PALESTRAS “MOTIVACIONAIS”
PALESTRAS “MOTIVACIONAIS”
Tenho muitas ressalvas em relação a palestras “motivacionais”.
Nesse mercado, existem alguns palestrantes “consagrados”, contratados a “peso de ouro”, cujos discursos geralmente não passam de citações de filósofos famosos e menções de exemplos de veracidade dúbia ou metáforas estapafúrdias.
Alguns desses “próceres” têm seus méritos. São cultos, sem dúvida. No entanto, não sei se são fiéis ao que dizem e exortam, ou se tudo não passa de falácia.

Eles podem ser considerados bem-sucedidos e até terem seguidores em redes sociais. Porém, talvez a única diferença que tenham em relação à legião de influenciadores que falam bobagens e metem minhocas na cabeça de jovens e pessoas sem rumo seja que alguns têm doutorado e se expõem publicamente.
Considerando algumas teses defendidas em algumas áreas de certas universidades, isso não quer dizer muita coisa.
Eu acredito que a vida torna alguns doutores, quando a experiência se une à inteligência, gerando sabedoria genuína, enquanto que alguns filósofos apenas sintetizaram o senso comum ou o que já estava “no ar”. Os melhores exemplos podem estar ao nosso lado e não em palcos de eventos.
Aliás, o conteúdo de certas palestras é similar ao de regravações e versões de clássicos da música erudita e popular, e de filmes antigos.
Quem as ouve ou vê tende a pensar que são originais.
Tenho minhas convicções, algumas baseadas no que li, vi e ouvi, mas muitas delas em função do que vivenciei ao longo de minha vida.
Nada impede que mude de opinião sobre algumas coisas, como já mudei, mas somente quando isso faz sentido para mim, e não por modismo ou imposição de quem quer tratar o semelhante como mera plateia.
Gestos teatrais, imposição de voz, exórdios, frases feitas e “fórmulas de sucesso” não me convencem. Quando descem do palco, simulando empatia, pedindo opiniões aleatórias e constrangendo quem os contesta, minha desconfiança é ainda maior. E não raro terminam se oferecendo para autografar os livros que trazem para vender. É quando muitos percebem que quem estava no palco era um personagem.
Prefiro uma piada, por mais absurda que seja, do que a autoridade de quem se acha uma referência, “dono da verdade”.
Quando esses palestrantes falam a sério ou ironizam o que e quem antagonizam, é perceptível que há outras intenções no “espetáculo”, hábil e maliciosamente arquitetado de forma a levar até quem discorda ou nada entendeu a ovacioná-los, até de pé, bem ao estilo do “efeito manada”.
É por isso que não pago um centavo para assisti-los e, mesmo quando convidado, penso duas vezes antes de ir, na maioria das vezes não indo.
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro, Pesquisador e membro da Academia Santista de Letras








