Onde estão os eleitores?

Por Ana Paula Russi
publicado em 12/08/2006

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Ana Paula Evaristo Russi é estudante do curso de Licenciatura em Artes – Habilitação em Música na FURB – Universidade Regional de Blumenau.É funcionária pública e dedica o tempo livre à arte, sob todas as formas.

Os jovens podem votar a partir dos 16 anos. Eles estão preparados? Os brasileiros, em geral, são aptos a votar?

A consciência do poder de voto é uma das muitas pernas faltantes de uma centopéia aleijada (quase uma minhoca), que é o nosso sistema político. Todo brasileiro, sendo eleitor, deveria ter direito de compreender o complexo sistema político nacional. Saber o suficiente para responder algumas dúvidas que hoje levam a um silêncio ignorante, mas tão familiar que não nos constrange: Por que existem três poderes? O que faz um congresso? Como uma lei é aprovada? Pra quê serve a constituição

No entanto, o eleitor parece condenado ao alheamento a esse nível essencial de saber.  A tendência atual do brasileiro é a de continuar votando no “cara da foto do santinho”; achar que é um único sujeito em Brasília (aquele que aparece mais na TV) que manda e desmanda – o responsável por tudo; votar em qualquer candidato a deputado, pra dizer que votou, que não conhece os candidatos; aliás, nem sabe pra que serve (ou deveria servir) um deputado

Quem gosta de passear na manca centopéia são justamente os parlamentares que deveriam ser mandados pra bem longe de Brasília: os “sanguessugas”; os envolvidos no esquema do Valerioduto; os citados na lista de Furnas. Ao se livrarem das punições (seja por conivência dos colegas de CPI, seja por renúncia antes da cassação), pegam carona nessa onda de ignorância para continuarem no poder. Existe voto mais vulnerável do que aquele que é pouco esclarecido

A mídia destinada à massa, na ânsia de prender o espectador, prioriza assuntos populares, aproxima o brasileiro de uma realidade minimalista e o distancia da coletiva. É mais atrativo se preocupar com a mocinha grávida da novela das oito (ela vai contar pra mãe ou não vai?) do que tentar entender o que andam fazendo aqueles engravatados que nós mandamos pra Brasília pra cuidar do País. Como vamos discutir política se ninguém à nossa volta fala sobre ela

Para completar, pais e professores, que deveriam acompanhar e ajudar o jovem na sua formação como eleitor, são igualmente tão passivos e mal-informados que se limitam a reclamar, reclamar e reclamar. E seguirão dando o exemplo de negligentes resmungões, porque no manual do bebê e no currículo didático consta que as crianças são o futuro da nação, mas não especifica que elas precisam aprender a se preocupar com o Brasil.  

E, assim, tão próximos às eleições, à beira da chance de mudar, dizerchega pra quem nos fez tolos por tanto tempo, o que se escuta são frases do tipo: “ah, vou votar em qualquer um, são todos ladrões mesmo”; “não sei, acho política muito chato”, “isso não vai adiantar, tudo ficará igual”; “não, não li o programa de governo do candidato, nem sei o que ele anda propondo, mas vou votar nele porque parece ser o melhorzinho”. Agora eu repito a pergunta: os brasileiros, em geral, são aptos a votar

um ciclo de banalização do nosso voto, fechado pela mídia de massa, o corpo político, o sistema de ensino e a família. O primeiro muda de assunto, o segundo governa às escondidas; o terceiro e o quarto nem sabem do que estou falando. Como temos coragem de dizer que conquistamos o direito de voto

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