Crônicas

Serenamente sentado na praça

Por Gilberto da Silva Vou ficar por aqui, num canto de praça, esperando o ano acabar. Sentado no banco da praça olhando os pássaros. Como paulistano que sou poderia ver tiririzinho-do-mato, ferreirinho-de-cara-canela, beija-flor-preto, tesoura-de-fronte-violeta, beija-flor-roxo. Ah! tucano-de-bico-verde e bico preto verei com certeza. Na espera de meus braços abertos, com generosidade e paciência, abraçarei amigos e amigas que não se furtam a um afeto caloroso. Revisarei meus toscos textos, meus enroscos, meus desgostos, minha falsa modéstia.  De posse de meu caderno de anotações – com traços firmes e de cor forte – riscarei os nomes indesejáveis, primeiramente este, depois aquele etc. Olharei na agenda de telefones do celular e deletarei contatos inoportunos e incluirei outros poucos. Na virada para...
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Cultura

A porca e eu

Por Redação A escritora Maria Eugenia Cerqueira já conhecida pelo livro Quem dá Brilho, brilha – obra que dá dicas sobre limpeza doméstica, apresenta seu mais novo livro: A Porca e Eu. Nesse interessante livro, a autora narra a sua relação com Gipsy, uma porca de estimação que foi adquirida como mini porco, e que com o tempo mostrou que era uma porca de verdade, ou seja, Gipsy tornou-se um presente de grego. Apesar de ser enganada pelos criadores que ela cita no livro, a porca conquistou seu coração e ganhou um espaço especial na vida de Maria Eugenia, uma ultramaratonista apaixonada por animais. Gipsy, como foi carinhosamente batizada a nova inquilina, acabou crescendo mais do que a dona...
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Cultura

Uma margarida só não faz uma primavera

04 Por Gilberto da Silva   Uma margarida é inocente flor que nos campos aflora. Quem dera ter todo ano margaridas flores nos jardins. simples, pura, afetuosa.   Uma margarida só não preenche um jardim. Quem dera jardins fossem plenos de margaridas Brancas exalando o aroma da paz.   E tu que também é flor conhecida como malmequer, crisântemo, bem-me-quer, bonina, margarita, margarita-maior, malmequer-maior, malmequer-bravo, e olho-de-boi, também é pérola a campear. Pode ser também uma Chrysanthemum leucanthemum a preencher os livros científicos.   Uma donzela não pode sofrer, beba seu próprio líquido para curar seus olhos enfermos de tanto chorar. Cicatrize sua ferida e reproduza sua jovialidade. Uma margarida só não pode deixar os cabelos brancos soltos nos...
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Cultura

Narinas interditas

  Gilberto da Silva   Preparam nossos sentidos para a repulsa ao outro, nosso narizes selecionados para sentir repulsa do cheiro das ruas, dos guetos, das vielas, das quebradas. E vem a humilhação, a degradação, o abandono. Fim do cheiro da terra, fim do cheiro do povo. Assim nos tornamos estranhos…. De estranhos para inimigos: um passo! Da aturação social para a sentença de morte: uma linha! Assim nos tornamos ferramentas dos propagandistas do ódio....
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Cultura

O amor de Hannah e Martin

  Um vinho seco posto à mesa, sinais trocados para comemorar enlaces, oportunidade de realçar vínculos. Flores e amor no campo. Primaveras,  outonos, qualquer estação está aberta à experiência. Aquela paixão estancada, o beijo furtado. Amou, amastes, amamos. Destinos em contraposição. Manhãs, acordares em fantasia, correspondências, frases, filosofias e admiração. Mergulho no Eu, divisões, biografias cruzadas. Ser, tempo, encontro, despedidas. Vazios, olhares, magia: amar não pede atestado, amar não esvazia a alma. O que importou? Qual estética, qual metafísica? Expressões de duas mentes inquietas. Saibamos: “nenhuma palavra irrompe na escuridão.”   Por Gilberto da Silva – 2015...
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Cultura

O entulho nosso de cada dia

Por Gilberto da Silva   Entulho nosso que estás nas ruas, Sejais limpo todos os dias. Santificado seja aquele que limpa, limpa e limpa. Rogai por nós os Sujos, que são imundos assim na Terra como no Céu.   Lixo nosso de cada dia que dá dengue.   Lixo nosso que não é reciclado e é abandonado pelos pecadores. Venha a nós a limpeza diária. Que as atitudes dos sujos sejam iluminadas. Pai, dai o pão de todos  a cada dia, Perdoai as nossas ofensas, pois não aguentamos mais tanta sujeira.   Perdoais nossos xingamentos, assim como nós perdoamos a quem nos tem limpo a sujeira que fez. E não nos deixeis cair em tentação de jogar o lixo fora...
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Crônicas

Retrato pintado do meu pai

Por Gilberto da Silva Quando não tínhamos as máquinas possantes e ultramodernas, tínhamos as mãos dos artistas que com maestria pintavam nossos retratos. Os fotopintores foram enquadrados, por décadas, numa categoria fotográfica chamada de popular e percorriam as mais distantes paragens para retratar um povo esquecido.. Naqueles tempos que um retrato pintado valia ouro. Era uma prática que vinha do final do século XIX e que permaneceu (até meados de 1990) nas casas das pequenas cidades e nas áreas rurais, principalmente do Nordeste brasileiro. Mas os retratos pintados não eram uma exclusividade do Nordeste, isso é bom deixar claro, pois vejo por ai muita literatura pisando nessa tecla erroneamente. Tempos que nem as fotografias em preto e branco eram...
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Cultura

Nos Bastidores do Pink Floyd

Por Gilberto da Silva Ao som da trilha sonora do Pink Floyd, aos poucos fui devorando esse livro da Editora Generale, com quase 500 páginas e bem escrito pelo jornalista Mark Blake. O livro  Nos  bastidores do Pink Floyd é literalmente uma viagem para dentro do mundo de uma banda que marcou uma geração (a minha…) e possui muitas entrevistas e uma pesquisa bem trabalhada pelo autor. A grossura do livro pode assustar quem mão está acostumado a ler biografias, mas o autor conduz seu trabalho de forma agradável esmiuçando os primórdios da banda desde o The Pink Floyd Sound, nome original em que foi criado e detalha com muita riqueza a trajetória de Syd Barrett, o “pai” da banda...
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Crônicas

O mundo do faz-de-conta

Encontrei-me com Chrischão um amigo que costumo envocar nos momentos de delírios e precisão espiritual. Entre um café e outro percebemos que estamos vivendo no mundo do Faz-De-Conta, mas não aquele o qual a personagem Emília, do Sitio do Pica-Pau Amarelo jogava o pó de Pirlimpimpim e vivia aventuras com seus amigos fiéis em um mundo imaginário… não...
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Crônicas

Com o coração aberto invento

De tempos em tempos me pego olhando a foto interna de Geraes e procurando meus vestígios - com ou sem barba -naquela mata da Universidade. Eu estava lá, sei. Mas como, onde, de que forma? Não sei... O “esquecer era tão normal” e eu sempre esqueci. E eu era quase criança. Só? Com amigos, talvez e mais provável. Mas quem? Sei lá... mas estava "com o coração aberto em vento" a procurar ser feliz...
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Colunistas

A Cidade Como Negócio

As cidades são tratadas pelos gestores como espaços de segregação “casa de pobre para pobre, lugar pobre para pobre” (p.179) gerando conflitos que não se resolvem diante das condições de reprodução capitalista. São questões complexas, mas que os textos ajudam a refletir sobre as dinâmicas de ocupação e uso do espaço urbano....
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Cultura

Pequenos deuses

Por Gilberto da Silva   “ O problema em ser um deus é que não se tem ninguém para quem orar.” O humor ácido é a tônica utilizada por Terry Pratchett para desenvolver uma história crítica à religião institucionalizada. Como imaginar um deus (Om) que se manifesta na forma de uma tartaruga sendo “uma tartaruga de pernas para o ar é a nona coisa mais patética em todo o multiverso”? É dessa forma que o autor a imagina em Pequenos Deuses, o décimo terceiro livro da consagrada série Discworld, mundo criado por Terry Pratchett para desenvolver seu humor ácido e sua fantasia para falar da realidade. Para quem ainda não conhece o autor esta é uma oportunidade de entrar...
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Crônicas

Cenas de um dia de Sol

Por Gilberto da Silva Um homem busca conquistar a paixão de uma mulher saltando de paraquedas. Não sei se será uma paixão bem sucedida. Há outros fatores que impelem o homem a tomar este tipo de atitude a manifestar seus sentimentos. Por hora, creio que não é uma boa tática concretizar uma manobra tão radical para tornar um sonho de um homem realizável. Mostrar-se para a amada e ao mundo. Soltar de um avião. Poderia mandar chover pétalas de rosas brancas e vermelhas! Mas foi assim, de paraquedas, que este homem calvo, de olhar retraído e cheio de coragem mostrou-se para a amada e ao mundo! Realidade é cruel. O homem é frio e não demonstra sentimentos. Nada de...
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Crônicas

O Sujeito Doutor

Por Gilberto da Silva   “Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, acorda.” Jung   Num bar na periferia, num sábado a noite lá está o sujeito a jogar sua sinuca. Outro dia estava com os amigos em um restaurante comendo e bebendo. Brincadeiras de todas as partes, mas sempre sabedores da hora do respeito. Um bom prato preparado pelo Chico, ou “Chicô” como gostamos de chamar o alegre “paraiba” dono do restaurante. Fotos para as redes sociais, sorrisos e lá se ia mais um dia… Num bar da periferia lá está o sujeito a conversar e jogar sua sinuca. Os quase dois anos de convivência serviram para estreitar os laços dele com alguns funcionários do local...
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Cultura

A pedagogia do suprimido

Por Gilberto da Silva Poderia sintetizar A Pedagogia do Suprimido como uma obra que tem “o futuro todo ainda para desacontecer”, mas com certeza, não seria um elogio às avessas, uma maldição e sim um desacontecimento meritório, um des-acontecer no sentido da oposição ao que já acontece na literatura, em específico, a poética. Tento de início, não entender esta obra como puro reflexo da minha musculatura anciã, mas com o cordão da jovialidade de coisas não desenvolvidas na arte/vida suprimida. Em sua leitura, de fato apaixonante, procuro aprender, sem ser bancário, a mergulhar no universo do autor e apreender “coisas de endoidar, reminiscências, crescências” de um Zeh que é a pura expressão do “expressionismo surreal”, um sujeito carioca “retrô...
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Crônicas

A Flor da Obsessão

Por Gilberto da Silva Quem a vê chegando ao trabalho – toda tímida – olhar cabisbaixo e sorriso escasso não pode imaginar o que a garota carrega em sua mente. Quem há vê pelos corredores a andar séria, elegante, só pode pensar numa mulher pudica, quase santa, não sagrada. Mas profana, mundana, que contarei aqui, com sua permissão, um pouco da sua história. Minhas amigas oriundas do feminismo que me perdoem. Minhas colegas corolas oriundas de um purismo estéril relevem… O objetivo aqui é não deixar para trás uma pequena história. Ela tinha uma estranha obsessão: olhar para as partes baixas dos homens nos coletivos. Sentada, a moça focava na faixa preferencial do olhar: fixo, medidor, seletivo – “pequeno…...
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Assédio Moral

Uma verdadeira história de assédio moral

Por Gilberto da Silva Segue abaixo texto que escrevi sobre o segundo livro de Ednete Franca , O perigo invisível. Recomendo a leitura e pauta para apresentações, palestra e entrevista.   Depois de Entre sonhos e pesadelos, Ednete Franca nos presenteia com O perigo invisível, obra em que a autora sergipana aprofunda sua narrativa sobre o processo de vitimização que sofreu no seu local de trabalho. Na trama, Ednete dá nomes aos bois, parte de recordações de uma viagem trágica pela região das montanhas fluminense até chegar ao verdadeiro trauma que impactou a autora e sua família e, com riqueza de detalhes, disseca aspectos do processo de assédio moral que a vitimou no âmbito da Administração Pública Federal. Humilhação,...
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Colunistas

Sábios são aqueles que observam suas falhas

Por Gilberto da Silva Fora dos gramados o Brasil ganhou a Copa. Mas lá, entre as linhas que desenham o espaço necessário para o show, para a demonstração de garra, superioridade nos pés e nas pernas, a seleção canarinha ficou a dever. O que comentar sobre os dois últimos jogos da nossa seleção, senão enumerar uma constelação de erros, apatia e ineficiência futebolística? No ritmo final que nos encontrávamos perderíamos até para a bela surpresa costa riquense. Imagino um escrete com jogadores brasileiros que personifiquem Neuer, Mascherano, Robben, Benzema, Vlaar, Kroos, James Rodrigues entre outros misturados com o que podemos ter: Neymar, Oscar, Thiago Silva e David Luiz. O bom da derrota é todos os que ainda não entendiam...
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