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Hoy em dia
<<moderno>> significa tener acceso a los circuitos industriales del
comercio, las finanzas, las imobiliárias y la industria turística.
Ser<<marginal>> hoy significa ser nacional, regional, local. Las élites
internacionales son las que hacen la historia; los marginales son los
objetos de esta:: objetos de explotación, objetos típicos o sexuales del
turismo, un emplazamiento para la apropiación y la inversión.
Nesses dez anos, pesquisando,
fazendo palestras e escrevendo sobre “Políticas Publicas de Turismo no
Brasil” tenho questionado política e tecnicamente a atuação dos órgãos
públicos de turismo em sua essência histórica, primeiramente a EMBRATUR
e posteriormente o Ministério de Turismo. Devo confessar que como
turismólogo e sociólogo, que o Estado se apresenta cada vez mais
distante, desse campo de atividades, para com as classes populares, e
isso não é força de um discurso militante da década de 1970, ou de uma
ortodoxia esquerdista ultrapassada e cheia de clichê stalinista, mais
sim, de um estudioso marxista do fenômeno turístico.
Devo dizer para a Ministra
Marta Suplicy a qual sempre admirei pelo seu compromisso como
intelectual orgânica das classes populares que sua passagem pela
prefeitura mostrou para o Brasil sua disposição em coibir a corrupção,
combater a máfia do transporte urbano, denunciar e abrir processo
criminal contra os ladrões da merenda escolar e de colocar os serviços
municipais do campo da saúde, educação e lazer mais próximo da
periferia.
Na verdade no Brasil o
turismo é algo que surge para os governantes como solução para a crise
econômica, por isso pensa-se somente no turismo receptivo, como forma de
ingresso de recursos econômicos consignado em moeda forte o dólar.
O turismo interno é algo esquecido e até menosprezado pelo Estado que
acabou taxiando certo interesse pelo assunto no período getulista
especificamente de 1938 até a criação do SESC, SENAC em 1946.
Os militares criam a EMBRATUR
em 1966 dois anos após o golpe de Estado, usam-no para encobrir a
repressão, a tortura e o seqüestro praticado pelas Forças Armadas junto
à população civil.
Desenvolvem um ufanismo cívico moralista e fazem desta a ideologia carro
chefe para salvar o Brasil do comunismo e adotarmos a vida pró-americana
e “democrática” cristã.
Tanto na década de 1930 como a
de 1964 o Estado usou do turismo para encobrir os atos de repressão à
sociedade, tanto Getúlio e os governos militares posteriores utilizaram
do turismo como escudo para que seus interesses de imagem fossem
maquiados pelo “paraíso tropical. Se 1930 foi para firmar a imagem de
Getúlio como pai dos pobres e dos trabalhadores, ativando de fato uma
preocupação pelo turismo doméstico. Em 1964 os militares usaram para
divulgar o exotismo do carnaval e da terra dos prazeres tropical e
descartando qualquer tentativa do Estado adotar como prioridade o
turismo doméstico.
Hoje o turismo é entendido
como produtor de divisas estrangeira e, portanto só se admite como
correto e viável para o todo do desenvolvimento econômico o turismo
receptivo. Dourado pelo fascínio do Marketing voltado para o mercado, em
que é possível ler os seguintes conteúdos nos documentos oficiais:
“O turismo, hoje, já é o quinto
principal produto na geração de divisas em moeda estrangeira para o
Brasil, disputando a quarta posição com a exportação de
automóveis”. ( PNT 2007 a 2010 P.R )
“Em 2006 tivemos um ingresso recorde de
visitantes que gastaram US$ 4,3 bilhões em nosso país. Um salto de quase
12% sobre a receita de 2005 e nada menos que 116% acima do valor apurado
em 2002”. ( Idem )
O turismo ambiental e sustentável tem
aqui um potencial no qual poucas nações do mundo podem se comparar ao
Brasil. Nossas belezas naturais, rios, florestas, mananciais, praias e
montanhas são um atrativo sem concorrência neste mundo assustado pelo
aquecimento global e pela destruição da natureza”. ( Idem )
Torna-se assustador quando
entendemos que o Estado acelera um processo de preconceito junto ao
trade para com o turista brasileiro. A hotelaria, restaurantes e o setor
de serviços em geral possuem preços diferenciados para nacionais e
estrangeiros. Parte da propaganda feita dentro do território nacional
está voltada ao turista estrangeiro.
As tentativas de atender ao
turismo doméstico, se perdem em ações pulverizadas que o tempo se
encarrega de descaracterizá-la. Veiculadas por um Marketing mentiroso,
ufanista e puramente mercadológico, pois compararmos como mercadoria que
disputa com a exportação de carros, é barra, ou ainda afirmar que o
“turismo ambiental e sustentável tem aqui um potencial no quais poucas
nações do mundo podem se comparar ao Brasil”. É ocultar a gravidade e
crime ambiental que esta ocorrendo na região amazônica.
Por isso cara ministra o plano
2007 a 2010 de turismo é uma “viagem na exclusão”, por mais que os
feiticeiros da mídia que dominam a EMBRATUR inventem frases de impacto,
apelem para atrizes como Marinalva, apostem no crédito consignado ou
desenvolvam pesquisas para nada chegar ou para pesquisar o já sabido.
Senhora ministra não deixe o
trade tomar conta dos órgãos de turismo do governo Federal, cada vez que
isso ocorre se cristaliza mais o distanciamento para chegar a um turismo
social. Isso é tão verdadeiro que a exposição “EMBRATUR 40 anos: uma
trajetória do turismo no Brasil” foi um dos maiores crimes cometidos a
história nacional. Ocultou-se fato, mudou referencias e adicionaram-se
fatos novos uma perfeita “História Oficial” que faz inveja a obra prima
do cinema Argentino “La Historia Oficial”
Bacharel em Turismo pelo Centro Universitário Ibero-Americano de
São Paulo (Unibero) e bacharel em Ciências Sociais pela PUC/SP.
Mestre em Educação: História e Filosofia da Educação pela
PUC/SP. Professor-convidado na Faculdad de Filosofia e Letras da
Universidad Nacional de Heredia (UNA), em San José da Costa
Rica. Professor concursado pela Universidade Estadual de
Maringá. Autor do livro “Ontologia do turismo: estudo de suas
causas primeiras” EDUSC, Universidade de Caxias do Sul. E-mail
joaofilho@onda.com.br
Sobre esse assunto o
leitor deve ler um artigo de minha autoria publicado na revista
WWW.espacoacademico.com.br Intitulado A ditadura militar
utilizou da EMBRATUR para tentar ocultar a repressão, tortura e
o assassinato.
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