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Cansado de produzir textos
científicos sobre o fenômeno do turismo, resolvemos escrever este de
gênero provocativo e irreverente. Percebemos existir outros estilos de
comunicar-se com aqueles que acompanham nossos textos, bem como, para os
que rejeitam nossas opiniões. Esperamos assim, estar contribuindo para
que o trade melhore seu entendimento e aprofunde seu senso
crítico sobre o significado de uma verdadeira “Política Nacional de
Turismo” – Homo Turisticus Brasilis –.
Apesar do tom galhofista do
nosso discurso, nada nós impede de trazer uma contribuição para o
turismo brasileiro e expressar opiniões diferentes das tradicionais,
subvertendo a ordem do pensamento de parte do trade sobre a
compreensão do turismo. Esclarecemos, que como estudioso e
pesquisador do fenômeno turístico, nosso interesse está localizado na
criação de Políticas Públicas que subsidiem o turismo interno junto à
população brasileira.
A escrita irreverente deve ser
encarada de frente, como um alerta para a hegemonia que hoje o Estado
brasileiro dá ao turismo receptivo (estrangeiro), e a pouca ao quase
nenhuma ação eficaz voltada para o turismo interno. Devo esclarecer que
os programas e ações em torno do turismo, desde a criação da EMBRATUR
foram em sua maioria voltadas para o turismo receptivo.
Em um pequeno resgate da ação
de cada gestão dos presidentes da EMBRATUR, contada no livro
“EMBRATUR40ANOS” publicado em 2006, podemos entender que a prioridade
sempre foi e continua sendo para o turismo receptivo.
Em 1967, a Ditadura Militar
estimulava o turismo em um discurso que afirmava ser o mesmo “indústria
básica”, constituindo uma atividade de interesse nacional, pois o
aumento da entrada de turistas estrangeiros no país seria ativado pela
simples criação da EMBRATUR, como podemos perceber na citação abaixo:
a)
o turismo externo pode representar para o
Brasil um saldo de divisas capaz de equilibrar o balanço de pagamentos
no capítulo correspondente a viagens e turismo;
b)
em conseqüência, a receita anual de 120
milhões de dólares como primeira meta exigirá uma expansão de oferta de
alojamento e uma reestruturação dos serviços de promoção, a fim de
trazer anualmente 500 a 600 mil turistas do exterior, mais que
triplicando o atual fluxo de visitantes (DA SILVEIRA, s.d, p. 32).
Este foi um período conduzido
por constante ufanismo, orquestrado pelos militares, que buscam conectar
o turismo aos ideais da chamada “revolução” golpista de 64 na qual o
Estado começa a tomar medidas para a criação de uma infra-estrutura
pensada em facilitar a vinda de turistas estrangeiros. As iniciativas
foram propostas pelo diretor da poderosa Associação Comercial do Rio de
Janeiro – ACRJ Joaquim Xavier da Silveira, indicado com apoio do
Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais - IPES para ser o primeiro
presidente da EMBRATUR, isto é, homem de confiança dos militares e da
classe dominante, é comentado o período de seu mandato como:
Realização, em 1967, do I Encontro
Nacional de Turismo, com a participação de ministros, governadores,
presidentes de entidades e empresas do setor;
Aprovação da construção de hotéis de
padrão internacional em vários locais turístico do país, como Sheraton,
no Rio de Janeiro, Tropical, em Manaus, e Hilton, São Paulo (EMBRATUR40ANOS,
2006, p. 38)
Como sabemos
muitos desses empreendimentos hoteleiros colocaram cotas de ações a
venda no mercado financeiro durante sua construção, permitindo que
grande parte do dinheiro necessário para sua realização fosse arrecado
no próprio mercado brasileiro. O que desmistifica parte da idéia de que
cadeias internacionais trouxeram capital para o desenvolvimento da
hotelaria brasileira, o que eles trouxeram na verdade foi à tecnologia
de ponta de como administrar hotéis internacionais para o turismo
receptivo.
Esse processo
prossegue com a criação do Fundo Geral de Turismo - Fungetur em 1971 que
propunha ser instrumento financiador voltado para pequenas e médias
empresas no campo do turismo, mas que na prática serviu para o
financiamento de hotéis cinco estrelas de redes internacionais. Os
empresários nacionais tiveram dificuldades para requerer esses
empréstimos, pois, poucos conseguiam atender a todos os requisitos
exigidos para aprovação do cadastro.
Em 1972, o segundo Presidente
da EMBRATUR Carlos Alberto Andrade Pinto, apesar da mídia e ações
desenvolvidas sinalizarem uma vontade política voltada para o turismo
interno, as suas realizações vieram premiar de forma inconteste o
turismo receptivo. O Governo Militar utilizou do turismo para
implementar seus ideais ufanistas de “projetos impactos”, quando para
justificar a criação da rodovia Transamazônica, usa o marketing -
TURISMO - FATOR DE INTEGRAÇÃO NACIONAL -.
Em 1973, o terceiro Presidente
da EMBRATUR Paulo Manoel Protásio, mais um homem de confiança da
poderosa Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ desenvolveu
programas e ações no campo do marketing:
Prossegue o processo de estruturação da
EMBRATUR, divulgação e promoção internacional do Brasil, além de
projeção da imagem da empresa dentro do país. Atrair turistas
estrangeiros e incentivar o turismo interno são algumas das prioridades,
bem como a participação da EMBRATUR em eventos internacionais, a
reorganização do setor hoteleiro e a ampliação do turismo cultural e de
negócios (EMBRATUR40ANOS, 2006, p. 46).
Com a proposta
ideológica da “segurança e desenvolvimento” buscou-se criar uma “vontade
coletiva” para que o ufanismo de um Brasil Grande e cristão se tornasse
a lógica da vontade popular. Músicas de motivação nacionalista,
propagandas de conteúdo cívico e frases de crítica a todos que se
opunham à Ditadura Militar como “Brasil ame-o ou deixo-o”.
Dentro desse processo surgiram programas
também de intensa retórica nacionalista, mas que não deixaram de serem
interessantes para despertar o turismo nacional, como: “Projeto Rotur,
que consiste na produção de 20 mil fotogramas relativos aos principais
atrativos turísticos do território nacional” (EMBRATUR40ANOS,
2006, p. 46). O qual não se conhece o
destino desse material iconográfico.
Não podemos esquecer-nos do projeto Turis que foi
lançado no auge da euforia da ideologia nacionalista, na qual foi
contratada uma empresa italiana para fazer o levantamento da costa de
Santos – Rio. Gastou dinheiro público para um estudo que careceu de uma
série de análises sociológicas da cultura local, da floresta tropical e
do ecossistema. Os dois projetos devem fazer parte do arquivo morto da
EMBRATUR ou estar perdido em uma das gavetas empoeiradas de algum
Ministério.
O quarto presidente da
EMBRATUR é senhor Said Farhat, homem ligado aos meios de comunicação e
propaganda foi convidado a servir o governo do presidente Ernesto Geisel
pelo Ministro da Indústria e do Comércio, senador Severo Gomes. Segundo
informações;
A EMBRATUR segue em seu processo de
modernização, com investimento na estruturação interna e na criação de
diretorias que irão permitir melhor planejamento de suas ações e
atuação, por exemplo, junto às embaixadas do Brasil no exterior. É neste
período que o trade nacional passa a comparecer sistematicamente
a eventos fora do país. A EMBRATUR institui uma legislação turística
específica e abrangente para que o setor possa atender às novas demandas
de uma indústria em crescimento (EMBRATUR40ANOS, 2006, p. 50).
É nesse período,
que a EMBRATUR via prefeituras iniciam um processo de construção de
balneários destinados a classe média. Municípios aplicaram parte de seus
recursos e por falta de um planejamento integrado com setores de
infra-estrutura, os empreendimentos são abandonados e vendidos para a
iniciativa privada.
O quinto
presidente da EMBRATUR período de 1979 a 1984 o economista Miguel
Colasuonno do grupo político de Paulo Maluf, segundo comentário da
EMBRATUR:
Período caracteriza-se, principalmente,
pela divulgação do Brasil no exterior por intermédio de programas de
incentivo, além da dinamização e incremento da participação dos fundos
de financiamento no setor turístico. Os recursos desses fundos são
aplicados em programas de estimulo ao turismo interno. A EMBRATUR
investe na sua informatização, aumentando a agilidade na obtenção de
informações sobre os fluxos turísticos do país. O cálculo da receita
turística é incluído na balança de pagamentos, o que faz o setor
aparecer em sua real significativa contribuição.
·
Investimentos para atrair
turistas no exterior, com a implantação de escritórios nos Estados
Unidos (Nova York), Alemanha (Frankfurt) e França (Paris)
·
Criação do Programa Portões
de Entrada do Nordeste, lançado nos Estados Unidos, Suíça e na Alemanha
·
Criação de vôos charters a
partir da Europa e Estados Unidos, com tarifas especiais para destinos
brasileiros como Manaus, Belém, Fortaleza, Recife e Salvador
·
Criação do programa
Financiamento de Turistas para o Brasil, que financia viagens de
estrangeiros com juros subsidiados
·
Criação do bilhete Brazil
Air Pass, que permite ao turista estrangeiro viajar por 21 dias (sem
limite de quilometragem) em qualquer vôo doméstico (EMBRATUR40ANOS,
2006, p. 56)
Esse é um
período voltado exclusivamente para o turismo receptivo, onde a
divulgação da imagem do Brasil está a gosto de parte do trade,
que apostava alto no turismo receptivo, por meio de uma folheteria que
abusava das imagens de mulheres seminuas, período que acabou demarcando
o Brasil como rota do turismo sexual.
Os objetivos foram promover a
nação brasileira na América Latina, Estados Unidos e Europa, com a vinda
de jornalistas e empresários que tivessem dispostos a divulgar o Brasil,
independente do apelo publicitário que usassem.
O sexto
presidente da EMBRATUR Hermógenes Teixeira Ladeira
permaneceu no cargo por cem dias. O sétimo presidente da EMBRATUR
Joaquim Affonso Mac Dowell leite de Castro deputado pela UDN e PMDB foi
presidente da EMBRATUR entre 1985 a 1986, voltou sua administração para
o turismo social, criando pacotes destinados à classe média, mas também
investiu em campanhas de marketing tanto para o mercado interno e
externo.
O oitavo presidente da EMBRATUR João Dória
Junior esteve à frente dessa entidade de 1986 a 1988
criou o Passaporte Brasil, um projeto de promoção do Turismo
internacional, que agregava uma série de pacotes turísticos organizados
por operadoras nacionais e cria o
dólar-turismo.
O nono
presidente da EMBRATUR Pedro Grossi Júnior de 1988 a 1989 permaneceu um
ano administrando as atividades deixadas por João Doria Junior.
O décimo
presidente da EMBRATUR Ronaldo do Monte Rosa, volta à vontade política
de organizar o turismo interno, mas como sempre não encontra eco junto
ao trade.
O décimo primeiro presidente da EMBRATUR Lúcio Bello de
Almeida Neves, de 1992 a 1993, a prioridade é a imagem exterior para
estimular o fluxo de estrangeiros para o Brasil.
O décimo segundo presidente da EMBRATUR Flávio José de
Almeida Coelho de 1994 a 1995 retoma a prioridade do turismo interno,
com a organização burocrática e filosófica do turismo rural e de saúde.
O décimo terceiro presidente da EMBRATUR, Caio Luiz Cibella
de Carvalho de 1995 a 2002 se caracterizou por período de intensa força
de propaganda e publicidade em torno de sua imagem atrelado ao Programa
Nacional de Municipalização – PNMT. Essa gestão de sete anos se pautou
pelo processo irresponsável de emulação junto aos prefeitos municipais
das cidades brasileiras que na esperança de conseguir os selos do
PNMT-EMBRATUR que prometiam verbas para desenvolver o turismo em suas
cidades. Submeteram a população local a participar de três cursos sobre
o programa, que automaticamente lhe trariam recursos, que hoje sabemos
nunca chegaram às prefeituras.
Lembramos que o dinheiro para os treinamentos acabaram
sendo bancados pelos prefeitos, que ficaram também sem verbas para
desenvolver os projetos que foram pensados pelos participantes que eram
manipulados pelo método ZOOP, para se aprofundar no assunto recomendamos
ler meus seguintes artigos:
· Carta
Ao Excelentíssimo Presidente Da República: SOS Turismo/Turismólogo.
http://www.espacoacademico.com.br/018/18jsf.htm
http://www.espacoacademico.com.br/093/93jsf.htm
O
décimo quarto presidente da EMBRATUR, Luiz Otávio Caldeira Paiva,
permaneceu um ano a frente da entidade, incentivou o ecoturismo e
realizou seminários e Fóruns Empresariais na Europa.
O décimo quinto presidente da
EMBRATUR, Eduardo Sanovicz, transformou a entidade em um grande
Convention Visitors Bureaux, pois conseguiu fazer com que os interesses
privados subjugassem aos interesses coletivos. E castrasse de vez com o
turismo interno, isto é, a estrutura burocrática do Estado brasileiro
foi direcionada para o turismo receptivo.
O décimo sexto presidente da
EMBRATUR, Jeanine Pires, uma funcionária de carreira que sabe
administrar sem o ufanismo e empáfia dos que lhe antecederam.
Com esse breve comentário
sobre os presidentes que responderam pela EMBRATUR. Se é que dá para
comentar algo, pois alguns usaram da entidade (como casa de engorda.
http://www.espacoacademico.com.br/080/80jsf.htm) para galgar cargos mais
importantes tanto na área pública como privada, processo em que se
caracteriza a falta de compromisso com Políticas Públicas em Turismo no
Brasil.
Nesse sentido, podemos galhofar tanto com os
problemas que o turista nacional e estrangeiro enfrenta para viajar pelo
país, sugerimos que os mesmos montem um kit de viajem e conte com
a sorte de todos os orixás;
-
O turista estrangeiro e classe média
alta brasileira podem contar à sua disposição hotéis de rede
internacional ou nacional despossuídos de qualquer característica da
hospitalidade brasileira. Sugerimos que comprem antes de entrar no
hotel; pé-de-moleque, cocada, bolo de milho, tapioca, curau, paçoca,
quindim, pão de queijo, goiabada, doce de leite e queijo. Para não
ser obrigado a consumir industrializados multinacionais.
-
Uma barraca de camping, independente
de ir acampar, pois os vôos e conexões podem ser cancelados, atrasar
horas ou até dias;
-
Não usar jóias verdadeiras, mas sim
imitações artísticas da Rua 25 de março ou José Paulino;
-
Repelente contra a Dengue;
-
O jogo War Rio para poder saber como
se afastar das áreas consideradas de risco “o famoso GPS do
turista”;
-
Um colete a prova de balas, para
evitar as balas perdidas, esse item é imprescindível dependendo da
área para onde irá se deslocar;
-
Sendo bebedor de leite, trazer “longa
vida” de seu país;
-
Trazer o cartão do seguro medico
plastificado e pendurado no pescoço. Para evitar que num acidente, o
turista seja levado para o atendimento de saúde público;
-
Ao sair para a rua não levar dinheiro,
a não ser uma nota de cinqüenta reais no bolso, para o ladrão,
segundo orientação do site do Ministério das Relações exteriores da
França;
-
Evitar "parecer-se um
turista". Não sair a passeio, vestindo roupas como "chapéu de
caçador africano" ou camisetas gravadas "I love Brazil", “I love
Rio” Aquelas que foram distribuídas pela EMBRATUR, não usar bolsas
grandes e para as compras mais
caras, utilizar o cartão de crédito;
Bibliografia
DA
SILVEIRA, Joaquim Xavier. Turismo Prioridade Nacional. Rio de
Janeiro: Record, s.d.
EMBRATUR, Ministério do Turismo.
EMBRATUR40ANOS: Uma trajetória do turismo no Brasil. Brasília, 2006. |