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Conversando com
alguns pequenos
empresários
e colegas da Universidade
ligados ao turismo, neste fim
de semana fiquei assaz
preocupado com os
rumos
que a “Política
Nacional
de Turismo” vem tomando.
Entretanto, analisando historicamente o
desenvolvimento de seu
formato, desde a
chegada
da Família Real
ao Brasil, a mesma, não
mudou muita coisa.
Segundo
comentamos, permanece engessada de forma
submissa
para beneficiar as grandes
corporações do ramo,
estrangeiras ou nacionais
que se associam para
não
perecerem nesse processo de mundialização do
Capital.
Com D. João VI o Rio de
Janeiro foi escolhido para acolher a família real da fúria das tropas de
Napoleão comandadas por Junot (que haviam entrado em Lisboa, faminta,
exausta e desorganizada), e compensar os aristocratas portugueses pela
péssima, desconfortável e humilhante viagem até o Brasil. Resolveu
proceder a uma plástica urbanística, preservando e melhorando as imensas
belezas naturais do Rio, transformando o paraíso tropical ou também
chamado “quintos dos infernos” na casa da única Monarquia do Novo Mundo.
Abriu os portos para as nações
amigas, favorecendo aos ingleses pela exclusividade de taxas
preferenciais para venda de suas mercadorias; criou o Jardim Botânico,
construiu teatros trouxe parte da Biblioteca Régia para o Brasil.
Recebeu, permitiu, convidou e financiou a entrada de cientistas e
pesquisadores para o estudo do território nacional.
Executou a reforma urbanística
do Rio, melhorou o abastecimento de água, criou passeios públicos, na
verdade embelezou a cidade dando-lhe um ar aristocrata. Fundou escolas e
permitiu também que brasileiros começassem a fabricar alguns dos artigos
de que o país precisava.
D. Pedro I como o primeiro
imperador do Brasil e responsável direto pela independência do Brasil,
alimentando politicamente a separação do Brasil de Portugal e governando
dentro de um despotismo declarado.
D. Pedro II o grande divulgador das
riquezas do Brasil e amante das ciências não economizaram esforços em
tentar mudar a imagem do país escravocrata, agrícola e dependente a um
reino que estava indiretamente subjugado ao interesses da Inglaterra.
Nessa convergência de ações o período do
Brasil Império pode ser considerado como aquele em que a propaganda e a
publicidade estiveram a serviço da divulgação de um Brasil moderno que
veio a favorecer ao turismo:
1.
A abertura dos portos as
nações amigas, torna o Rio cosmopolita;
2.
O Brasil se torna o centro
da curiosidade dos naturalistas, botânicos, aventureiros e cientistas em
geral pela busca do ouro e pedras preciosas. Levando D. João VI a criar
a Escola de Minas de Ouro Preto;
3.
D, Pedro II financiou a
primeira exploração brasileira ao Antártico, com isso tentando mudar a
visão de pais atrasado e escravocrata;
4.
Organizou e supervisionaram
as exposições realizadas pelo Brasil em Londres, França, Líbano, Viena e
Amsterdã. Selecionando o que deveria ser exposto, como pedras preciosas,
café, madeiras nobres e frutas tropicais.
Por isso podemos afirmar que a
atividade turística ganhou espaço no período do Império e serviu para
tentar modificar a imagem que o mundo tinha do Brasil e atender ao
turista que era já citado pelo viajante americano Thomas Ewbank em 1855:
Viagens livres e comércio livre ainda não
existem. Os costumes bárbaros que, no Velho Mundo, impedem o homem de
percorrer a terra e comunicar-se à vontade com seus semelhantes
prevalecem também na América do Sul. Os turistas não podem descer nas
praias do Brasil ou deixá-las, se não possuírem passaportes. (EWBANK,
Thomas. Vida no Brasil. Belo Horizonte. Itatiaia. São Paulo.
Universidade de São Paulo 1976: 21)
A
preocupação com o turismo e lazer pelo Estado Imperial se refere ao da
aristrocracia e das classes abastadas, que além de realizar uma
modificação radical na cidade do Rio de Janeiro para poder usufruir de
seu tempo livre. Pressiona e reprime para que as atividades de Lazer das
classes populares fossem contidas e reprimidas, por serem libidionosas e
pagã. Mas temos, que admitir que as sinalizações para o turismo estão
presente naquele periodo e atendem aos interesses do turismo receptivo.
Voltando os
olhos para o turismo pós-império, percebemos que o mesmo mantém sua
preocupação para o turista estrangeiro como pode ser constatado no
reportagem da PANROTAS – plantão de notícias de 22/10/2008 – política.
O ministro de Turismo,
Luiz Barretto, fez um discurso otimista durante a abertura da Abav 2008.
Barretto desafiou os empresários a trabalharem com a crise econômica
mundial como uma oportunidade de desenvolver o turismo doméstico. “É a
chance de desenvolver as viagens internas e incentivar o brasileiro a
conhecer mais o País”, afirmou o ministro. Para Barretto, o patamar em
que se encontra o dólar atualmente dá a chance dos empresários
baratearem o produto nacional.
O apelo
do Ministro explicita que a estrutura existente montada pelo Estado
brasileiro para trabalhar com o turismo esta toda voltada para o turismo
receptivo. A Embratur, com seus escritórios internacionais e a Política
Nacional de Turismo 2003 – 2007 e a 2007 -2010 e o próprio Ministério.
Desafio a Embratur apresentar os resultados dos programas “Viaja mais –
melhor idade”, “Viaja mais – jovem” , “Vai Brasil” e EMPREENDETUR. Bem
como, como se procedeu o concurso público para preencher as vagas para
os escritórios internacionais e quem paga o salário das vinte diretorias
Federação dos CVB nacional.
Por que o
Estado não tem coragem de fato de criar uma “Política Nacional de
Turismo” para o turismo doméstico e sim se pauta em atividades
pulverizadas que na verdade não pertencem ao uma política maior, mas sim
a devaneios de marqueteiros em busca do sucesso.
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