|
Resumo:
O turismo rural tem
despontado como uma eficiente fonte de renda para os agricultores que
desejam variar sua fonte de receita, particularmente aqueles que
trabalham nos moldes de agricultura familiar. Este artigo pretende
explanar sobre este tema no viés das atividades do Turismo Rural na
Agricultura Familiar em Irati, Paraná, da forma como está se iniciando.
Bem como, quer identificar o público-alvo que está sendo atingido,
terceira idade, e a maneira que tal demanda está chegando ao município,
usando como referência a visita feita no dia 04 de maio de 2007 por um
grupo à cidade. O método de trabalho utilizado foi a pesquisa
bibliográfica e documental, bem como observação participativa durante a
visita do grupo. Além dessas etapas metodológicas, aplicou-se
instrumento de questionário
com a organizadora do passeio e os
respectivos clientes.
PALAVRAS CHAVE:
Turismo rural, terceira idade, Irati- Pr.
Introdução
Irati é uma cidade do
interior do Paraná que completa 100 anos de emancipação política em 15
de julho de 2007, distante 156 km de Curitiba, localiza-se no centro-sul
do estado do Paraná, na região turística conhecida como Terra dos
Pinheirais. Dispunha, no ano 2000, segundo o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE, 2000) de 52.352 habitantes. José Maria
Orreda, um estudioso do município, cita nos dados gerais de Irati, de
acervo da prefeitura municipal, que a habitação inicial foi por
moradores de cidades próximas, como Palmeira, Imbituva, Lapa, Itaicoca,
Assungui e Curitiba desde 1860. Em 1908, o município de Irati recebia o
primeiro contingente de colonos holandeses que se fixaram no Núcleo
Irati, hoje Colônia Gonçalves Junior. No mesmo ano, ucranianos e
poloneses ocuparam terras em Itapará, distrito de Irati. Em 1909 chegam
imigrantes alemães e entre 1910 e 1912 houve maior incidência de
poloneses e ucranianos, este movimento migratório foi iniciado e
dirigido pelo governo federal e a partir de 1913, chegaram os italianos.
Segundo material do
departamento de imprensa da prefeitura do município, é sabido que o
mesmo disponibiliza aos moradores escolas municipais em bairros, na
cidade cinco escolas de idiomas, 28 espaços para a prática de esportes e
fisicultura, um time de futebol do município de reconhecimento estadual,
uma casa de cultura, quatro grupos folclóricos, um grupo de teatro, além
de cinema e outros espaços para sociabilização. Ao visitante, o
município dispõe de infra-estrutura hoteleira, com oito empreendimentos
do ramo e 24 estabelecimentos para alimentação. Ao se referir a lazer
Irati oferece eventos de grande porte, alguns atrativos naturais como
cachoeiras, em número de seis, a Floresta Nacional (FLONA), caverna e o
início das atividades do Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF).
No Plano de Diretrizes
para o Desenvolvimento do Turismo Rural no Brasil, elaborado pelo
Ministério do Turismo na primeira gestão de governo de Luís Inácio Lula
da Silva 2003-2007, a agricultura familiar é descrita como um programa
do governo federal que objetiva dar ao agricultor uma fonte alternativa
de renda, para tanto foi elaborado um Programa Nacional de Turismo Rural
na Agricultura Familiar (PNTRAF) que está em vigor desde 2003. As ações
são trabalhadas por estados e o
município
de Irati, em 2006, participou das ações do TRAF no Estado com a
comunidade denominada Pinho de Baixo, distante pouco mais de dez
quilômetros do centro da cidade e composta por descendentes de
italianos.
No segundo semestre de
2006, a rede de drogarias Nissei entrou em contato com o Departamento
Municipal de Turismo com o intuito de trazer a Irati um grupo de
clientes de terceira idade. O Departamento Municipal de Turismo ciente
das ações TRAF que vinham acontecendo definiu junto à organizadora do
evento, responsável pela drogaria, um roteiro com programação de um dia
que pudesse satisfazer às necessidades do público de terceira idade, no
roteiro houve a inclusão da primeira visita aos agricultores que
iniciaram o trabalho com o turismo rural no município.
O trabalho aqui
apresentado quer registrar as atividades do Turismo Rural na Agricultura
Familiar em Irati da forma como está se iniciando, bem como identificar
o público-alvo que está sendo atingido e a maneira que tal demanda está
chegando ao município, usando como referência a visita feita no dia 04
de maio de 2007. Ocasião em que se realizou pela segunda vez a visita de
um outro grupo também de clientes da drogaria.
O método de trabalho
utilizado foi a pesquisa bibliográfica e documental, bem como observação
participativa durante a visita do grupo. Além dessas etapas
metodológicas, aplicou-se instrumento de questionário
com a organizadora do passeio e os clientes da drogaria.
1.
TURISMO RURAL
Uma das primeiras
reflexões de turismo rural é colocado por Tulik (2003, p 69),
quando cita um conceito formulado pelo Instituto Brasileiro de Turismo
(Embratur) em 1994, onde é mencionado como o primeiro conceito de
turismo rural:
o Brasil adotou para
o Turismo Rural um conceito múltiplo – um turismo diferente, turismo
interior, turismo doméstico, turismo integrado, turismo endógeno,
turismo alternativo, agroturismo e turismo verde. O Turismo Rural em
todas as sua formas.
Porém antes de o
EMBRATUR se manifestar conceitualmente sobre o turismo rural o município
de Lages, Santa Catarina, já apresentava manifestações a respeito do
mesmo, posto que naquela localidade a agricultura passava por uma crise,
em 1985, e o turismo rural fora visto como uma alternativa encontrada
para fomentar a economia dos agricultores. Dessa forma passou-se a
implementar no município o turismo rural, que é definido como um produto
que:
é necessário que o
produto obedeça a princípios como atendimento familiar e preservação das
raízes, harmonia e sustentabilidade ambientais, autenticidade e
manutenção da identidade, qualidade do produto e envolvimento da
comunidade local. (ZIMMERMANN, 2003, pp 130-131)
Para esse autor, várias
são as possibilidades que o turismo no meio rural pode trabalhar, as
áreas em questão podem comportar como fator de atratividade: atividades
de cunho ecológico, cultural, esportivo e de aventura.
A
atualidade desponta o turismo rural como um forte segmento a ser
trabalhado pensando nisso, o Ministério do Turismo, almejando impedir
que a estruturação e caracterização do turismo desenvolvido em
propriedades rurais aconteça de forma desordenada, contribuiu
inserindo no contexto do Programa Nacional de Turismo 2003-2007 as
diretrizes para o desenvolvimento do turismo rural. O Ministério em seu
plano segue por princípios: diversificar a oferta turística; aumentar os
postos de trabalho e renda no meio rural; valorizar a pluralidade e as
diferenças regionais; consolidar produtos turísticos de qualidade e
interiorizar a atividade turística. Para a elaboração das diretrizes
para o desenvolvimento do turismo rural, foram consideradas a
valorização da ruralidade, a conservação do meio ambiente, os anseios
socioeconômicos dos envolvidos e a articulação interinstitucional e
intersetorial.
Em Portugal o turismo
rural é colocado por Tulik (2003, p 51-52) como fundamentado na
propriedade rural e no patrimônio arquitetônico com especificidade
familiar, onde é obrigatória a presença do proprietário, tem caráter do
turismo com complementaridade às demais atividades, contrapõe-se ao
nacional ao ser direcionado para a clientela com elevado poder de compra
e valorizar o patrimônio arquitetônico, exceto estes itens. No Brasil
trabalha o turismo rural da mesma forma: visa os benefícios do turismo
rural por trazerem melhoria das condições de vida das famílias rurais e
diminuir o êxodo rural, motivos estes que foram os que segundo Tulik
(2003, p 47) deram início à França iniciar sua atividade turística no
meio rural. Outros benefícios encontrados pela complementaridade que o
turismo rural oferece, são a diversificação da economia regional,
promoção a interiorização do turismo diversificando a oferta turística,
conservação dos recursos naturais e promoção do intercâmbio cultural
entre visitantes e visitados, o que amplia a auto-estima do agricultor,
integra a propriedade rural com a comunidade e valoriza as práticas
rurais, tanto sociais como de trabalho. Entre os itens que o governo
federal brasileiro está trabalhando com o Turismo Rural na Agricultura
Familiar (TRAF), são características que as propriedades rurais
disponham de agroindústria, artesanato, atividade de lazer, alimentação
e hospedagem. O público beneficiário compõe-se de agricultores
familiares, assentados por programas de reforma agrária, pescadores
artesanais, extrativistas florestais, povos da floresta, ribeirinhos,
indígenas, quilombolas e seringueiros. Segundo material em CD ROM que a
ECOPARANÁ disponibilizou aos agentes TRAF, a rede é colocada como:
REDE TRAF é um
instrumento para promover as políticas do MDA para o turismo na
agricultura familiar. A REDE TRAF é uma articulação de instituições
governamentais e não-governamentais, técnicos e agricultores familiares
que atuam no turismo rural (...) a atividade turística que ocorre na
unidade de produção dos agricultores familiares que mantêm as atividades
econômicas típicas da agricultura familiar, dispostos a valorizar,
respeitar e compartilhar seu modo de vida, o patrimônio cultural e
natural, ofertando produtos e serviços de qualidade e proporcionando bem
estar aos envolvidos. (REDE TRAF, 2003:s/p)
A Rede TRAF considera
como motivações que levam as pessoas a buscarem o turismo rural,
quesitos como simplicidade; sossego; contato com a vida rural;
alimentação caseira e natural; atenção; contato entre pessoas e o meio
rural; segurança; ambientes limpos e organizados; visita de parentes e
amigos; calma; prática de esportes; festas religiosas; descanso; compra
de produtos; contato com a natureza; lazer e aventura; fuga da rotina;
volta às origens; novas amizades e confraternização.
O TRAF define quem serão
os beneficiados pelo programa, demonstra preocupação com as motivações
dos usuários, fazendo com que o produto turístico possa ser preparado
para agradar um público de interesses específicos e traz em seus
princípios a presença da sustentabilidade, pois valoriza o meio e a
harmonia das pessoas com este, o que significa que a forma como está
ocorrendo é promissora. Ao citar características do turismo Beni (2003,
p 39) refere-se ao mesmo como promotor e difusor de informações sobre
uma determinada região, seus valores culturais e sociais, responsável
por desenvolver a criatividade em vários campos e abrir novas
perspectivas sociais. Para diferenciar produtos turísticos no meio
rural, a criatividade é o ponto crucial, considerando-se que, em todas
as propriedades rurais uma carroça será sempre uma carroça, o que fará a
diferença é o uso que cada agricultor dará a esta, podendo fazer da
mesma um veículo de locomoção para passeios de visitantes, um objeto de
adorno ao ambiente, enfim o que lhe for mais conveniente e agradar o
máximo o visitante de sua propriedade.
Para trabalhar o turismo
em uma cidade, localidade ou mesmo uma comunidade, como é o caso de
Irati, é preciso que o caminho que a atividade tome se identifique com a
identidade do local em questão.
A agropecuária em Irati é responsável
15,93% do PIB municipal, segundo dados gerais da prefeitura municipal.
Pelo censo do IBGE de 2000, a população rural é de 24,90 %. Dados como
esses comprovam que Irati tem uma expressiva camada populacional que
vive no meio rural, o que faz jus a participação do município nas ações
do Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF) para capacitar-se para
receber turistas. No ano de 2006,
entre as ações que a ECOPARANÁ determinou para realizarem-se no Estado,
Irati participou, com a comunidade do Pinho de Baixo, de diversas
reuniões com o agente TRAF do município, uma reunião com técnicos da
ECOPARANÁ, uma saída de campo para o Rio Grande do Sul, percorrendo a
rota do vinho, passando por Veranópolis, Garibaldi e Bento Gonçalves e o
encerramento das ações TRAF em 2006, ocorrido
em Cascavel. A
comunidade foi capacitada durante todo o ano de 2006 para iniciarem as
atividades com o turismo rural e os primeiros grupos que tiveram a
oportunidade de visitar Irati e conhecer o TRAF da maneira com está se
implantando na comunidade do Pinho de Baixo foram um público de
terceira idade.
2. TURISMO E TERCEIRA
IDADE
O público de terceira
idade para o turismo apresenta um mercado potencial já percebido na
Europa e Estados Unidos com uma demanda expressiva. As características
que a terceira idade dispõe como a não sazonalidade, a disponibilidade
de tempo livre, e uma renda fixa, ainda que reduzida, faz desse mercado
um dos mais lucrativos. A permanência do turista pode ser por um tempo
maior, o que permite que os gastos que este realizará no local visitado
seja proporcionalmente maior, essas características são reforçadas por
Beni que afirma:
esse segmento da
população vem crescendo quase exponencialmente no tráfego turístico
mundial, em razão do aumento da expectativa de vida (...) no Brasil até
recentemente inexpressivo em termos estatísticos, esse segmento vem
conquistando seu nicho de mercado. Beni (2003, p 436)
Ao mencionar sobre as
motivações que levam os turistas a buscarem o meio rural como
destinação, baseada em pesquisas Rodrigues (2001, pp 112–113) reafirma a
busca pela mudança de ambiente, com um estilo de vida diferente do seu,
maior proximidade de contato com a natureza, vivência com pessoas com
modos de vida simplórios em oposição ao padrão urbano, lugar bucólico,
que não tenha sofrido com a massificação e que possua originalidade.
As atividades que o
campo oferece aos seus visitantes têm caráter de maior calmaria, o
ambiente remete paz ao turista, e os proprietários das áreas rurais têm
a oportunidade de oferecer atividades leves, como uma caminhada, um
passeio em torno da atividade agrícola desempenhada pelo agricultor onde
este explana todo seu modo de trabalho fazendo com que o turista
interaja com a rotina da propriedade. Em casos onde o grupo em questão é
de terceira idade pode-se perceber, como foi o caso em estudo deste
trabalho, que o turista se identifica com o meio visitado, sentindo-se
mais motivado e com energias renovadas ao término do passeio, uma vez
que o meio bucólico que é oferecido costuma remetê-los à infância e
família. Porém, não são apenas atividades leves que podem ser
desfrutadas no meio rural, atividades de ecoturismo que envolvam
esportes radicais podem igualmente ocorrer no espaço rural.
Cientes das ofertas
benéficas do turismo rural, de grau leve como o ofertado em Irati, para
grupos de terceira idade, a rede de farmácias da Drogaria Nissei entrou
em contato com a prefeitura municipal de Irati e em acordo de ambas as
partes definiu-se que, após um passeio pelo município, o turismo rural
seria o foco da primeira visita, que realizou-se em outubro de 2006.
3. TURISMO RURAL E
TERCEIRA IDADE: CASO DA VISITA DOS CLIENTES DA DROGARIA NISSEI EM IRATI
As drogarias Nissei são
uma rede paranaense com 93 estabelecimentos e 21 anos de existência em
2007. Sua missão é oferecer serviços de qualidade proporcionando aos
clientes saúde, beleza e bem estar. Em de sua visão consta, oferecer
produtos e serviços inovadores com excelente qualidade, superando sempre
as expectativas dos clientes e colaboradores, segundo material da
drogaria apresentado pela organizadora do passeio, nota-se que, várias
são as possibilidades de crédito que a empresa deposita em seus
clientes, a que será estudada aqui é o clube de fidelidade oferecido ao
grupo de terceira idade, por eles chamado de Clube Nissei da Melhor
Idade. Por meio deste clube, é oferecido aos clientes um cartão, onde
são associados e estes podem desfrutar de descontos especiais, passeios,
cursos, viagens, bailes, voluntariado, parceria da empresa com a
Pontifícia Universidade Católica (PUC), que oferece aos clientes
alongamento, caminhada, artesanato, conversa de roda, informática,
pintura, sessões de cinema e teatro e um programa de televisão todos os
domingos, que é transmitido pela RIC TV às 10h aos domingos, segundo
material fornecido pela organizadora do passeio. Os passeios acontecem
nos mais diversos lugares e a responsável pelas saídas da drogaria em
busca, pela internet, de uma nova destinação para os associados do clube
das lojas de Ponta Grossa encontrou Irati e prontamente entrou em
contato com o Departamento Municipal de Turismo e pediu sugestões de
lugares para serem visitados no município, a coordenadora municipal de
turismo envio uma sugestão onde o TRAF seria alvo da visita, após um
pequeno roteiro pelo município. A proposta foi aceita e, a primeira
visita ocorreu no dia 14 outubro de 2006, com a participação de dois
ônibus e cerca de 80 pessoas. A aceitação por parte dos clientes
e da equipe da drogaria foi benéfica e em 2007, novamente a responsável
pediu ao departamento de turismo uma nova proposta de roteiro e uma
segunda visita foi marcada.
No dia 04 de maio de
2007, um novo grupo veio a Irati, também com dois ônibus e desta vez com
cerca de 74 clientes, além da equipe da drogaria que tinha a equipe de
recreação e outros responsáveis pela drogaria. No centro da cidade o
grupo encontrou-se com a coordenadora municipal de turismo e dois
acadêmicos do curso de turismo da Universidade Estadual do Centro-Oeste
(UNICENTRO), que acompanhariam o grupo por todo o percurso. Próximo das
10h o grupo destinou-se ao distrito de Gonçalves Junior, onde a
comunidade local recepcionou os visitantes seguindo as propostas do TRAF.
Foi feita uma recepção onde, com microfone, uma professora da escola
municipal local relatou sobre a história do distrito e deu boas vindas.
Os visitantes tiveram liberdade para escolher o que quisessem fazer, a
primeira casa de comércio de Gonçalves Junior, que hoje é residência de
uma senhora, foi aberta com amostra de um projeto de alunos e uma
professora onde é feito um resgate à história do município, através das
histórias contadas pelos avós dos alunos. A casa da Memória que é um
museu local foi aberta, bem como uma igreja ucraniana, todos esses
pontos localizavam-se ao redor de um campo de futebol gramado, onde a
equipe de recreação fez algumas atividades com o grupo. Também em volta
do campo foram armadas barracas onde os produtos caseiros e os produtos
locais (mel, pinhão, vinho) foram comercializados. Após as atividades
com a equipe de recreação o grupo foi levado a conhecer duas outras
igrejas que ficavam próximo de três quadras do campo de futebol. Uma
igreja ortodoxa, e uma católica. As igrejas foram alvo de destinação por
o distrito ter uma forte presença religiosa devido à colonização local.
Após a visita às igrejas
o grupo deslocou-se a um restaurante no centro de Irati, onde foi
realizado o almoço.
No período da tarde os
clientes foram à comunidade do Pinho de Baixo. No caminho, porém o grupo
foi surpreendido por um contratempo. O caminho que leva até o local
combinado para encontrar os moradores que receberiam os visitantes não
era sinalizado. Para chegar ao Pinho de Baixo segue-se um trajeto pela
rodovia saindo de Irati sentido Guarapuava, e adentra-se uma estrada de
terra, a parte não asfaltada possui três bifurcações e em nenhuma delas
há sinalização indicativa do caminho. Eram três veículos que traziam os
visitantes, sendo dois ônibus com a equipe da drogaria e os clientes e
uma Van que trazia a equipe de reportagem que fez a gravação para o
programa da drogaria que foi ao ar no dia 27 de maio. A equipe de
reportagem permaneceu por mais tempo no restaurante em razão de uma
gravação com um representante do restaurante, e cerca de meia hora mais
tarde seguiu em direção ao Pinho. Ao chegar ao local marcado, a equipe
de reportagem encontrou-se com os ônibus chegando juntos ao local. Os
dois ônibus que foram guiados pela coordenadora municipal de turismo que
é bacharel na área em que atua, perderam-se no caminho e rodaram por
cerca de meia hora, até encontrarem o caminho.
Quando finalmente o
grupo chegou ao local onde seria recepcionado, os moradores da
comunidade do Pinho já os esperavam com produtos locais para serem
comercializados. Foram vendidos vinhos, que é característico da
comunidade, pães e demais produtos caseiros feitos pelos moradores.
Alguns clientes foram
entrevistados quanto ao aproveitamento do passeio, em nove dos nove
entrevistados percebeu-se que o passeio correspondeu
às
expectativas e todos disseram ter interesse em regressar a Irati numa
outra oportunidade.
A organizadora do
passeio, também foi entrevistada e, ao ser indagada sobre pontos
positivos e negativos queixou-se dos guias que acompanharam o grupo,
porém não havia presença de guias no passeio, tratava-se da coordenadora
municipal de turismo e dois acadêmicos de turismo da UNICENTRO.
Próximo às 16h o grupo
retornou a Ponta Grossa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em 2006, iniciativas
como a do governo federal de trabalhar o turismo, foram trabalhadas em
nível estadual e surtiram efeito em Irati, posto que um representante do
município foi treinado pelo ECOPARANÁ, para poder capacitar agricultores
quanto ao Turismo Rural na Agricultura Familiar (TRAF) e iniciou o
trabalho com os moradores da comunidade do Pinho de Baixo em Irati.
Os moradores do
município de Irati têm se mostrado bastante interessados em trabalhar
com o TRAF, a comunidade do Pinho de Baixo já recebeu duas visitas, e os
moradores se mostram otimistas com os resultados e mais seguros para
continuar o trabalho. Tal afirmação pôde ser constatada, observando que
os produtos que os agricultores oferecem aos visitantes do turismo rural
foi disponibilizado aos freqüentadores de sua tradicional festa
promovida anualmente. Os agricultores têm enxergado novas possibilidades
de renda com a presença de visitantes de modo geral, em 2007 durante a
realização da festa religiosa que é anualmente promovida pela
comunidade, foi feito um estande para comercialização dos artesanatos
locais, possibilidade que outrora não era percebida por estes. A
presença do novo estande foi reflexo da visão que o turismo rural, em
suas etapas de capacitação, trouxe aos produtores rurais com suas novas
fontes de renda extra, estas foram alguns dos aspectos que puderam ser
observados durante o procedimento do passeio, junto aos agricultores.
Com base no inventário
turístico municipal, o material
de dados gerais de acervo do Departamento Municipal de Imprensa,
analisando a forma que o turismo foi trabalhado em gestões
anteriores, percebe-se uma ausência
de identidade turística para o
município de Irati. Tal ausência
abre espaço para que se inicie o
trabalho de um segmento de atividade turística
com o apoio da comunidade local por essa ser a única
opção de turismo a ocorrer no
município. Nesse contexto, o
TRAF, que é o segmento que está
sedo trabalhado, desponta com força
total. Estão tendo início
as primeiras visitas e os benefícios
têm sido para moradores e
visitantes. A renda dos moradores do Pinho de Baixo está
sendo complementada pelas novas oportunidades de comércio
dos produtos caseiros e artesanais locais, oportunizada pela presença
dos visitantes eventuais. A presença
de novos freqüentadores ao local
tem trazido o aprimoramento da infra-estrutura local, o trajeto entre a
saída da rodovia e a chegada
à igreja central, onde se
encontram moradores e turistas, é
um trecho de estrada sem pavimentação,
quando há períodos
de chuva a passagem fica impedida em um determinado momento, fato que há
muito vinha prejudicando aos moradores. Na data de realização
da festa religiosa tradicional, a prefeitura municipal disponibilizou
cascalho ao trecho problemático
sanando temporariamente o problema para facilitar o acesso dos
visitantes à igreja. A
auto-estima dos moradores da comunidade do Pinho de Baixo sofreu mudanças,
agora estes não mais se
reconhecem como apenas agricultores, passam a assumir também
as características de
empreendedores da área de
turismo. Várias são
as mudanças percebidas na
comunidade do Pinho de Baixo que leva a crer que a atividade está
acontecendo de maneira organizada entre os moradores, bem como a
parceira pública tem se mostrado
favorável, pois além
da ajuda com a infra-estrutura, é
por meio do Departamento Municipal de Turismo que é
realizado o contato entre a ECOPARANÁ
e os agricultores.
Em 2007 o distrito de
Gonçalves
Junior demonstrou interesse em participar das reuniões
do TRAF, além de já
ter tido sua primeira experiência
em receber visitantes com o grupo do Clube da Melhor Idade da Drogaria
Nissei. O interesse de Gonçalves
Junior faz o turismo rural em Irati despontar com força
para a atividade que até o
presente momento é amplamente
benéfica. Benefícios
esses percebidos pelos visitantes através
das entrevistas, e da mesma forma para os moradores que recebem como
interferências do turismo rural
o envolvimento da mão-de-obra
familiar, valorização da vida
rural e possibilidade de agregação
de valor aos produtos e ao ambiente rural.
Ao que tudo indica Irati
tem a chance de ser o município de maior destaque para o TRAF entre os
da região. No ano de 2006 em uma das reuniões feitas pelos responsáveis
da ECOPARANÁ para capacitação dos agricultores, foi Irati a sede para o
encontro, onde municípios vizinhos como Inácio Martins, Guamiranga, Rio
Azul, Mallet e União da Vitória estiveram presentes.
A forma
que o Turismo Rural na Agricultura Familiar está se desenvolvendo em
Irati estaria excelente não fosse o problema percebido no caso em
questão onde a organizadora da viagem da Drogaria queixou-se dos guias.
Percebe-se aqui a falta de informação da população em geral quanto às
atividades do bacharel em turismo, ao saber as pessoas que acompanhariam
o grupo, a organizadora sabia que tratavam-se de acadêmicos de turismo e
da primeira vez, assim como na segunda a única queixa feita sobre a
recepção do grupo em Irati foi a má qualificação dos guias.
Sabe-se
porém, que as universidades em seus cursos superiores formam
profissionais capacitados a planejar a atividade turística de modo geral
e em toda sua amplitude. Ao mencionar um guia de turismo é preciso que
este seja capacitado para tal função especificamente, ao contrário do
bacharel, esse profissional apenas necessita do ensino médio. Segundo o
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), que é uma
instituição especializada em capacitar guias de turismo, o perfil do
guia deve ser a verificação e confirmação dos acordos de transporte,
alimentação e acomodação para os turistas, prestação de assistência no
despacho e liberação dos passageiros/bagagens bem como oferecer
informações geográficas, históricas ou de interesse dos visitantes.
Percebe-se então que o
turismo rural em Irati precisa ainda de alguns aprimoramentos
modificações para que a atividade ocorra de maneira menos amadora. E
necessária a colocação de placas no trajeto até o local a partir do
momento em que há a saída da rodovia, bem como a capacitação de guias de
turismo no município, preferencialmente que esse curso seja solicitado
pelos moradores do distrito de Gonçalves Junior e pela comunidade do
Pinho de Baixo que devem preferencialmente capacitar seus moradores para
empregar a mão-de-obra local e familiar.
REFERÊNCIAS
BENI, M. C. Análise
Estrutural do Turismo. 8ª edição. São Paulo. Editora SENAC. 2003
DROGRARIA NISSEI
Apresentação em Power Point, material de acervo da
PARANÁ. Ecoparaná.
Material em CD do Programa Nacional de Turismo 2003-2007 as diretrizes
para o desenvolvimento do turismo rural.
PREFEITURA MUNICIPAL DE IRATI,
Dados Gerais 2006, do acervo da Prefeitura Municipal de Irati, elaborado
pelo departamento de imprensa.
RODRIGUES, A. B.
Turismo Rural:Interfaces entre o ecoturismo e o turismo rural IN:
ALMEIDA, J. A. FROEHLICH, J. M. RIEDHL, M. Turismo Rural e
Desenvolvimento Sustentável. 2ª edição. Campinas. Papirus .
2001.
Site do
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
http://www.senac.br/guiadeprofissoes/ficha.asp?AreaID=3&ProfID=3
Acesso em 29 de maio de
2007.
TULIK, O. Turismo
Rural. São Paulo. Aleph. 2003 - (Coleção ABC do Turismo)
ZIMMERMANN, A.
Planejamento e Organização do Turismo Rural no Brasil. IN:
ALMEIDA, J. A. FROEHLICH, J. M. RIEDHL, M. Turismo Rural e
Desenvolvimento Sustentável. 2ª edição. Campinas. Papirus .
2001.
|