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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 14:25:33                                               

 
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TURISMO

Ministério do Turismo e Embratur: uma viagem de exclusão ao Turismo doméstico

   
João dos Santos Filho[1]

publicado em 23/01/2008

                                                                    

 

Hoy em dia <<moderno>> significa tener acceso a los circuitos industriales del comercio, las finanzas, las imobiliárias y la industria turística. Ser<<marginal>> hoy significa ser nacional, regional, local. Las élites internacionales son las que hacen la historia; los marginales son los objetos de esta:: objetos de explotación, objetos típicos o sexuales del turismo, un emplazamiento para la apropiación y la inversión.[2]

 

 

            Nesses dez anos, pesquisando, fazendo palestras e escrevendo sobre “Políticas Publicas de Turismo no Brasil” tenho questionado política e tecnicamente a atuação dos órgãos públicos de turismo em sua essência histórica, primeiramente a EMBRATUR e posteriormente o Ministério de Turismo. Devo confessar que como turismólogo e sociólogo, que o Estado se apresenta cada vez mais distante, desse campo de atividades, para com as classes populares, e isso não é força de um discurso militante da década de 1970, ou de uma ortodoxia esquerdista ultrapassada e cheia de clichê stalinista, mais sim, de um estudioso marxista do fenômeno turístico.   

            Devo dizer para a Ministra Marta Suplicy a qual sempre admirei pelo seu compromisso como intelectual orgânica das classes populares que sua passagem pela prefeitura mostrou para o Brasil sua disposição em coibir a corrupção, combater a máfia do transporte urbano, denunciar e abrir processo criminal contra os ladrões da merenda escolar e de colocar os serviços municipais do campo da saúde, educação e lazer mais próximo da periferia.

             Na verdade no Brasil o turismo é algo que surge para os governantes como solução para a crise econômica, por isso pensa-se somente no turismo receptivo, como forma de ingresso de recursos econômicos consignado em moeda forte o dólar. O turismo interno é algo esquecido e até menosprezado pelo Estado que acabou taxiando certo interesse pelo assunto no período getulista especificamente de 1938 até a criação do SESC, SENAC em 1946.

            Os militares criam a EMBRATUR em 1966 dois anos após o golpe de Estado, usam-no para encobrir a repressão, a tortura e o seqüestro praticado pelas Forças Armadas junto à população civil[3]. Desenvolvem um ufanismo cívico moralista e fazem desta a ideologia carro chefe para salvar o Brasil do comunismo e adotarmos a vida pró-americana e “democrática” cristã.

            Tanto na década de 1930 como a de 1964 o Estado usou do turismo para encobrir os atos de repressão à sociedade, tanto Getúlio e os governos militares posteriores utilizaram do turismo como escudo para que seus interesses de imagem fossem maquiados pelo “paraíso tropical. Se 1930 foi para firmar a imagem de Getúlio como pai dos pobres e dos trabalhadores, ativando de fato uma preocupação pelo turismo doméstico. Em 1964 os militares usaram para divulgar o exotismo do carnaval e da terra dos prazeres tropical e descartando qualquer tentativa do Estado adotar como prioridade o turismo doméstico.

            Hoje o turismo é entendido como produtor de divisas estrangeira e, portanto só se admite como correto e viável para o todo do desenvolvimento econômico o turismo receptivo. Dourado pelo fascínio do Marketing voltado para o mercado, em que é possível ler os seguintes conteúdos nos documentos oficiais:

 

“O turismo, hoje, já é o quinto principal produto na geração de divisas em moeda estrangeira para o Brasil, disputando a quarta posição com a exportação de automóveis”.       ( PNT 2007 a 2010 P.R )

 

“Em 2006 tivemos um ingresso recorde de visitantes que gastaram US$ 4,3 bilhões em nosso país. Um salto de quase 12% sobre a receita de 2005 e nada menos que 116% acima do valor apurado em 2002”. ( Idem )

 

O turismo ambiental e sustentável tem aqui um potencial no qual poucas nações do mundo podem se comparar ao Brasil. Nossas belezas naturais, rios, florestas, mananciais, praias e montanhas são um atrativo sem  concorrência neste mundo assustado pelo aquecimento global e pela destruição da natureza”. ( Idem )

 

            Torna-se assustador quando entendemos que o Estado acelera um processo de preconceito junto ao trade para com o turista brasileiro. A hotelaria, restaurantes e o setor de serviços em geral possuem preços diferenciados para nacionais e estrangeiros. Parte da propaganda feita dentro do território nacional está voltada ao turista estrangeiro.

            As tentativas de atender ao turismo doméstico, se perdem em ações pulverizadas que o tempo se encarrega de descaracterizá-la. Veiculadas por um Marketing mentiroso, ufanista e puramente mercadológico, pois compararmos como mercadoria que disputa com a exportação de carros, é barra, ou ainda afirmar que o “turismo ambiental e sustentável tem aqui um potencial no quais poucas nações do mundo podem se comparar ao Brasil”.  É ocultar a gravidade e crime ambiental que esta ocorrendo na região amazônica.

            Por isso cara ministra o plano 2007 a 2010 de turismo é uma “viagem na exclusão”, por mais que os feiticeiros da mídia que dominam a EMBRATUR inventem frases de impacto, apelem para atrizes como Marinalva, apostem no crédito consignado ou desenvolvam pesquisas para nada chegar ou para pesquisar o já sabido.

            Senhora ministra não deixe o trade tomar conta dos órgãos de turismo do governo Federal, cada vez que isso ocorre se cristaliza mais o distanciamento para chegar a um turismo social. Isso é tão verdadeiro que a exposição “EMBRATUR 40 anos: uma trajetória do turismo no Brasil” foi um dos maiores crimes cometidos a história nacional. Ocultou-se fato, mudou referencias e adicionaram-se fatos novos uma perfeita “História Oficial” que faz inveja a obra prima do cinema Argentino “La Historia Oficial”

           

 


 

[1] Bacharel em Turismo pelo Centro Universitário Ibero-Americano de São Paulo (Unibero) e bacharel em Ciências Sociais pela PUC/SP. Mestre em Educação: História e Filosofia da Educação pela PUC/SP. Professor-convidado na Faculdad de Filosofia e Letras da Universidad Nacional de Heredia (UNA), em San José da Costa Rica. Professor concursado pela Universidade Estadual de Maringá. Autor do livro “Ontologia do turismo: estudo de suas causas primeiras” EDUSC, Universidade de Caxias do Sul.  E-mail  joaofilho@onda.com.br

 

 

[2] PETRAS, James. Modernidad versus comunidad. In: Interrogantes de la Modernidad. Cuba:Ediciones Tempo. Sd,  p. 24.

[3] Sobre esse assunto o leitor deve ler um artigo de minha autoria publicado na revista WWW.espacoacademico.com.br  Intitulado A ditadura militar utilizou da EMBRATUR para tentar ocultar a repressão, tortura e o assassinato.

 

 

Iniciamos esse artigo com as falas do médico cubano Paul Lafargue, genro de Karl Marx e militante do partido socialista francês, por entender que o mesmo em um dos seus inteligentes escritos expressa uma atualidade para o entendimento da tragédia do vôo 3054 da TAM.
Gostaríamos de esclarecer que partimos do pressuposto de que a culpabilidade da tragédia que matou mais de 200 cidadãos brasileiros, bem como, a crise aérea pelo que o Estado brasileiro vem passando é decorrente de uma soma de variáveis que estão ligadas de forma hegemônica e determinante a dimensão dos interesses econômico do Capital que se sobrepõe aos da preservação da vida humana. Nesse sentido, entendemos que existem culpados que estão a serviço do Capital e tornam-se servos, cegos, surdos e algumas vezes mudos diante da necessidade de ampliar a mais-valia na defesa dos poderosos interesses econômicos.

Por isso, devemos entender que a lógica para encontrar os responsáveis pela tragédia, está além da personificação jurídica de indivíduos, só assim podemos entender o problema por meio de uma atitude crítica e fazer encaminhamentos para resoluções. Portanto, gostaríamos de discutir a questão por um ângulo ainda não abordado em sua plenitude, apesar de alguns escritos e falas mencionarem a questão de forma secundária.

Vamos iniciar com algumas indagações que se respondidas sempre levam ao mesmo responsável pela tragédia, o Capital, traduzido por inúmeros interesses econômicos, então podemos lançar as seguintes perguntas:
1. Que interesses levaram a prefeitura de São Paulo a permitir a construção de prédios, alterando a lei de zoneamento no perímetro do espaço aéreo de Congonhas?
2. Que motivos levaram a Infraero a liberar a pista de Congonhas, sem estar completamente concluída?
3. Que motivos levaram ao Estado a punir os sargentos Wellington Rodrigues e Carlos Trifilio, por quebra da disciplina militar ou por promoverem greve, por melhores condições de trabalho e salário?
4. Que motivos levaram no dia 17 de julho, minutos antes do trágico acidente, os controladores de vôo a propor fechar o aeroporto de Congonhas, devido aos problemas na pista e não foram ouvidos?
5. Quem tem interesse na privatização da Infraero como solução para o caos aéreo brasileiro?
6. Por que as empresas aéreas estão atuando no limite máximo da super utilização das aeronaves buscando a maximização de lucros rápidos e reestruturando rotas e regras de vôo que priorizam os interesses puramente comerciais?
7. Por que o ministro Waldir Pires teria dito que a ANAC representa o Estado e tem que impor às empresas aéreas a redistribuição das rotas, enquadrando-as naquilo que foi acordado pelo Estado?
8. Que interesses são defendidos pela ANAC, os públicos ou privados?
9. Por que Infraero e a FAB estariam indiretamente tentando isolar a ANAC das discussões sobre a crise aérea no país?

Todas essas questões devem ser respondidas em sua especificidade, pois em sua universalidade sabemos que o determinante é o interesse econômico. È aí que poderemos encontrar os responsáveis por esses assassinatos e colocá-los na cadeia.

Apesar de que, em tempos de tristeza somos obrigados a presenciar absurdos de pura irracionalidade em que não sabemos até agora qual foi à intenção desses representantes do Estado em conceder a medalha "Mérito Santos Dumont" a dois dirigentes da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), órgão responsável por regulamentar e fiscalizar a aviação civil no Brasil e a adotar medidas que atendam ao interesse público. Os agraciados com a homenagem foram o presidente da agência, Milton Zuanazzi, e a diretora Denise Abreu que estão no alvo da mídia e sendo investigados pela CPI do apagão.

Para completar, o assessor especial da presidência da República para assuntos internacionais o professor Marco Aurélio Garcia foi flagrado "festejando" com a notícia que a falha que causou o acidente era da aeronave. Com gestos obscenos e com total desrespeito as vítimas o velho militante do diretório do Partido dos Trabalhadores da Vila Olímpia em vez de guardar luto, desrespeitou a essência da sociabilidade da vida. Por esse motivo, a Comissão de Ética Pública, órgão que assessora o presidente da República decidiu analisar o caso.

Na verdade uma coisa fica mais do que explicita a determinação econômica é patente, a vida humana esta ao sabor dos grupos econômicos que aplicam livremente o overbook, cancelam vôos, não dão atendimento aos passageiros, utilizam aviões com problemas técnicos, censuram trabalhadores e obrigam pilotos a extrapolarem às 85 horas de vôos por mês.

Nesse sentido, cabe a nós exigir a punição dos responsáveis e não esquecer que infelizmente os interesses econômicos corrompem os princípios básicos da existência humana e tornam o ser humano uma simples mercadoria. Pois, o Capital transforma tudo em mercadoria, comercializando vidas humanas e atribuindo valores materiais para a perda da mercadoria -ser humano- ou descartando-a para reposição.

Desejo imensamente que os parentes das vítimas do vôo 3054, consigam justiça perante o tribunal dos homens e que os mártires dessa tragédia nunca sejam esquecidos, pois os mesmos como nós lutavam por uma causa, manter a vida.

 

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::sobre o autor::

JOÃO DOS SANTOS FILHO é bacharel em Turismo pelo Centro Universitário Ibero-Americano de São Paulo (Unibero) e bacharel em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Mestre em Educação: História e Filosofia da Educação pela PUC/SP. Foi coordenador dos cursos de Turismo da Faculdade Nobel e também do Centro Universitário Filadélfia de Londrina (Unifil); e professor na Universidade Norte do Paraná de Londrina (Unopar); e professor na Faculdade Maringá – PR. É membro-fundador do Instituto de Análises sobre o Desenvolvimento Econômico Social (Iades) e da Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo de São Paulo (ABBTUR/SP).

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