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RESUMO:
O presente
artigo
propõe uma
reflexão
sobre
a
importância
da
Educação
Patrimonial
para
o
desenvolvimento
do
Turismo
Cultural. Tendo
como
objetivo
discutir
a
relação
entre
Educação
Patrimonial
e
Turismo
Cultural,
através
de
revisão
bibliográfica,
com
vista
a uma
abordagem
preliminar
sobre
o papel
da
Educação
Patrimonial
no processo
de
desenvolvimento
do
Turismo
Cultural. A
Educação
Patrimonial
consiste na
implementação
de
ações
educativas de
investigação,
apropriação
e valorização do
patrimônio
cultural. Uma
vez
que
o Patrimônio Cultural é o
conjunto
de bens
culturais de
valor
reconhecido
para
um
determinado
grupo
ou
para
toda
a
humanidade.
O
Turismo
Cultural se apresenta
atualmente
como
uma
alternativa,
tanto
para
a
preservação
do
patrimônio,
quanto
para
o
desenvolvimento
econômico
das
comunidades
que,
herdeiras dos
bens
do
passado,
têm um
papel
relevante
sobre
o mesmo.
Nesse
sentido,
propõe-se
reunir os
principais
dados
e
informações
que
embasarão a
pesquisa
científica
para
a
dissertação
de
mestrado
em
Turismo
no corrente
assunto.
Palavras-Chave:
educação patrimonial;
patrimônio cultural; turismo
cultural;
1.
INTRODUÇÃO
O
presente
artigo
propõe
fazer
uma
reflexão
sobre
a
importância
da
Educação
Patrimonial
para
o
desenvolvimento
da
atividade
de
Turismo
Cultural e,
conseqüentemente,
para
o
desenvolvimento
econômico
e
social
da
comunidade.
A
Educação
Patrimonial
consiste na
implementação
de
ações
educativas de
investigação,
apropriação
e valorização do
Patrimônio
Cultural. Sendo
que
constitui-se
Patrimônio
Cultural, o
legado
que
se recebe do
passado,
os
bens
de
natureza
material
e
imaterial,
incluindo as
manifestações,
por
múltiplas
formas,
do
modo
de
viver,
pensar
e
agir
de uma sociedade. O
Turismo
Cultural destaca-se
como
uma
atividade
adequada ao
conhecimento
e à
fruição
do
patrimônio
cultural.
Ou
seja, a
história
local,
a
arquitetura,
o
folclore,
a
tradição,
a
música,
a
arte,
o
teatro,
os
hábitos
e
costumes
de
determinada
localidade.
2. A
IMPORTÂNCIA
SÓCIOCULTURAL DA
EDUCAÇÃO
Paulo
Freire entendia
que
a
principal
função
da
educação
é
seu
caráter
libertador.
Para
ele,
ensinar
seria,
fundamentalmente,
educar
para
a
liberdade,
a “educação
para
o homem-sujeito” (1981:36). Compreendia a
educação,
não
como
condicionamento
social,
mas
voltada
para
a
liberdade
e a
autonomia.
“Todas as
palavras
de
uso
possível
para
expressarmos o
propósito
da
educação:
ensino,
instrução,
criação,
disciplina,
aquisição
de
conhecimento,
aprendizagem
forçada
de
maneiras
ou
moralidade
- todas
elas
se reduzem a
dois
processos
complementares
que
podemos
descrever
com
propriedade
como
“crescimento
individual”
e “iniciação
social”
(READ, 1986:18).
3.
EDUCAÇÃO
PA3. Educação patrimonial
A
Educação
Patrimonial
é
um
processo
permanente
e
sistemático
centrado no
Patrimônio
Cultural
que
é
um
instrumento
de afirmação da
cidadania.
O
objetivo
da
Educação
Patrimonial
é
envolver
a
comunidade
na
gestão
do
patrimônio.
A
comunidade
também
é
responsável
pela
preservação
e
conservação
dos
bens
patrimoniais.
A
educação
se faz
necessária
enquanto
instrumento
de alfabetização cultural,
que
capacita o
indivíduo
à
leitura
e
compreensão
da
sociedade
e
cultura
que
está inserido.
Neste
sentido,
a
Educação
Patrimonial
significa
valorizar
os
aspectos
que
caracterizam a
sociedade
e o
local
de
vida.
As
peculiaridades
que
compõem a
história,
o
passado,
são
a “marca
registrada” da
identidade.
A
Educação
Patrimonial
procura
descobrir
os
valores,
costumes,
hábitos,
aspectos
da
vida,
lendas,
cultura
material
e
particularidades
de
instalação
no
ambiente,
afim
de revitalizá-los
para
que
toda
a
comunidade
tenha
acesso
a essas
informações.
O
conhecimento
e a
apropriação
pelas
comunidades
são
fatores
indispensáveis
ao
processo
de
preservação
do
Patrimônio
Cultural.
Este
processo
de valorização e de
troca
possibilita a
geração
e
produção
de
novos
conhecimentos,
num
processo
contínuo
de enriquecimento
individual,
coletivo
e institucional.
Para
que
ocorra a valorização do
patrimônio
é
necessário
que
haja
primeiramente
o
seu
(re)
conhecimento,
sendo a
Educação
Patrimonial
importante
para
tornar
possível
esse
processo.
Nesse
sentido,
FARIAS (2002: 62) diz
que:
cabe à
educação
patrimonial
proceder
à escuta
e à mediação dos
sujeitos
sociais
portadores
de tradições,
de saberes
e fazeres
que,
em
sua
diversidade,
constroem atrativos
geradores
de significação e integradores da
identidade
e identificação
cultural. É sua
responsabilidade
sensibilizar
e conscientizar
as comunidades
em
torno
de seus
valores
e tradições,
inserindo tais
práticas
na vida
sustentável,
resgatando e preservando o
imaginário
coletivo
e o patrimônio
representativo da
cultura, no
eixo
temporal
e espacial.
A
partir
disso, o
papel
da
Educação
Patrimonial
pode
revelar
identidades,
mudanças, questionamentos
entre
segmentos
sociais
diversos
quando
esses
se compreendem
produtores
culturais
permanentes,
agentes
histórico-sociais.
Ela
possibilita a
integração
das várias
camadas
na
construção
de
um
patrimônio
nacional,
que
privilegie a
diversidade
reconhecendo a
importância
do
patrimônio
gerado
por
todos
os
grupos
sociais,
constituindo
maior
poder
à
sociedade
civil,
possibilitando o
surgimento
do
cidadão.
A
utilização
sistemática
e
contínua
da
Educação
Patrimonial,
com
destaque
para
o
desenvolvimento
e
ampliação
do “caráter
pedagógico
dos
patrimônios
culturais, no
sentido
da
construção
dos
processos
formadores
da
cidadania”
(Porto
Alegre,
Educação
Patrimonial
-
Relatório
1996/1998:06), propicia a
construção
da
cultura
sobre
múltiplas participações, gerando
formação
e
informação,
e possibilitando
que
nossa
produção
reflita
sobre
a
questão
da
cidadania,
que
“implica
fazer
passar
a
história
e a
política
de
preservação
e
construção
do
passado
pelo
crivo
de
sua
significação
coletiva
e
plural”
(PAOLI, 1992:26).
Assim,
a
Educação
Patrimonial
fornece
elementos
que
possibilitem a
percepção
do
espaço
cultural
pela
população,
se tornando
um
dos
subsídios
para
o
desenvolvimento
do
turismo
cultural, ao
mesmo
tempo
em
que
se constitui numa
ação
estratégica
para
que
o
turismo
possa
contribuir
no
sentido
de valorização das
culturas
locais
e
desenvolvimento
social.
Para
identificar
e
valorizar
é
preciso
preservar
o
patrimônio,
e
para
preservar
é
preciso
conhecer.
Esse
conhecer
pode
ser
obtido
através
da
Educação
Patrimonial,
conscientizando a
comunidade
sobre
a
importância
da
preservação
do
patrimônio
que
se
encontra
ao
seu
redor.
Nesse
sentido,
proporcionar
à
comunidade
local,
bem
como
aos visitantes,
elementos
que
possibilitem a
leitura
do
seu
Patrimônio
Cultural, pode
permitir
o
reconhecimento,
a
reflexão
e aprendizagem
sobre
seu
papel
na
configuração
de
seu
meio,
sobre
a
importância
desse
patrimônio
na
preservação
de
sua
memória
e a valorização de
sua
identidade
no
processo
de "acolhimento"
de visitantes,
para
o
conseqüente
intercâmbio
cultural,
inerente
à
atividade
turística.
3.1. Os
objetivos
da
Educação
Patrimonial
·
Tornar
acessível,
aos
indivíduos
e aos
diferentes
grupos
sociais,
os
instrumentos
e a
leitura
crítica
dos
bens
culturais
em
suas
múltiplas
manifestações,
sentidos
e
significados;
·
Propiciar
o
fortalecimento
da
identidade
cultural
individual
e
coletiva,
reforçando o
sentimento
de auto-estima, considerando a
cultura
brasileira
como
múltipla
e
plural;
·
Estimular
a
apropriação
e o
uso,
pela
comunidade,
do
Patrimônio
Cultural
que
ela
detém e
pelo
geral
é
também
responsável;
·
Estimular
o
diálogo
entre
a
sociedade
e os
órgãos
responsáveis
pela
identificação,
proteção
e
promoção
do
Patrimônio
Cultural, propiciando a
troca
de
conhecimentos
acumulados
sobre
estes
bens;
·
Experimentar
e
desenvolver
metodologias
de
Educação
Patrimonial,
que
permitam
um
processo
contínuo
de
conhecimento
e
compreensão
e avaliação dessas
ações
e,
·
Promover
a
produção
de
novos
conhecimentos
sobre
a
dinâmica
cultural e
seus
resultados,
incorporando-os às
ações
de
identificação,
proteção
e valorização do
Patrimônio
Cultural no
nível
das
comunidades
locais
e das
instituições
envolvidas.
4.
PATRIMÔNIO
CULTURAL
A
palavra
patrimônio,
deriva
do
latim
"patrimoniu" e significa o "bem
ou
conjunto
de
bens
culturais
ou
naturais,
de
valor
reconhecido
para
determinada
localidade,
região,
país
ou
para
a
humanidade".
O
conceito
de
Patrimônio
Cultural foi sofrendo modificações ao
longo
dos
tempos.
Em
sentido
estreito,
a
Convenção
Mundial da UNESCO realizada
em
Paris,
em
16 de
novembro
de 1972, considera
patrimônio
cultural:
os
monumentos:
obras
arquitetônicas, de
escultura
e
pintura
monumentais,
elementos
ou
estruturas
de
caráter
arqueológico,
inscrições,
cavernas
e
grupos
de
elementos
que
tenham
um
valor
excepcional
do
ponto
de
vista
da
história,
da
arte
ou
da
ciência;
os
conjuntos:
grupos
de
construções
isoladas
ou
reunidas
que,
em
virtude
da
arquitetura,
unidade
e
integração
na
paisagem,
tenham
um
valor
universal
excepcional
do
ponto
de
vista
histórico,
da
arte
ou
da
ciência;
os
sítios:
obras
do
homem
ou
obras
conjunta
do
homem
e da
natureza,
bem
como
as
áreas
que
incluam
sítios
arqueológicos, de
valor
universal
excepcional
do
ponto
de
vista
histórico,
estético,
etnológico
ou
antropológico.(CURRY,
2000)
Segundo
COELHO
(1997), a
definição
oficial
de
patrimônio
cultural no Brasil,
conforme
o
Decreto
lei
número
25, de 30 de
novembro
de 1937 é:
o
conjunto
de bens
móveis
e
imóveis
existente no
País
e cuja
conservação
seja de
interesse
público,
quer
por
sua
vinculação
aos
fatos
memoráveis
da
história
do Brasil,
quer
por
seu
excepcional
valor
arqueológico
ou
etnográfico, bibliográfico
ou
artístico.
A
constituição
do Brasil de 1988, no
seu
artigo
216, apresenta a
seguinte
redação:
constituem
patrimônio
cultural
brasileiro
os
bens
de
natureza
material
e
imaterial,
tomados
individualmente
ou
em
conjunto,
portadores
de referencia à
identidade,
à
ação,
a
memória
dos
diferentes
grupos
formadores
da
sociedade
brasileira,
nos
quais
se incluem:
I-
as
formas
de
expressão;
II-
os
modos
de
criar,
fazer
e
viver;
III-
as
criações
científicas, artísticas e tecnológicas;
IV-
as
obras,
objetos,
documentos,
edificações
e
demais
espaços
destinados
ás
manifestações
artístico-culturais;
V-
os
conjuntos
urbanos
e
sítios
de
valor
histórico,
paisagístico,
artístico,
arqueológico,paleontológico,ecológico
e cientifico.
Atualmente,
o
conceito
de
Patrimônio
Cultural vem sendo ampliado de
modo
a
conter
não
somente
os
bens
tangíveis,
materiais,
mas
também
os
bens
intangíveis,
incluindo as
manifestações,
por
múltiplas
formas,
do
modo
de
viver,
pensar
e
agir
de uma
sociedade.
Estes
bens
de
natureza
intangível
são
nossos
valores
permanentes
que
caracterizam, a
identidade
cultural da
nação
brasileira.
Como
salienta MAGALHÃES (1985), "Só
o
acervo
do
nosso
processo
criativo,
aquilo
que
construímos na
área
da
cultura,
na
área
da
reflexão,
que
deve
tomar
aí
o
seu
sentido
mais
amplo-
costumes,
hábitos,
maneiras
de
ser.
Tudo
aquilo
que
foi sendo cristalizado no
processo
histórico
e se pode
identificar
como
valor
permanente".
A
preservação
do
Patrimônio
Cultural tem
importância
fundamental
para
o
desenvolvimento
e enriquecimento de
um
povo
e de
sua
cultura.
Os
bens
culturais guardam
informações,
significados,
mensagens,
registros
da
história
humana
- refletem
idéias,
crenças,
costumes,
gosto
estético,
conhecimento
tecnológico,
condições
sociais,
econômicas e
políticas
de
um
grupo
em
determinada
época.
Ao
contrário
da
visão
que
alguns
têm do
Patrimônio,
referindo-se à
objetos
de
museus
como
coisas
velhas e estagnadas, o
contato
com
o
Patrimônio
Cultural deve
ser
dinâmico
e
transformador,
pois
esses
registros
culturais
nos
propiciam
um
momento
de
reflexão
e
crítica
que
ajuda
a
nos
localizar
no
grupo
cultural a
que
pertencemos e a
conhecer
outras
expressões
da
cultura.
Assim,
o
Patrimônio
Cultural
não
é
algo
estático,
mas
justamente
o
que
nos
impulsiona à transformação, à
criatividade
e ao enriquecimento cultural,
por
isso
a
importância
de
sua
preservação.
5.
TURISMO
O
turismo
é a
atividade
responsável
não
apenas
pela
geração
de
renda
e
empregos
no
setor
econômico
de uma
sociedade,
ele
age
também
na
esfera
social,
ecológica
e cultural.
De
acordo
com
DE LA
TORRE
(1992:19) o
Turismo
é:
um
fenômeno
social
que
consiste no
deslocamento
voluntário
e
temporário
de
indivíduos
ou
grupos
de
pessoas
que,
fundamentalmente
por
motivos
de recreação,
descanso,
cultura
e saúde,
saem do
seu
local
de
residência
habitual
para
outro,
no qual
não
exercem nenhuma
atividade
lucrativa
nem
remunerada, gerando múltiplas
inter-relações
de
importância
social,
econômica
e cultural
Para
BARRETTO (1995),
em
sentido
geral,
turismo
“é o
movimento
de
pessoas,
é
um
fenômeno
que
envolve
antes
de
mais
nada,
gente”.
Turismo
compreende,
então,
uma
atividade
sócio-econômica
complexa
e
multidisciplinar,
na
medida
que
engloba inúmeros
setores
da
economia,
utilizando-se do
patrimônio
natural
ou
cultural, ao
mesmo
tempo
em
que
proporciona
um
envolvimento
entre
as
pessoas
que
viajam e da
localidade
visitada.
6.
TURISMO
CULTURAL
De
acordo
com
a
Organização
Mundial do
Turismo,
o
Turismo
Cultural seria
caracterizado
pela
procura
por
estudos,
cultura,
artes
cênicas,
festivais,
monumentos,
sítios
históricos
ou
arqueológicos,
manifestações
folclóricas
ou
peregrinações.
(apud
BARRETTO, 2000: 20).
O
Turismo
Cultural
trata
de uma área-chave de
desenvolvimento
local
em
que
a
comunidade
é conduzida a
resgatar
sua
história,
cultura,
hábitos
e
costumes
a
fim
de
poder
transmiti-los
para
o turista.
Segundo
BARRETTO (2001:19), entende-se o
Turismo
Cultural
como
“[...]
todo
o
turismo
em
que
o
principal
atrativo
não
seja a
natureza,
mas
algum
aspecto
da
cultura
humana.”.
Essa
idéia
também
é
destacada
por
BENI (2002:422),
que
aponta
que
o
Turismo
Cultural “refere-se à
afluência
de turistas a
núcleos
receptores
que
oferecem
como
produto
essencial
o
legado
histórico
do
homem
em
distintas
épocas,
representado a
partir
do
patrimônio
e do
acervo
cultural”.
Estes
últimos
referem-se aos
elementos
e
manifestações
tangíveis
ou
intangíveis
produzidas pelas
sociedades,
resultado
de
um
processo
histórico
onde
a
reprodução
material
e das
idéias
se constituem
em
fatores
que
identificam e diferenciam
um
país
ou
região,
incluindo
não
só
os
monumentos
e
manifestações
do
passado
(sítios
e
objetos
arqueológicos,
arquitetura
colonial e
histórica,
documentos
e
obras
de
arte),
mas
também
o
que
se
chama
patrimônio
vivo:
as diversas
manifestações
da
cultura
popular
(regional,
popular,
urbana),
as
populações
ou
comunidades
tradicionais, a
língua
ou
o
sotaque,
as
artes
populares,
a
indumentária,
os
conhecimentos
e
tradições
características
de
um
grupo
ou
cultura.
( CASASOLA, 1990).
O
Turismo
Cultural
apela
à
criação
e à
memória
do
homem,
ao
testemunho
de
seu
passado,
a
sua
história.
Ao se
entender
por
cultura
tudo
aquilo
que
tem sido transformado
pelo
homem,
considera-se
turismo
cultural
não
somente
aquele
que
envolve as obras-de-arte, os
museus
e os
monumentos,
mas
também
o
turismo
natural,
a
paisagem
transformada
durante
anos
pelo
homem.
(BAUDRIHAYE, 1997:44).
Em
relação
ao
desenvolvimento
do
Turismo
Cultural, BARRETTO (2001: 75) salienta
sua
importância
ao
afirmar
que,
“[...]
para
que
patrimônio
e
turismo
possam
ter
uma
convivência
saudável,
é
necessário
que
haja
planejamento,
o
que
inclui
controle
permanente
e replanejamento”,
através
de uma
intervenção
consciente
e
profissional.
Para
que
o
patrimônio
ambiental
ou
cultural possa
ser
transformado num
produto
turístico
autêntico
e de
qualidade,
a
ser
usufruído
tanto
pelos
visitantes
como
pela
comunidade
local
é
preciso
pensar
no
local
como
um
todo,
entender
suas
peculiaridades
e
necessidades,
avaliar
seu
potencial
e
seus
limites,
a
fim
de
propor
atividades
turísticas
que
não
o prejudiquem.
Segundo
IRVING E AZEVEDO (2002:151)
a
expressão
turismo
cultural
encerra
carga
muito
densa
de
elementos
diferenciais - o
que
pode
perceber
pelo
próprio
designativo
de
seus
componentes:
turismo,
significando,
em
última
análise,
a
busca
de
diferenças;
e
cultura,
representando o
código
mais
profundo
que
revela o
modo
de
ser
de uma
dada
sociedade.
Esta afirmação demonstra
que
a
identidade
dos
povos
e a
diversidade
cultural
são
um
dos
elementos
básicos
do
Turismo
Cultural,
pois
a motivação
central
do
visitante
esta relacionada
com
a
busca
do
conhecimento,
envolvendo a
satisfação
de
suas
curiosidades
em
relação
ao
modo
de
ser
de
outros
indivíduos.
Portanto,
o
produto
do
Turismo
Cultural é
específico,
pois
corresponde a
valores
criados
pelo
homem,
através
da
sua
cultura,
tradição
e
história,
o
que
antigamente
era
conhecido
como
Patrimônio
Histórico
e
Artístico
e
hoje
é
conhecido
como
Patrimônio
Cultural, abrangendo
aspectos
históricos
e
ecológicos.
O
Turismo
Cultural
visa
que
o
visitante
descubra
sítios,
monumentos
e
fazeres
humanos,
visto
que
o
ser
humano
procura
conhecer
a
si
mesmo
e ao
mundo
que
o
rodeia
de uma
forma
agradável
e
prazerosa.
De
acordo
com
McINTOSH (2000), o
Turismo
Cultural é
aquele
que
cobre
todos
os
aspectos
de uma
viagem
de
turismo,
mediante
a
qual
as
pessoas
aprendem
acerca
dos
costumes
e
idiossincrasias
do “outro”.
É o
canal
pelo
qual
um
município
ou
uma
localidade
se apresenta a
si
mesmo,
e aos turistas.
Para
MOLETTA (2000), o
Turismo
Cultural é o
acesso
ao
patrimônio
cultural
legado
pelo
homem
ao
longo
do
tempo,
ou
seja, a
história,
a
cultura
e o
modo
de
viver
de uma
comunidade.
Turismo
Cultural é uma
atividade
“experiencial”. Envolve o
contato
de
diferentes
intensidades
com
grupos
sociais,
com
sua
herança
cultural e
com
as especificidades dos
lugares.
Através
desta
experiência
o turista poderá
ser
educado
tanto
quanto
entretido, terá uma
oportunidade
para
aprender
sobre
a
comunidade.
Neste
sentido, para o desenvolvimento do Turismo Cultural a
comunidade deve estar ciente da importância do seu
patrimônio, visto que se ela não valorizar não vai ser o
turista que irá lhe dizer da importância histórica e
cultural do seu patrimônio.
7.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O
Patrimônio Cultural de um povo é mais do que um conjunto de
antiguidades ou mera coleção de curiosidades que a corrente
do tempo foi largando pela vida. Ele é responsável pela
continuidade histórica de uma comunidade que se reconhece
como tal e corporifica seus ideais e valores, transcendendo
as gerações. Dessa forma, a Educação Patrimonial vem como
uma base para que a comunidade se insira como aprendiz na
perspectiva histórica e de identidade do grupo social a que
pertence. O trabalho de conscientização da população é muito
importante, pois os nativos são o cartão de visitas de uma
localidade. Para tanto, é preciso analisar as razões
culturais, educativas e sociais que justificam o uso da
riqueza monumental relacionada ao turismo. Os benefícios
econômicos que o turismo trará à comunidade local, aliado ao
senso de preservação e conservação do patrimônio cultural
são inúmeros.
A
preservação do Patrimônio Cultural garante o direito à
memória individual e coletiva e permite aos indivíduos
entender o universo sociocultural em que estão inseridos.
Para identificar e valorizar é preciso preservar o
patrimônio, e para preservar é preciso conhecer. Esse
conhecer pode ser obtido através da Educação Patrimonial,
conscientizando a comunidade envolvida sobre a importância
da preservação do patrimônio que se encontra ao seu redor,
entendendo por patrimônio os bens de ordem natural, material
e intelectual.
É
importante destacar o papel da Educação Patrimonial para o
reconhecimento da comunidade de seu patrimônio Ao mesmo
tempo em que se configura como um subsidio provocador de
novos olhares, contribui para recuperação da identidade bem
como para valorização e preservação do patrimônio da cidade.
Conclui-se este artigo com algumas rápidas reflexões sobre a
importância da Educação Patrimonial como elemento capaz de
ajudar a recuperar a memória e a identidade local, de
sensibilizar a comunidade para seus valores culturais,
despertando seu orgulho étnico. Conservando e valorizando o
Patrimônio Cultural, para promover o desenvolvimento do
Turismo Cultural.
8.
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