Mulheres, trabalhadoras e mães

Secretaria do Emprego destaca mulheres dedicadas aos filhos e suas dificuldades para lidar com a dupla jornada

No próximo domingo (12), celebramos o Dia das Mães. A segunda melhor data para o comércio – perde somente para as vendas de Natal, de acordo com dados da Associação Comercial e Industrial de São Paulo (ACSP) –, além de presentear as mulheres, nos mostra que cada vez mais o sexo feminino tem invadido o mercado profissional.

Nos últimos anos, de acordo com dados do sistema Emprega São Paulo/Mais Emprego, agência de empregos pública e gratuita gerenciada pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT), em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o número de mulheres inseridas no mercado de trabalho tem crescido.

Somente em 2012, foram inseridas no mercado de trabalho mais de 27,7 mil mulheres. Já nos primeiros quatro meses de 2013 foram 8,7 mil profissionais admitidas. Além do trabalho doméstico, segundo indicadores do sistema federal, as áreas que mais empregam são: serviços, comércio, agropecuária e indústria.

Diante da comemoração do Dia das Mães, que é celebrada há 99 anos, a SERT, que conta com inúmeras mães em seu quadro de colaboradoras, homenageia cada uma dessas mulheres.

Em entrevista, a recepcionista que conquistou seu trabalho com o auxílio do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (PADEF), Márcia Gomes, 23; a artesã da Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades (SUTACO), Ednilce Fiore, 47; e a assistente administrativa do Banco do Povo Paulista (BPP), Thais Domingues, contam um pouco de suas rotinas como trabalhadoras, esposas, donas de casa e, acima de tudo, mães.

“Super mãe” – Desempenhar o papel mais importante na vida de alguém não é uma tarefa fácil. Ser mãe é superar limites e descobrir novos caminhos. As dificuldades são superadas a cada dia, e para algumas mulheres este papel se torna ainda mais importante.

Para Márcia Gomes, ser mãe significou “ultrapassar limites”, já que na infância sofreu uma lesão medular que a deixou paraplégica. A jovem fez tratamento na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e por muito tempo utilizou andador para se movimentar. Hoje, ela usa cadeira de rodas.

Márcia conta que sempre teve o desejo de ser mãe. “Na verdade, sempre tive este desejo, mas, por conta da minha deficiência, cheguei a pensar que era estéril. Engravidei aos 21 anos de idade. Fiquei espantada e sem ação. Porém, no decorrer do tempo, vi minha barriga crescendo, a ‘ficha foi caindo’ e comecei a me sentir feliz”, afirma.

Por conta da deficiência, sua gravidez foi classificada como “gestação de risco”. No entanto, isso não foi empecilho para realizar seu sonho. Sua gestação não teve complicações.

Logo após o nascimento de Jennifer, Márcia se separou e o sonho começou a ter outras dimensões. Desempregada, Márcia se sentiu sozinha para enfrentar o desafio de criar e educar sua filha. “Quando me separei, pensava que não conseguiria seguir em frente com uma filha recém-nascida. Achava que era o fim do mundo, mas, com o apoio dos meus familiares, superei e hoje desempenho a melhor ‘profissão’: ser mãe”, relata. “Descobri o quanto sou forte para encarar as dificuldades. Ser mãe é uma sensação maravilhosa”, acrescenta.

Hoje, Márcia se sente realizada como recepcionista na área da saúde, ama o que faz, e busca a cada dia se aperfeiçoar mais.

Artesanato e maternidade – Artesã há 15 anos, Ednilce Fiore mora em Mogi das Cruzes e é mãe de Giovanni Fiore, 6.

Aos 33 anos de idade, a mulher começou a aperfeiçoar suas técnicas artesanais, produzir peças e a expor seus materiais feitos em couro, em feiras de artesanato em Ourinhos, Mogi das Cruzes e outros municípios paulistas.

“Aprendi a fazer moedinhas de material reciclável na catequese, quando tinha oito anos. Então, percebi que era um dom e me aperfeiçoei. Meu marido também me ajuda muito. Ele se aperfeiçoou fazendo capas, também de couro, e hoje trabalhamos juntos”, conta.

Há dois anos, Ednilce conheceu a SUTACO pela internet. Gostou da ideia e, desde então, se sente realizada por atuar junto à Superintendência. Hoje, vive graças a renda obtida pelo artesanato.

“Quando descobri que seria mãe, meu olhar mudou. Fiquei mais delicada e criativa ao produzir meus trabalhos artesanais. Agora, tenho responsabilidade e cuidado com meu filho. Ele me ajudou a olhar o mundo de um jeito diferente e repasso isso para as minhas peças”, relata Ednilce.

“Amo o que faço e ver o meu filho dando palpites para produzir meus materiais não tem preço. Procuro sempre o melhor no meu aperfeiçoamento, pois o futuro do Giovanni depende disso”, pontua a artesã.

Expectativa para o primeiro filho – Um dos períodos mais prazerosos na vida de uma mulher é quando ela carrega a responsabilidade de ter um filho. Enquanto o bebê se desenvolve, a mãe tem que dividir atenções com seu emprego. É o caso da assistente administrativa do BPP, Thais Domingues, grávida de oito meses do primeiro filho, Vitor.

Muitas coisas mudaram em sua rotina ao saber da gravidez. “As principais mudanças ocorreram nas questões alimentares. A gente precisa ter um cuidado especial com a saúde, e isso passa pela alimentação”, conta.

A assistente apresenta uma gravidez tranquila. Hoje, ela sente o incômodo do peso, do tamanho da barriga. “É difícil até encontrar uma posição confortável para sentar”, lamenta aos risos.

A expectativa aumenta ao passar dos dias. “Depois da gravidez, tudo deve mudar, porque virá um ser que vai depender de mim para ter uma boa educação, que vai depender da família para ter uma boa base”, conclui a ‘mamãe de primeira viagem’.

Fotos: Caroline Lourenço e arquivo pessoal

Texto: Dayana Alexandre, Gabriel de Luna, Camila Gomes e Carla Caroline

Post Author: revistapartes