Cinema

E Se Vivêssemos Todos Juntos?

Por Gilberto da Silva Abordar a terceira idade no cinema sem ser chato, piegas ou trágico não é fácil. Realizar um filme com um elenco idoso é ousado… e delicado. E Se Vivêssemos Todos Juntos? de Stéphane Robelin é uma grata surpresa pois caminha pelo leve, suave e com um toque de humor num tema que não é inovador, mas que encontramos um resultado simpático e, em certos casos, emocionantes. Quase um elogio à vida! Annie (Geraldine Chaplin), Jean (Guy Bedos), Claude (Claude Rich), Albert (Pierre Richard) e Jeanne (Jane Fonda) são melhores amigos há mais de quatro décadas. Uma forte amizade une os cinco personagens. Annie e Jean (um militante comunista excluído do seu grupo) são casados. Albert...
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Cultura

Limites da Fundação

Há uma série muito antiga de Isaac Asimov – os romances da Fundação – na qual os cientistas sociais entendem a verdadeira dinâmica da civilização e a salvam. Isso é o que eu queria ser. E isso não existe, mas a economia é o mais próximo que se pode chegar. Então, como eu era um adolescente, embarquei nessa.” – Paul Krugman Por Gilberto da Silva Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman cita com propriedade a importância da Trilogia da Fundação para a sua formação. A Trilogia é composta pelos livros Fundação (1951), Fundação e Império (1952), e Segunda Fundação (1953), – publicados no Brasil pela Aleph em 2009.  Isaac Asimov iniciou sua épica narrativa de declínio, queda e ressurgimento de...
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Cultura

Ciberjornalismo e a produção jornalística na internet

Por Gilberto da Silva Ciberjornalismo. Assim, seco e direto é o nome da obra lançada pela Paulinas. A autora Carla Schwingel, é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (UFBA), especializada em cibercultura e ciberjornalismo e escreve com profundidade sobre o assunto. Objeto de estudo para a tese de doutorado com o título “Sistemas de Produção de conteúdos no ciberjornalismo: a composição e a arquitetura da informação no desenvolvimento de produtos jornalísticos.”, o trabalho recebeu o Prêmio Adelmo Genro Filho, em 2009. Transformado em livro, quem ganha é o leitor. Ao sistematizar alguns conceitos, o livro Ciberjornalismo contribui para as pesquisas na busca pela conceitualização do “fazer jornalístico” na rede. A internet é um processo de formação da arquitetura da...
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Cultura

É possível uma outra globalização?

por Gilberto da Silva “Os computadores das mega-corporações trabalham full-time, dia-após-dia. Seus altos executivos circulam num mundo de fanatismo e devoção, venerando o onipresente deus Naiq. Mesmo quando deveriam estar de folga, eles não param de pesquisar, investigando as ruas, buscando novas pistas. Há décadas, eles vêm comprando e subornando congressistas, democratas, modernos, liberais, patrocinando campanhas presidenciais, financiando planos de governo, armando, tramando novos consórcios globais que assumem rapidamente o controle de imensos e estratégicos patrimônios estatais – enfim, conquistando pequenos, médios, grandes mercados emergentes em todos os continentes (aquilo, aquilo que antes chamávamos de países). “Não, não, não estamos falando só de macroeconomia ou geopolítica. Estamos falando de mutações, instituições, partidos, valores e concepções (religiões, no final das...
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A velhinha da Glória

Quem vê a velhinha graciosa e saltitante passear pelas ruas de Copacabana, faceira, leve e feliz nunca imagina seu passado. Ela é como um presente perpétuo. Na Glória de antigamente, a velhinha era imbatível com seu charme circulando pelas ruas do Russel, do Catete, pela ladeira da Glória e na Praça Nossa Senhora da Glória. Não tinha páreo para ninguém tanta beleza deixava o mocinho de queixo caído.  Aquele corpinho graúdo, carioca, bronzeada pelo sol a perambular pelas ruas invoca pensamentos duvidosos nas mentes dos rapazes apaixonados. Ela não era fraca não! Teve muitos homens aos seus pés. Do bonitão tipo saradão da praia do Leblon ao feio e charmoso de qualquer canto da cidade todos se rendiam aos...
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O sono de Sofia

Sofia sofre. As dores nas costas aumentam a cada dia que passa. Não bastasse os pés doloridos, calejados pela jornada de anos e anos a fio amassando barro e poeira na periferia. Tempos de labuta, quando caminhava horas e horas por uma estrada quase deserta até chegar à escola, onde lecionava.O tempo passou, as condições de vida melhoraram e Sofia, moça, bonita, e sempre dedicada ao trabalho e à familia, no vai e vem do trem, conseguiu um bem e sucedido marido. Amparada financeiramente, já que o Estado não lhe davas boas condições financeira e pedagógica, Sofia viu, na nova condição, sua qualidade de vida melhorar.Mas Sofia ainda sofria. No frio as dores aumentavam. Não só os pés. As...
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Náuseas euclidianas

“É difícil imaginar que os indivíduos e as sociedades que se regem pela busca do prazer, tanto ou ainda mais do que pela fuga à dor, consigam sobreviver” Antônio R. Damásio in O Erro de Descartes. As vezes sinto uma vontade enorme de vomitar. De espalhar por toda o ambiente aquela gosma tratada pelo digestivo. Algumas – as vezes muitas – coisas me aborrecem. Uma que me deixa doido é falta de ética, de pessoas que mandam textos para serem publicados no meu site descaradamente copiados de outros. Sinto náusea. Sinto uma dor enorme para estes espíritos vivaldinos, safadinhos e imorais. Não que eu deteste imoralidades. Mas as que engordam, eu vomito. Para estes peço aos espíritas que orem por suas...
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Caótica Parafernália

Por Gilberto da Silva   Há muito tempo eu venho escrevendo sob tensão, raiva e medo. Tensão, raiva e medo. As vezes só com tensão (outras só com tesão), ou com raiva ou com medo. Há muito tempo escrevo com ódio e mais nada, nada. Nada como o vazio do próprio ser.   O que me faz a raiva? O que me traz o medo? Por que a tensão? (Cadê o tesão?). Tensão e raiva e medo. Ódio? Que ódio, que medo? Nervos, raiva e ódio…   Viver morrendo, morrer vivendo: simples trocas…   Cheguei ao caos – caótico -, anti, ANTI: o animal radical, radical? (e se for sufixo?) Antifilosofia, ou antesfilosofia? Antiherói (o que morreu morreu ficou...
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O ambientalismo tardio

Minha dissertação de mestrado: O ambientalismo tardio: a Amazônia como temática ambiental no jornalismo impresso paulista está disponível em vários links entre eles: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=125347 http://www.facasper.com.br/pesquisas/pesquisa/index.php/o-ambientalismo-tardio-a-amazonia-como-tematica-ambiental-no-jornalismo-impresso-paulista,39.html http://www.ufmt.br/gpea/pub/gilberto_da_silva_o_ambientalismo_tardio.pdf resumo: Este trabalho analisa a temática ambiental Amazônia no jornalismo impresso paulista a partir da metodologia de análise de conteúdo dos textos publicados nos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Compreendemos a natureza contemporânea da região amazônica como resultado expressivo de transformações ocorridas na sociedade determinadas pelo paradigma do desenvolvimento predatório. O objetivo é contribuir para a análise do problema amazônico e sua interface com a mídia e constatar os principais interesses; polêmicas e conceitos divulgados pela mídia; e identificar como a Amazônia é retratada nos dois maiores...
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Colunistas

O homem e a crise

Por Gilberto da Silva Tudo bem, a mulher evoluiu e o homem ainda enfrenta crise de identidade. Assim terminei meu papo com Cacilda – minha melhor amiga – ciente de que o sucesso dela deixou muitos homens assustados. Ela sempre deixou claro que as mulheres não querem ocupar os espaços dos homens, pois a imagem do homem, da figura masculina é muito importante. Mas, debates à parte, do papo com Cacilda sobraram alguma lições: A primeira é que eu fiquei pensando no colega de bar Geraldo. O boteco é o lugar onde ele fala alto e com muita “responsa”, mas em casa, coitado… Na frente de Irene, mulher ativa, independente e decidida, Geraldo afina. Com ela, Geraldo é sensível...
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Um homem X para a mulher K

Por Gilberto da SilvaTenho uma amiga que procura um homem. Este homem não sou eu. Não que eu não queira minha amiga K. O que ela sente por mim é apenas admiração e afeição. Não é o desejo por uma bela tarde de amor em uma cama macia, ou uma noitada de sexo que irá acabar com esta afeição.O que K procura é um homem próximo do ideal. Veja bem, para K o homem procurado, desejado deve ter atributos quase que impossíveis de se encontrar num homem moderno, contemporâneo.K deseja um homem que satisfaça seus mais profundos anseios e necessidades. Que não reclame, que ame ir até o banheiro buscar sua toalha, pegar seus chinelos. Coisas simples de um...
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Notícias de uma separação

Gilberto da Silva publicado em 03/02/2009 Renato lia tudo que podia e que porventura caisse em suas mãos. Ouvia tudo, estava ligado, antenado nas notícias. Assim era. Assim foi. Belo dia de Sol e lá estava Renato ouvindo coisas absurdas nos canais de televisão. Meditava. Desconfiava. Ansiava. Tinha em sua vida visto muitas coisas que não gostaria de ter visto. Nem ouvido…. Pensava que as vezes tudo não passava de um processo ilusionário, fantasioso. Tentava abstrair-se, fingir-se de mudo, morto. Em certas noites os pernilongos e ruídos dos televisores vizinhos não permitiam chegar a um sono reanimador. O corpo cansado. A insônia. Tinha sonhos com atropelamentos, desastres, assassinatos. Pensava estar perdido em becos escuros e sujos. Suas atitudes já...
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As mulheres preferem olhar nos olhos dos homens

Certa vez li num jornal que o zoológo Günter Tembrock – na época ele tinha uns 76 anos – um estudioso do comportamento reprodutivo dos animais, que ao fazer sua escolha a fêmea dá preferência ao macho que lhe parecer superior aos demais, característica que poderá garantir o desenvolvimento de seus descendentes. Sendo assim, a fêmea tolera a poligamia de seus companheiros…. A Moral dupla teria assim sua sólida base biológica!???? Na antiguidade, segundo alguns evolucionistas, o sucesso da espécie humana foi o investimento na criação dos descendentes. Portanto, em matéria de seletividade, a fêmea humana era inteligente (pois é: continua até hoje…) permitia apenas a aproximação daqueles que possuíssem bons genes e boa disposição e tato para ter...
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Visitando os amigos no inferno

De uns tempos para cá passei a visitar amigos, colegas e companheiros de longa jornada, depois de um certo tempo de distanciamento e isolamento devido à imersão ao mundo do trabalho, mudanças geográficas e nova constituição familiar. Durante este início de visitação comecei a observar algumas coisas interessantes, algumas já tinham passado pela minha cabeça, mas não tinha parado para pensar nestas questões.A TV, a internet e todo o aparato tecnológico virtual afastou as pessoas do convívio, da prática do receber, da conversa olho no olho. Distantes, as pessoas entram em imersão acelerada, sem rumo, direto ao isolamento do corpo, enquanto sua alma vagueia pelas ondas etéreas. Pessoas que perderam o hábito de receber pessoas, tal o grau de...
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Vou abrir um Instituto!

Por Gilberto da Silva Parece modismo, mas é! A onda atual é abrir Instituto para tudo. Os jogadores de futebol abrem institutos. O ex-presidente da República FHC montou o seu – e um incêndio quase destruiu tudo. A prefeita Marta está montando o dela. Todo mundo monta. Parece cavalo. Existe instituto para todos os gostos, para todas as classes. Eu acho (me falaram, creio que é mentira etc) que o Carlos Lessa ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai criar um Instituto para deixar claro que discorda da linha política do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (Que assim que sair do BC vai abrir um Instituto sobre mercado financeiro). O nosso querido presidente Lula,...
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Gilberto da Silva

Nos tempos de Bundas

Saudades de Bundas. Da Bundas que veio (vieram) e das Bundas que foi (foram). A Bundas era de bom tamanho, ideal para ótimas risadas e gargalhadas, nem muito grande, nem muito pequena, uma Bundas de palmos medidas.A revista hebdomadária teve vida curta, mas foi suficiente para encher nossos olhos de boas bundas e caras de bundas por todo o país.Tinha Ziraldo, Jaguar, Millor, Veríssimo, Chico e Paulo Caruso, Miguel Paiva, Angeli, Jô Soares, Aroeira e tantos outros mestres na arte de Bundar com alegria. Bundar com satisfação. Mas Bundas caiu, digamos saiu das bancas muito rápido, deixando seus leitores inconsoláveis. Se o Pasquim já foi e já voltou, quem sabe um dia a Bundas volta....
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Cinema

Os Cafajestes

Os Cafajestes é um clássico do chamado Cinema Novo e foi lançado em 1962. O filme dirigido por Ruy Guerra foi marcado pelo impacto do seu tema, considerado ambicioso para a época: a devassidão de dois marginais cariocas. Numa época que a censura falava alto, Ruy Guerra teve seu filme mutilado. Glauber Rocha assim definiu o filme do diretor moçambicano radicado no Brasil: “Os Cafajestes possuía certa transcedência: densidade existencial, clima de determinado universo fechado numa mise-en-scène agressivamente pessoal, apesar de todas as influências facilmente identificáveis, principalmente de Resnais e Antonioni…é histórico: a formalização…não resistindo à evolução do cineasta em busca da unificação cultural logicamente estilísítica. Insolente, corajoso, anárquico e talvez moralizante. Um cinema em bossa nova”.  Os Cafajestes...
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Coisas do amor, do sexo, da vida (2)

Amarás o próximo? Gilberto da Silva É ainda poderosa a máxima bíblica “amarás ao próximo como a ti mesmo” posto que vivemos numa sociedade em que o egoísmo é muito forte. A competição, a busca pelo Belo (corpo perfeito, plásticas, dietas etc) e o impulso de destruição são condições de sobrevivência. O egoísmo é uma forma de amor. O amor-próprio é considerado uma virtude para alguns e um vício para outros. Amar aos outros deve ser feito na mesma tonalidade que amar a si mesmo? O amor a outro é uma forma de amar de redenção. “Assim me falou um dia o diabo:’Também Deus tem seu inferno: é o amor pelo homem’. E mais recentemente eu o ouvi dizer...
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