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Em 15 de novembro de 1879, por pioneirismo de D. Pedro II surgia na
cidade do Rio de Janeiro o primeiro telefone, que foi instalado no
Palácio de São Cristóvão na Quinta da Boa Vista. Objeto de modernidade
na época serviu para marcar encontros amorosos do imperador com sua
amante a condessa de Barral. Para a princesa Izabel avisar a corte da
abolição da escravatura e para a Monarquia ser avisada que a República
havia sido proclamada.
O telefone parece no interior da história brasileira como fato marcante
e ainda continua ser um dos meios de comunicação mais saudáveis para
preservar o Estado de direito dentro de uma democracia, é nele que
confidenciamos aos amigos nossas angústias, contamos aquilo que não pode
ser contato em público e condenamos atos e fatos do dia a dia. Ao mesmo
tempo, pode servir a interesses classistas de grupos criminosos que
vivem saqueando o "erário público", que agora vem a público, graças às
escutas telefônicas podemos entender as formas de lobby; presentes
(mimos), convites para festas, damas de companhia, deposito em contas
bancárias e dinheiro vivo entregue por mulas obedientes em envelopes na
cueca ou em bolsas e sacolas no interior dos mictórios dos aeroportos dos gabinetes ministeriais.
Magistrados (Juizes, desembargadores, ministros), empresários,
advogados, políticos e funcionários públicos de primeiro e segundo
escalão da área federal, estadual e municipal. Todos denunciados pelo
telefone e pela imagem gravada em que a visão e a audição que servem ás
ciências exatas que não podem negar aquilo que vemos e ouvimos. E aí
percebemos como o telefone e a imagem pode servir para o aprimoramento
do Estado de direito e vir a se converter em instrumento de
esclarecimento para a sociedade.
Não poderia deixar de comentar a história acima e declarar que os
brasileiros nunca foram tão gratos aos telefones, não obviamente, em
razão das operadoras, mas sim, pelo papel social e de cidadania que ele
vem desempenhando no combate a corrupção e ao crime organizado.
Conversando ao telefone com uma amiga que possui uma conceituada agencia
de turismo no centro da cidade de São Paulo, trucávamos informações
sobre os erros na Política Nacional de Turismo e o cotidiano daqueles
que trabalham no trade turístico. Pude constatar o quadro de angustia,
tristeza e decepção que a envolvia quando falávamos do turismo
brasileiro, qual abaixo passo a relatar.
João. Bom dia como está Ciara?
Bem e você caro amigo e saudoso companheiro de congressos? Ótimo.
João. E o turismo novidades, Ciara. Não sempre os mesmos erros
grosseiros e uma incompetência das autoridades tanto Municipais,
Estaduais como Federais e um desprezo total pelo turismo doméstico.
Outro dia contatamos um hotel para fazer reservas dos grupos que
organizamos, a primeira pergunta que nos fazem é saber se eram
estrangeiros. Quando recebem a resposta que não, o hotel impõe condições
de responsabilidades; oferecem um café da manhã inferior; um tratamento
ao hospede dentro do mínimo possível de hospitalidade e ficam contando
os minutos para deixarmos o estabelecimento.
Na semana passada, recebi um e-mail de uma operadora francesa me pedindo
roteiros de 10 dias. Imediatamente reuni os roteiros de praia e sol do
nordeste e enviei, achei que estava agradando. Quando recebo algumas
horas depois um comunicado da operadora dizendo que seus clientes viriam
com suas famílias e que seria melhor enviar-lhes a roteiros mais
culturais ou aqueles que contemplassem o Rio de janeiro.
João. Como é forte a questão de associar o Brasil com o turismo sexual,
também o material iconográfico (cartazes e folder) produzidos pela
EMBRATUR de 1966 até 1998 era de tirar o chapéu pela impressão e
técnicas fotográficas usadas para popularizar a beleza estética e
erótica da mulher brasileira. A propaganda subliminar nos cartazes era
uma constante. Ciara duvido que você encontre na internet ou arquivado
em algum órgão publico (bibliotecas, centros culturais e de pesquisa)
esse material, foi muito bem destruído ou escondido.
João ouvi dizer que o ministério de turismo esta planejando fazer uma
enorme sindicância para apurar como foi empregado o dinheiro que o
governo literalmente desperdiçou com o Empreendetur. Quem lhe contou? O
telefone, esse aparelho que D. Pedro II comprou em uma de suas viagens.
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