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Mais uma vez, parte do trade
de turismo coloca em xeque a política de concessão do visto consular
praticada pelo Ministério das Relações Exteriores em situação de embate,
pois questiona o seu fundamento jurídico e ideológico a “Reciprocidade”,
e propõe a sua revogação. Esqueceram que a sociedade dos homens se
transforma ao longo de sua história em “Estados - Nações”,
caracterizando, culturas, economias, povos e territórios diferentes e
específicos. Que devem ser respeitados em sua idiossincrasia, sendo
assim, a única maneira de procurar manter o equilíbrio de respeito ao
outro no campo da hospitalidade mútua entre países é por meio da
“Reciprocidade”..
A reciprocidade é à base do
respeito entre diferentes nações que buscam manter um equilíbrio da
“hospitalidade possível”. Fazendo que, com isso as relações de eqüidade
se mantenham afastadas formalmente das relações de subordinação e
subsunção do poder, por isso a reciprocidade é o instrumento necessário
para garantir a pseudo-igualdade.
Esta acalorada discussão se
dá no interior do governo, que por sinal vem desenvolvendo uma política
exterior consciente de aproximação dos países emergentes, mas não
consegue impedir que seu primeiro escalão tenha propostas antagônicas no
que se refere à necessidade do visto consular. De um lado o Ministério
do Turismo, que de forma insistente defende a lógica da flexibilização
da lei do visto, alegando que se não houvesse à cobrança da taxa de 100
dólares por turista americano, poderiam pular de 700 mil para 2 milhões
de turistas. E de outro a política sensata desenvolvida pelo Ministério
das Relações exteriores pela defesa da manutenção do visto segundo o
principio da “Reciprocidade”.
È inacreditável como o
Ministério do turismo consegue fazer previsões matemáticas
inflacionadas, e afirmar que a escolha do americano em visitar o Brasil
é retraída em virtude da cobrança da taxa. Mais uma vez, o Ministério de
Turismo e a própria EMBRATUR apostam no critério do achismo. Se não é
verdade! Que apresentem as pesquisas e suas respectivas metodologias,
bem como a tabulação e as conclusões, que entendemos estarem formuladas
em um projeto de pesquisa.
Não podemos voltar ao velho
esquema de metas e dados em geral subestimados relativos ao turismo, na
qual foi prática que apareceu desde o nascimento da EMBRATUR, ou ficar a
mercê dos delírios marqueteiros de programas que, em vez de ajudar a
consciência do turismo brasileiro, foram desastrosos segundo próprio
depoimento de um de seus presidentes.
Devemos registrar também que,
esse embate entre MRE e MT ocorre desde quando a EMBRATUR criou os
Escritórios Brasileiros de Turismo (EBTs) que são unidades avançadas de
promoção, marketing e apoio à comercialização de produtos, serviços e
destinos turísticos brasileiros no mercado internacional. E sem concurso
público ou princípio parecido nomeou para ocupar os cargos, apadrinhados
políticos que acabaram tomando e privatizando um espaço que era antes do
MRE.
A irresponsabilidade é tão
marcante para aqueles que pedem a não exigência do visto, pois só
enxergam o turismo dentro da escala estatística com uma metodologia
secreta, que só eles têm acesso. Além do que, insistem em fazer uma
análise simplista da política exterior brasileira construindo atritos
com o Ministério das Relações Exteriores.
Sabem que outro dia, um
professor amigo foi a EMBRATUR para apresentar o projeto de um grande
evento nacional, após ter explicado minuciosamente os objetivos e sua
importância cultural, pedagógica e artística. O funcionário que estava
atendendo fez à seguinte observação: Certo, gostei de sua explicação,
mas o que importa é saber, qual é a imagem desse evento para o
desenvolvimento do turismo brasileiro.
Enquanto o turismo não for
pensado com seriedade teremos os seguintes desastres que vão ocorrendo:
-
A destruição de parte do litoral
brasileiro por complexos hoteleiros Resort´s criados sem qualquer
padrão de sustentabilidade turística, expulsando ribeirinhos,
destruindo a mata nativa e obrigando a população a viver nos
manguezais;
-
O nepotismo histórico praticado dentro
da EMBRATUR;
-
Depois de mais de um ano de denúncias
a EMBRATUR e o Ministério de Turismo denunciam o Guia turístico Rio
For Partiers;
-
A falta de uma “Política Nacional para
o Turismo” global, e não parcial. Na verdade a Política Nacional de
Turismo esta fragmentada em uma dezena de ações que levam ao um
perfeito Bricouleur.
-
Indicações políticas para o
preenchimento de cargos da área do turismo que por direito deveriam
ser por concurso. Como as diretorias dos EBT´s nos países Portugal,
Japão, Inglaterra, Itália, Espanha, Estados Unidos Costa Leste,
Estados Unidos Costa Oeste, Alemanha, França.
Enquanto não existir uma Política
Nacional de Turismo que contemple de fato o interesse do turismo
doméstico e as estruturas Federais responsáveis voltarem suas ações para
o povo brasileiro. Estaremos a mercê de sermos sempre preteridos do
turismo de nosso próprio país.
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