CORAÇÃO DE ESTUDANTE

Eu adoro essa música de Milton Nascimento!
Sempre canto junto quando toca no rádio, e até traduzi sua letra quando, estudante, parte de um grupo de bolsistas internacionais, participou de um evento como palestrante. Quem assistia ficou sensibilizado com a letra, até porque todos se identificaram de alguma forma com o tema. Afinal, todos nós e ainda somos estudantes, nas escolas e na vida.
A diferença é que a vida pode nos ensinar muito mais do que as escolas, se aprendermos a aprender independentemente de quem se propõe a educar ou de algumas tradições.
“Já podaram seus momentos / Desviaram seu destino / Seu sorriso de menino / Quantas vezes se escondeu”, é um trecho que resume o que pode nos tirar a esperança da juventude. É quando um professor ou um religioso usa os jovens como massa de manobra, impondo suas ideologias e pensando como únicas verdadeiras, inoculando ódio e preconceitos em suas mentes. Quem não aceita corre o risco de ser humilhado, excluído, reprovado ou coisa pior.
A obra “Nada de novo no front”, tantas vezes vertida em filmes, é um exemplo, assim como a formação de jovens em regimes radicais de esquerda e direita, e doutrinações que os fazem crer que a aniquilação de quem não comunga de suas opiniões, e próprios sacrifícios pessoais, são vontades divinas a serem premiadas no pós-morte. Formação que transforma seres humanos em fanáticos, robôs orgânicos.
Como surgem os “homens-bomba”, os terroristas e os radicais pela “educação” que recebe?
Mas o “mercado” também tem sua parcela de culpa na massificação de modismos e vícios que distorcem valores básicos e o próprio futuro, em nome do lucro inconsequente, destrutivo e autodestrutivo.
Belchior cantou o “reverso da medalha” em seu “Como nossos pais”: “Hoje eu sei que quem me deu a ideia / De uma nova consciência e juventude / Tá em casa /
Guardado por deus / Contando vil metal”.

Às vezes, quem deu a ideia pode ter se dado bem na política, não pelo bem do povo; pode ter enriquecido com sua “revolução”; mas também pode ter sido vítima do que foi proposto, ou da forma como foi manipulado. Nesse caso, não há nada pior para a juventude do que um mártir ou um ídolo jovem que venceu sua vida, aqueles que se enquadraram na descrição de Paulo César Pinheiro definindo em “Cordilheiras”, pois transformaram a juventude num exército de aflitos.
O coração de estudante, que todos devemos ter e manter por toda a vida, não pode ser uma folha solta ao vento, um curral, um gueto mental ou um caminho único, sem volta.
O ideal é que quem forma a juventude, sejam familiares, educadores ou religiosos, tenha em mente o que a música exorta: “E há que se cuidar do broto / Pra que a vida nos dê /
Flor e fruto”, e não espinhos e ervas ou venenosas.
Só assim a esperança na humanidade será renovada!
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras







