembarcaram por aqui. Em 2005, a porcentagem já
chegava a 0,9% (aproximadamente 48,6 mil pessoas). São Paulo e Rio de
Janeiro ainda são os destinos preferenciais, mas outras capitais, como
Salvador, Recife e Curitiba também começam a integrar o circuito médico.
Esse contínuo crescimento se
dá pela qualidade do atendimento, prestígio dos profissionais e relação
médico-paciente mais calorosa. Esses são alguns dos motivos que fazem
muitos pacientes optarem por cruzar fronteiras e oceanos para serem
atendidos no Brasil. Soma-se a isso, claro, a possibilidade de conhecer
lindas paisagens naturais e de desfrutar das ótimas estruturas de
compras e gastronomia de diversas capitais.
No entanto, a motivação principal que
justifica de forma convincente a grande maioria das viagens tem sido o
fator econômico. Apenas o valor inferior por si só já é um atrativo
poderoso, não bastasse o atendimento humano ser ainda mais caloroso e o
tratamento ocorrer em hospitais tão confortáveis quanto hotéis de alto
luxo.
O país já é referência, por exemplo, em
tratamentos de alta complexidade, contra o câncer, cardiologia,
ortopedia e principalmente cirurgia plástica. O alto padrão de alguns
dos nossos hospitais e a capacitação dos médicos brasileiros chama a
atenção internacional e há casos, não poucos, de profissionais
brasileiros que são convidados para operar em outros países, alguns
deles localizados na Europa. Por sua vez, a engenharia brasileira, que
já possui histórico positivo em outras áreas, agora vem despontando, com
destaque, no setor hospitalar.
A seguir, será uma feita uma breve
abordagem acerca da realidade do turismo de saúde que vem sendo
praticado na cidade de Teresina-PI.
3. VISITANDO O CONTEXTO LOCAL: O TURISMO DE SAÚDE EM TERESINA
Nota-se que o Brasil começa a despontar
como um promissor destino de Turismo de Saúde, e, Teresina, em função da
boa localização geográfica
tornou-se o centro de medicina do Nordeste. Nos últimos anos, a
capital do Piauí tem-se destacado até nacionalmente, sendo a que mais
recebe pessoas de outras regiões para tratamentos hospitalares.
(Disponível em http://<www.teresina.pi.gov.br>,
acesso em 29 de Março de 2010)
Teresina é referência para o
Nordeste na área de saúde, que tem grande importância econômica para o
Estado. São milhares de trabalhadores envolvidos nessa área, gerando
renda para mais de 12 mil piauienses, de forma direta e indireta. Entre
os empreendimentos de saúde e complementares, os recursos gerados
representam em média 2% do Produto Interno Bruto do Estado e 37% da
arrecadação de ICMS do Piauí.
O pólo de saúde de Teresina vem apresentando um constante crescimento
nos últimos anos. Segundo a AGENDA 2015 entende-se por Pólo de Saúde
como a região que agrega serviço de alta complexidade e atrai usuários
de outras áreas em busca de tratamento especializado.
Em Teresina essa região divide-se em:
1)
Sub-Área 01:
Bairro Mafuá – Hospital de Terapia Intensiva, Clínica e
Maternidade Santa Fé e Hospital das Clínicas de Teresina, Sanatório
Meduna, Hospital Areolino de Abreu e SEPAM;
2)
Sub-Área 02:
Centro – Hospital Getúlio Vargas, Hospital de Doenças Infecto
Contagiosas, Hospital Infantil Lucídio Portela, Hospital São Marcos,
Hospital Santa Maria, São Lucas, Procardíaco, Itacor, Med Imagem,
Clínica Lucídio Portela, Max Imagem, Instituto Lívio Parente, Radimagem
Medical Center, Clinefro, Clínica Santa Clara, COT, Clínica Dr. Vilar,
Centro de Catarata, Santa Luzia, CPO, Clínica Santo Antônio e Unidade de
Diagnóstico por Imagem – UDI;
3)
Sub Área 03:
Bairro Piçarra e Ilhotas – Hospital da Polícia Militar,
Maternidade Evangelina Rosa, Casamater, França Filho, Prontocor e SAMIU.
O desenvolvimento da rede hospitalar e dos
demais estabelecimentos de serviços de saúde nos últimos sessenta anos,
acompanhado pelo crescimento tecnológico de engenharia
médico-hospitalar, dos recursos humanos em todos os níveis e profissões,
quer superior, técnico, auxiliar e administrativo, possibilitou que
Teresina se tornasse um Centro de Referência em Saúde.
Percebe-se que a capital com uma população
de 714.318 habitantes tem uma influência médica e de saúde que alcança,
aproximadamente, 5.000.000 de habitantes em sete estados, oferecendo
opções concretas de investimento e de desenvolvimento. (Disponível em:
http//<www.pi.gov.br>,
acesso em 22 de Março de 2009.)
Como Centro de Referência em Saúde,
apresenta-se com as seguintes características: 15.000 empregos diretos;
Movimentação de R$ 20 milhões/mês; Atendimento à aproximadamente 18.924
pacientes de outros estados (jan/out – 2000); Representa 5,5% do PIB de
Teresina; 634 empresas distribuídas nos setores de saúde e turismo entre
elas: clínicas, hospitais, laboratórios, ambulatórios, pensões, hotéis.
Além da rede hospitalar tanto pública como privada contar com as mais
diversas especialidades.
Por essas características para Teresina se deslocam pessoas vindas de
diversos Estados do Norte e Nordeste em busca de serviços de saúde,
chegando a representar 40% do atendimento médico dos hospitais públicos
da capital.
Essa é uma tendência crescente da cidade, sobretudo pela excelente
qualidade dos serviços prestados pelos profissionais de saúde, hoje são
feitas cirurgias cardíacas, transplantes de órgãos a cirurgias
neurológicas, entre outras.
4.
HOSPITALIDADE, CONCEITO ANTROPOLÓGICO E APLICATIVIDADE
O
ato de ser receptivo a alguém que se encontra fora de sua casa é mais do
que um simples gesto de humanidade e educação, é um ato antropológico.
Todas as culturas, fazendo- se valer o grau de expressividade, são
dotadas de sentimento de hospitalidade, assim com são capazes de
demonstrar interesse em satisfazer o visitante.
Um
dos mais antigos manuais de como recepcionar um viajante se pode
observar na Bíblia e em textos de origem semitas muito superiores ao
período cristão. De acordo com a tradição judia, qualquer viajante que
se encontrasse em terras que não fosse de sua origem, poderia se dirigir
com sua caravana até a praça da cidade, onde pelo menos um dos moradores
do local, um chefe de família, deveria ter o dever de convidá-lo a se
hospedar em sua residência até o dia em que o viajante desejasse
prosseguir em sua viagem.
A
hospitalidade como conceito social, não lhe é permitida ser demagoga,
pois a mesma nada mais é do que um reflexo da condição social e cultural
de cada lugar. O termo hospitalidade não pode ser confundido como uma
superficialidade cordial, antes um verdadeiro sentimento de acolher um
visitante com segurança, respeitando os seus motivos de deslocamento
espacial, afim de proporcionar descanso de suas atividades ou um melhor
condicionamento emocional e físico em caso de doenças.
Teresina, cidade capital do Piauí, é um grande pólo regional de turistas
na área de eventos, e principalmente saúde. A concentração de clínicas e
hospitais particulares, os quais são grandes investidores em técnicas e
tratamentos diferenciados ou inovadores é vista como grande atrativo
para o deslocamento de pessoas em busca de diversos tratamentos de
saúde.
Muitas destas pessoas, oriundas de outros estados do país,
principalmente da região norte, investem caro seus recursos na rede
privada de Teresina, além de contarem com as estruturas de apoio como as
inúmeras pensões que são encontradas no centro médico da capital.
Como
metodologia de pesquisa deste artigo foram realizadas pesquisas
utilizando questionários, com a finalidade de se obter um valor
qualitativo em relação à satisfação dos clientes da rede particular de
Teresina. Dos 25 entrevistados, todos usuários da rede particular da
capital, não detectamos nenhuma reclamação referente ao atendimento
oferecido pelas equipes hospitalares, e a maioria dos entrevistados, 18
do total de 25, o que corresponde a 72%, declararam que a qualificação
do atendimento nestas estruturas médicas era excelente, onde se fazia
valer o preço do serviço em virtude da otimização dos tratamentos
médicos e humanos oferecidos.
Quando questionados sobre o serviço médico e ao atendimento, todos os
entrevistados declararam que retornariam a realizar tratamentos de saúde
em Teresina, não somente devido a excelência na qualidade científica,
mas seguramente ao tratamento humano e a hospitalidade concedida a eles
pelas equipes interdisciplinares dos hospitais particulares.
Entretanto, os entrevistados nas pensões não demonstraram concordar com
o fato dos mesmos serem rotulados como turistas no segmento da saúde,
pois no senso comum, a atividade turística se aplica exclusivamente ao
turismo de lazer, e como os mesmo se deslocavam de suas cidades somente
em razão de tratamento médico, tais pessoas se designam somente como
pacientes, sem jamais demonstrarem uma preocupação maior com o seu
conforto, limando-se somente a ter um bom tratamento médico-hospitalar e
quando ao máximo, um atendimento humanitário e hospitaleiro pelos
profissionais da administração hospitalar.
Como
pesquisadores, podemos afirmar que tivemos surpresa pela realidade
positiva apresentada, demonstrando clientes unanimemente satisfeitos com
o serviço oferecido pela rede particular do bairro centro de Teresina.
Considerando tais resultados, para que tornem-se ainda mais um destino
em destaque no turismo de saúde, os hospitais de Teresina podem contar
com uma nova ferramenta de gestão denominada hotelaria hospitalar, dos
quais alguns dos principais hospitais da cidade já vem implementando,
porém de forma tímida, como o Hospital São Paulo, HTI, Prontomed,
Medimagem, dentre outros.
5. A HOTELARIA HOSPITALAR: UMA NOVA PERSPECTIVA PARA A MELHORIA DOS
SERVIÇOS PRESTADOS PELOS HOSPITAIS
Hotelaria ou hospitalidade são duas
áreas com aspectos afins, mas divergem quanto à sua abrangência e
alcance. A hotelaria dentro de uma ótica turística é o setor que
disponibiliza e oferece hospedagem, conforto, segurança, alimentação,
lazer e demais serviços inerentes à atividade de receber com eficiência.
No contexto da hospitalidade, a hotelaria é vislumbrada como a arte de
oferecer serviços de acolhimento, acomodação e recepção de maneira
cordial e eficaz, gerando a satisfação, o encantamento e a fidelização
dos clientes. A hospitalidade está presente na hotelaria, auxiliando no
ato de receber, tornando o atendimento no ambiente hoteleiro mais cortês
e aconchegante.
Entender a hospitalidade como parte
de um todo acaba por nos conscientizar da sua importância como um grande
modificador das pessoas e da sua real aplicabilidade nas diversas
atividades e segmentos. A hospitalidade nos leva a obtenção da
humanização e qualidade.
Dentro do contexto turístico, a
hospitalidade tem sido uma das principais forças que atrai e fideliza
clientes, oferecendo bem-estar, aconchego e conforto, resgatando as
origens e a essência da assistência hoteleira e até na assistência
hospitalar. O hospital se insere na atividade turística de duas
diferentes maneiras: como destino de pessoas que se deslocam à procura
de manutenção ou resgate da saúde ou como infra-estrutura de apoio
turístico, atendendo a turistas que necessitem de seus serviços durante
a realização da atividade turística.
Apesar do hospital e do hotel possuírem
estruturas semelhantes, o primeiro é considerado por muitos como um
local frio e impessoal. Essa realidade prevalecia até algum tempo atrás,
mas, atualmente, os clientes de saúde estão mais exigentes quanto,
inclusive, aos aspectos da qualidade na prestação dos serviços. A
instituição hospitalar tem como objetivo produzir bens e serviços
visando auxiliar as pessoas em suas necessidades, e, antes de tudo tem
uma missão nobre a cumprir e não simplesmente transações comerciais a
realizar.
O cliente de saúde não procura mais
somente pelos benefícios dos serviços de saúde, ele prima também pelo
respeito e solidariedade a seu aspecto físico e emocional, ou seja, os
clientes de saúde precisam ser tratados, prioritariamente, como seres
humanos. Em virtude desse e de outros aspectos, o desempenho da
instituição hospitalar que preze pela qualidade e humanização em seus
serviços constitui-se como fator determinante para o sucesso da
organização e a Hotelaria Hospitalar surge como uma tendência que veio
para livrar os hospitais da “cara de hospital” e que traz em sua
essência uma proposta de adaptação a essa nova realidade do mercado,
modificando e introduzindo novos processos, serviços e condutas (TARABOULSI,
2003).
Moraes (2004, p. 52) aponta a seguinte
definição para o termo Hotelaria Hospitalar:
A prática de serviços
e atividades que visam ao bem-estar, ao conforto, à segurança, à
assistência e à qualidade no atendimento a clientes da saúde,
representados por pacientes e acompanhantes, desde seu ckeck-in
até seu completo check-out em um hospital. MORAES (2004; p.52)
Para Godoi (2004, p. 41), a
“hotelaria hospitalar dentro da instituição de saúde tem um novo
conceito de que o hospital assume um novo perfil, o de que existe não
apenas para tratar de doentes, mas para produzir conhecimento, saúde e
qualidade de vida.”
A hotelaria hospitalar não é
prerrogativa apenas de hospitais particulares, existindo também em
hospitais públicos, cujas iniciativas individuais têm minimizando a dor
e o sofrimento de uma grande parcela da população que se vê abandonada
nos momentos mais difíceis de suas vidas, procurando amenizar a dor e o
sofrimento humano em um dos momentos mais difíceis que uma pessoa passa.
Introduzir serviços da hotelaria
convencional em hospitais da rede privada do centro de Teresina tem
mostrado um fator importante em agregar conforto e serviços diferenciais
e até de luxo a ambientes ate então despojados. Vários setores de um
hospital podem ser estruturados ou reestruturados para oferecer serviços
de melhor qualidade e conforto aos pacientes, familiares e amigos,
adequando ao serviço prestado pela hotelaria convencional, o que
contribui para consolidar de fato o turismo de saúde como importante
segmento para o desenvolvimento da atividade turística da capital
Teresina.
REFLEXÕES FINAIS E CONTRIBUIÇÕES PARA O DEBATE
O conhecimento proveniente deste estudo
oferece um fluxo de informações para as discussões sobre o turismo de
saúde que temos e o turismo de saúde que queremos para a capital
Teresina, na medida em que fornece informações concretas de perfis dos
seus usuários, constituindo uma ferramenta de aperfeiçoamento dos
produtos e serviços pela evidência obtida através dos questionários
aplicados, que constituem a base da investigação empírica deste estudo.
Nos estabelecimentos analisados, denota-se
a necessidade das pensões existentes na região pesquisada em recorrer a
ações concretas de melhorias contínuas no que tange às suas estruturas
físicas, bem como seus serviços. Somado isso ao fato de que em relação
ao atendimento recebido nos hospitais, a maior parte dos usuários opina
de forma positiva e satisfatória, podemos afirmar que tais
circunstâncias levarão a um maior fortalecimento deste segmento na
cidade. De forma global, consideramos que atingimos os objetivos
anteriormente referidos, podendo esta investigação servir de base a um
futuro estudo de caráter mais avançado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COLEMAN, L. W.
Manual dos tempos bíblicos. São Paulo: Ed. Betânia, 1991.
Dados do Turismo de Saúde no Brasil.
Disponível em http://<
www.brasilescola.com>. Acesso em 20 de Março de 2010.
Dados sócio-econômicos de Teresina.
Disponível em http:// <www.teresina. pi.gov.br>, acesso em 29 de Março
de 2010.
Dados sócio-econômicos de Teresina.
Disponível em http:// <www.turismo. gov.br>, acesso em 29 de Março de
2010.
DENCKER, Ada de
Freitas Maneti. Pesquisa em Turismo: planejamento, métodos e técnicas /
Ada de Freitas Maneti Dencker. – São Paulo: Futura, 1998.
DIAS, Reinaldo.
Introdução ao Turismo. São Paulo: Atlas, 2005.
Informações sobre Teresina-PI.
Disponível em http:// <www.wikipedia.com.br>, acesso em 29 de Março de
2010.
GODOI, Adalto Felix
de. Hotelaria hospitalar e humanização no atendimento em hospitais.
São Paulo: Ícone, 2004.
Marcos Conceituais do Turismo. Dados do Turismo de Saúde no
Brasil.
Disponível em http://<
www.brasilescola.com>. Acesso em 20 de Março de 2010.
MORAES, Ornélio
Dias de. Hotelaria Hospitalar: um novo conceito no atendimento
ao cliente da saúde. Caxias do Sul: Educs, 2004.
MOURA, Liége de
Sousa(org.). Hotelaria Hospitalar como instrumento fortalecedor do
turismo de saúde em Teresina-PI. Teresina, PI: 2005.
O crescimento do turismo de saúde no Brasil.
Disponível em <http://www.turismo.gov.br/turismo/noticias/todas_noticias/200909242.html>.
Acesso em 22 de Março de 2010.
O crescimento do turismo de saúde no Brasil.
Disponível em <http://www.turismo.gov.br/turismo/noticias/todas_noticias/200909242.html>.
Acesso em 22 de Março de 2010.
PREFEITURA
MUNICIPAL DE TERESINA. Teresina 2015: Planejamento de Desenvolvimento
Sustentável. Teresina: 2003.
QUINTELA, Alegria;
CORREIA, Anabela; ANTUNES, Joaquim. Qualidade de Serviço no Turismo
de Saúde e Bem Estar – um estudo exploratório. IN: Revista Turismo e
Desenvolvimento, nº 13/14: 2010.
TRIGO, Luiz Gonzaga
Godoi (org.). Análises Regionais e Globais do Turismo Brasileiro.
São Paulo: Roca, 2005.
VIEIRA, Elenara
Vieira de Vieira. Qualidade em serviços hoteleiros: a satisfação do
cliente é dever de todos. Caxias do Sul:EDUCS, 2004.
|