Cida Mello

Escrava

Aparecida Luzia de Mello* O hotel era de alto luxo, tudo era deslumbrante. Espaços luxuosos, apartamentos sofisticados, cozinha internacional e muitos tipos de lazer no próprio local. Piscina aquecida e bar ao lado com bebidas finas, como champanhe, whisky, vinhos, cervejas, sucos, refrigerantes, água e drinks diversos. Apesar de todo glamour, as vezes via-se hóspedes com os filhos comendo “espetinho de gato” no calçadão externo. Pensando nisto, os gestores do hotel, pesquisaram, descobriram e propuseram ao empreendedor uma parceria. Ele colocaria o carrinho dentro do hotel e por meio de fichas venderia o quitute à beira da piscina. No final do dia, fechariam o movimento e fariam o acerto com pequena participação. Embora o lucro por espetinhos fosse menor...
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Terceira Idade

O Estatuto que protege o idoso

Por Richard Casal No próximo 1º de outubro é celebrado o Dia do Idoso. A imagem do idoso utilizando roupas neutras e sentados o dia todo em frente à televisão fazendo crochê está ultrapassada. Atualmente essa população é alegre, disposta, utiliza redes sociais para se comunicar com os filhos e netos e adora viajar. A grande responsável por esta mudança de comportamento é a qualidade de vida. Com os avanços da medicina, os idosos estão vivendo e desfrutando mais e melhor da idade avançada. No Brasil, a expectativa de vida aumentou em 17,9%, desde 1980, e está por volta dos 74 anos, segundo dados do Relatório de Desenvolvimento Humano 2014 divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento(PNUD)....
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Terceira Idade

A legislação que protege o idoso

  Por Mônica Mantelli A Lei 10.741/2003 instituiu ao idoso a defesa dos direitos fundamentais como as saúdes física e mental, vida social e respeito à sua dignidade. O idoso tem, assegurado por lei, prioridade e atendimento preferenciais imediato e individualizado perante os órgãos públicos e privados, prestadores de serviços à população. Goza também de priorização no atendimento de sua própria família, preservando um envelhecimento digno e protegido por essa lei, sendo obrigação do Estado garantir ao idoso proteção à vida e à saúde. A lei preserva respeito e inviolabilidade da integridade física e psíquica, preservando sua imagem e crenças, atribuindo a sociedade e ao Estado zelar pela dignidade do idoso. É assegurada atenção integral à saúde dos mais...
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Cida Mello

O garanhão

Aparecida Luzia de Mello*   Era época da copa do mundo. Naquele dia o Brasil jogaria no período da tarde. Na empresa quase todos se vestiam a caráter – roupas da cor verde, amarela, azul e branco. Ela, que sempre estava vestida formalmente já que recebia e fazia muitas visitas a clientes da empresa, pois era gerente comercial também aderiu à moda. Colocou uma calça jeans azul, camisa branca, blazer amarelo e uma cartola verde, embora a roupa fosse discreta, sem decotes ou agarrada demais, lhe deu um ar mais descontraído e jovial. Logicamente pela euforia do dia, seu rosto estava iluminado, todos estavam mais alegres, sorridentes e ansiosos ao mesmo tempo. No período da manhã todas as atividades...
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Cida Mello

O Chorão

Aparecida Luzia de Mello* Estavam casados há 30 anos e ele continuava perdidamente apaixonado pela esposa e totalmente dependente dela. Era ela quem comprava suas roupas, que as separava para que ele vestisse após o banho, era ela que preparava seu prato de comida nas refeições, quem controlava a conta bancária, quem programava o lazer, marcava médico, enfim faziam tudo junto. Até que certo dia ela teve um infarto fulminante e morreu na hora. Ele ficou inconsolável, chorava dia e noite. Sua vida era somente dor, tristeza, desamparo e lágrimas. Alguém lhe sugeriu que lesse algum livro espiritualista para ajudá-lo a acalmar sua dor e tristeza além de lhe proporcionar a compreensão a respeito da morte. Ele ficou sabendo...
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Cida Mello

Futebol… de várzea!

Aparecida Luzia de Mello*   A névoa do esquecimento cobre muita coisa do passado. Principalmente as dificuldades vividas. E, se lembradas, as que provocaram lágrimas e sofrimento, na maioria das vezes traz risos… Num destes exercícios de memória ele comentou que quando era garoto, por volta dos sete anos já ajudava a família que lutava com muita dificuldade para sobreviver. Os avós e pais trabalhavam juntos num negócio próprio – tinham um tinturaria. No passado era um serviço prestado apenas aos ricos. Quase todo trabalho de um tintureiro se resumia a lavar a seco ternos masculinos que as esposas mandavam periodicamente. O avô e o pai lavavam e passavam. Uma vez por semana o pai ia de bicicleta, adaptada...
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Cida Mello

Roubo

Aparecida Luzia de Mello* Ela era viúva, sem filhos, netos ou parentes morando próximo. Ultimamente não vinha se sentindo muito bem de saúde. Procurou o posto de saúde da Cidade, mas naquela época tudo era moroso demais. A consulta foi marcada para dois meses depois. A senhora aguardou ansiosa a data e no dia da consulta rezou um rosário inteiro para o médico, que logo percebeu que o grande mal daquela mulher era a SOLIDÃO. O doutor conversou um pouco com ela e lhe sugeriu que procurasse um grupo de autoajuda, um trabalho voluntário, a prática de uma religião, etc. Enfim algo que pudesse lhe proporcionar atividades sociais, amizades e lazer. Mas ao ver a frustração dela por não...
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Cida Mello

Mãe, você está ficando VELHA!

Aparecida Luzia de Mello e Dr. Miguél León Gonzalez “É normal, uma vez que em nós é o outro que é o velho, que a revelação de nossa idade venha dos outros. Não consentimos nisso de boa vontade. Uma pessoa sempre fica sobressaltada quando a chamam de velha pela primeira vez”. (Beauvoir, 1990, p.353) Foi numa noite de natal. A frase soou como uma bomba. A rispidez como um punhal. Talvez se tivesse partido de um estranho, inimigo, de um conhecido, ou talvez um amigo que quisesse magoá-la, mas… “Quando uma pessoa se torna velha? Aos 55, 60, 70 ou 75 anos? Nada flutua mais do que os limites da velhice em termos de complexidade fisiológica, psicológica e social....
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Cida Mello

Morte do… Frederico

Aparecida Luzia de Mello* Foi doloroso. Ele chorou muito. Ficou deprimido, triste, sem apetite, cabisbaixo e nostálgico. Pudera, era o Frederico que o acordava, todo dia de manhã cantando. Se bem que era sempre a mesma melodia, mas ele adorava. A aurora estava desbravando o céu e lá estava o Frederico na janela dando seu recado. Ele acordava se espreguiçava e com passos lentos seguia até a cozinha, Frederico saia de sua cama e já se postava para o café da manhã. Enquanto a água esquentava e o leite fervia o Frederico enchia a barriga com um apetite voraz, depois curtia a companhia dele apenas observando-o, virando a cabeça de um lado para outro rapidamente como era seu hábito....
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Cida Mello

Oitenta anos

Aparecida Luzia de Mello* Ela vinha cabisbaixa, foi se entregando dia a dia. Reclamava de dores por todo lado, ora era o joelho, ora a perna, ora o braço, ora…, ora…, e assim seguia seu caminho. Ficava horas na cama. Suas conversas e comentários, em geral, eram negativos. Nas refeições rejeitava um monte de coisas saborosas e nutritivas dizendo que lhe faziam mal, que davam dor de estômago, dor de cabeça, tontura, prendiam seu intestino… A paciência dos familiares às vezes ia até a lua e voltava, pois embora todos são sabedores que há de se ter paciência com o idoso, porém isto é fácil com o idoso do vizinho, mas quando é na sua casa…ah aí a história...
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Cida Mello

Presente de Natal

Aparecida Luzia de Mello*  Tudo estava pronto. A norma era embrulhar cada presente separadamente, ou seja, cada criança abriria no mínimo 12 pacotinhos. Cada pacote embrulhado cuidadosamente em papel de presente multicolorido era posteriormente colocado num saco grande vermelho, amarrado com grande laço verde e um cartão de natal com o nome da criança e palavras carinhosas para arrematar. Dentro de cada saco vermelho tinha – conjunto de roupa, calcinha/cueca, par de meias, par de chinelos, par de tênis, kit de higiene, mochila escolar, estojo escolar com caneta, lápis preto e colorido, borracha, cadernos, jogo de lençol, jogo de toalha, brinquedo, guloseimas… Isto representava mais de 500 pequenos e médios pacotes de presente. Só de olhar o coração já...
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Cida Mello

Conchinha

Aparecida Luzia de Mello*  Ela, às vezes, tinha vontade de subir pelas paredes tal era o comichão que sentia em suas entranhas. Mas a satisfação solitária não preenchia o vazio que havia em sua alma. Ela queria algo mais. Queria ter alguém para tocar, acarinhar, sentir, amar e ser amada. A dor era intensa e o conflito também. O corpo pulsava de desejo, desejo este que se transformava em dor física e refletia em sua alma gerando o conflito por sufocar este desejo e não dar vazão aos seus instintos. Certa manhã ao acordar e sentir seu corpo logo cedo queimar, revoltada, falou para si mesma: -: vou marcar uma consulta médica e pedir um remédio para acabar com...
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Cida Mello

P R I M A V E R A

Aparecida Luzia de Mello*  A P R I M A V E R A chega com ela e ela com a P R I M A V E R A. Todo ano era a mesma coisa, as crianças – dois meninos e uma menina – ficavam em polvorosa, afinal suas vidas mudavam só por causa dela, a casa era toda enfeitada com flores, a filha mudava de quarto por causa da vista e o clima ficava tenso. O pai, viúvo desde o nascimento do caçula, era sempre gentil e atencioso, mas neste período parecia que deixava os filhos para trás.  Tudo era em função da P R I M A V E R A. Os filhos em consequência disto...
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Cida Mello

Amigos sociais

Aparecida Luzia de Mello*   Ano 2013, mês de julho, o relógio marca 1 hora da manhã, o termômetro beira a zero graus e a insônia não me deixa dormir. Penso que talvez se registrasse no papel as emoções que teimam em gritar dentro de mim, finalmente, ela, a insônia, desista e me deixe dormir. Então anoto: A tarde o telefone tocou. Era do abrigo infantil onde sou voluntária, assim que atendi, a coordenadora disse: -: precisamos de ajuda urgente, com o frio que chegou de repente, as crianças estão passando frio. Não temos dado conta de lavar, secar e passar as roupas para eles usarem de novo. Do número zero ao número seis precisamos de tudo – calças,...
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Cida Mello

Quebrando o espelho… para fugir da eterna maldição!

Aparecida Luzia de Mello* Ao ler o artigo -  A eterna maldição - escrito por Margarete Hülsendeger não pude deixar de lembrar uma conversa com meu marido há cerca de um mês. Num jantar ele disse que queria muito me fazer uma pergunta e queria que eu fosse sincera na resposta. Claro que prometi sinceridade na resposta, afinal nossa relação beira os trinta anos e se não houver sinceridade entre nós, ficará difícil viver mais trinta anos juntos se Deus permitir. Todavia estranhei a colocação, pois nunca foi preciso que este tipo de comentário antecedesse nossas conversas… Ele então comentou que nos últimos tempos vinha me ouvindo falar com as amigas, cunhadas e filhas que estava desolada pois a...
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Cida Mello

Guerreira…

Aparecida Luzia de Mello*  Neste mês de maio ela completou 76 anos, mas ainda hoje quando fala do pai seus olhos brilham.  Ela tem certeza de que teve forças para enfrentar todas as dificuldades da vida com coragem e fé porque ele fez dela a mulher que ela é! Entre tantos episódios vividos na infância, adolescência e juventude, alguns ainda arrancam lágrimas de seus olhos, outros levam-na a gargalhadas. Entre lágrimas e risos ela conta que é habilitada para dirigir caminhão. Caminhão?!? Caminhão sim, graças ao pai. Além é claro de dirigir automóvel. Tudo começou quando seu pai que era comerciante, comprou um caminhãozinho para buscar cereais nos atacadistas e revender no seu comércio –uma venda ou empório como...
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Cida Mello

Home bão

Aparecida Luzia de Mello* Sempre no final do ano ela saia de férias. Naquele ano, seria diferente, a avó com quem ela convivera muito pouco, pois morava no interior, viria para São Paulo passar as festas e as férias na casa dela. Na verdade na casa da mãe dela, portanto filha da avó. Mas como as casas eram no mesmo quintal, não fazia muita diferença. Ela estava separada e morava com as duas filhas pequenas, trabalhava muito para dar conta do recado. Abriu mão das merecidas férias e se dispôs a ir buscar a velhinha no interior. Os problemas começaram logo que a velhinha chegou. A danada tinha uma boca suja de assustar. Além dos gestos que fazia com...
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Cida Mello

Grandes atrações PIRANI

Aparecida Luzia de Mello* Quem tem mais de 50 anos certamente lembrar-se-á deste slogan: “PIRANI, a gigante de São Paulo”, ou “PIRANI, a Gigante do Brás” e do programa de televisão da extinta TV Tupi “Grandes Atrações PIRANI”.  Lembranças quase apagadas a parte, o sonho daquela garota, desde criança era trabalhar nas lojas PIRANI! Ela sequer conhecia a loja, mas assistia ao programa na TV, preto e branco, da casa da vizinha.   Toda vez era a mesma coisa; dormia e sonhava, sonhava que trabalhava lá! Ela que aos 9 anos já cuidava de crianças, quando fez 10 anos foi trabalhar numa fábrica clandestina de perucas, aos 11 anos entrou numa fábrica de componentes para rádio e aos 13...
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Cida Mello

Balanço do natal

  Aparecida Luzia de Mello*  O trabalho voluntário já faz parte da nossa vida há 35 anos. Foi um convite da dor para aplacar as lágrimas e sofrimento. Empolgados com os benefícios emocionais que colhemos nesta atividade, amigos juntaram-se a nós e algum tempo depois o grupo já era composto de amigos, amigos dos amigos, amigos dos amigos dos amigos e assim por diante.. Desde então passamos a promover festas de aniversários das crianças de dois abrigos infantis, antigos orfanatos, festa da páscoa, do dia das crianças e a tradicional festa de natal. Mas percebíamos que tínhamos potencial para fazer mais. Diante disto foi proposto ao grupo apadrinharmos também um abrigo de idosos que até então não dispunha de...
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Idosos em instituições asilares e suas representações sobre família.

Fabiana http://partes.com.br/wp-content/uploads/2012/12/Fabiana1.pdf Resumo Nesta dissertação são apresentadas e discutidas as representações sociais sobre família construídas por idosos, moradores do Abrigo São Vicente de Paulo, em Goiânia. Os conceitos de velhice e família passam por várias transformações e não existe um único modelo de família, apesar de prevalecer o estilo nuclear, composto por mãe, pai e filhos. Neste trabalho, tentamos contribuir para a desnaturalização de tais conceitos, investigando o significado que os idosos atribuem as suas representações sobre família. Por meio das entrevistas, buscamos compreender a instituição família nas várias fases da vida do idoso, isto é, na infância/ adolescência, fase adulta e velhice, identificando especificidades de gênero...
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