Cultura

Jolie e o relógio

JOLIE E O RELÓGIO Nair Lúcia de Britto O relógio faz Tic-tac Tac-tic O destino do relógio É trabalhar sem parar… Mas  a gata Jolie Não está nem aí… Pro tempo que passa Só dá o ar da sua graça…   Anda ponteiro, anda Marca os segundos Os minutos, as horas… Trabalha sem descansar Canta sua canção e ninar Tic-tac Tac-tic Enquanto eu durmo… Meu soninho é bom! E quem diz que eu… Quero acordar?!...
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Cultura

Avenida Paulista

Avenida Paulista Gilda E. Kluppel Soberana reina no alto da cidade com entardecer inigualável composto de reflexos e cores de tom cinza azulado. Uma estação de brigadeiro vestida de verde aguarda os visitantes muitos trabalhadores apressados alguns robotizados e turistas deslumbrados. Poesia existe em seus contornos e entornos ou no espaço reservado a casa chamada das Rosas que insiste em se impor diante de edifícios espelhados cúpulas arredondadas e diferentes traçados. Em plataformas azuis pousam pássaros engravatados condutores de muitos destinos. Num grande vão livre obras de arte ornamentam seu caminho desapercebido por aqueles que caminham sem arte. Numa tímida entrada o jardim persiste entre jequitibás e sapucaias ainda cantam rolinhas e sabiás. Na nobre esquina circulam célebres e...
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Ceia de Natal

Ceia de Natal Gilda E. Kluppel A mesa está posta toalha e guardanapos em tons vermelhos para saudar aquele… senhor das barbas brancas ao invés de reis magos somente os convidados. Para seguir outra estrela distante de Belém e que conduz aos excessos ao invés do perfume de mirra o cheiro da comida. Ele, de roupa pesada torturado pelo calor de dezembro largo cinturão preto afrouxado para a ceia os presentes no grande saco as tantas quinquilharias para alegrar uma noite e talvez mais algumas horas de fervoroso consumo ao invés de Feliz Natal agora se diz apenas Boas Festas. Maria e José do lado de fora espiam pela janela procurando por Jesus querem saber a cruz ainda pregada...
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Cultura

A cena – poesia singular

A CENA – (POESIA SINGULAR) Nazaré, 10-12-2016 Gilberto Nogueira de Oliveira   Você acha que vale a pena Matar bandidos pobres Quando bandidos nobres Estão fazendo a cena?   Você acha que vale a cena Da elite traficar No conforto do seu lar Numa calma serena? Você acha que calma serena   Desse traste do dinheiro De pousar como guerreiro Mantendo essa gangrena? Você acha que a gangrena   Vai curar essa nação Se na verdade o patrão A nada disso se antena? Você acha que se antena   A elite do vil metal Se todo esse mal Vem d’uma classe obscena? Você acha que a classe obscena   Vai deixar você em paz Se tudo o que você...
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Cultura

Uma margarida só não faz uma primavera

04 Por Gilberto da Silva   Uma margarida é inocente flor que nos campos aflora. Quem dera ter todo ano margaridas flores nos jardins. simples, pura, afetuosa.   Uma margarida só não preenche um jardim. Quem dera jardins fossem plenos de margaridas Brancas exalando o aroma da paz.   E tu que também é flor conhecida como malmequer, crisântemo, bem-me-quer, bonina, margarita, margarita-maior, malmequer-maior, malmequer-bravo, e olho-de-boi, também é pérola a campear. Pode ser também uma Chrysanthemum leucanthemum a preencher os livros científicos.   Uma donzela não pode sofrer, beba seu próprio líquido para curar seus olhos enfermos de tanto chorar. Cicatrize sua ferida e reproduza sua jovialidade. Uma margarida só não pode deixar os cabelos brancos soltos nos...
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Semelhanças e diferenças

  Eduardo Paulo Berardi Junior Não são as semelhanças Entre nós O que nos une, Mas, a insistência Em nos distanciarmos Fortalecendo as diferenças… Nesse momento de encontro Das diferentes crenças, Cabe refletirmos O que para nós É mais importante!   Eduardo Paulo Berardi Junior é historiador. blog: http://berardi.blog.uol.com.br/...
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MIMI – Um amor pra toda vida!

MIMI – Um amor pra toda vida! Nair Lúcia de Britto Na alegria e na tristeza   Na saúde e na doença   Na fartura ou na pobreza   A minha gata siamesa   Está sempre do meu lado   Com certeza   Não se importa   Se sou feia ou bonita   Se acordei alegre ou ranzinza   Tudo ela perdoa!       Lembro-me daquele dia   Que quase tropecei nela   Andando com pressa pelas vielas   E ruas da cidade   Não a vi, bem no meio da calçada   Tão miúda, tão mirrada…   No meio dos transeuntes e buzinas   De carros e motos, apressados       Quando a vi,  levei um...
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Todo mundo erra

TODO MUNDO ERRA Nair Lúcia de Britto Todo mundo erra   Eu errei, tu errastes   Ele errou…   Todo mundo erra   Mas a gente só berra   Quando o erro é do outro   Quando somos nós que erramos   Nós não enxergamos   Porque o espelho só mostra   O que queremos ver…   E prosseguimos errando   Até que o erro nos cause dor…   Todo mundo erra   Errar é humano   Mas persistir no erro   É desumano!       Eu errei, tu errastes, ele errou   Vamos nos perdoar?   E nos comprometer   Daqui pra frente…   Sermos mais inteligentes   Procurarmos acertar   Evitarmos errar Para nos amarmos mais...
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VIda

VIDA Nazaré, 12-07-1999 Estava tudo seco Os homens, os bichos e as plantas Todos morrendo de sede. De repente, nuvens pesadas Desabaram sobre o sertão. E a chuva caiu E a terra pariu O seu hino de amor. REG-277358L500F18 Min.cult.-Br...
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Clarice e os seus mistérios

Gilda E. Kluppel                                                                                                                Seus mistérios… Contidos em personagens O sublime eu de Clarice Este eu que se tornou universal Quando penetrou nas entranhas da alma. Complexa e instigante Do ovo e a galinha Espantosa lucidez De saber que não poderia alterar a realidade Apenas conversar consigo mesma Lembrando que mais nos conhecemos Quando não tememos a solidão. A resposta do mistério entregou aos outros E o outro dos outros era o eu de Clarice Na busca da revelação desse mistério Aceitamos mais facilmente nossa condição de falíveis Sem acatar fórmulas ditas como certas de vida. Soube se libertar e viajar para as profundezas do íntimo, Onde poucos ousaram ir E de lá nos trazer alívio para nossas doses...
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Gilda E. Kluppel

Desejo de Tolo

Desejo de Tolo Gilda E. Kluppel Tolos ambicionam o poder, e aos inocentes restam as lágrimas, nem em seus piores pesadelos podem imaginar, as competições repugnantes em palavras imundas. Clausuram sentimentos encerram as amizades, iniciam as parcerias, unem-se aos assemelhados, ocupam os espaços, demarcam territórios e consolidam acordos para abrigar os indesejáveis. Enfileiram as pessoas, como cartas de um baralho sobre a mesa, para tecer julgamentos espúrios, descartam os inconvenientes que podem ser recolhidos numa próxima rodada. Caem as máscaras, na face a madeira bruta, sem verniz para disfarçar. Espectros se levantam, sombras predominam, desonram os honestos e a virtude é humilhada. Sepultam ideais, revestem-se de autoridade e mudam atitudes. Invertem a moral, espalham sofrimentos e se regozijam na...
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Narinas interditas

  Gilberto da Silva   Preparam nossos sentidos para a repulsa ao outro, nosso narizes selecionados para sentir repulsa do cheiro das ruas, dos guetos, das vielas, das quebradas. E vem a humilhação, a degradação, o abandono. Fim do cheiro da terra, fim do cheiro do povo. Assim nos tornamos estranhos…. De estranhos para inimigos: um passo! Da aturação social para a sentença de morte: uma linha! Assim nos tornamos ferramentas dos propagandistas do ódio....
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Cultura

O amor de Hannah e Martin

  Um vinho seco posto à mesa, sinais trocados para comemorar enlaces, oportunidade de realçar vínculos. Flores e amor no campo. Primaveras,  outonos, qualquer estação está aberta à experiência. Aquela paixão estancada, o beijo furtado. Amou, amastes, amamos. Destinos em contraposição. Manhãs, acordares em fantasia, correspondências, frases, filosofias e admiração. Mergulho no Eu, divisões, biografias cruzadas. Ser, tempo, encontro, despedidas. Vazios, olhares, magia: amar não pede atestado, amar não esvazia a alma. O que importou? Qual estética, qual metafísica? Expressões de duas mentes inquietas. Saibamos: “nenhuma palavra irrompe na escuridão.”   Por Gilberto da Silva – 2015...
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As Marias

As Marias Gilda E. Kluppel   Ela, uma Maria chamada de dom e de magia do qual todas as mulheres têm algo talvez, ligação com poesia. Resistentes são as flores de nome Maria das “três-marias” que se multiplicam vigorosamente em galhos de arbustos simples e belas também em florzinha chamada de “maria-sem-vergonha” uma maria vulgar nasce em qualquer lugar. Até os homens lhe emprestam o nome Antônio Maria, João Maria ou José Maria quem sabe mais força teriam ao usar o nome de Maria. Simplesmente Maria apenas nome e sobrenome Maria Nascimento quanta redundância. Nome composto por Maria Maria Glória ou Glória Maria Maria com ou sem glória são sempre inesquecíveis Marias. Indeterminadas em “Maria vai com as outras”...
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Pequeno tesouro

    PEQUENO TESOURO        Nair Lúcia de Britto     Não foi por acaso que Esse livro velho, desbotado Estava lá, na banca velha E sem graça… de jornais Justamente quando eu ia passando E olhei por olhar Não sei se vi os outros livros ou revistas Ao redor… Só vi este ! Chamou minha atenção o nome da autora Cora Coralina Conhecido nome da Literatura Brasileira Queria, em algum dia distante, Ter lido algo de autoria De Cora Coralina… Parei, e perguntei o preço do livro Ao jornaleiro… E por dois reais, apenas,.. Levei Cora Coralina para casa Sabendo que eu levava Um Pequeno Tesouro ! “Cora Colarina para mim é a pessoa mais importante de Goiás....
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A educação dos supressores

A EDUCAÇÃO DOS SUPRESSORES I De método cirúrgico carece aquele a quem é conformado instituir-se como um supressor. Seu bisturi é de corte virtual, o apito sopra por imagens, seus apagadores do moral alheio pontuam em projetores de arranque pausado, protegidos pelo barulho tanto em derredor. Supressores são educados para lanhar: não deixam sujeira, só ferida. A faca brilhosa que aprendem a manejar só cabo possui e oferta. Seu gume só lâmina salta é do olhar de sociopata-boi. Déspotas, veem novelas e se entopem de batatas fritas, pré-fabricadas. De sobremesa, uma gelatina. II Um bom supressor jamais descuida da criação de robôs de geladeira e homens de plasma, assim como de se manter informado sobre programas de trânsito e...
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Querida Vovó

QUERIDA VOVÓ Camila Bestlé Ianucci Teus olhos transmitem brilho Que jamais uma estrela teria a audácia de sobrepor-se. Teu rosto singelo me passa calma A calma de quem possui a alma pura A tua voz é melodia Que alegra meu dia. E o teu coração… Ah, belo coração, Que bate desenfreadamente Como uma canção. Mostra-me o seu sorriso Que meu riso não será preciso Diga-me apenas o seu amor Para curar a minha dor. Te amo...
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Cultura

O entulho nosso de cada dia

Por Gilberto da Silva   Entulho nosso que estás nas ruas, Sejais limpo todos os dias. Santificado seja aquele que limpa, limpa e limpa. Rogai por nós os Sujos, que são imundos assim na Terra como no Céu.   Lixo nosso de cada dia que dá dengue.   Lixo nosso que não é reciclado e é abandonado pelos pecadores. Venha a nós a limpeza diária. Que as atitudes dos sujos sejam iluminadas. Pai, dai o pão de todos  a cada dia, Perdoai as nossas ofensas, pois não aguentamos mais tanta sujeira.   Perdoais nossos xingamentos, assim como nós perdoamos a quem nos tem limpo a sujeira que fez. E não nos deixeis cair em tentação de jogar o lixo fora...
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Gilda E. Kluppel

Gatos Pardos

Gatos Pardos Gilda E. Kluppel Ao relento de um céu enluarado em altas horas da madrugada gatos pardos andam pelo telhado. No telhado ouço miados e múrmuros crias e penugens admiradoras da noite olhos astutos acostumados com o escuro. O escuro que atemoriza e assusta vago por muitos pensamentos numa noite comprida e injusta. Injusta por lembrança não vencida pelo tempo olhos ainda abertos denunciam preocupações com os próximos momentos. E neste momento os gatos continuam no telhado entre pulos graciosos e precisos em meus pensamentos permaneço acuado. Acuados e enfeitiçados felinamente pela lua apreciam a noite tal um afago não temem brincar pela rua. Pela rua anda sozinho esse misterioso e indecifrável gato segue por qualquer caminho. Em...
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