|
Escrever sobre a história brasileira
requer equilíbrio, racionalidade e criticidade, bem como, ter
consciência do lado em que o pesquisador se coloca como narrador dos
fatos. Obviamente toda história é ideológica, como diz Georg Lukacs “não
há ideologia inocente”, portanto, querer achar culpados sem, contudo
compreender as determinações sociais é praticar a anti-história ou
transformá-la em tragédia ou comédia como diria Karl Marx.
A memória histórica de um país deve ser
preservada, com isso quero dizer que a mesma deve ser resultado de um
processo de recordação constante, patrocinado pelo Estado e instituições
que tem o dever de repassa - lá, ou melhor, inculcá-la em todas as
gerações como patrimônio da memória histórica de um povo.
Retratá-la como história da conspiração de
uma suposta armação maquiavélica em que nós somos os puros e ele é o
vilão, se constitui em um tratamento hegeliano de entender a história.
Com isso, reafirmo que o tratamento que alguns borra botas dão ao
presidente Lula é deplorável como também lamentável.
Podemos culpar o Lula por inúmeras razões
ideológicas de corte partidário (os pressupostos doutrinários que
sustentavam originariamente o Partido dos Trabalhadores – PT),
principalmente os princípios que serviram para maximinizar a maioria da
vontade dos brasileiros, quanto o que seria fazer política diferente, ou
seja, voltada para as classes populares, foi mantida. O que não foi
mantido foram os espaços para a luta pelo socialismo, este foi
nacionalmente e internacionalmente questionado com base nos resultados
do socialismo real, que não tem nada a haver com o socialismo
cientifico.
Podemos culpá-lo também, por desenvolver
uma política assistencialista que alimenta um populismo de “toma lá,
dá-cá,” como comentam os borras botas de plantão, entretanto, esquecem
que o Brasil possui uma enorme população passando fome que está excluída
das coisas mais básicas como saúde, educação, alimentação e dignidade.
Esta comprovada por pesquisas, que o programa Bolsa Família alterou
significativamente o quadro de miserabilidade de enorme parcela da
população que se encontrava excluída da referencia de cidadania. Para um
problema endêmico de pobreza o combate é no primeiro momento o
assistencialismo emergencial até que se complete o ciclo de um
desenvolvimento natural.
Podemos culpá-lo por ampliar sua base de
sustentação política com antigos inimigos do povo e com isso fragilizar
seu ideário ideológico original. Mas nunca acusá-lo de colocar as
riquezas naturais na trilha dos interesses das multinacionais, na
verdade há um imenso esforço de colocar a exploração das riquezas sob a
tutela do Estado ou de empresas genuinamente nacionais, como a
exploração do Pré-sal. Apesar da violenta pressão do capital estrangeiro
exercer para que o governo Lula continue o processo de privatização que
foi detonado por Fernando Henrique Cardoso.
Não podemos é deixar com que o preconceito
de classe, sobreponha a racionalidade e desenvolva o discurso racista,
na qual Lula esta sendo objeto por parte de oportunistas decadentes, que
o acusam de expressar opiniões espontâneas ou por discursar com um
vernáculo que oculta algumas letras. Esses escorregões de linguagem é
produto de um brasileiro comum que expressa às dificuldades encontradas
no dia a dia de grande parte da população brasileira.
Como recado gostaria de ressaltar que o
governo Lula, tem defeitos e enormes defeitos, mas se compararmos o seu
governo com os que lhe antecederam, percebemos que os benefícios
alcançados são superiores, no campo da saúde, educação, alimentação,
distribuição de renda, recuperação da indústria brasileira e
principalmente no orgulho de ser brasileiro.
Por isso, apoiamos o trabalho exemplar que
a Policia Federal tem feito contra o crime organizado e a corrupção
política, e pedimos que a judiciário agilizasse os processos legais
contra políticos ladrões. E que o governo esteja mais próximo dos
desejos do povo que hoje começa a se manifestar contra a corrupção
endêmica que assola o país.
|