De que riem os democratas?

Gilberto da Silva Este texto é uma retomada de uma reflexão feita há dez anos, em muitos aspectos tudo permanece igual. Exceto meus cabelos – que sobraram – brancos. As barreiras físicas – ideológicas caíram com o ruir das pedras de Berlim. Com os restos dos cascalhos germânicos, iniciou-se a guerra ideológica dada desde o seu princípio como “ganha” pelos adeptos do neo-liberalismo. Um direto de direita A “direita” ri e exclama. O marxismo ruiu! Mais que depressa açodados pelos ventos do Leste europeu, determinam o fim da História. Os intelectuais a serviço dessa ideologia – se bem que com raras exceções eles concordem em se denominar pensador de direita, proclamam os vários fins: “o fim da luta de...
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O político e suas obras

Gilberto da Silva Vejamos algumas palavras a respeito dos políticos (alguns) e de suas milagrosas obras (se é que elas realizam milagres!). Obra é construção, trabalho, produção. Mas no vocabulário político obra é visibilidade, matéria de publicidade quase que infinita, repleta de concreticidade (a do concreto), um out-door permanente. As obras dos políticos são geralmente dotadas de superfaturamento com estilos faraônicos e imponentes. Diríamos, em alguns casos, até que repletas de negociações paralelas: UM LEILÃO AMBULANTE. Quem dá mais? Leva! As obras legitimam o dinheiro público. Os políticos e seus gastos exorbitantes realizam a passagem espetacular do público para o privado! E tome concreto, ferro, cimento… E tome propaganda, placas comemorativas. Viadutos, estradas, calçadas, obras inaugurais que nunca terminam....
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Visitando os amigos no inferno

De uns tempos para cá passei a visitar amigos, colegas e companheiros de longa jornada, depois de um certo tempo de distanciamento e isolamento devido à imersão ao mundo do trabalho, mudanças geográficas e nova constituição familiar. Durante este início de visitação comecei a observar algumas coisas interessantes, algumas já tinham passado pela minha cabeça, mas não tinha parado para pensar nestas questões.A TV, a internet e todo o aparato tecnológico virtual afastou as pessoas do convívio, da prática do receber, da conversa olho no olho. Distantes, as pessoas entram em imersão acelerada, sem rumo, direto ao isolamento do corpo, enquanto sua alma vagueia pelas ondas etéreas. Pessoas que perderam o hábito de receber pessoas, tal o grau de...
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Blindagens do real

Chega de blindagens do real. O ser blindado perdeu sua identidade e suas referências. Não há ação social efetiva com seres desvinculados de um cotidiano violento e inseguro. O primeiro movimento de fuga -sob o manto da “proteção” -foi o realizado pelas elites, já na década de 1980 e mais acentuadamente na década de 1990, deslocando-se para os chamados bairros “alfaviles” e seus similares. Preocupados com a violência, os assaltos e a insegurança pública, esta parcela da sociedade preferiu encastelar-se em suas mansões protegidas por seguranças, cercas elétricas, câmaras etc. Pensaram que a arquitetura do isolamento acabaria com seus problemas. Ledo engano.A pobreza e a exclusão permaneceram. Pior, em muitos lugares mesmo com todo este aparato de segurança, os...
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Lançamos o PUM!

Por Gilberto da Silva O PUM é um partido revolucionário, devastador, irreverente e coerente com seus princípios norteadores. É um partido fiel aos seus fundamentos. O PUM vem para alastrar seu conteúdo programático para toda a atmosfera planetária. Sim, o PUM é planetário. É um partido que pretende atingir todos os países, portanto, é internacionalista. Trotski sorrirá de alegria, esteja onde estiver, pois o PUM veio para apagar a arrogância daqueles que teimam em ser os parasitas da Revolução! O PUM é ecológico, transformador e pretende dissipar suas energias pelo planeta de forma universal, limpa e dinâmica. É um partido que vai proteger a reserva da biosfera ajudando na conservação das áreas verdes, no processo de urbanização e expansão...
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Crônicas

O Homem Banana

Por Gilberto da Silva Mulher Moranguinho. Mulher Melão. Mulher Laranja. Mulher Melancia. Mulher Samambaia. Mulher Pêra. Mulher Jiló e uma infinidade de mulheres vegetais e animais. Uma verdadeira salada de fruta inunda a tela da televisão brasileira. Um show de tetas, bundas, celulites e “erotismo vegetal”. É “inaCRÉUditável” como somos submetidos à batida erótica funk em qualquer hora do dia. Os dotes curvilíneos das “pop star” sacodem, balançam os lcds das nossas casas erotizadas pela forma mais incorreta do mundo. Um show de curvas em praias e palcos. Fica tudo extremecido… tudo? O jovem mata, guarda o corpo e depois vai assistir o “espetáculo” da Mulher Melancia. Refeito da bundagem explícita, volta para esquartejar o corpo singelo da inglesinha...
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Gilberto da Silva

Concordância

O sujeito é simples um elemento bom, objeto direto de todos os negócios. Não leva o anteposto feito concreto, parado, imóvel, sujeitos resumidos por tudo, nada, ninguém. Unidos ou infinitos a espera de um artigo qualquer, ou simplesmente unidos por nem, ninguém. O coletivo, somente alguns sujeitos, um e outro, nem e outro, concordando ou não unidos ou desfeitos. Simples sujeito. ilustração: Nina Rocha...
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Paulo Pobre

Paulo pobre Paulo, pobre, preto Pedreiro, pobre Pedindo pão, pinga Paulo patriota Pagando promessa.   Paulo, pobre, pacato preto, pedreiro Pagando promessa Pedindo pão, pinga.   Paulo pintor parado Ponto pequeno, Proletariado.   Paulo passado Prometendo pagar Preces, pensamento Pular, pecar.   Perdendo poder Patriotismo Perdendo pátria Pronto pra prisão.   Pedindo perdão Perigo, procedente Piegas Pedindo passagem Pulando ponte   Paulo pagando Prometendo pagar Pecando   Paulo procedente piauiense Ponto populacional paulistano Passando piche Pintando porta Paulo pirado Perdido. Gilberto da Silva...
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Gilberto da Silva

Guerrilheiro

Guerrilheiro Era uma saudação, saudade… Uma imitação, vontade… A exata e humana vontade de lutar. Era apenas um grito, ou uma vontade? Era talvez a extrema coragem perdida num campus E no campo, a enxada, o voto e a coragem retomada, Para tudo, ou quem sabe, para nada. Quem sabe, num canto da história, Num curso de um rio, no correr das águas de uma fonte, Criávamos independência ou simplesmente resignação? Tempo em que teciam-se guerrilhas e vestíamos fantasias. Poesia e fotografia de Gilberto da Silva...
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Os velhos

Por Gilberto da Silva A velha canção O velho louco passeando pela avenida. A velha emoção A velha, velha surda nas buzinas. O velho cantor O cantador velho, das velhas cantigas. O velho, velho velando na noite. Velando as velas Velando as velhas O velho louco, pouco e rouco Na emoção das velhas, velhas. Do cantor da cantiga tão velha Velha de amor. Velha que vela o velho. E o cantador, versificando versos velhos Versos das ensurdecedoras novas buzinas. O surdo e velho O surdo bate outra vez E o velho que acorda, Velho outra vez....
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esportes

O dia em que a Cambarense detonou o glorioso Santos

Por Gilberto da Silva 1952, eu ainda não havia nascido, e no dia 18 de maio, na cidade de Cambará, no norte do Paraná, a população amante do futebol pode presenciar um espetáculo que dificilmente veria em outros tempos… O futebol do Paraná encontrava-se em franca expansão para o interior. O CAMA de Monte Alegre consegue o quarto lugar e o Jacarezinho, o terceiro, na frente de clubes como o Ferroviário e o Atlético. O campeão foi, neste ano, o Coritiba. Em 1953, a Associação Atlética Cambarense, em seu segundo ano na Primeira Divisão, disputou o título até a última rodada com o time da Vila Capanema, o Ferroviário (Jogou assim: Augusto, Alceu, Baltazar, Belacosa, Bino, Botina, Carlito, César...
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De que riem os democratas?

Gilberto da Silva Este texto é uma retomada de uma reflexão feita há dez anos, em muitos aspectos tudo permanece igual. Exceto meus cabelos – que sobraram – brancos. As barreiras físicas – ideológicas caíram com o ruir das pedras de Berlim. Com os restos dos cascalhos germânicos, iniciou-se a guerra ideológica dada desde o seu princípio como “ganha” pelos adeptos do neoliberalismo. Um direto de direita A “direita” ri e exclama. O marxismo ruiu! Mais que depressa açodados pelos ventos do Leste europeu, determinam o fim da História. Os intelectuais a serviço dessa ideologia – se bem que com raras exceções eles concordem em se denominar pensador de direita, proclamam os vários fins: “o fim da luta de...
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Gilberto da Silva

Há sentidos na vida?

Gilberto da Silva Viver tem sentido. Compreender o significado da vida nem sempre tem sentido. Entendê-la, decifrá-la é a tarefa mais difícil de ser cumprida. Viver hoje, na maioria dos casos, num cotidiano estressante, violento e impiedoso. É um convite à resistência. Resistir à infelicidade que teima em colocar-se presente em todos os momentos. O espanto da humanidade moderna e a incredulidade são os pequenos, fugidios e sempre sonhados “Momentos de Alegria”, “instantes de felicidade”. É por estes maiores (e melhores) momentos de felicidade e de alegria, que muitos lutam. Recorro a um pensador marxista alemão, um “iluminista”, Walter Benjamin, para recordar que construir a história é “recolher os restos esquecidos dessa História”. Os derrotados, os esquecidos, os incompreendidos...
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