“Eles nascem em julho de 2020 para amenizar o vazio, o susto e o sofrimento provocados pela necessidade de isolamento da pandemia da covid-19. Aos poucos se reproduzem, meio sem controle tomam conta, karakolizam por todos os cantos. Máucio é singular, porque extrai riso e reflexão do que é simples, inocente, intangível. Para espantar o que ele chama de “Tristeza Reinante”, mistura desenho, poesia, política, história, memória, crítica social. Cutuca com singeleza no cerne humano, é da paz, mas não deixa ninguém sossegado pelo modo como sensibiliza com a sua arte. Néri Pedroso, jornalista integrante da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Abril/2023.”
O Imaginário salva
Ao lado da angústia proporcionada por alguns acontecimentos que tomamos conhecimento todos os dias, nos sensibiliza a aguçada percepção transformada em cartuns realizados por Máucio. É admirável a sua capacidade de olhar a realidade e dela subtrair verdades escondidas ou veladas, tornando-as poemas ou comentários sintéticos.
Através de um jogo de palavras, de rimas, ou de ditos populares, questões políticas, existenciais, históricas e do cotidiano e de um desenho preciso, Máucio faz a sua crítica, porém ela está apresentada com poesia, de maneira sutil e delicada. Atrás do discurso e da imagem, percebe-se a defesa da liberdade, da democracia, da igualdade e da paz. E o mais significativo é que tudo é apresentado com leveza. No conjunto podemos encontrar um aguçado senso de compreensão e interpretação do mundo e da sociedade contemporânea.
Surgidos no início da pandemia de forma digital, os Karakóis caracterizam-se por alguns personagens, pouco cenário, texto sintético e tratamento colorido. A referencia são os pequenos caracóis e lesmas que surgem nos quintais.
Vani Foleto – artista plástica. Profa. de Artes Visuais / CAL – Centro de Artes e Letras da UFSM
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