Resenha do Capítulo: “O Homem e a Cultura – Obra de Leontiev, O desenvolvimento do psiquismo”

 

Cassiano Telles[i]

Cícera Andréia de Souza[ii]

Esta obra é uma tentativa de Leontiev, analisar os fatores históricos que influenciam no desenvolvimento cultural do homem quanto a sociedade. Pensando o homem quanto a um ser em progressão ele classifica este processo como um ser social que resulta em ter através de sua vida em sociedade e construção coletiva. Ou seja seu objetivo é destruir as teorias que falam do homem como um ser particular e colocá-lo em um contexto coletivo.

Leontiev, diz que o homem não está fora de suas leis biológicas. O que é verdade é que suas leis biológicas são hereditárias e não determinam seu desenvolvimento histórico nesta sociedade, (p. 281) sendo que este homem é movido por suas forças que não sofrem interferência de suas hereditariedade. Sendo assim podemos dizer que cada geração humana vem para o mundo e começa sua caminhada através de um mundo de objetos criados por gerações anteriores, sendo que o homem nasce engajado em uma cultura já criada que provem de um histórico que está em constante aperfeiçoamento.

No texto o autor mostra as diversas fases que compõe a evolução humana, desde quando no estado selvagem, até a civilização moderna (p. 284), que servem para sustentar a ideia que os fatores biológicos depois de uma certa data evolutiva passa a não ser mais determinante, deixado a parte biológica subordinado as influências históricas sociais.

A objetividade desta obra consiste na realização de uma conscientização que as faculdades físicas, mentais e espirituais são meramente biológicas, ou seja que a produção ou reprodução material é uma outra forma de apropriação que tem um significado que reflete na evolução sócio-cultural do homem, sendo que os mesmos não foram construídos através dos desenvolvimentos biológicos do homem e sim através de suas interações sociais (p.290).

Segundo o autor, o movimento da história é somente possível através da transmissão de cultura e educação repassadas por gerações mais velhas a estas novas gerações. Portanto esta progressão é rica em detalhes quando acumulada e repassada através destas gerações (p.291). Esta teoria defende que os mais novos tendem a ser mais desenvolvidos sendo que carregam maior bagagem teórica através destes povos que vão lhe tornando mais rico em cultura. Ele também realiza falas de povos que são mais desenvolvidos que outros porem se descarta a possibilidade biológica e sim o aspecto de transmissão de conhecimento que pode ter influência em vários fatores como o sócio econômico por exemplo (p.293).

Assim concluímos que as concepções biológicas que explicavam todas as diferenças culturas, econômicas e educacionais que tendem a usar a hereditariedade e as leis da biologia para serem fundamentadas estão sendo desmascaradas por Leontiev (p.295), ele é categórico ao afirmar que a sociedade de classes que é a responsável pela desproporcionalização de desenvolvimento cultural na maioria das pessoas, ou seja, as pessoas que não possuem acesso a estes conhecimentos ficam limitados e desprovidos do conhecimento necessário.

Cícera Andréia de Souza É Especialista em Educação Física Escolar/UFSM, Mestrando em Educação Física/UFSM, cissadesouza@yahoo.com.br

Cassiano Telles É Especialista em Educação Física Escolar/UFSM, Mestrando em Educação Física/UFSM, Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física/GEPEF/UFSM, telleshz@yahoo.com.br

A partir destas falas, percebemos o quanto é importante estabelecer trocas para entender o processo histórico do mundo em que vivemos, sendo nós construtores de nossa natureza, mas nunca rejeitado nossa relação biológica (p.300), sendo que esta hereditariedade atende a necessidade de se adaptar em meio a sociedade atual, porem esta está ligada fortemente a capacidade de desenvolvimento cultural, este por meio de acesso.

Trago a tona partes do texto que considero importante discutir, sendo que este mundo moderno que nos aliena e nos limita no poder de desenvolvimento social, sendo que o poder econômico hoje determina quem pode ter acesso ao conhecimento, tornando a burguesia mais acessível ao conhecimento cultural que o pobre trabalhador assalariado.

Não podemos colocar na conta biológica nosso desfavorecimento social, pois este não é um fator determinante ao acesso, mas sim a função social e econômica, que faz com que o homem muitas vezes pare no tempo enquanto nossas gerações estão em constante evolução devido ao acesso privilegiado.

LEONTIEV, Alexis. O desenvolvimento do psiquismo. 2 ed. São Paulo: Centauro, 2004. p. 277-303.


[i] É Especialista em Educação Física Escolar/UFSM, Mestrando em Educação Física/UFSM, Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física/GEPEF/UFSM, telleshz@yahoo.com.br

[ii] É Especialista em Educação Física Escolar/UFSM, Mestrando em Educação Física/UFSM, cissadesouza@yahoo.com.br

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