Um novo começo

Um novo começo
Margarete Hülsendeger
publicado em 05/01/2008

 

E, finalmente, um novo ano começou. As expectativas, em relação a ele, são imensas: “O que será que ele nos reserva? Será que atingiremos nossos objetivos? Será que conseguiremos um novo emprego, com um melhor salário? E o carro novo, e a casa nova e o namorado novo?”.
Será. Será. Será…
Na primeira hora do primeiro dia do ano, tudo é possível: fazer e desfazer planos, criar e recriar projetos. Tudo é maravilhosamente conquistável. Chega a dar um friozinho na barriga quando pensamos em todas as possibilidades que estão diante de nós. É como se a vida estivesse recomeçando do nada, do zero e tivéssemos a nossa disposição o universo inteiro para nos servir.
Que sensação divina! Sim, porque, na aurora de um novo ano, nos sentimos exatamente assim: deuses, prontos a realizar todos os sonhos ainda não concretizados. Tudo bem se o emprego continua sendo o mesmo do ano passado ou se o dinheiro para comprar um carro novo ainda não apareceu, o que importa é essa incrível sensação de poder tudo, de se estar totalmente disponível e pronto para concretizar o que há tanto tempo sonhamos.
Há o hábito de, ao final de um ano, refletirmos sobre tudo o que deixamos de fazer e, muitas vezes, nos punimos e martirizamos por todos os sonhos que deixamos de realizar. No entanto, quando um novo ano começa os possíveis arrependimentos ficam, literalmente, para trás e o que vemos diante de nós é uma estrada larga, desconhecida e cheia de possibilidades.
Fernando Pessoa é que tinha razão: O Homem é do tamanho do seu sonho. E a questão é justamente essa: qual será o tamanho dos nossos sonhos, nesse novo ano?
Será que, novamente, deixaremos o medo nos dominar e esqueceremos todas as promessas que nos fizemos? Ou será que, finalmente, nos arriscaremos e mergulharemos em novas aventuras que nos permitirão chegar um pouquinho mais perto da felicidade que tão ansiosamente buscamos?
Será. Será. Será…
A vida tem dessas coisas: os “deveria”* do ano passado foram deixados para trás e os “será?” do novo ano assumem a sua posição no nosso imaginário. Entretanto, sabemos que esses “será?” não se fazem sozinhos, eles são de nossa inteira responsabilidade. Em outras palavras, só dependerá de nós a concretização de todas as possibilidades que estamos construindo no primeiro dia desse novo ano.
Precisamos, então, começar desde já a compreender que o caminho que iremos tomar não é de autoria desconhecida; pelo contrário, nós é que iremos assinar esse livro chamado vida, nesse ou em qualquer ano do presente e, principalmente, do futuro. Nós somos os autores de nossas próprias vidas. Usufrua, portanto, dessa sensação maravilhosa que o novo ano nos proporciona e faça disso um objetivo a ser conquistado; afinal, agora, parafraseando Fernando Pessoa, temos em nós todos os sonhos do mundo.

* Ver crônica “Sem Arrependimentos” publicada em 04/12/07.

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