Crônicas

Dia Internacional do Idoso

nair lúcia de britto   No dia 1 de outubro comemorou-se o Dia Internacional do Idoso. Segundo pesquisa, a idéia de homenagear o idoso partiu da cidade de Viena (Austrália), no ano de 1982, durante uma Assembléia Mundial.   No Brasil a data comemorativa foi estabelecida no ano de 1999, no dia 27 de setembro (Dia de São Vicente de Paula, Pai da Caridade). Mas tendo em vista a criação do Estatuto do Idoso essa data foi transferida, em 2006, para o dia 1 de outubro.   As primeiras iniciativas de criar atividades destinadas à melhorar a qualidade de vida do idoso partiu da LBA (Liga Brasileira à Assistência) e do SESC (Serviço Social do Comércio). Seguiram-se, depois, outras...
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Crônicas

Causa de inveja

    CAUSA DE INVEJA Margarete Hülsendeger “A inveja é assim tão magra e pálida porque morde e não come” já dizia Francisco Quevedo, escritor espanhol do século XVII. Com certeza, esse é um dos sentimentos mais terríveis e amargos que uma pessoa pode experimentar. Não é por nada que a inveja compõe a lista dos sete pecados capitais. No entanto, preciso reconhecer que, não tem muito tempo, estive dominada por esse infame sentimento. Explico. Há algumas semanas, por conta de uma dor persistente nos ouvidos, fui consultar um otorrino. Quando cheguei ao consultório, além da secretária, havia dois outros pacientes, eram dois idosos, um homem e uma mulher. Depois de cumprimentá-los procurei uma cadeira; a única disponível era...
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Looping

Margarete Hülsendeger   Se eu fosse acreditar mesmo em tudo o que penso, ficaria louco. Mario Quintana  estão ocorrendo com uma frequência fora do normal e eles não têm um motivo racional para existir é preciso procurar ajuda. Se ela virá de um comprimido ou do treinamento em alguma técnica de meditação, não interessa. O importante, o necessário, é interromper a trajetória ascendente que leva ao medo e a ansiedade, procurando buscar o equilíbrio emocional perdido. Afinal, como diz Lady Macbeth, no fim desse terceiro ato, “Coisas pérfidas, depois de paridas, só fazem crescer, cada vez mais fortes, alimentadas pelo mal”. E quem vai discordar de Shakespeare? Eu não! Looping (ação de fazer loops) corresponde aos pontos mais...
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Espiritualidade

Medicina e espiritualidade

nair lúcia de britto   Nos Estados Unidos o estudo da Espiritualidade é muito valorizado; não exatamente em termos religiosos, mas sim pelo interesse científico; que encontrou nesse estudo um forte aliado para descobertas incríveis. Uma delas foi a experiência vivenciada pelo médico psiquiatra Brian Weiss. Ele conta que na época não era um homem religioso e nem acreditava em reencarnação; até que conheceu uma cliente a quem ele chama por Catherine, no ano de 1980. Quando ela foi ao seu consultório pela primeira vez apresentava sérios problemas psicológicos. O médico, então, recorreu à hipnose, para fazê-la regredir até a infância, “celeiro dos maiores traumas da vida adulta”. Para sua maior surpresa, em vez de Catherine regredir até a...
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Crônicas

Sempre foi assim…

Gilda E. Kluppel  Uma frase difícil de aceitar, capaz de encerrar qualquer troca de ideias, ocorre quando alguém pronuncia: “sempre foi assim”. Quem se vale desta expressão ainda considera os questionadores, de alguma prática, incipientes na experiência de vida ou não enquadrados ao sistema. Alguns até enchem o peito, com ares de domínio geográfico, para afirmar que em outros locais também “sempre foi assim”. Embora a prática seja ineficaz, necessita de repetição porque “sempre foi assim”. Em todos os lugares e organizações existem pessoas que não desejam repensar o modo como as coisas funcionam. O “sempre foi assim” contagia até aqueles de fôlego inovador ao se tornarem desmotivados pela insistência do argumento vazio. O consequente condicionamento toma conta de...
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Mix de sentimentos

MIX DE SENTIMENTOS Margarete Hülsendeger A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano. João Paulo II Quando o telefone tocou, levei poucos segundos para reconhecer a voz. Era uma amiga muita querida que é, como eu, professora. Estava ligando para contar que tinha sido assaltada na frente da casa da mãe, quando eram apenas 12 horas da manhã. O bandido levou o carro, o notebook, provas corrigidas e os cadernos da escola. No primeiro momento não disse nada. Quando, finalmente, superei o susto, minha principal preocupação foi saber se ela estava bem, se o assaltante não a tinha ferido. Graças a Deus, não houve qualquer tipo de agressão física, no...
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Círculo vicioso

Por Ivone Boechat                Um dia, milhões de bebês choraram na liberdade uterina do milagre da vida: nasceram. Não vestiram seus corpos, não lhes calçaram sapatos nem lhes deram o conforto do seio materno, antes da posse do sonho infantil, foram rejeitados, ao rigor do abandono.              Um dia, mãozinhas trêmulas, inseguras, sem afeto, bateram na porta do vizinho, procurando abrigo. Não havia ninguém ali para oferecer afeto nem portas havia na pobreza do lado. O menino escorregou na direção da rua.              Um dia, a criança anêmica foi eleita à marginalidade da escura noite e disputava papelões e pães no lixo do depósito público. Aos tapas, cresceu como grão perdido no vão das pedras, sem a mínima possibilidade...
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O adoecimento das (nas) relações interpessoais

O adoecimento das (nas) relações interpessoais Fernanda Leite Bião Em meio à vasta rede de relações que os sujeitos experimentam, em que vivenciam suas histórias de vida, a socialização é o caminho para a construção da convivência interpessoal. Marca imperativa, dentre os primeiros lampejos de vida, ainda mesmo quando crianças, a socialização com os primeiros pares (pais e cuidadores) é de grande importância para o desenvolvimento físico e psíquico. Primeiros passos para o conhecimento do outro e de si mesmo. Primeiros passos para as primeiras manifestações das escolhas e, quem sabe, o ensaio para o respeito das diferenças e dos diferentes. Assim, é no seio familiar em que as primeiras experiências significativas e primárias de socialização são vivenciadas e,...
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Crônicas

A mulher da Era pós moderna

A mulher da Era-pós moderna deve aparecer nos editoriais “completamente desnuda de vulgaridade e totalmente vestida de inteligência”. Sua elegância se fará notar pela suavidade dos adereços. Na boca, um precioso implante de palavras que desviem o furor. Cílios nada postiços, capazes de filtrar o excesso de pó que pulverizam na vida das pessoas e uma lente de contato para enxergar as qualidades do próximo. Nos cabelos, condicionadores que amaciem o afago das mãos que se apressem a moderar, acalmar, abrigar. A mulher deve se preparar para ser modelo. Só pisar nas passarelas da vida, sob as luzes do flash da simpatia! Para manter a forma, uma dieta diferenciada. Evitar os frutos amargos que se colhem nos canteiros do...
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Crônicas

Síndrome do coração partido

SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO Margarete Hülsendeger Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia. José Saramago   Quem acha que sofrer por ter perdido um amor é coisa dos românticos do século XIX está muito enganado. Uma pesquisa americana revelou que o fim de um romance ou a morte de alguém que amamos pode desencadear os sintomas de um ataque cardíaco. Esse estudo também indicou que as mulheres são as mais afetadas por esse tipo de trauma, em média nove vezes mais que os homens. Os pesquisadores não sabem explicar por que o organismo feminino é mais vulnerável. Especula-se, no entanto, que pode ser algo relacionado com os hormônios do...
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Papel sem dono

Por Maria Luiza Falcão João ficou radiante ao receber aqueles cem reais, pois enfim ia poder saldar sua dívida com o Manoel da venda. Manoel recebeu o pagamento de cara fechada, afinal já estava esperando há quase um mês. Mas também não queria deixar transparecer a um simples pintor de paredes como João que ele, o dono daquela venda que era quase um supermercado, estava tão precisado daqueles cem reais para pagar um de seus fornecedores, o Pedro das farinhas. Pedro, porém, não escondeu o alívio que sentiu ao receber aqueles cem reais, pois a doença da mulher não podia esperar pelos remédios e ele não tinha mais cara para pedir fiado na farmácia do Augustinho. Assim, pôde chegar...
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Espiritualidade

Allan Kardec, o professor e cientista que se tornou um missionário

ALLAN KARDEC, O Professor e Cientista que se tornou um Missionário nair lúcia de britto O nome de Allan Kardec era Hippolytte Léon Denizard Rivail. Nasceu em Lyon (França) no dia 3 de outubro de 1804. Diante do talento e do amor pelos estudos, o pai de Rivail, que era um juiz, teve o cuidado de incentivá-lo a ler os autores clássicos. E tudo que o garoto aprendia tinha o prazer em repassar aos colegas. Depois de completar os primeiros estudos em Lyon, Denizard partiu para a Suíça para ingressar na escola do célebre professor Pestalozzi. Aluno disciplinado, amável e espirituoso Rivail foi convidado por Pestalozzi para substituí-lo na direção da escola, quando ele precisasse viajar. Rivail bacharelou-se em...
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Cinema

Um conto chinês

UM CONTO CHINÊS       (Un cuento chino – Argentina – 2011)       nair lúcia de britto       A maior riqueza deste filme não está nos gastos com o orçamento, tampouco na tecnologia… mas sim, sobremaneira, no conteúdo. Originalidade, inteligência e talento não faltam ao jovem argentino Sebastian Borensztein, diretor e roteirista.       Tudo começa com uma cena patética em que Roberto (Ricardo Darin, ator argentino, em destaque) está contando parafusos, um por um; para verificar se a quantidade, da mercadoria que recebeu dos seus fornecedores, está correta.         Por trás do balcão da sua loja de ferragens, mostra-se logo um homem rude, rabujento e amargo; interessado apenas em...
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A velhinha da Glória

Quem vê a velhinha graciosa e saltitante passear pelas ruas de Copacabana, faceira, leve e feliz nunca imagina seu passado. Ela é como um presente perpétuo. Na Glória de antigamente, a velhinha era imbatível com seu charme circulando pelas ruas do Russel, do Catete, pela ladeira da Glória e na Praça Nossa Senhora da Glória. Não tinha páreo para ninguém tanta beleza deixava o mocinho de queixo caído.  Aquele corpinho graúdo, carioca, bronzeada pelo sol a perambular pelas ruas invoca pensamentos duvidosos nas mentes dos rapazes apaixonados. Ela não era fraca não! Teve muitos homens aos seus pés. Do bonitão tipo saradão da praia do Leblon ao feio e charmoso de qualquer canto da cidade todos se rendiam aos...
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Caótica Parafernália

Por Gilberto da Silva   Há muito tempo eu venho escrevendo sob tensão, raiva e medo. Tensão, raiva e medo. As vezes só com tensão (outras só com tesão), ou com raiva ou com medo. Há muito tempo escrevo com ódio e mais nada, nada. Nada como o vazio do próprio ser.   O que me faz a raiva? O que me traz o medo? Por que a tensão? (Cadê o tesão?). Tensão e raiva e medo. Ódio? Que ódio, que medo? Nervos, raiva e ódio…   Viver morrendo, morrer vivendo: simples trocas…   Cheguei ao caos – caótico -, anti, ANTI: o animal radical, radical? (e se for sufixo?) Antifilosofia, ou antesfilosofia? Antiherói (o que morreu morreu ficou...
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Um homem X para a mulher K

Por Gilberto da SilvaTenho uma amiga que procura um homem. Este homem não sou eu. Não que eu não queira minha amiga K. O que ela sente por mim é apenas admiração e afeição. Não é o desejo por uma bela tarde de amor em uma cama macia, ou uma noitada de sexo que irá acabar com esta afeição.O que K procura é um homem próximo do ideal. Veja bem, para K o homem procurado, desejado deve ter atributos quase que impossíveis de se encontrar num homem moderno, contemporâneo.K deseja um homem que satisfaça seus mais profundos anseios e necessidades. Que não reclame, que ame ir até o banheiro buscar sua toalha, pegar seus chinelos. Coisas simples de um...
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Crônicas

O Homem Banana

Por Gilberto da Silva Mulher Moranguinho. Mulher Melão. Mulher Laranja. Mulher Melancia. Mulher Samambaia. Mulher Pêra. Mulher Jiló e uma infinidade de mulheres vegetais e animais. Uma verdadeira salada de fruta inunda a tela da televisão brasileira. Um show de tetas, bundas, celulites e “erotismo vegetal”. É “inaCRÉUditável” como somos submetidos à batida erótica funk em qualquer hora do dia. Os dotes curvilíneos das “pop star” sacodem, balançam os lcds das nossas casas erotizadas pela forma mais incorreta do mundo. Um show de curvas em praias e palcos. Fica tudo extremecido… tudo? O jovem mata, guarda o corpo e depois vai assistir o “espetáculo” da Mulher Melancia. Refeito da bundagem explícita, volta para esquartejar o corpo singelo da inglesinha...
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Quem guarda o sono do vigilante?

Por Maria da Paz Gomes Silvino Eles chegam um por um. Assustados no início e depois mais confiantes. Soltam a respiração contida, relaxam e de repente caem nos braços do vigilante. Têm os olhos tristes, baços de lágrimas e as almas cheias de feridas. São como crianças medrosas à cata de segurança. Ele os acolhe por obrigação, solidariedade e mais por amor. Fala-lhes palavras doces, põe-nos a deitar e principia a lavar-lhes as feridas. Recobre todas com um unguento anestésico, fecha-as com bandagens. Logo se põe a cantar. Cantigas de ninar que lhe ficaram do aprendizado de vigilante. Ali é pai, mãe, irmão mais velho de todos. Não se descuida do seu posto. De pé, como um soldado em sua...
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