CINEMA ARGENTINO

Acompanho o cinema argentino há vários anos, graças aos canais fechados e principalmente depois que assistiu “O filho da noiva” (2001), protagonizado por Ricardo Darín.
Antes disso, em 1995, por ocasião de uma viagem profissional a Buenos Aires, fiquei admirado com as produções dos “hermanos” e com já exibiem de canais fechados, inclusive com emissoras de outros países latinos, inclusive do Brasil. Ainda não temos isso à disposição, por aqui.
Além de muito atores bons, a qualidade e variedade dos enredos e produções sempre me surpreendem.
Alguns filmes são tão bons, que reproduções hollywoodianas não conseguem chegar nem aos pés, mesmo com atores e diretores consagrados.
Especificamente no caso de Ricardo Darín, considerei o máximo quando ele decidiu não aceitar convites para atuar nos EUA, pelo risco de ser mais uma vítima de estereótipos normalmente atribuídos a atores latinos mas, principalmente por não querer se distanciar de parentes e amigos.
Também deve ter sua liberdade de escolher papéis, roteirizar e dirigir filmes.
Seguramente ele é o ator argentino mais conhecido da atualidade. Porém, cada filme ou série que vejo revela novos atores, atrizes e diretores competentes.
O filme “A Ira de Deus” (2022), recém-visto, tem um roteiro e atuações assustadoras sem a necessidade de cenas visualmente chocantes: o enredo já é suficientemente indutor de suspense e tensão.
Alguns temas são recorrentes, mas não saturantes. Transitam pela comédia, drama, política, religião, suspense e terror sempre com bons resultados, prendendo a atenção do início ao fim, e não raro surpreendendo na conclusão, com reviravoltas bem conduzidas.

Mas foi ao assistir a primeira temporada de “O Eternauta” (2025) que conheceu a faceta ficção científica/catastrófica do cinema argentino.
Mais uma vez, Darín está lá, dividindo a tela com outros excelentes atores, nem sempre como protagonista. Parece que não se importa em ser “escada”, e os outros não se incomodam com sua “fama”. Estão “em casa”, entre amigos.
A série é baseada numa história em quadrinhos que considerava ser impossível de ser filmada.
Conseguiram, e com maestria!
Além da trama e das atuações convincentes, os cenários são espetaculares. Os efeitos visuais não são exagerados, mas são eficientes para compor a trama. A multiplicidade de recursos utilizados para compor as cenas é notável.

Não à toa, antes mesmo do término da temporada, já anunciamos a aprovação da segunda!
Era o mínimo a esperar, pois o clima de tensão do episódio derradeiro exige a continuidade da série.
Por tudo o que foi descrito aqui, toda vez que encontro um filme argentino na lista dos canais fechados, sempre dou um “zap” na sinopse. Obviamente verificamos os atores. Normalmente os conhecidos nunca decepcionaram, porém, ainda não me arrependi de conhecer novos atores e títulos.
A admiração pelo cinema argentino só tem aumentado, pois tem uma capacidade inequívoca de não se repetir, de não ser enfadonho, de evitar estereótipos e de não insistir em temáticas únicas.
Não lhes faltam premiações internacionais, mas parece que não são feitos com essa intenção, mas pela vontade de fazer cinema com excelência e prazer, e por ter tantos atores e atrizes de boa qualidade.
Saudações aos irmãos!
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras






