Ainda precisamos de loucos

Loucos com a alma acordada.
Que não tenham medo de ver o que os “sãos” insistem em ignorar.
Loucos que enxergam o invisível, sentem o não-dito e se arrepiam diante do simples —
porque sabem que o simples é o que sustenta o extraordinário.

Loucos que, mesmo em tempos de controle e produtividade,
ainda se permitem observar uma borboleta em construção.
Porque percebem que toda grande transformação começa no silêncio de uma lagarta.

Precisa-se de loucos com coragem de sentir.
Num mundo que nos empurra para o automático, esses se recusam a desligar a alma.
Eles choram quando precisam, riem quando dá vontade, e seguem — mesmo quando a lógica grita que não faz sentido.

Loucos com compaixão prática.
Que não se escondem atrás de discursos prontos,
mas oferecem presença no café, escuta no corredor, e empatia na hora do caos.
Gente que já entendeu: empresas não são feitas só de metas.
São feitas de histórias, gente e escolhas silenciosas.

Loucos que dançam com a ética.
Que enxergam o respeito como frequência e não como favor.
Que não falam de diversidade para cumprir pauta,
mas porque sentem no corpo que evolução real só acontece quando todos têm lugar de fala — e de ser.

Precisa-se de loucos visionários.
Não os que preveem lucros, mas os que pressentem caminhos.
Loucos que sentem a chegada de um novo tempo antes que ele seja visível aos olhos.
E mesmo que esse tempo ainda demore, plantam agora, com fé no invisível.

Loucos que caminham na contramão da história oficial,
que ouvem menos os gurus do mercado
e mais os sussurros do coração.

Loucos pela linguagem do amor.
Não o amor platônico ou idealizado,
mas aquele que atravessa fronteiras, equipes, cargos e culturas.
O amor que transforma ambientes inteiros sem fazer alarde.
O amor que lidera com firmeza e ternura ao mesmo tempo.
O amor que não cabe nos relatórios, mas pulsa nas entrelinhas.

Precisa-se de loucos que sirvam por amor.
Loucos que se entregam a trabalhos voluntários,
que ajudam a formar associações, que criam pontes para quem não enxerga mais saídas.
Loucos que acreditam que despertar potencial é a missão mais bonita que existe.
Gente que já entendeu que o pagamento real vem em outra moeda: significado.

E se tudo isso ainda parecer insano pra você…Ótimo. Porque só os loucos perceberam que
a verdadeira lucidez é a que rompe a matrix.

by Madalena Carvalho

Madalena Carvalho é palestrante, escritora, especialista em Desenvolvimento de Liderança e Treinamentos Customizados para Empresas. É mentora de Carreira.

Deixe comentário