Cultura

Manuel Bandeira e seu acre sabor poético

Manuel Bandeira e seu acre sabor poético Por Izaura da Silva Cabral Um dos aspectos que caracteriza a criação poética é a presença das figuras de linguagem no poema, que implicam importantes efeitos semânticos, sonoros e contribuem para a construção de sentido. Assim, as palavras dentro de um poema adquirem significados variados, pois já que elas são símbolos linguísticos, podem mudar, como nos diz Saussurre, “o signo linguístico é, pois uma entidade psíquica de duas faces”, representada pelo significado e pelo significante, e os laços que os unem é arbitrário. Segundo Paz, “a linguagem, tocada pela poesia, cessa imediatamente de ser linguagem. Ou seja: conjunto de signos móveis e significantes”, assim palavras podem significar muito mais do que seu...
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Cultura

A cidade na viagem do olhar

A cidade na viagem do olhar Por Almandrade As cidades são tristes quando uma curiosidade, uma presença, ou um lugar não aquece a solidão de quem vive a abstração da vida cotidiana. Nada tem sentido. A falta sempre remete a uma espécie de deserto que desorienta o viajante solitário de seu próprio espaço. – Será que as cidades deveriam ser habitadas por imagens que desejamos e por imagens poéticas? “Mas o desejo, a poesia, o riso fazem necessariamente a vida deslizar no sentido contrário, indo do conhecido ao desconhecido”. (Bataille) – Enfrentar o desconhecido é uma tarefa difícil para o homem, principalmente quando ele vive em cidades hostis ao mundo do conhecimento.  A publicidade faz a imagem da cidade,...
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Cultura

Da pedra à tela

Da pedra à tela Por Júlio Röcker Neto* Já presenciamos o “fim” de alguns suportes de comunicação, como videocassete, fita cassete, disquete, entre outros. O fim do livro impresso também é tema corrente e, nesse contexto, vem à tona, logicamente, o fim do livro didático, em especial pelo crescimento das TICs (Tecnologias de Informação e Comunicação). O impacto das novas tecnologias nos ambientes educativos é evidente, mas é preciso relativizar o tom catastrofista, levando-se em conta a evolução histórica dos suportes de comunicação/leitura. Os diferentes suportes de leitura (pedra, argila, osso, metal, madeira, tecido…) certamente conviveram em algum momento e durante algum tempo. Dessa forma, suportes podem ter um tempo de “convivência” saudável. Foi assim no passado, com o...
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Cultura

Acabou o Carnaval

ACABOU O CARNAVAL   Até que enfim é possível sair de casa, a cada ano acrescenta-se mais um dia de carnavalização e mais tumulto para quem reside nas imediações do circuito do carnaval, principalmente Barra / Ondina. Aliás, a esperada quarta feira de cinzas não é ainda o fim do transtorno, mas é uma sensação de liberdade depois de uma semana engaiolado, sem direito a uma noite de sono, escutar música, nem atender telefone. Os incômodos que anteciparam o evento continuam, cerca de um mês antes e um mês depois da festa são os preparativos: montagens e desmontagens de camarotes, depósitos de bebidas, postos de atendimentos etc.   Um País depois de tantas denúncias, com a economia atolada, as...
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Cultura

Quantos mistérios cabem no negro olhar teu

Quantos mistérios cabem no negro olhar teu Para Vanessa Martins DA Maia Quantos mistérios… Cabem no magnânimo… No negro olhar teu? O que tu escondes? No cair da negra noite! E todos foram dormir tranquilamente. *** Amanheceu um novo dia É hora de ganhar as ruas Experimentar a luz do dia Minha querida divinal musa *** Mas quantos mistérios… Podem caber… No negro olhar teu? Por quantos tortuosos caminhos… Percorresses até chegar até aqui? *** Quantos mistérios podem caber… No magnânimo olhos teu? Samuel da Costa é poeta em Itajaí...
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Cultura

Jolie e o relógio

JOLIE E O RELÓGIO Nair Lúcia de Britto O relógio faz Tic-tac Tac-tic O destino do relógio É trabalhar sem parar… Mas  a gata Jolie Não está nem aí… Pro tempo que passa Só dá o ar da sua graça…   Anda ponteiro, anda Marca os segundos Os minutos, as horas… Trabalha sem descansar Canta sua canção e ninar Tic-tac Tac-tic Enquanto eu durmo… Meu soninho é bom! E quem diz que eu… Quero acordar?!...
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Cultura

Imigrantes ucranianos em Prudentópolis e as contribuições socioculturais no rito natalino

IMIGRANTES UCRANIANOS EM PRUDENTÓPOLIS E AS CONTRIBIÇÕES SOCIOCULTURAIS NO RITO NATALINO Solange Franciele Mageroski* Resumo: O estudo busca recuperar os principais aspectos culturais do rito natalino ucraniano em Prudentópolis – PR. A história de ocupação do município se dá com a vinda de imigrantes ucranianos no ano de 1896, compondo assim a maior colônia de imigrantes ucranianos no território brasileiro.  Os imigrantes ucranianos trouxeram consigo os costumes, as tradições a religiosidade de seu país de origem e reproduziram em sua nova vivenda. Assim as tradições, os costumes nas festas religiosas ucranianas, são marcadas de significados e simbolismos, alguns remontem o período pré-cristão. Dessa forma, o objetivo do trabalho é apresentar informações sobre a multiplicidade de simbolismos praticados no período...
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Cultura

Banda Sinfônica do Estado de São Paulo – um epitáfio

BANDA SINFÔNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO – UM EPITÁFIO    Por Antoine Kolokathis, diretor da Direção Cultura Assim como Carlos Gomes, maior compositor lírico das Américas, inúmeros músicos brasileiros atualmente espalhados pelo mundo como integrantes de grandes orquestras iniciaram seu aprendizado – e apreciação – musical por meio das bandas. Até o advento tecnológico da gravação musical a execução dessa arte era exclusivamente ao vivo. No Brasil Império formavam-se bandas nas cidades, vilas e fazendas. Em Campinas, Maneco Músico, pai de Carlos Gomes, era mestre de capela e tocava obras de mestres europeus, assim como músicas brasileiras populares e também sacras com sua orquestra-banda. Assim seu filho Tonico aprendeu a tocar vários instrumentos desde a infância e viria...
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Crônicas

Assim deve ser o amor

ASSIM DEVE SER O AMOR Margarete Hülsendeger Talvez entre eu te amo e o amor propriamente dito haja um espaço intransponível. Talvez o tempo que passa. Mas não apenas. Talvez um inevitável desencontro. Essa incoerência. Carola Saavedra Inventário: “descrição detalhada do patrimônio de pessoa falecida, para que se possa proceder à partilha dos bens” ou “levantamento minucioso dos elementos de um todo; rol, lista, relação”. Ausente: “que ou quem se afastou temporariamente do lugar em que habita, que frequenta etc.” ou “que não se envolve, que não tem parte ativa em um relacionamento, em um grupo etc.; distante”. O primeiro, um substantivo, o segundo, um adjetivo, que, se combinados em uma mesma frase, podem gerar uma espécie de paradoxo....
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Cultura

Avenida Paulista

Avenida Paulista Gilda E. Kluppel Soberana reina no alto da cidade com entardecer inigualável composto de reflexos e cores de tom cinza azulado. Uma estação de brigadeiro vestida de verde aguarda os visitantes muitos trabalhadores apressados alguns robotizados e turistas deslumbrados. Poesia existe em seus contornos e entornos ou no espaço reservado a casa chamada das Rosas que insiste em se impor diante de edifícios espelhados cúpulas arredondadas e diferentes traçados. Em plataformas azuis pousam pássaros engravatados condutores de muitos destinos. Num grande vão livre obras de arte ornamentam seu caminho desapercebido por aqueles que caminham sem arte. Numa tímida entrada o jardim persiste entre jequitibás e sapucaias ainda cantam rolinhas e sabiás. Na nobre esquina circulam célebres e...
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Cultura

Graciliano Ramos: memória e militância

Claudia Izique | Agência FAPESP Graciliano Ramos (1892 – 1953) foi preso em Maceió em 1936, quando o governo de Getúlio Vargas investiu contra a esquerda, em resposta aos levantes comunistas de 1935. Enviado ao Recife e transferido no porão de um navio para o Rio de Janeiro, o autor de Vidas Secas permaneceu 11 meses na Casa de Detenção e na Colônia Correcional de Dois Rios, na Ilha Grande, sem qualquer processo ou acusação formal. Deixou a prisão em 1937, graças à pressão de José Lins do Rego e de José Olympio, entre outros intelectuais. No mesmo ano, esboçou algumas notas sobre a sua experiência de cadeia. “Mas, de fato, ele só retomou a redação de Memórias do Cárcere em 1946, um ano depois...
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Contos

Meu superpoder

Meu superpoder Allexsander de Souza * Hoje quando vejo os desenhos de super-heróis com meus filhos, lembro-me de ter manifestado um superpoder que infelizmente só ocorreu um dia. Pena! Teria sido muito útil, mas a única vez que funcionou, salvou minha vida. Tinha 8 anos. Seguia para casa de minha avó, Dindinha, a pé. Era a primeira vez que seguia sozinho. Desta forma, sozinho, notei muitas coisas que não notara antes. Contemplava árvores, pedras, arbustos e, no meio do caminho, uma cerca: alta, bem fechada, com diversas ripas horizontais entrecruzadas com pequeno espaço entre elas. Apenas para que entendam esta aventura: entre uma ripa e outra mal cabiam as pontas dos meus pezinhos, os quais encaixei para escalar. Uns...
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Crônicas

Entre voos e quedas

ENTRE VOOS E QUEDAS Margarete Hülsendeger Nós lidamos mal com a morte, essa coisa banal, única; não conseguimos mais colocá-la num contexto mais amplo. Julian Barnes Todos, em algum momento, desenvolvemos estratégias para lidar com a morte. Alguns choram, outros permanecem em silêncio, há os que se voltam para a religião e existem aqueles que, simplesmente, surtam. Eu, segundo familiares, estou no último grupo. Quando minha mãe faleceu, há mais de 20 anos, tive uma reação estranha: no velório mantive-me falante, quase alegre, fazia piadas, e não parava de repetir, para quem quisesse ouvir, que ela estava bem e, mais importante, eu estava ótima. Sim, é estranho, mas não faça julgamentos apressados. Obviamente, esse “bem” ou esse “ótima” era...
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Cinema

Virei um gato

  VIREI UM GATO              (EUA- 2016) Nair Lúcia de Britto   Kevin Spacey, ator consagrado, do filme “Beleza Americana”, agora é Tom Brand, nesta comédia graciosa, pura fantasia e gostosa de ver. Ele é um empresário, obcecado por seu trabalho e quer porque quer construir o maior arranha-céu, na cidade de New York; e por estar tão preocupado em ganhar a concorrência com outro prédio, em Chicago não dá a devida atenção à família. Nem mesmo à sua filha Rebeca (Melina Weissman) que há muito sonha em possuir um gato. Só que o pai dela não suporta felinos; mas, quando a menina lhe pede um gato, de presente de aniversário, ele finalmente resolve comprar o Bola de Pêlos, um gato...
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Cultura

Pesquisa revela profissão de Machado de Assis

Pesquisadora da UFSCar levou cinco anos para finalizar estudo e utilizou documentos e análise da obra do autor   De Coordenadoria de Comunicação Social – Universidade Federal de São Carlos Muito já se especulou sobre a vida profissional do escritor Joaquim Maria Machado de Assis. As inúmeras biografias relativas a um dos principais escritores brasileiros concordam quanto ao posto de funcionário público que ocupou, e que este era a principal fonte de receitas do autor, que chegou ao posto de Diretor-Geral de Contabilidade do Ministério de Viação em Obras ao final de sua trajetória profissional. Mas, teria Machado de Assis sido lançado como diretor na área de Contabilidade por indicação política ou por mérito, pela atuação e competência na...
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Cultura

Macaúbas: tricentenário de um mosteiro mineiro, com influência alagoana

*Olegário Venceslau da Silva Os pálidos e contumazes ventos remontam às antigas vielas duma antiquíssima Penedo, que se banha amiúde no frescor das mansas águas do Velho Chico, com suas manias de curvas. Sob o orago perpétuo de santos católicos e olhares contemplativos das desbotadas e seculares torres das igrejas locais, feito sentinela permanente a guardar seus filhos, que transitam sobre íngremes ruas de pedras sobrepostas, e descansam suas fadigas à sombra dos casarios barrocos quando dos dias quentes e ofegantes da bucólica cidade interiorana, com traços aristocráticos e opulência imperial, que fazem jus àquela comuna nativista. As sapientes palavras do poeta Castro Alves, num linguajar sonetista traduzia com perfeição e síntese o tempo, em suas mais diversas formas...
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Cultura

Ceia de Natal

Ceia de Natal Gilda E. Kluppel A mesa está posta toalha e guardanapos em tons vermelhos para saudar aquele… senhor das barbas brancas ao invés de reis magos somente os convidados. Para seguir outra estrela distante de Belém e que conduz aos excessos ao invés do perfume de mirra o cheiro da comida. Ele, de roupa pesada torturado pelo calor de dezembro largo cinturão preto afrouxado para a ceia os presentes no grande saco as tantas quinquilharias para alegrar uma noite e talvez mais algumas horas de fervoroso consumo ao invés de Feliz Natal agora se diz apenas Boas Festas. Maria e José do lado de fora espiam pela janela procurando por Jesus querem saber a cruz ainda pregada...
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Cultura

A cena – poesia singular

A CENA – (POESIA SINGULAR) Nazaré, 10-12-2016 Gilberto Nogueira de Oliveira   Você acha que vale a pena Matar bandidos pobres Quando bandidos nobres Estão fazendo a cena?   Você acha que vale a cena Da elite traficar No conforto do seu lar Numa calma serena? Você acha que calma serena   Desse traste do dinheiro De pousar como guerreiro Mantendo essa gangrena? Você acha que a gangrena   Vai curar essa nação Se na verdade o patrão A nada disso se antena? Você acha que se antena   A elite do vil metal Se todo esse mal Vem d’uma classe obscena? Você acha que a classe obscena   Vai deixar você em paz Se tudo o que você...
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Cultura

Amor Fundamental

Vou contar para vocês como surgiu o livro – Amor Fundamental, Histórias e Fábulas para Treinamento. Em tantos treinamentos que já ministrei em minha vida, você pode imaginar quantas histórias eu já ouvi. Histórias verdadeiras, casos do cotidiano empresarial e algumas inacreditáveis. Então, um dia eu resolvi compilar estas histórias e como já era um sonho antigo, reuni, também, aquelas estórias que nos levam a uma reflexão, a enxergar o mundo de forma diferente, de ver coisas por outras ângulos e aí, juntei tudo isso em um livro. E decidi ter o cuidado de fazer uma breve biografia de cada autor citado, afinal de contas, fico sempre me perguntando, quem é esse tal de “autor desconhecido’…risos. O título original...
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Cultura

Passinho da Viçosa e o Coco de Alagoas

PASSINHO DA VIÇOSA E O COCO DE ALAGOAS Por Olegário Venceslau da Silva “Menina da saia curta,/Saltadeira de riacho,/Te sobe no pé de coco/Pra botar coco pra baixo”. Os sons descompassados dos aboios de velhos trovadores, ritmados em seus versos brejeiros remontam a um pretérito que fogem às lembranças mais ofegantes e não menos vorazes em sua real discrição. O terreiro de chão batido circundado de pálidos arbustos, ressequido ao calor inclemente duma terra que vive seus costumes, arraigada a religiosidade popular, diga-se uma consubstanciação do profano, com o pagode dançado sob a batuta do pandeiro, e o sagrado presente nas cantorias de benditos e encomendações de almas, nas intermináveis noites de vigílias. Pelos íngremes caminhos de uma Viçosa...
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