spacer

ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de abril de 2008 22:57:23                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
Leia na Revista Partes
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TURISMO

Turismo Rural e Viagens de Incentivo para terceira idade: Estudo de caso de Irati – PR

   

Janaína Ramos Ferreira[1]

Poliana Fabíula Cardozo[2]

publicado em 15/11/2007

 

Resumo: O turismo rural tem despontado como uma eficiente fonte de renda para os agricultores que desejam variar sua fonte de receita, particularmente aqueles que trabalham nos moldes de agricultura familiar. Este artigo pretende explanar sobre este tema no viés das atividades do Turismo Rural na Agricultura Familiar em Irati, Paraná, da forma como está se iniciando. Bem como, quer identificar o público-alvo que está sendo atingido, terceira idade, e a maneira que tal demanda está chegando ao município, usando como referência a visita feita no dia 04 de maio de 2007 por um grupo à cidade. O método de trabalho utilizado foi a pesquisa bibliográfica e documental, bem como observação participativa durante a visita do grupo. Além dessas etapas metodológicas, aplicou-se instrumento de questionário com a organizadora do passeio e os respectivos clientes.

PALAVRAS CHAVE: Turismo rural, terceira idade, Irati- Pr.

 

 

 

Introdução

Irati é uma cidade do interior do Paraná que completa 100 anos de emancipação política em 15 de julho de 2007, distante 156 km de Curitiba, localiza-se no centro-sul do estado do Paraná, na região turística conhecida como Terra dos Pinheirais. Dispunha, no ano 2000, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000) de 52.352 habitantes. José Maria Orreda, um estudioso do município, cita nos dados gerais de Irati, de acervo da prefeitura municipal, que a habitação inicial foi por moradores de cidades próximas, como Palmeira, Imbituva, Lapa, Itaicoca, Assungui e Curitiba desde 1860. Em 1908, o município de Irati recebia o primeiro contingente de colonos holandeses que se fixaram no Núcleo Irati, hoje Colônia Gonçalves Junior. No mesmo ano, ucranianos e poloneses ocuparam terras em Itapará, distrito de Irati. Em 1909 chegam imigrantes alemães e entre 1910 e 1912 houve maior incidência de poloneses e ucranianos, este movimento migratório foi iniciado e dirigido pelo governo federal e a partir de 1913, chegaram os italianos.

Segundo material do departamento de imprensa da prefeitura do município, é sabido que o mesmo disponibiliza aos moradores escolas municipais em bairros, na cidade cinco escolas de idiomas, 28 espaços para a prática de esportes e fisicultura, um time de futebol do município de reconhecimento estadual, uma casa de cultura, quatro grupos folclóricos, um grupo de teatro, além de cinema e outros espaços para sociabilização. Ao visitante, o município dispõe de infra-estrutura hoteleira, com oito empreendimentos do ramo e 24 estabelecimentos para alimentação. Ao se referir a lazer Irati oferece eventos de grande porte, alguns atrativos naturais como cachoeiras, em número de seis, a Floresta Nacional (FLONA), caverna e o início das atividades do Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF).

No Plano de Diretrizes para o Desenvolvimento do Turismo Rural no Brasil, elaborado pelo Ministério do Turismo na primeira gestão de governo de Luís Inácio Lula da Silva 2003-2007, a agricultura familiar é descrita como um programa do governo federal que objetiva dar ao agricultor uma fonte alternativa de renda, para tanto foi elaborado um Programa Nacional de Turismo Rural na Agricultura Familiar (PNTRAF) que está em vigor desde 2003. As ações são trabalhadas por estados e o município de Irati, em 2006, participou das ações do TRAF no Estado com a comunidade denominada Pinho de Baixo, distante pouco mais de dez quilômetros do centro da cidade e composta por descendentes de italianos.

No segundo semestre de 2006, a rede de drogarias Nissei entrou em contato com o Departamento Municipal de Turismo com o intuito de trazer a Irati um grupo de clientes de terceira idade. O Departamento Municipal de Turismo ciente das ações TRAF que vinham acontecendo definiu junto à organizadora do evento, responsável pela drogaria, um roteiro com programação de um dia que pudesse satisfazer às necessidades do público de terceira idade, no roteiro houve a inclusão da primeira visita aos agricultores que iniciaram o trabalho com o turismo rural no município.

O trabalho aqui apresentado quer registrar as atividades do Turismo Rural na Agricultura Familiar em Irati da forma como está se iniciando, bem como identificar o público-alvo que está sendo atingido e a maneira que tal demanda está chegando ao município, usando como referência a visita feita no dia 04 de maio de 2007. Ocasião em que se realizou pela segunda vez a visita de um outro grupo também de clientes da drogaria.

O método de trabalho utilizado foi a pesquisa bibliográfica e documental, bem como observação participativa durante a visita do grupo. Além dessas etapas metodológicas, aplicou-se instrumento de questionário com a organizadora do passeio e os clientes da drogaria.

 

1. TURISMO RURAL

Uma das primeiras reflexões de turismo rural é colocado por  Tulik (2003, p 69), quando cita um conceito formulado pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) em 1994, onde é mencionado como o primeiro conceito de turismo rural:

o Brasil adotou para o Turismo Rural um conceito múltiplo – um turismo diferente, turismo interior, turismo doméstico, turismo integrado, turismo endógeno, turismo alternativo, agroturismo e turismo verde. O Turismo Rural em todas as sua formas.

 

Porém antes de o EMBRATUR se manifestar conceitualmente sobre o turismo rural o município de Lages, Santa Catarina, já apresentava manifestações a respeito do mesmo, posto que naquela localidade a agricultura passava por uma crise, em 1985, e o turismo rural fora visto como uma alternativa encontrada para fomentar a economia dos agricultores. Dessa forma passou-se a implementar no município o turismo rural, que é definido como um produto que:

é necessário que o produto obedeça a princípios como atendimento familiar e preservação das raízes, harmonia e sustentabilidade ambientais, autenticidade e manutenção da identidade, qualidade do produto e envolvimento da comunidade local. (ZIMMERMANN, 2003, pp 130-131)

 

Para esse autor, várias são as possibilidades que o turismo no meio rural pode trabalhar, as áreas em questão podem comportar como fator de atratividade: atividades de cunho ecológico, cultural, esportivo e de aventura.

A atualidade desponta o turismo rural como um forte segmento a ser trabalhado pensando nisso, o Ministério do Turismo, almejando impedir que a estruturação e caracterização do turismo desenvolvido em propriedades rurais aconteça de forma desordenada, contribuiu inserindo no contexto do Programa Nacional de Turismo 2003-2007 as diretrizes para o desenvolvimento do turismo rural. O Ministério em seu plano segue por princípios: diversificar a oferta turística; aumentar os postos de trabalho e renda no meio rural; valorizar a pluralidade e as diferenças regionais; consolidar produtos turísticos de qualidade e interiorizar a atividade turística. Para a elaboração das diretrizes para o desenvolvimento do turismo rural, foram consideradas a valorização da ruralidade, a conservação do meio ambiente, os anseios socioeconômicos dos envolvidos e a articulação interinstitucional e intersetorial.

Em Portugal o turismo rural é colocado por Tulik (2003, p 51-52) como fundamentado na propriedade rural e no patrimônio arquitetônico com especificidade familiar, onde é obrigatória a presença do proprietário, tem caráter do turismo com complementaridade às demais atividades, contrapõe-se ao nacional ao ser direcionado para a clientela com elevado poder de compra e valorizar o patrimônio arquitetônico, exceto estes itens. No Brasil trabalha o turismo rural da mesma forma: visa os benefícios do turismo rural por trazerem melhoria das condições de vida das famílias rurais e diminuir o êxodo rural, motivos estes que foram os que segundo Tulik (2003, p 47) deram início à França iniciar sua atividade turística no meio rural. Outros benefícios encontrados pela complementaridade que o turismo rural oferece, são a diversificação da economia regional, promoção a interiorização do turismo diversificando a oferta turística, conservação dos recursos naturais e promoção do intercâmbio cultural entre visitantes e visitados, o que amplia a auto-estima do agricultor, integra a propriedade rural com a comunidade e valoriza as práticas rurais, tanto sociais como de trabalho. Entre os itens que o governo federal brasileiro está trabalhando com o Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF), são características que as propriedades rurais disponham de agroindústria, artesanato, atividade de lazer, alimentação e hospedagem. O público beneficiário compõe-se de agricultores familiares, assentados por programas de reforma agrária, pescadores artesanais, extrativistas florestais, povos da floresta, ribeirinhos, indígenas, quilombolas e seringueiros. Segundo material em CD ROM que a ECOPARANÁ disponibilizou aos agentes TRAF, a rede é colocada como:

REDE TRAF é um instrumento para promover as políticas do MDA para o turismo na agricultura familiar. A REDE TRAF é uma articulação de instituições governamentais e não-governamentais, técnicos e agricultores familiares que atuam no turismo rural (...) a atividade turística que ocorre na unidade de produção dos agricultores familiares que mantêm as atividades econômicas típicas da agricultura familiar, dispostos a valorizar, respeitar e compartilhar seu modo de vida, o patrimônio cultural e natural, ofertando produtos e serviços de qualidade e proporcionando bem estar aos envolvidos. (REDE TRAF, 2003:s/p)

 

A Rede TRAF considera como motivações que levam as pessoas a buscarem o turismo rural, quesitos como simplicidade; sossego; contato com a vida rural; alimentação caseira e natural; atenção; contato entre pessoas e o meio rural; segurança; ambientes limpos e organizados; visita de parentes e amigos; calma; prática de esportes; festas religiosas; descanso; compra de produtos; contato com a natureza; lazer e aventura; fuga da rotina; volta às origens; novas amizades e confraternização.

O TRAF define quem serão os beneficiados pelo programa, demonstra preocupação com as motivações dos usuários, fazendo com que o produto turístico possa ser preparado para agradar um público de interesses específicos e traz em seus princípios a presença da sustentabilidade, pois valoriza o meio e a harmonia das pessoas com este, o que significa que a forma como está ocorrendo é promissora. Ao citar características do turismo Beni (2003, p 39) refere-se ao mesmo como promotor e difusor de informações sobre uma determinada região, seus valores culturais e sociais, responsável por desenvolver a criatividade em vários campos e abrir novas perspectivas sociais. Para diferenciar produtos turísticos no meio rural, a criatividade é o ponto crucial, considerando-se que, em todas as propriedades rurais uma carroça será sempre uma carroça, o que fará a diferença é o uso que cada agricultor dará a esta, podendo fazer da mesma um veículo de locomoção para passeios de visitantes, um objeto de adorno ao ambiente, enfim o que lhe for mais conveniente e agradar o máximo o visitante de sua propriedade.

Para trabalhar o turismo em uma cidade, localidade ou mesmo uma comunidade, como é o caso de Irati, é preciso que o caminho que a atividade tome se identifique com a identidade do local em questão. A agropecuária em Irati é responsável 15,93% do PIB municipal, segundo dados gerais da prefeitura municipal. Pelo censo do IBGE de 2000, a população rural é de 24,90 %. Dados como esses comprovam que Irati tem uma expressiva camada populacional que vive no meio rural, o que faz jus a participação do município nas ações do Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF) para capacitar-se para receber turistas. No ano de 2006, entre as ações que a ECOPARANÁ determinou para realizarem-se no Estado, Irati participou, com a comunidade do Pinho de Baixo, de diversas reuniões com o agente TRAF do município, uma reunião com técnicos da ECOPARANÁ, uma saída de campo para o Rio Grande do Sul, percorrendo a rota do vinho, passando por Veranópolis, Garibaldi e Bento Gonçalves e o encerramento das ações TRAF em 2006, ocorrido em Cascavel. A comunidade foi capacitada durante todo o ano de 2006 para iniciarem as atividades com o turismo rural e os primeiros grupos que tiveram a oportunidade de visitar Irati e conhecer o TRAF da maneira com está se implantando na comunidade do Pinho de Baixo foram um público de terceira idade.

 

2. TURISMO E TERCEIRA IDADE

O público de terceira idade para o turismo apresenta um mercado potencial já percebido na Europa e Estados Unidos com uma demanda expressiva. As características que a terceira idade dispõe como a não sazonalidade, a disponibilidade de tempo livre, e uma renda fixa, ainda que reduzida, faz desse mercado um dos mais lucrativos. A permanência do turista pode ser por um tempo maior, o que permite que os gastos que este realizará no local visitado seja proporcionalmente maior, essas características são reforçadas por Beni que afirma:

esse segmento da população vem crescendo quase exponencialmente no tráfego turístico mundial, em razão do aumento da expectativa de vida (...) no Brasil até recentemente inexpressivo em termos estatísticos, esse segmento vem conquistando seu nicho de mercado. Beni (2003, p 436)

 

Ao mencionar sobre as motivações que levam os turistas a buscarem o meio rural como destinação, baseada em pesquisas Rodrigues (2001, pp 112–113) reafirma a busca pela mudança de ambiente, com um estilo de vida diferente do seu, maior proximidade de contato com a natureza, vivência com pessoas com modos de vida simplórios em oposição ao padrão urbano, lugar bucólico, que não tenha sofrido com a massificação e que possua originalidade.

As atividades que o campo oferece aos seus visitantes têm caráter de maior calmaria, o ambiente remete paz ao turista, e os proprietários das áreas rurais têm a oportunidade de oferecer atividades leves, como uma caminhada, um passeio em torno da atividade agrícola desempenhada pelo agricultor onde este explana todo seu modo de trabalho fazendo com que o turista interaja com a rotina da propriedade. Em casos onde o grupo em questão é de terceira idade pode-se perceber, como foi o caso em estudo deste trabalho, que o turista se identifica com o meio visitado, sentindo-se mais motivado e com energias renovadas ao término do passeio, uma vez que o meio bucólico que é oferecido costuma remetê-los à infância e família. Porém, não são apenas atividades leves que podem ser desfrutadas no meio rural, atividades de ecoturismo que envolvam esportes radicais podem igualmente ocorrer no espaço rural.

Cientes das ofertas benéficas do turismo rural, de grau leve como o ofertado em Irati, para grupos de terceira idade, a rede de farmácias da Drogaria Nissei entrou em contato com a prefeitura municipal de Irati e em acordo de ambas as partes definiu-se que, após um passeio pelo município, o turismo rural seria o foco da primeira visita, que realizou-se em outubro de 2006.

3. TURISMO RURAL E TERCEIRA IDADE: CASO DA VISITA DOS CLIENTES DA DROGARIA NISSEI EM IRATI

As drogarias Nissei são uma rede paranaense com 93 estabelecimentos e 21 anos de existência em 2007. Sua missão é oferecer serviços de qualidade proporcionando aos clientes saúde, beleza e bem estar. Em de sua visão consta, oferecer produtos e serviços inovadores com excelente qualidade, superando sempre as expectativas dos clientes e colaboradores, segundo material da drogaria apresentado pela organizadora do passeio, nota-se que, várias são as possibilidades de crédito que a empresa deposita em seus clientes, a que será estudada aqui é o clube de fidelidade oferecido ao grupo de terceira idade, por eles chamado de Clube Nissei da Melhor Idade. Por meio deste clube, é oferecido aos clientes um cartão, onde são associados e estes podem desfrutar de descontos especiais, passeios, cursos, viagens, bailes, voluntariado, parceria da empresa com a Pontifícia Universidade Católica (PUC), que oferece aos clientes alongamento, caminhada, artesanato, conversa de roda, informática, pintura, sessões de cinema e teatro e um programa de televisão todos os domingos, que é transmitido pela RIC TV às 10h aos domingos, segundo material fornecido pela organizadora do passeio. Os passeios acontecem nos mais diversos lugares e a responsável pelas saídas da drogaria em busca, pela internet, de uma nova destinação para os associados do clube das lojas de Ponta Grossa encontrou Irati e prontamente entrou em contato com o Departamento Municipal de Turismo e pediu sugestões de lugares para serem visitados no município, a coordenadora municipal de turismo envio uma sugestão onde o TRAF seria alvo da visita, após um pequeno roteiro pelo município. A proposta foi aceita e, a primeira visita ocorreu no dia 14 outubro de 2006, com a participação de dois ônibus e cerca de 80 pessoas. A aceitação por parte dos clientes e da equipe da drogaria foi benéfica e em 2007, novamente a responsável pediu ao departamento de turismo uma nova proposta de roteiro e uma segunda visita foi marcada.

No dia 04 de maio de 2007, um novo grupo veio a Irati, também com dois ônibus e desta vez com cerca de 74 clientes, além da equipe da drogaria que tinha a equipe de recreação e outros responsáveis pela drogaria. No centro da cidade o grupo encontrou-se com a coordenadora municipal de turismo e dois acadêmicos do curso de turismo da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), que acompanhariam o grupo por todo o percurso. Próximo das 10h o grupo destinou-se ao distrito de Gonçalves Junior, onde a comunidade local recepcionou os visitantes seguindo as propostas do TRAF. Foi feita uma recepção onde, com microfone, uma professora da escola municipal local relatou sobre a história do distrito e deu boas vindas. Os visitantes tiveram liberdade para escolher o que quisessem fazer, a primeira casa de comércio de Gonçalves Junior, que hoje é residência de uma senhora, foi aberta com amostra de um projeto de alunos e uma professora onde é feito um resgate à história do município, através das histórias contadas pelos avós dos alunos. A casa da Memória que é um museu local foi aberta, bem como uma igreja ucraniana, todos esses pontos localizavam-se ao redor de um campo de futebol gramado, onde a equipe de recreação fez algumas atividades com o grupo. Também em volta do campo foram armadas barracas onde os produtos caseiros e os produtos locais (mel, pinhão, vinho) foram comercializados. Após as atividades com a equipe de recreação o grupo foi levado a conhecer duas outras igrejas que ficavam próximo de três quadras do campo de futebol. Uma igreja ortodoxa, e uma católica. As igrejas foram alvo de destinação por o distrito ter uma forte presença religiosa devido à colonização local.

Após a visita às igrejas o grupo deslocou-se a um restaurante no centro de Irati, onde foi realizado o almoço.

No período da tarde os clientes foram à comunidade do Pinho de Baixo. No caminho, porém o grupo foi surpreendido por um contratempo. O caminho que leva até o local combinado para encontrar os moradores que receberiam os visitantes não era sinalizado. Para chegar ao Pinho de Baixo segue-se um trajeto pela rodovia saindo de Irati sentido Guarapuava, e adentra-se uma estrada de terra, a parte não asfaltada possui três bifurcações e em nenhuma delas há sinalização indicativa do caminho. Eram três veículos que traziam os visitantes, sendo dois ônibus com a equipe da drogaria e os clientes e uma Van que trazia a equipe de reportagem que fez a gravação para o programa da drogaria que foi ao ar no dia 27 de maio. A equipe de reportagem permaneceu por mais tempo no restaurante em razão de uma gravação com um representante do restaurante, e cerca de meia hora mais tarde seguiu em direção ao Pinho. Ao chegar ao local marcado, a equipe de reportagem encontrou-se com os ônibus chegando juntos ao local. Os dois ônibus que foram guiados pela coordenadora municipal de turismo que é bacharel na área em que atua, perderam-se no caminho e rodaram por cerca de meia hora, até encontrarem o caminho.

Quando finalmente o grupo chegou ao local onde seria recepcionado, os moradores da comunidade do Pinho já os esperavam com produtos locais para serem comercializados. Foram vendidos vinhos, que é característico da comunidade, pães e demais produtos caseiros feitos pelos moradores.

Alguns clientes foram entrevistados quanto ao aproveitamento do passeio, em nove dos nove entrevistados percebeu-se que o passeio correspondeu às expectativas e todos disseram ter interesse em regressar a Irati numa outra oportunidade.

A organizadora do passeio, também foi entrevistada e, ao ser indagada sobre pontos positivos e negativos queixou-se dos guias que acompanharam o grupo, porém não havia presença de guias no passeio, tratava-se da coordenadora municipal de turismo e dois acadêmicos de turismo da UNICENTRO.

Próximo às 16h o grupo retornou a Ponta Grossa.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em 2006, iniciativas como a do governo federal de trabalhar o turismo, foram trabalhadas em nível estadual e surtiram efeito em Irati, posto que um representante do município foi treinado pelo ECOPARANÁ, para poder capacitar agricultores quanto ao Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF) e iniciou o trabalho com os moradores da comunidade do Pinho de Baixo em Irati.

Os moradores do município de Irati têm se mostrado bastante interessados em trabalhar com o TRAF, a comunidade do Pinho de Baixo já recebeu duas visitas, e os moradores se mostram otimistas com os resultados e mais seguros para continuar o trabalho. Tal afirmação pôde ser constatada, observando que os produtos que os agricultores oferecem aos visitantes do turismo rural foi disponibilizado aos freqüentadores de sua tradicional festa promovida anualmente. Os agricultores têm enxergado novas possibilidades de renda com a presença de visitantes de modo geral, em 2007 durante a realização da festa religiosa que é anualmente promovida pela comunidade, foi feito um estande para comercialização dos artesanatos locais, possibilidade que outrora não era percebida por estes. A presença do novo estande foi reflexo da visão que o turismo rural, em suas etapas de capacitação, trouxe aos produtores rurais com suas novas fontes de renda extra, estas foram alguns dos aspectos que puderam ser observados durante o procedimento do passeio, junto aos agricultores.

Com base no inventário turístico municipal, o material de dados gerais de acervo do Departamento Municipal de Imprensa, analisando a forma que o turismo foi trabalhado em gestões anteriores, percebe-se uma ausência de identidade turística para o município de Irati. Tal ausência abre espaço para que se inicie o trabalho de um segmento de atividade turística com o apoio da comunidade local por essa ser a única opção de turismo a ocorrer no município. Nesse contexto, o TRAF, que é o segmento que está sedo trabalhado, desponta com força total.  Estão tendo início as primeiras visitas e os benefícios têm sido para moradores e visitantes. A renda dos moradores do Pinho de Baixo está sendo complementada pelas novas oportunidades de comércio dos produtos caseiros e artesanais locais, oportunizada pela presença dos visitantes eventuais. A presença de novos freqüentadores ao local tem trazido o aprimoramento da infra-estrutura local, o trajeto entre a saída da rodovia e a chegada à igreja central, onde se encontram moradores e turistas, é um trecho de estrada sem pavimentação, quando há períodos de chuva a passagem fica impedida em um determinado momento, fato que há muito vinha prejudicando aos moradores. Na data de realização da festa religiosa tradicional, a prefeitura municipal disponibilizou cascalho ao trecho problemático sanando temporariamente o problema para facilitar o acesso dos visitantes à igreja. A auto-estima dos moradores da comunidade do Pinho de Baixo sofreu mudanças, agora estes não mais se reconhecem como apenas agricultores, passam a assumir também as características de empreendedores da área de turismo. Várias são as mudanças percebidas na comunidade do Pinho de Baixo que leva a crer que a atividade está acontecendo de maneira organizada entre os moradores, bem como a parceira pública tem se mostrado favorável, pois além da ajuda com a infra-estrutura, é por meio do Departamento Municipal de Turismo que é realizado o contato entre a ECOPARANÁ e os agricultores.

Em 2007 o distrito de Gonçalves Junior demonstrou interesse em participar das reuniões do TRAF, além de já ter tido sua primeira experiência em receber visitantes com o grupo do Clube da Melhor Idade da Drogaria Nissei. O interesse de Gonçalves Junior faz o turismo rural em Irati despontar com força para a atividade que até o presente momento é amplamente benéfica. Benefícios esses percebidos pelos visitantes através das entrevistas, e da mesma forma para os moradores que recebem como interferências do turismo rural o envolvimento da mão-de-obra familiar, valorização da vida rural e possibilidade de agregação de valor aos produtos e ao ambiente rural.

Ao que tudo indica Irati tem a chance de ser o município de maior destaque para o TRAF entre os da região. No ano de 2006 em uma das reuniões feitas pelos responsáveis da ECOPARANÁ para capacitação dos agricultores, foi Irati a sede para o encontro, onde municípios vizinhos como Inácio Martins, Guamiranga, Rio Azul, Mallet e União da Vitória estiveram presentes.

A forma que o Turismo Rural na Agricultura Familiar está se desenvolvendo em Irati estaria excelente não fosse o problema percebido no caso em questão onde a organizadora da viagem da Drogaria queixou-se dos guias. Percebe-se aqui a falta de informação da população em geral quanto às atividades do bacharel em turismo, ao saber as pessoas que acompanhariam o grupo, a organizadora sabia que tratavam-se de acadêmicos de turismo e da primeira vez, assim como na segunda a única queixa feita sobre a recepção do grupo em Irati foi a má qualificação dos guias.

Sabe-se porém, que as universidades em seus cursos superiores formam profissionais capacitados a planejar a atividade turística de modo geral e em toda sua amplitude. Ao mencionar um guia de turismo é preciso que este seja capacitado para tal função especificamente, ao contrário do bacharel, esse profissional apenas necessita do ensino médio. Segundo o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), que é uma instituição especializada em capacitar guias de turismo, o perfil do guia deve ser a verificação e confirmação dos acordos de transporte, alimentação e acomodação para os turistas, prestação de assistência no despacho e liberação dos passageiros/bagagens bem como oferecer informações geográficas, históricas ou de interesse dos visitantes.

Percebe-se então que o turismo rural em Irati precisa ainda de alguns aprimoramentos modificações para que a atividade ocorra de maneira menos amadora. E necessária a colocação de placas no trajeto até o local a partir do momento em que há a saída da rodovia, bem como a capacitação de guias de turismo no município, preferencialmente que esse curso seja solicitado pelos moradores do distrito de Gonçalves Junior e pela comunidade do Pinho de Baixo que devem preferencialmente capacitar seus moradores para empregar a mão-de-obra local e familiar.

 

REFERÊNCIAS

BENI, M. C. Análise Estrutural do Turismo. 8ª edição. São Paulo. Editora SENAC. 2003

DROGRARIA NISSEI Apresentação em Power Point, material de acervo da

PARANÁ. Ecoparaná. Material em CD do Programa Nacional de Turismo 2003-2007 as diretrizes para o desenvolvimento do turismo rural.

PREFEITURA MUNICIPAL DE IRATI, Dados Gerais 2006, do acervo da Prefeitura Municipal de Irati, elaborado pelo departamento de imprensa.

RODRIGUES, A. B. Turismo Rural:Interfaces entre o ecoturismo e o turismo rural IN: ALMEIDA, J. A. FROEHLICH, J. M. RIEDHL, M. Turismo Rural e Desenvolvimento Sustentável. 2ª edição. Campinas. Papirus . 2001.

Site do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial

http://www.senac.br/guiadeprofissoes/ficha.asp?AreaID=3&ProfID=3

Acesso em 29 de maio de 2007.

TULIK, O. Turismo Rural. São Paulo. Aleph. 2003 - (Coleção ABC do Turismo)

ZIMMERMANN, A. Planejamento e Organização do Turismo Rural no Brasil. IN: ALMEIDA, J. A. FROEHLICH, J. M. RIEDHL, M. Turismo Rural e Desenvolvimento Sustentável. 2ª edição. Campinas. Papirus . 2001.

 


 

[1]Graduanda em Turismo pela UNICENTRO. ramosjanaina89@hotmail.com

[2]Mestre Bacharel em Turismo (UNIOESTE/UCS), professora assistente e pesquisadora da UNICENTRO. polianacardozo@yahoo.com.br

 

spacer
::sobre o autor::

Poliana Fabiula Cardozo é mestre bacharel em Turismo (UNIOESTE/UCS), professora assistente e pesquisadora da UNICENTRO.

Janaina Ramos Ferreira é Graduanda em Turismo pela UNICENTRO. ramosjanaina89@hotmail.com
 

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
::::


 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outros artigos::
 

 

 

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2007
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer