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O “SOBRENATURAL” NO CINEMA E NA CIÊNCIA

Margarete Hülsendeger

Por favor, deixa o Outro Mundo em paz! O mistério está aqui.

Mario Quintana

Você gosta de filmes de terror? E de fantasmas? Confuso com as minhas perguntas? Não se preocupe, eu explico.

Em primeiro lugar, quero esclarecer que não gosto do gênero terror, principalmente se ele vem acompanhado de meninas de cabelo preto escorrido, casas mal-assombradas ou lugares onde as pessoas são metodicamente cortadas em pedaços. Definitivamente, esse não é o meu gênero de filme preferido.

No entanto, aprecio filmes que abordem a temática espiritual de maneira minimamente elegante, não importando se é um drama ou uma comédia. Chorei assistindo “Ghost” (1990) e “Amor Além da Vida” (1998). Quase enfartei com “O sexto sentido” (1999) e a frase, “Eu falo com gente morta”, se tornou um clássico dos filmes de fantasmas. E se vamos atrás de humor, sempre temos os engraçadíssimos “Os Caça-Fantasmas” (1984) e “Os Fantasmas se Divertem” (1988). São meio antigos, eu sei, mas fazer o quê? Afinal, os remakes que anda fazendo desses filmes, no século XXI, não tem me animado muito quando o assunto é fantasmas.

Contudo, uma coisa é certa: novo ou antigo, quando se trata de fantasmas a audiência é sempre garantida. E na Física parece que não é muito diferente.

Um grupo de cientistas da Universidade Nacional de Cingapura está trabalhando com a possibilidade de criar fantasmas reais. Imagens, semelhantes a hologramas, que poderiam ser projetadas no espaço livre. Uma espécie de ilusão de óptica tamanho gigante. Para que isso possa acontecer eles estão manipulando ondas eletromagnéticas, na faixa da microondas, e um material novo chamado “metamaterial”.

Se você não sabe o que é uma onda eletromagnética, lembre-se da luz. Ela é, com certeza, o exemplo mais importante e conhecido desse tipo de onda. Já os metamateriais – do grego “além de” – seriam materiais com propriedades não naturais. Atenção! Quando escrevo “não naturais”, não estou querendo dizer “sobrenaturais”. Nada disso! Significa apenas que se trata de materiais que possuem características estranhas – não encontradas na natureza –, mas continuam respeitando as leis da Física.

A existência dos metamateriais foi prevista pelo físico soviético Victor Veselago, em 1967. Porém, só em 2006, a Universidade Duke, na Carolina do Norte/EUA., e o Imperial College, de Londres, conseguiram fabricar artificialmente os primeiros metamateriais. A lista de suas possíveis aplicações é imensa. Super lentes que poderiam estudar em detalhes trechos do DNA de uma célula viva, cristais que trabalhariam com luz, em vez de eletricidade, construção de poderosos computadores e, é claro, a projeção de fantasmas reais.

Como esses fantasmas são criados?

Os cientistas, basicamente, manipulam ondas eletromagnéticas que viajam ao longo do metamaterial, em um aparelho circular formado por fitas concêntricas repletas de pequenas antenas. As imagens formadas podem ser distorcidas, tremer, se dobrar e até desaparecer. Além disso, são capazes de surgir em qualquer espaço, longe da localização do objeto real, sendo possível, inclusive, criar mais de um fantasma de apenas um objeto.

Complicado? Meio maluco? Com certeza! No entanto, o pessoal de Cingapura acredita que seus estudos são “o cálice sagrado dos pesquisadores no campo das ilusões de óptica”. Parece um exagero, mas os cientistas são assim mesmo: quando acreditam estar perto de alguma descoberta importante, são um pouco extravagantes em seus comentários.

Margarete Hülsendeger é Física e Mestre em Educação em Ciências e Matemática/PUCRS. É mestre em Teoria Literária na PUC-RS

Margarete Hülsendeger é Física e Mestre em Educação em Ciências e Matemática/PUCRS. É mestre em Teoria Literária na PUC-RS

A razão para todo esse otimismo está nas aplicações do projetor de fantasmas. Será possível criar fantasmas na tela dos radares ou eliminar traços de objetos verdadeiros, tornando-os invisíveis. Essa propriedade me lembra Harry Potter: será que o manto da invisibilidade não era feito de algum tipo de metamaterial? Além disso, os cientistas acreditam que “seus fantasmas” poderão ser empregados em experimentos psicológicos. Ao criar “visões” que as pessoas pensam ser verdadeiras será possível analisar suas reações a elas, o que abriria as portas para a manipulação cognitiva, estimulando o surgimento de ideais “extraordinárias e contraintuitivas”. Outro exagero? Quem sabe.

De qualquer maneira, a história nos tem mostrado que muitas invenções, antes consideradas impossíveis ou até mesmo sobrenaturais, acabaram se transformando em instrumentos de uso comum. Vide a internet.

Tem coisa mais estranha do que informações circulando em “uma nuvem” que ninguém vê e muito menos sabe localizar? Tenho certeza que se alguém vindo do passado se deparasse com o computador e todas as suas ferramentas, acreditaria estar diante de algum tipo diabólico de bruxaria. Portanto, não vamos menosprezar a pesquisa sobre a projeção de fantasmas, ela não é absurda ou inútil. Aliás, em ciência nada é realmente absurdo até que se prove o contrário, pois como dizia Carl Sagan, existem muitas hipóteses em ciências que estão erradas, mas elas são a abertura para achar as que estão certas.

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