Resumo
O processo de
globalização
mundial é algo
inevitável.
Sua existência no
cenário
atual gera a necessidade
de mudança de
comportamento,
tanto individual,
quanto
coletivo. Como
símbolo
da era global,
a atividade
turística necessita de empresas
que
adaptem sua
cultura
organizacional no sentido
de torná-la adequada a este
ambiente mais
dinâmico
e mais
complexo.
Palavras-chave
Globalização.
Turismo.
Cultura
organizacional.
Gestão.
Velocidade.
Introdução
Na
dinâmica
do
mundo
contemporâneo,
na
chamada
era
globalizada, torna-se
necessário
para
a
sobrevivência
e o
desenvolvimento
das
organizações
enquadrar
em
seu
modelo
de
pensamento
idéias
de flexibilidade, adaptabilidade e reversibilidade.
Sem
a
busca
de uma reorientação
através
destes
conceitos,
adequando a
cultura
organizacional ao
veloz
progresso
da
humanidade
e a
nova
realidade
mundial, almejando a
inovação
e prevendo o
futuro,
as
empresas
estão correndo
em
sentido
contrário
ao
sucesso.
Em
se tratando da multiplicidade de
ofertas
de
lazer
e
turismo
como
símbolo
da
globalização,
os
elementos
culturais nas
empresas
que
trabalham na
atividade
turística
são
extremamente
relevantes,
pois
sua
observação
e
análise
permite
sua
compreensão,
auxiliando na
constante
adequação
às modificações mundiais.
Estar
consciente
de
sua
importância
facilita a
construção
de
um
mecanismo
de
controle
e
manipulação
capaz
modificar
seu
funcionamento,
ajustando-se
conforme
as
necessidades
impostas
pelo
ambiente
e
pelo
novo
cliente,
mais
informado e
consciente.
Neste
sentindo, o
desempenho
excelente
de uma
organização
de
turismo
depende
diretamente
do
nível
de
conhecimento
da
cultura
existente, da
percepção
das transformações
globais
e da
capacidade
de
rápida
adequação
a
este
meio
altamente
mutável.
2.
Globalização
Falar
em
globalização
é
falar
num
processo
não
somente
de
âmbito
econômico,
mas
também
social,
político
e cultural
gerador
de uma
aproximação
entre
as
nações
e os
indivíduos
de
todo
o
planeta.
Esta
aproximação
tem a
ver
com
rapidez
de transformação e
velocidade
de
informação
do
mundo
contemporâneo,
e a
conseqüente
diminuição
do
espaço
global.
Seu
avanço
traz
consigo
mudanças drásticas na
forma
de
organização
mundial,
porém
trata-se de
um
processo
irreversível
e
inevitável
que
acaba
por
encurtar
distâncias,
tornando as
relações
mais
velozes
e
eficientes.
De
acordo
com
Friedman (1999)
este
sistema
chamado
globalização
não
é
apenas
uma
tendência
efêmera
e possui
sua
própria
lógica,
“trata-se do
sistema
internacional
abrangente
que
modela
as
políticas
nacionais
e as
relações
internacionais
de praticamente
todos
os
países”
(p. 29). O
autor
acrescenta
ainda
que
“não
é
estático,
mas
um
processo
dinâmico
e
contínuo:
globalização
envolve a
integração
inevitável
dos
mercados,
dos
países
e das
tecnologias,
com
uma
intensidade
sem
precedentes” (p. 31).
A
difusão
do
capitalismo
de
livre
mercado,
a
abertura
das
fronteiras,
a privatização, a
desregulamentação
da
economia
e as
tecnologias
integradoras
são
algumas das
características
marcantes
deste
processo.
Falar
em
mudança
é
falar
num
trabalho
árduo,
diante
do
quase
inevitável
medo
que
o
ser
humano
possui do
desconhecido.
Neste
sentido,
a
aceitação
da
globalização
também
passou
por
este
caminho
e
mesmo
diante
da
análise
de
seus
aspectos
positivos
e
negativos
não
faz
mais
sentido
a
discussão
sobre
a
sua
existência
no
cenário
atual.
Ela
é uma
realidade,
produto
de uma
evolução
social,
e
sem
possibilidade de
reversão.
Friedman (1999) afirma
que,
a
globalização
não
é uma
escolha.
É a
realidade.
Hoje
existe
apenas
um
mercado
global,
e a
única
maneira
de
crescer
à
velocidade
desejada
pelo
seu
povo
é
por
meio
do
aproveitamento
dos
mercados
globais
de
ações
e
títulos,
da
busca
de
empresas
multinacionais
que
invistam no
país,
e da
venda
da
produção
das
suas
fábricas
no
sistema
comercial
global.
E a
verdade
mais
elementar
sobre
a
globalização
é a
seguinte:
Ninguém
está no
comando
(p.132).
Para
que
haja
entendimento
sobre
este
novo
sistema
é
preciso
uma
análise
multifocal e multidimensional. É
necessário
uma
mescla
de
perspectivas,
olhar
o
mundo
sob
diversos
ângulos
e cruzá-los
para
que
se amplie a
probabilidade
de
compreensão
dos
acontecimentos
ao
redor
do
planeta.
A
velocidade
com
que
a
globalização
abrange o
mundo
é, provavelmente,
maior
do
que
a
capacidade
que
o
ser
humano
possui de compreendê-la. O
grande
desafio
desta
era
é
atingir
uma
estabilidade
prudente
entre
a
manutenção
da
identidade
e o
desenvolvimento
necessário
para
o
progresso.
É
preciso
que
as
identidades
não
se sintam ameaçadas,
caso
contrário
há
chances
de se rebelarem
contra
o
sistema.
Neste
sentido,
o
equilíbrio
destes
dois
aspectos
é
fundamental
para
a
sobrevivência
da
globalização.
3.
Cultura
Organizacional
A
cultura
organizacional pode
ser
definida
como
um
sistema
informal
de
regras
não
escritas.
Um
sistema
de
valores
compartilhados
como
crenças
e
suposições
que
guiam
comportamentos
e
atitudes
e
que
distinguem uma
organização
das
demais.
Ela
determina a
maneira
como
as
pessoas
se comportam e agem, de
que
forma
tomam
decisões
e gerenciam o
ambiente.
Ela
reflete a
situação
da
entidade
em
um
determinado
momento
e o
sentimento
daqueles
que
a compõem.
Sua
conceituação
é
fundamental
para
a
compreensão
estrutural das
organizações.
Schein (1992) define a
cultura
organizacional
como
um
padrão
de pressuposições básicas partilhadas aprendidas
por
um
grupo
à
medida
que
foram
capazes
de
solucionar
seus
problemas
de
adaptação
externa
e de
integração
interna,
que
têm funcionado
bem
o
bastante
para
serem consideradas
como
válidas e,
por
essa
razão,
ensinadas aos
novos
membros
como
sendo o
modo
correto
de
perceber,
pensar
e
sentir
em
relação
àqueles
problemas
(p. 12).
Pode-se
ainda
acrescentar
que
a
cultura
organizacional é
entendida
como
a
identidade
de uma
instituição,
pois
diz
respeito
ao
modo
de
interação
existente nela
própria.
Trata-se de
valores
aceitos e compartilhados
coletivamente,
advindos de
suas
experiências
e
percepções.
Quando
essas
crenças
são
validadas
por
um
grupo
tornam-se pressuposições básicas, justificando o
modo
delas funcionarem.
Cada
instituição
é possuidora de uma
cultura
própria
que
se transforma a
medida
que
as
pessoas
pertencentes a
ela
vão
se modificando. Os
valores,
crenças
e pressupostos pertencentes a
ela
são
efeito
de
um
relacionamento intergrupal constituído
pelos
indivíduos
e
através
deles
enquanto
sistema
social.
Ao se
analisar
a
cultura
organizacional pretende-se
entender
os
fenômenos
que
acontecem na
organização,
explicando
comportamentos
individuais
e
coletivos.
Seu
entendimento
é
fundamental
para
o
desenvolvimento
das
organizações.
Tanto
os objetivos da
empresa, como
a própria
realização pessoal
de cada
indivíduo
depende diretamente dos
significados
que as ações tomam
dentro
da instituição. A
compreensão
deste cenário
pelos funcionários
será determinante
para o sucesso
ou fracasso dos
projetos
coletivos. Segundo
Laraia (1986) “o
modo
de ver
o
mundo,
as apreciações de
ordem
moral
e valorativa, os
diferentes
comportamentos
sociais
e
mesmo
as
posturas
corporais
são
assim
produtos
de uma
herança
cultural” (p. 68).
A constante
inovação e evolução
tornam-se requisitos
fundamentais
para a garantia da
permanência
e sobrevivência das
instituições
em um
mundo
cada vez
mais
competitivo. A cultura
organizacional, neste sentido,
dá significado ao
que
parece fora de
ordem, proporciona a
identificação dos valores
ocultos da instituição. Da
mesma
forma que cada
cultura organizacional é singular,
o processo de mudança
e adaptação
também necessita ser.
Apesar
da multiplicidade de
fatores
envolvidos,
estudar
a
cultura
configura-se
como
uma
forma
de
interpretação
da
realidade,
pois
ela
é
capaz
de
revelar
o
cotidiano
das
relações
organizacionais internas e,
ainda,
indicar
as
influências
sofridas
por
forças
externas.
Gomes (2000, p. 111) acrescenta algumas
funções
da
cultura
organizacional, “o
controle,
a
integração,
a motivação, o envolvimento, empenhamento
ou
implicação,
a
identificação,
a
performance,
o
sucesso
ou
a
excelência
organizacionais”.
Desta
forma, a análise da
cultura
organizacional auxilia a situar a
organização
no que diz
respeito
as grandes modificações
que
acontecem no mundo, dando
propósito
as coisas que
parecem
sem sentido;
por
meio da identificação
do que está enraizado no
cerne
delas próprias.
3.
A
Globalização
e a
atividade
turística
Em meio
à problemática apresentada,
acontecem novos
fenômenos como a
multiplicação
das atividades de
lazer
e o incremento do
turismo. A pós-modernidade,
sob o ponto de
vista da globalização,
nos leva a
reflexões
sobre este
crescimento
da atividade turística,
onde
os traços do novo
milênio
se fazem notar claramente
e onde
a qualidade é
altamente
dependente de fatores
externos, como
infra-estrutura
urbana, qualidade
profissional
e do meio
ambiente.
O
turismo
é global
se analisado
por
ser
uma
atividade
que
rompe
fronteiras
por
lidar
com
o
deslocamento
de
pessoas.
Este
deslocamento
é
amplamente
facilitado
pela
globalização,
através
do maior
número
de
informações
adquiridas
pelo
cliente
/ turista,
que
através
da
internet
situa-se geograficamente, optando
por
atrações
diversas, decidindo
quais
tipos
de
cultura
pretende
visitar,
além
de pesquisar
preços
e
estilos
de
serviços
a serem utilizados,
bem
como
a efetivação da
compra
de
passagem
aérea,
reservas
em
hotéis e
demais
atividades,
serviços
e
produtos
necessários
à plena
realização
das
viagens.
Oliveira
(1999) afirma:
O
turismo,
global
já
em
sua
essência
e
que,
em
seu
estágio
atual,
assume o
caráter
globalizante,
iniciado
com
a
gênese
do
turismo
de
massa
após
o
final
da
Segunda
Guerra
Mundial é impulsionado
pelos
avanços
tecnológicos
nos
transportes
aéreos
e nas
comunicações
(p.286).
Como produto
da era global,
sofre interferências
nocivas se analisado apenas
pelo paradigma
econômico, não
respeitando determinados
critérios
de preservação, de
ética
ou de sustentabilidade. A implantação
economicista da atividade
turística é prejudicial
quando visa
apenas
lucro de quaisquer envolvidos, tanto
exploradores – e aqui
se incluem empresários e
turistas, quanto
explorados – a comunidade,
prejudicando os aspectos
sócio-culturais e ambientais, pilares
básicos
para a atratividade local.
Envolvendo mais
do que
divisas e mercados,
o turismo nasce do
desejo
das pessoas e nele se
baseia. Atualmente
os indivíduos
não
consomem apenas
para a satisfação
de necessidades, e
sim
para atender seus
desejos. O turismo é
um
setor que mostra
nitidamente o perfil deste
novo consumidor,
exigente e informado que
busca sempre a
qualidade
dos serviços. A
massificação
da atividade
juntamente
com a informação
obtida pelo novo
turista – o neoturista, faz com
que cada
vez mais o
turismo
precise ser pensado, estudado e
realizado de maneira
séria, profissional e
responsável.
Surge, então, o
papel
das organizações de
turismo
no tocante a
desenvolver uma cultura
organizacional baseada
em
valores que respeitem
as peculiaridades de
cada
destinação e que
desenvolvam ou
explorem a atividade de
maneira
responsável e segura.
Neste sentido, faz-se
necessário adequar
a cultura organizacional a
processos
de bases teóricas sólidas.
Trigo
(1998, p.38) afirma que “o
sentido
e o significado da
realidade do lazer
e do turismo
não
podem ficar a mercê
dos interesses
limitados, particulares e
relativos
do mercado”, defendendo
que
a concepção da
atividade
deve envolver a construção
de valores
profissionais de diversas áreas
como a filosofia,
sociologia,
antropologia, economia |