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Antes de expressar nossa opinião sobre a
ANAC devo registrar que acredito na integridade moral e política da
Ministra Dilma Rousseff, por seu passado, e presente de lutas em prol do
retorno da democracia e justiça social. Acrescento ainda, que
administrar e dar encaminhamento às ações do governo Lula, não deve ser
nada fácil, pois, queiramos ou não, a postura da atual administração
está voltada para as classes menos favorecidas, em que interesses
econômicos e políticos das grandes corporações estão sendo objeto de
questionamentos.
Salientamos por último, que
por ser petista e crítico inconteste da Política Nacional de Turismo,
por ser equivocada, preconceituosa, parcial, privatizante, medíocre e de
ter tornado o Ministério do Turismo e a EMBRATUR instrumentos para
acordos políticos e passagem de pessoas na busca por melhores cargos.
Com a preocupação de preservar a “imagem ufanista” mesmo que a realidade
aponte para outra direção, de um turismo cada vez mais elitizado e de
apartheid. Com a destruição da orla marítima, manguezais, vegetação
nativa e impactos culturais junto aos moradores ribeirinhos, tudo isso,
com o apoio da lógica do Capital que dá “legalidade” para a criação de
Resort´s e condomínios fechados e privativos para estrangeiros.
Diante dos fatos narrados
anteriormente, devo dizer que assisti por nove horas o depoimento da
ex-diretora da ANAC Denise Abreu, não a conheço pessoalmente, mas me
impressionou sua capacidade assertiva de responder as questões dos
senhores senadores. Com um discurso de linguagem clara, e o uso
gramatical correto, a diretora foi impecável, manteve a calma e se
tornou enérgica quando precisou sem perder a linha de raciocínio
argumentativa.
Para o governo as provas
documentais não apareceram, e não poderiam aparecer, pois nenhum
administrador, de qualquer escalão da administração pública seria tão
infantil em produzi-las, a não ser o ex-presidente Jânio da Silva
Quadros, com seus famosos bilhetinhos. Para a chamada oposição que,
quer, sim tirar “caldo de uma laranja seca” o depoimento de Denise Abreu
foi bombástico, revelador e fantástico, nem uma coisa e nem outra. O que
na verdade sobrou para a oposição foi se agarrar ao pressuposto do
pensamento neopositivista da neutralidade, isto é, condenar “as
determinações de existência” como se, os homens, a sociabilidade e a
história da humanidade não fossem compostos de “formas moventes e
movidas da própria matéria”, (filósofo húngaro George Luckács), ou seja,
a neutralidade não existe, mesmo que a mesma seja garantida legalmente.
O que existe na verdade é um entendimento filosófico por parte da
oposição de encurtamento intelectual.
Nesse sentido devo esclarecer
que, parabenizamos a ex-diretora da ANAC, por ter confirmado as pressões
que recebeu da máquina administrativa do governo e dos advogados
representantes da Gol. E repudiamos a fala neopositivista do senhor
Nilton Zuanazi que negou que a ANAC sofreu pressão.
Entendo que pensar a estrutura
societária sem as inter-relações é entender a realidade composta por um
objeto morto, como o faz a oposição e Zuanazi. |