O ensino de Filosofia como instrumento de reflexão para as novas gerações

Dayane Maria de Andrade Pereira;Jéssica de Carvalho Silva

publicado em 07/07/2011 como www.partes.com.br/educacao/ensinodefilosofia.asp

 

 

O ENSINO DE FILOSOFIA COMO INSTRUMENTO DE REFLEXÃO PARA AS NOVAS GERAÇÕES.

Dayane Maria de Andrade Pereira[1]

Jéssica de Carvalho Silva[2]

 

RESUMO

A finalidade deste artigo é evidenciar as características que permeiam o universo do ensino de filosofia, remetendo-se aos alunos do ensino médio. E como também os recursos metodológicos utilizados partindo de pesquisas bibliográficas demonstrando uma definição do que é filosofia, bem como o seu retorno as grades curriculares demonstrando também seu trabalho específico no currículo, que é justamente unir as demais disciplinas à filosofia para uma perspectiva interdisciplinar na transmissão dos conhecimentos. Diante disso, tentou-se dar ênfase a discussão com clareza na exposição das ideias, demonstrando a importância da filosofia, cuja contribuição é decisiva para a concepção de um jovem que consiga aprimorar seus questionamentos acerca da sociedade a qual está inserido.

Palavras Chave: Filosofia, Ensino, Interdisciplinaridade.

1-   INTRODUÇÃO

A opção do tema é articulado à reflexão filosófica, onde objetiva-se a transmissão da filosofia direcionada aos alunos do ensino médio. Caracterizando as condições necessárias para melhor comungar estes conteúdos de forma que a disciplina seja diferenciada das demais. Esclarecemos que a filosofia passa a integrar o currículo dos sistemas educativos e, deixa de ser mera “coadjuvante”.

     De acordo com as ideias de Cerletti, 2009, p.12:

[…] aprender filosofia é conhecer sua história, adquirir uma série de habilidades argumentativas ou cognitivas, desenvolver uma atitude diante da realidade ou construir um olhar sobre o mundo.

         Daí surge a necessidade de esclarecer que a filosofia é de real importância. E neste contexto, de uma sociedade excludente em que vivemos, a filosofia deve pensar a sua prática, ou melhor, o currículo, questionando a sua fragmentação na prática pedagógica, até porque o estudo de filosofia supõe que alunos e professores discutam as variadas dimensões, clareando caminhos, definindo o rumo que devemos tomar, deixando em aberto  possibilidade de opção e até de intenção de outras alternativas, à luz do compromisso com a verdade, ética, liberdade, democracia, ou seja, a humanização de todos na sociedade a qual faz parte.

2-   CONCEPÇÕES POSSÍVEIS DE FILOSOFIA

Muitos fazem esta pergunta: afinal, para que filosofia? É uma pergunta interessante. Não ouvimos ninguém perguntar, por exemplo, para que matemática ou geografia. Contudo, muitos acham natural perguntar: para que filosofia?

Em geral, essa pergunta costuma receber uma resposta irônica: a filosofia não serve para nada.

Em nossa cultura e sociedade, só consideramos alguma coisa se tiver alguma finalidade prática, visível e de utilidade .

O senso comum não enxerga o fato dos conhecimentos verdadeiros, obtidos graças procedimentos rigorosos de pensamento, agindo sobre a realidade através de instrumentos técnicos.

Verdade, pensamento, relação entre teoria e prática: tudo isto são questões filosóficas. “A filosofia não é uma ciência: é uma reflexão crítica sobre os procedimentos e conceitos científicos”. (CHAUÍ,1995, p.340). Por isto, ela ocupa um espaço cada vez mais importante dentro da escola. Impede a fragmentação e a estagnação, resultantes do não questionamento. Ela não está alheia as questões sociais. Sua função não se restringe apenas ao exercício intelectual, pois aproxima alunos e professores da compreensão de como é complexa a sociedade. Tratando de temas como ética, diversidade cultural, etc.

3-   O RETORNO DA FILOSOFIA AO ENSINO MÉDIO.

Desde os anos de 1980 debate-se a inclusão da filosofia como disciplina no ensino médio. Em dezembro de 1996 foi aprovada a Lei 9394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que determina o acesso aos conhecimentos de filosofia necessários ao exercício da cidadania. Porém, somente em 2006 o Conselho Nacional de Educação aprovou a resolução, obrigando que esse conhecimento devesse estar incluído no currículo.

Mas o que é específico da filosofia para torná-la indispensável na formação do jovem no ensino médio? O artigo 36 da Lei 9394/96 demonstra o “aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico”.

Infelizmente o conjunto de hábitos intelectuais não garante o mínimo de condições para que o aluno ingresse no universo da cultura, tampouco adquira o mínimo de uma base cultural, necessária para o exercício da reflexão filosófica.

Para Cerletti, 2009, p. 20:

O filosofar se apoia na inquietude de formular […] perguntas e buscar respostas (o desejo de saber). Isso pode sustentar-se tanto no interrogar-se do professor ou dos alunos e nas alternativas de respostas que ambos se dêem, bem como no de um filósofo e suas respostas.

Portanto, a proposta seria justamente conceber um jovem ativo, que não seja reduzido apenas a assimilação de conteúdos, mas, fazer com que os alunos sintam o gosto pela experiência do pensamento.

4-   A ESPECIFICIDADE DA FILOSOFIA NO CURRÍCULO

A formação dos jovens em nível médio, é mediada por um conjunto multidisciplinar de componentes que devem integrar-se num trabalho interdisciplinar, já que a formação é uma atividade una, ainda que cada disciplina tenha seu campo de atuação e finalidade específicas.

No caso da filosofia, além de sua especificidade, ela implica num esforço explícito com relação à integração do currículo e da formação, tendo como tarefa estimular a interdisciplinaridade, no plano da prática pedagógica.

Na estrutura curricular, a filosofia ocupa uma posição semelhante a qualquer disciplina: há o que se aprender, memorizar, há uma terminologia específica a ser devidamente assimilada.

A filosofia possui algo de específico, é o seu estilo reflexivo. Seria o caminho que alunos e professores possam hoje problematizar questões e construir respostas originais no contexto histórico – social em que se situa o homem contemporâneo.

A filosofia não é apenas uma disciplina do currículo, tampouco se reduz a função de assessora metodológica das demais.

Sua função é bem mais ampla no sentido que busca realizar a articulação da base cultural (interdisciplinaridade), ao mesmo tempo em que possibilita a articulação do indivíduo enquanto personagem social.[3]

O que diferencia a filosofia das demais formas de conhecimento não são propriamente os objetos, ou a realidade abordada, pois os problemas enfrentados por todos surgem da mesma realidade, do mesmo movimento da história. O que a diferencia são as posturas, o enfoque e a metodologia de reflexão, o estilo reflexivo. O conteúdo da filosofia é a transmissão da forma como o conhecimento é gerado: aquilo que se põe como conteúdo a ser estudado é o resultado do trabalho do pensamento e como tal deve ser entendido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

         O ensino de filosofia, tem a pretensão, de unir os conteúdos das demais disciplinas, refazendo a gênese teórica e histórica desses conhecimentos e problematizá-los, promovendo junto com as demais disciplinas, a formação do jovem para o exercício consciente da cidadania dentro do contexto sócio – histórico.

         O que se busca neste processo, não é uma adaptação, mas sim a realização plena do significado da filosofia como instrumento de reflexão para as novas gerações.

         Com certeza a filosofia tem uma importância fundamental no ensino médio, da mesma forma que a matemática, a língua materna, a literatura, as artes e as ciências em geral.

BIBLIOGRAFIA

CERLETTI, Alejandro. Que é ensinar filosofia?. In:_____.O ensino de filosofia como problema filosófico. Tradução de Ingrid Müller Xavier. Belo Horizonte: Autêntica, 2009,p. 11-21.

CHAUÍ, Marilena. Para que filosofia.In:_____.Coletânea de textos didáticos – I, 2. ed.. Revisada e ampliada. UEPB, 2006, p. 340.

FAVARETTO, Celso. F. Notas sobre o ensino de filosofia. In:_____.MUCHAIL, Salma. T.(org). A filosofia e seu ensino. Petrópolis, Vozes, 1995, p. 77- 85.

SÃO PAULO. Secretaria da Educação. Coordenadoria de estudos e normas pedagógicas. Proposta Curricular para o ensino de filosofia: 2 grau. P. 11-24.

[1] Aluna do Curso de Filosofia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) ;

[2] Aluna do Curso de Filosofia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) ;

[3] FONTE: Proposta Curricular Para o Ensino de Filosofia do Segundo Grau.

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