NIVELAR POR CIMA
O modelo de progressão continuada e outras medidas adotadas de uns tempos para cá desestimulam ou prejudicam o aprendizado de tal forma que até os alunos com melhor potencial deixam de se empenhar. Apesar da boa intenção teórica, diretamente ou não, elas têm resultado em desinteresse pelo estudo e, não raro, desrespeito aos professores.
Quando criança e adolescente, estudei em escolas públicas onde havia avaliação frequente e as notas mínimas para aprovação eram elevadas.
O acesso à escola era um direito, mas, estando nela, estudar era uma obrigação!
Os professores tinham respeito e autoridade, e eram efetivamente mestres.
Os maus alunos ainda tinham chance, mas precisavam ter um mínimo de esforço para serem aprovados. Alguns deles até se deram bem profissionalmente, mas houve quem buscasse a atividade política como meio de vida, não necessariamente com boas intenções. Provavelmente foram esses que votaram a favor da progressão continuada.
O fato é que, quando bom desempenho acadêmico não é critério para aprovação, fica aberto o espaço para influências negativas nas escolas. Isso justifica a crescente ação de traficantes e a violência cada vez mais comum, que virou tema de vídeos nas redes sociais. Neles, é possível notar que quase ninguém se propõe a apartar, mas vários filmam com seus celulares. A violência virou um “espetáculo”.
Proibir celulares nas escolas é uma solução?
Bem, se considerarmos o Estatuto da Criança e do Adolescente, haverá quem considere isso um ato de violência.
O ECA infelizmente tem favorecido a impunidade. Pais que antes cobravam os filhos por mau desempenho acadêmico, agora cobram os docentes! Às vezes, eles sequer sabem o que está sendo ensinado aos filhos.
A Lei 14.811/2024 instituiu medidas para a proteção de crianças e adolescentes contra a violência em estabelecimentos educacionais. Um docente doutrinando ideologicamente seus alunos, constrangendo quem não aceita suas crenças, também é uma forma de violência, não?
Só uma coisa parece não ter mudado: os alunos que buscam se destacar pelo estudo continuam sendo discriminados. A justificativa, agora, é que esse destaque pode “constranger” os que não se empenham ou não têm a mesma capacidade cognitiva (no esporte, pode). Para alguns professores, isso virou desculpa para as limitações a que estão sujeitos.
Há décadas, desacato a professores e atos de violência eram motivos para expulsão de alunos, mas atualmente é mais fácil encontrar professores afastados por esgotamento mental ou vitimados por agressões covardes, algumas letais, do que punições exemplares aos alunos.
Os menos afetados, até idolatrados, normalmente são os que se colocam ao lado dos alunos, legitimando seus “direitos”, ao mesmo tempo em que lhes incutem maliciosamente suas “cartilhas”.
As escolas precisam voltar a ser “santuários” de difusão de conhecimento, dotadas de professores bem qualificados e remunerados, onde o mérito seja valorizado, sem doutrinação religiosa ou ideológica, curricular ou discricionária do docente.
A avaliação rigorosa precisa retornar, pois dar um diploma sem o aproveitamento adequado a um indivíduo é um incentivo à mediocridade, é colocar em risco o futuro de quem o recebe e da própria sociedade.
Não à toa, o que se vê como resultado desse modelo é a imposição de outros critérios, que não o mérito, para o acesso a empregos públicos e privados.
Lecionar é um dom divino e aprender, uma necessidade fundamental!
É preciso priorizar a educação de boa qualidade, que contribua para o desenvolvimento pessoal, social e nacional.
O modelo atual tem demonstrado ser um retrocesso, favorecendo mais a criação de massa de manobra para populistas e radicais, do que para a formação de indivíduos com autonomia intelectual.
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro e Pesquisador Universitário
Membro da Academia Santista de Letras






