Panelinha vazia

Gilda E. Kluppel As panelinhas, na linguagem popular, representam grupos informais fechados, aqueles que se isolam dos demais. Não deixam um mínimo espaço para quem não pertence à turma, permitindo somente a entrada de pessoas escolhidas, segundo julgamentos pessoais e duvidosos. Faz parte da natureza humana reunir-se em grupos, desde o nosso tempo de escola […]

As Marias

As Marias   Gilda E. Kluppel   Ela, uma Maria chamada de dom e de magia do qual todas as mulheres têm algo talvez, ligação com poesia.   Resistentes são as flores de nome Maria das “três-marias” que se multiplicam vigorosamente em galhos de arbustos simples e belas também em florzinha chamada de “maria-sem-vergonha” uma […]

A vendedora de bilhetes

A vendedora de bilhetes   Gilda E. Kluppel     Quando ouvi pela primeira vez, no calçadão da Rua XV de Novembro, a voz potente da vendedora de bilhetes de loteria levei um susto. “É a cobra 33, corre hoje”. Outras vezes, ficava incomodada ao passar por aquela esquina, pois uma quadra antes escutava a […]

Saudade, este substantivo feminino abstrato…

Saudade, este substantivo feminino abstrato… Gilda E. Kluppel   Saudade, este substantivo feminino abstrato, inscrita com destaque em lápides para expressar o sentimento da ausência provocado pela morte; desperta sensações nostálgicas, mas não é sinônimo de nostalgia e nem de melancolia. Substantivo abstrato que revela impressões próprias, sua existência está ligada a alguém ou alguma […]

O homem que fingia ser bom

O homem que fingia ser bom Gilda E. Kluppel     A sensibilidade nunca foi o seu ponto forte, ao contrário, a rudeza dos modos sempre o acompanhou. Gostaria de expressar a sensibilidade, mas era incapaz de sentir o outro, não possuía empatia para isto. Entretanto, considerava bonito e elegante manifestar esse sentimento. Contou a […]

Belas palavras

Belas palavras Gilda E. Kluppel   Gostava de falar palavras bonitas, aquelas com uma boa sonoridade. Quando ouvia alguma palavra diferente, considerada agradável, anotava num bloquinho de papel, que carregava sempre junto ao bolso da camisa. O sentido da palavra não era relevante, apenas a beleza do som que elas produziam. Pretendia causar impacto. Sentia-se […]

Natal

Natal   Gilda E. Kluppel         Resolveu inovar neste Natal, em cada final de ano, ele e a esposa procuravam agradar a todos, acreditando que quanto maior o gasto, maior a fraternidade. Destinavam uma grande quantia de dinheiro para que nada faltasse à mesa e também para a decoração da casa. Mas, […]

Asfalto molhado

Asfalto molhado   Gilda E. Kluppel    Chuva torrencial ao final da tarde, semáforo verde para os pedestres. Na esquina, uma senhora de cabelos brancos, calça comprida e longo casacão, começa a travessia da rua na faixa de segurança. De repente, escorrega e cai, sombrinha numa das mãos, a outra mão, estendida, procura um gesto […]

Cartões de Natal

Gilda E. Kluppel Eles ocupavam a nossa caixa do correio no final do ano, ao abrir encontrávamos a esperada frase “feliz Natal e um próspero Ano-Novo”. Alguns até arriscavam escrever algo mais original, mas em qualquer forma eram sempre bem recebidos. Do papel espesso aos recados eletrônicos foram escasseando e se tornando um objeto obsoleto […]

O susto

O susto Gilda E. Kluppel   Em um anoitecer tipicamente curitibano, nebuloso e úmido, no qual as sombras e os vultos predominam, ao voltar para casa, resolvi abastecer o automóvel. Aproveitei também para levar alguns salgadinhos, recomendados e classificados, por uma colega de trabalho, como “divinos”, encontrados na loja de conveniência do posto de gasolina. […]