AGILIZAR E FUNCIONAR

No Brasil, ao longo de sua história, as coisas têm tardado e falhado em vários setores, ao ponto de palavras como progresso e desenvolvimento estarem “sub judice”, às vezes literalmente, com seus sentidos variando de acordo com quem as utiliza.

á quem critique a frase “Ordem e Progresso” nos símbolos nacionais, ignorando sua origem, inclusive atribuindo-a a regimes de exceção. Santa ignorância “letrada”!

O tardar e falhar já inibiu iniciativas pioneiras, por contrariarem interesses internos e externos. Irineu Evangelista de Sousa (Barão de Mauá), Delmiro Gouveia e João do Amaral Gurgel que o digam.

Países que, a exemplo do Brasil, se tornaram independentes entre o final do século XVIII e início do século XIX, seguiram caminhos diferentes, em termos de desenvolvimento.

Naquele tempo, as atividades econômicas das colônias eram restritas à agropecuária e ao extrativismo mineral e vegetal, enquanto a Revolução Industrial prosperava na Europa.

Os EUA, após a independência das 13 colônias, buscaram o caminho da ciência e do desenvolvimento desde Benjamin Franklin.

No Brasil, José Bonifácio construiu uma sólida reputação como cientista, com ênfase em mineralogia e metalurgia, tendo sido um grande defensor da criação de escolas técnicas e da exploração de recursos minerais no país.

Só que as velocidades foram diferentes nesses dois países.

Nas Américas, Canadá, EUA e Brasil foram expandindo suas fronteiras, nem sempre de forma pacífica, enquanto os demais territórios coloniais, sobretudo os que eram dominados pela Espanha, foram se fragmentando, alguns mantendo disputas territoriais até hoje.

O Brasil também correu esse risco, em função de algumas sublevações ao longo do século XIX. Os EUA tiveram uma terrível guerra de secessão, no mesmo período.

Ao longo do reinado de Dom Pedro II, a construção de ferrovias foi iniciada, tendo o Barão de Mauá como pioneiro, em 1854. Bem ou mal, as coisas aconteciam.

Washington Luís, durante sua presidência (1926-1930), cunhou a frase: “Governar é abrir estradas”. No primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945), foi criada a CSN, enquanto no segundo (1951-1954), surgiu a Petrobras. Juscelino Kubitschek (1956-1961) tinha como lema “50 anos em 5”, tendo como destaque a efetiva implantação da indústria automobilística nacional. O governo militar (1964-1985) protagonizou o que ficou conhecido como “Milagre Brasileiro”, cujos investimentos em infraestrutura permanecem fundamentais ao país, incluindo estradas, portos, aeroportos, usinas hidrelétricas e indústria aeronáutica.

No entanto, ao compararmos o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do Brasil com o de outros países de mesmo porte, inclusive os que foram arrasados durante a Segunda Guerra Mundial, como países europeus e asiáticos, nosso país está bem defasado.

Permanecemos majoritariamente dependentes do agronegócio, que é paradoxalmente combatido interna e externamente, além de carentes da infraestrutura e da logística, indispensáveis e urgentes à promoção do desenvolvimento sustentado.

São tantos os freios legais que potencializam judicializações protelatórias, que mesmo o mais obstinado dos governantes e investidores tende a sucumbir às impedâncias.

Disputas político-partidárias, radicalismos ideológicos, vaidades, decisões inconsequentes ou interesses externos também têm freado de forma sistemática e inconsequente o desenvolvimento do país.

Com isso, o tardar e falhar resulta em obras que deixam de acontecer ou são interrompidas, em processo de deterioração, cujo custo de retomada e conclusão ficará muito mais caro, onerando o erário e quem contribui ou depende dele.

Empregos que beneficiariam milhões de pessoas, direta ou indiretamente, deixam de ser criados!

Quando o Brasil deixará de ser o país de um futuro que nunca chega, para ser um efetivo, dinâmico e democrático exemplo de progresso e desenvolvimento sustentado, onde as coisas sejam estrategicamente planejadas, agilmente implantadas e bem funcionem, em nome do bem do país e seu povo?

Adilson Luiz Gonçalves

Escritor, Engenheiro e Pesquisador Universitário

Membro da Academia Santista de Letras

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