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Quando a Bolívia nacionalizou, a filial da Petrobrás em seu
território, a multinacional brasileira do petróleo foi objeto, de uma
onda natural e compreensível de nacionalismo. Parte da elite nacional
exigia medidas drásticas, de retaliação por parte do governo brasileiro,
para com o país vizinho, alguns membros da classe política chegaram a
sugerir o envio de tropas militares à Bolívia, outros desclassificaram
seu presidente, chamando-o de ditador fascista e comunista.
Tudo passou, Evo Morales
brigou e cedeu, o Brasil amadureceu e renegociou, e a América Latina
cresceu politicamente no campo econômico, cristalizando laços para uma
luta coletiva, e sinalizando a formação de um bloco de poder latino,
independente e voltado aos interesses de um nacionalismo de resultados.
Hoje, as velhas estruturas de
poder, que nos saquearam por séculos, estão cientes que não podem
continuar, com essa tosca prática de manejo de poder “colonialista”.
Porque, existe um bloco de poder constituído na América do Sul, no campo
da negociação coletiva, em que os interesses do continente latino
começam a ensaiar um processo de auto-cooperação política, econômica e
social intra e entre paises latinos.
O que significa afirmar, que o
Capital, também divide o campo político, para poder acelerar e ampliar o
processo de geral e transnacional de acumulação, garantindo certa
autonomia para as negociações políticas locais. Com isso, a maioria dos
latino-americanos tidos como “turistas” barrados nos aeroportos
europeus, não devem considerar-se como objeto de perseguição por parte
dos países europeus, mas, sim resultado dos interesses do Capital.
É evidente que a tradução
desse processo explicita-se, por meio, de preconceitos diversos que são
aflorados no interior da relação de hospitalidade, que se dá entre o
“turista” latino e o europeu, como: etnocentrismo; racismo; concorrência
no mercado de trabalho e o fetiche com referência a mulher e ao
homem latino. Mas nada, é tão forte como o apelo ao erotismo e exotismo
da mulher brasileira, que ainda toma conta de parte da mídia que
mandamos para fora, bem como, publicações que de forma indireta timbram
as brasileiras como concordes com o turismo sexual.
Uma das inúmeras publicações,
que insinuam para tal estigma, pode ser visualizada e lido em um guia
editado em inglês direcionado para turistas (homens) estrangeiros da
editora Solcat.
Em que o tratamento dado a mulher brasileira é extremamente humilhante e
fere os princípios básicos dos Direitos Humanos.
Essa publicação já foi objeto
de estudos acadêmicos, no qual o autor faz o seguinte comentário:
É desta forma
que fica autorizado o capítulo “How to deal with Brazilian Women”
(p. 113, ver o Grupo de Imagens II), em que a exemplo do que
Borba fizera nas páginas anteriores, Nogueira também define os “quatro
tipos da mulher brasileira (além da garota normal)”. São elas: as
Britney Spears, contrapartes femininas dos Preppy-types e
talvez a tradução possível para o que chamaríamos de “Patricinhas”, que
são “as filhinhas de papai, ...lindas, mas que não deixam ninguém
paquera-las”, sendo recomendado ao leitor nem se chegar perto delas; as
Hippies ou Ravers que, sejam lá quem forem, são “fáceis de
se chegar, boas de papo, difícil de beijar, fácil de beber e se
divertir com elas” (grifo meu), praticamente dando como caminho
das pedras e da cama embebedar tais garotas; a genérica categoria the
30 year old, de mulheres mais velhas que gostam de “se divertir,
dançar, beber e beijar”, sendo recomendado que sejam tratadas “como
damas, pois assim ... tratarão [o turista] como um rei, talvez não esta
noite, mas amanhã com certeza”; e, por fim, as Popozudas, que são
“maquinas de sexo, ... [que] malham, vestem calças apertadas, ... pintam
o cabelo de louro e fazem de tudo para ficarem lindas. Um bom
investimento, já que o motel é sempre uma possibilidade com estas
gatas”. A categorização das cariocas, que segundo o guia “acreditam de
coração que são as Garotas de Ipanema” (p.112), é feita portanto a
partir da possibilidade do playboy/leitor construído pela publicação ter
sexo ou não com elas, aparentemente a única interação possível.
Diante desses fatos, o governo
é contraditório, investe em propagandas contra o turismo sexual, mas
permite o uso da “Marca Brasil” em publicações de apelo sexual a mulher
brasileira e especificamente carioca. Para não dizer, que o problema é
gravíssimo, devemos entender que os fluxos de turistas estrangeiros que
buscam a prática do turismo sexual no território brasileiro, são os
compradores desse guia (Rio For Parties), pois o mesmo, é vendido no
Brasil e no exterior.
Nesse sentido, não podemos
abrir mão da reciprocidade, no tratamento ao turista estrangeiro, pois é
uma questão de soberania em todos as circunstancias que a mesma possa
significar. Ser barrado pela polícia no desembarque, quando chegamos a
Europa pode ser expresso por referências de normas legais exigidas pelo
país “hospitaleiro” , mas fazendo, uma análise profunda percebemos que a
questão gira em torno dos interesses do Capital.
O Estado exige, e impõe as
leis, como garantias para preservar a empregabilidade dos nacionais e
diminuir os gastos do governo para com a assistência ao emigrante, como
podemos perceber, mas seguintes normas gerais:
1.
O passaporte só pode vencer
três meses após o termino da viagem, ou seja, não pode extrapolar os 90
dias que o estrangeiro tem o direito para conseguir visto de viagens
a negócio ou de turismo;
2.
Apresentar reserva de hotel,
passagem de ida e volta e seguro saúde com cobertura de 30 mil Euros;
3.
Para ter acesso livre a Espanha,
deve-se levar 57,06 Euros para cada dia de permanência. Em Portugal, são
75 Euros.
A idéia, que sustenta o ato de
coibir a mobilidade geográfica dos indivíduos fere os direitos mais
elementares de liberdade humana, e atende aos interesses do Capital, que
necessita preservar a empregabilidade, para sua mão de obra nacional e
manter um equilíbrio suportável do exército industrial de reserva. Essa
é a verdadeira razão, do porquê os Estados Nacionais estão afunilando a
entrada de emigrantes, que podem vir, travestidos de turistas e
estudantes.
Por isso, a manifestação do
ato de barrar a entrada de brasileiros, nunca é explicitada pelos
fatores acima expostos, mas sim, por meio de um velho etnocentrismo
colonizador que se traduz pela humilhação ao brasileiro, por isso,
devemos fazer uso do direito de reciprocidade e divulgar os atos de
barbárie do qual somos objeto.
NAME,
Leonardo. Rio for
Partiers: Guia da
Capital Carioca para Playboys.
www.cpdoc.fgv.br/cursos/csociais/arq/LEONAME-rioforpartiers.pdf
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