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João dos Santos Filho
joaofilho@onda.com.br
Vejam o exemplo MEC-USAID. Não
há dúvida nenhuma que temos de aproveitar a contribuição
estrangeira. Mas ela não nos traz a autonomia escolar relativa.
Ela nos liga a soluções artificiais. Podemos imitar os Estados
Unidos através de um processo de colonização educacional, mas
não podemos transferir para cá as condições econômicas,
culturais e políticas dos Estados Unidos. Infelizmente, para
nós. Não temos meios para atingir os fins. Portanto, precisamos
de uma autonomia escolar que esteja relacionada dialeticamente
com a independência econômica, com a emancipação nacional e com
a revolução democrática. Esses elementos são interagentes
reiterativos. Não podem ser separados. Sem revolução educacional
não há os outros tipos de transformações. (Pronunciamentos e
debates apresentados pelo Deputado Constituinte Florestan
Fernandes em 1987. p. 31. )
O sistema educacional de um país deve ser construído dentro de
bases humanistas universais e autóctones ao mesmo tempo, esse
equilíbrio dialético pedagógico-programático deve ser sempre
preservado no conjunto da luta em favor de uma educação
democrática, coletiva, publica, competente e nacional.
Amalgamada na prontidão da consciência crítica de uma história
que esteja em defesa da autonomia na educação brasileira.
O processo para que essa mediação de equilíbrio ocorra se
concretiza no interior das lutas em torno da educação ganhando
as ruas e praças e envolvendo a sociedade como um todo numa
reforma universitária voltada às necessidades da população
brasileira. E não aquela que nos foi imposta pelo governo
Federal via Decreto de 20 de outubro de 2003 que em rápidas
ponderações:
·
Admite a crise na educação superior publica,
colocando como fator causal a frágil e ultrapassada estrutura do
Estado para a arrecadação fiscal;
·
Lamenta a situação das Universidades e Faculdades
privadas no que tange aumento da inadimplência do aluno e o
questionamento que o mesmo começa a fazer com maior insistência
no que se refere à qualidade do curso.
·
Propõe a ampliação nas vagas para contratação de
professores no ensino universitário e ao mesmo tempo determina o
aumento da carga horária do mesmo em sala de aula e a ampliação
de numero de alunos por turma;
·
A solução para contornar a crise da educação
presencial, bem como, há necessidade premente em aumentar as
vagas no ensino superior, só podem ser resolvidas com a educação
à distância como resposta;
·
O estimulo às instituições de ensino para adotarem
cursos de curta duração, dois ou três anos;
·
A falsa defesa da autonomia universitária
colocada pelo governo que na verdade se restringe a autonomia
financeira, processo que libera as instituições educacionais
principalmente públicas para empresariar seus serviços e criar
fontes de renda. Um processo claro de privatização da atividade
estatal o coletivo se torna individualizado.
Esse conjunto de situações nós colocam diante de uma
constatação inevitável, existe a intenção deliberada do
capital em necrosar a estrutura do ensino público no Brasil,
privilegiando a iniciativa privada como a solução para amenizar
a crise do capitalismo. Para isso, há necessidade de contrair ou
simplesmente eliminar as iniciativas de pesquisa e extensão,
dificultando cada vez mais o papel do investigador no interior
das instituições de ensino, pois o que interessa é o retorno ao
ensino técnico, acrítico e de massa.
Apesar da propalada democracia que vivemos, pouco ou
quase nada de democrático são as atitudes que enfrentamos no
interior das instituições de ensino tanto públicas como
privadas. Na primeira, sofremos com os baixos salários (anos sem
qualquer reposição salarial) falta de concurso para repor
professores que saíram da instituição, a quase impossibilidade
de desenvolver pesquisas, equipamentos sucateados, ultrapassados
e falta de laboratórios. Na segunda, a política neoliberal se
encarregou de desenvolver um processo de emulação junto à
população em que a atividade pública é tida como atrasada
incompetente e que lesa os interesses coletivos em razão da
corrupção inerente no aparelho de Estado. Bem como, o nosso
senso-critico fica enclausurado nos limites da nossa
contratação.
Com esse projeto de política neoliberal o Estado
brasileiro dá as instituições privadas enormes vantagens para
que seu empreendimento econômico - a educação - se fortifique e
aos poucos vá tomando o papel de instrumento ideal para
desenvolver a atividade pública. Por isso do programa
“Universidade para Todos”, proposta que iniciou de forma
disfarçada à transferência de recursos públicos para a
iniciativa privada.
Entretanto, a conseqüência desse desprezo do
Estado para com a educação pública começa a explicitar seqüelas
de dimensões catastróficas para a educação nacional no que se
refere ao campo da “segurança nacional”. Ou como podemos
afirmar, a educação autóctone deixa de ser considerada na
elaboração dos sistemas educacionais nacionais. E esse processo
parecer não estar longe de se instalar entre nós.
Vejamos o que ocorreu com o complexo educacional
da Universidade Anhembi-Morumbi foi vendida ao um grupo
norte-americano, quem poderia imaginar que o idealista e
entusiasta do primeiro curso de graduação em turismo no Brasil
professor Gabriel Mário Rodrigues fosse levado a vender 51% das
ações para uma multinacional. Deve ter suas razões comerciais e
pessoais que não nos cabe discutir.
O nosso questionamento se refere ao processo de
desnacionalização a qual passa a educação brasileira e
entendemos que o acordo MEC-USAID ressurge, incorporado agora em
outras modalidades que são as grandes corporações financeiras
estrangeiras, cujo objetivo é encontrar outros caminhos para
retirar a mais-valia da mercadoria educação. Por isso entendemos
que o fantasma do referido acordo esta tão presente quanto no
passado.
Não poderíamos permanecer calados diante desse
processo de agressão à educação nacional que perde a identidade
de sua natureza autóctone e passa a ser pensada como um processo
de globalização em que o que esta valendo é considerar a mesma
uma mercadoria como outra qualquer em que seu significado é dado
por seu valor monetário.
Assim não poderíamos deixar de recordar um dos
maiores intelectuais brasileiros e educador do continente o
professor Florestan Fernandes que em um de seus muitos textos
afirma:
Existem problemas ainda mais
complexos, que dizem respeito às relações entre o Brasil e
outras sociedades capitalistas como, por exemplo, a dominação
imperialista da Europa avançada, dos Estados Unidos e do Japão,
sobre o Brasil. Ou ainda o fato de nós termos tido uma comissão
MEC-USAID, que acabou calibrando toda a reordenação jurídica de
nosso sistema educacional. É notória a introdução de concepções
que degradam e subestimam o ensino público, enaltecendo o ensino
privado e que acabam por fortalecer a idéia de que a educação,
para ser responsável, precisa ser, sobretudo uma
mercadoria.
Nossa indignação como educador turismólogo e sociólogo é pensar
que esse processo de desnacionalização do ensino nacional embota
a criatividade e a idiossincrasia do povo brasileiro, nos
pasteurizando numa lógica empreendedora dada pelo capital
que necessita globalizar a educação mundial sobe a égide do
imperialismo norte-americano.

João
dos Santos Filho é bacharel em Turismo pelo Centro
Universitário Ibero-Americano de São Paulo (Unibero) e
bacharel
em
Ciências Sociais
pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).
Mestre em Educação: História e Filosofia da Educação pela
PUC/SP. Foi coordenador dos cursos de Turismo da Faculdade
Nobel e também do Centro Universitário Filadélfia de
Londrina (Unifil); e professor na Universidade Norte do
Paraná de Londrina (Unopar); e professor na Faculdade
Maringá – PR. É membro-fundador do Instituto de Análises
sobre o Desenvolvimento Econômico Social (Iades) e da
Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo de São Paulo (ABBTUR/SP).
Foi professor-convidado na Faculdad de Filosofia e Letras da
Universidad Nacional de Heredia (UNA), na cidade de San José
da Costa Rica, para ministrar disciplina no curso de
pós-graduação, no semestre de 1995. Ministrou curso na
Universidad de Rio Cuarto, na cidade de Rio Cuarto-Argentina;
na pós-graduação em Integração Latino-Americana e na
Universidad de San Carlos, na Guatemala. É professor
concursado pela Universidade Estadual de Maringá, no Estado
do Paraná, Brasil e professor no Centro de Ensino Superior
de Maringá (Cesumar) na cidade de Maringá-Pr.
Possui vários artigos publicados em livros e revistas
acadêmicos nacionais e internacionais, e colaborador nos
sites:
www.estudosturisticos.com.br e
www.espacoacademico.com.br e do Conselho Editorial
da Revista Eletrônica do Centro de Estudos em Geopolítica
e Relações Internacionais (Cenegri)
www.intellector.com.br. Membro do Conselho
Científico do Boletim de Estudos em Hotelaria (Beth);
do curso de Turismo das Faculdades Integradas da Vitória
de Santo Antão (Faintvisa) e Membro do Conselho
Editorial da revista semestral Global Tourism -
www.periodicodeturismo.com.br .
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