François Truffaut

FRANÇOIS TRUFFAUT
nair lúcia de britto
François Truffaut foi um dos maiores ícones do cinema francês, no século XX.
Numa carreira que beirou os 25 anos, Truffaut dirigiu 26 filmes. Foi diretor, roteirista, produtor e ator. E ainda um dos fundadores do movimento cinematográfico Nouvelle Vague (Nova Onda): um movimento artístico, francês, contestatório, criado em fins da década de 50.
Além de Truffaut, destacaram-se no Nouvelle Vague os cineastas Alain Resnais, Jacques Rivette, Claude Chabral, Eric Rohmer e Agnes Varda.

A partir desse movimento, as cenas dos filmes focam o psicológico dos personagens, suas impressões cotidianas e banais. O novo estilo influenciou a cinematografia mundial, inclusive nos Estados Unidos. Seguidores famosos desse movimento foram Francis Ford Coppolla, Robert Altman, Martin Scorsese e Georges Lucas.
A trajetória de vida de Truffaut me chamou atenção não somente pelo seu trabalho grandioso e inovador. Mas principalmente pela sua tenacidade em realizar seus sonhos e pôr em prática aquilo que acreditava; enfrentando todas as adversidades. Sua vitória, porém, não se deve somente ao seu árduo e incessante trabalho, mas também à André Bazin, crítico de cinema e fundador da revista Cahiers du Cinema, que lhe estendeu a mão.
Truffaut nasceu no dia 6 de fevereiro de 1932. Não chegou a conhecer seu pai biológico e foi rejeitado pela mãe. Foi, então, criado por seus avós maternos.
O avô era muito austero; mas a avó, pessoa sensível, soube despertar no menino o gosto pela literatura e pela música.
Aos sete anos de idade, Truffaut assistiu o primeiro filme de sua vida. “Paradis Perdu”, de Abel Gance, que o deixou encantado e fez com que se apaixonasse definitivamente pelo cinema.
A avó e primeira mestra faleceu quando Truffaut tinha apenas dez anos; fato que o levou a morar com sua mãe e seu padrasto Roland Truffaut, que deu seu sobrenome ao enteado. Como o garoto tinha um temperamento rebelde, a mãe e o padrasto o tratavam com uma severidade exagerada. Truffaut era um mau aluno na escola, mentia e até chegou a cometer pequenos furtos. Costumava faltar as aulas para ir ao cinema com seu colega de classe, Robert Lachenay, seu grande amigo de infância.
Até que aos catorze anos ele resolve abandonar a escola para fundar um cineclube. Era uma época de efervescência cultural na França, depois da II Guerra Mundial e os cineclubes ficavam lotados de pessoas atrás de bons filmes para assisti-los e discuti-los, depois. Mas, diante dos cineclubes mais bem equipados, o de Truffaut veio à falência.
Ciente disso, Bazin foi visitar Truffaut a fim de conhecê-lo e ficou sensibilizado com a paixão que o menino tinha por cinema. Por isso resolveu ajudá-lo tornando-se para ele uma espécie de “pai”. O gesto solidário de Basin teve uma importância decisiva na vida de Truffaut, pois a partir daí o garoto tornou-se uma autodidata. Procurava ver três filmes por dia e ler três livros por semana. Pediu, inclusive, ao pai adotivo ajuda financeira sob a promessa de arranjar um emprego e abandonar o cineclube; mas não cumpriu a promessa. Por essa razão o padrasto internou-o num reformatório juvenil, deixando-o sob a responsabilidade da Polícia.
Os psicólogos do reformatório colocaram Bazin a par da situação. E Bazin prometeu às autoridades dar um emprego ao garoto no “Travail et Culture” e retirou-o do reformatório. Sob liberdade condicional Truffauf foi internado num lar religioso de Versailles, mas logo foi expulso por mau comportamento.
Aos dezoito anos Truffaut conseguiu a emancipação legal dos pais, e Bazin continuou a apoiá-lo, dando-lhe uma formação adequada sobre cinema e inserindo-o num grupo de jovens estudiosos do novo cinema da época, como Orson Welles e Roberto Rosselini.
Em 1939 Truffaut foi contratado como jornalista pela revista Elle e passou a escrever seus primeiros textos. Contudo, inexplicavelmente alistou-se nas Forças Armadas francesas decisão da qual logo se arrependeu. Mas, ao tentar voltar à trás, foi preso por deserção. Novamente Bazin intercedeu por ele, salvando-o da prisão e convidando-o a morar com sua família. Sem emprego, Truffaut asistia filmes e escrevia artigos para revistas, como free-lancer.
Foi quando Bazin o ajudou a participar da “Cahiers” que, então, tornara-se a mais relevante revista sobre cinema. Ao longo de seis anos Truffaut escreveu 170 artigos para a revista. Apesar de contestado por suas críticas polêmicas, Truffaut manteve sua posição de atacar aquilo que julgava obsoleto no cinema. De crítico, Truffaut passou a fazer cinema, começando com três curta-metragens: “Uma visita” (1955), “Os pivetes” (1957) e “Une Histoire D’Eau (1958).
Em 1956 foi assistente de produção de Rosseline e no ano seguinte fundou sua própria companhia de cinema: “Les films du Carrosse”. Em 1957, casou-se com Madaleine Morgenstein e, com a ajuda da esposa, consolidou sua carreira no cinema. Seu primeiro filme foi “Os incompreendidos”, no qual Truffaut inspirou-se na própria infância para realizá-lo. O personagem principal foi interpretado pelo jovem ator Antoine Doinel. Por essa mesma ocasião Truffaut sofreu a dor de perder Bazin, seu protetor.
Entre os muitos filmes de Truffaut destacam-se:
Noite Americana (1973), ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro:
O homem que amava as mulheres (1977), grande sucesso perante o público;
O último trem (1980), um dos mais premiados;
De repente num domingo (1983), indicado como melhor direção, no Cesar.
O quarto verde (1978) foi também uma de suas grandes obras, mas, não compreendida pelo público, não foi bem recebida.
Nair Lucia Britto é jornalista e colaboradora da Partes

Post Author: partes