MÁS INFLUÊNCIAS
Atualmente, parece que qualquer um pode se arvorar “influenciador” nas redes sociais, o que já demonstra um ego enorme ou oportunismo. Quando seu alvo é a juventude, isso é extremamente preocupante.
Há os que fazem postagens com “cara de conteúdo” e os espalhafatosos e caricatos, que berram suas convicções como se fossem verdades absolutas, baseadas nas certezas de sua estupidez.
Se considerarmos quem são os “influenciadores” em voga no mundo, entre políticos, ativistas e artistas, é possível notar o quanto de hipocrisia, megalomania, tendenciosidade e inconsequência demonstram, quaisquer que sejam os seus discursos e predileções. Eles têm gerado mais conflitos, confusão e problemas do que soluções.
Sei que não é possível comparar a experiência que a maturidade pode trazer para quem tenta aprender com a vida e não apenas se deixar levar por ela, com a de quem está apenas começando a viver.
Cada um sabe o que houve de bom e mau em sua existência e, em alguns casos, mudou sua forma de pensar e agir, revisando conceitos, aprendendo com seus erros e, idealmente, com os dos outros. No entanto, más influências podem interromper a vida ou prejudicá-la definitivamente.
De fato, a infância e a adolescência demandam atenção especial para a formação de indivíduos conscientes e inteligentes, que não sejam massa de manobra de interesses de terceiros, muitos dos quais maliciosos e obscuros.
É nessa fase que a juventude fica particularmente sujeita a boas e más influências. As más incluem aliciamentos ideológicos, introdução a vícios e exortação a experimentar sensações sem noção das consequências.
É um período de busca de autoafirmação, de pertencimento e de desejo de mudar o mundo que os torna particularmente vulneráveis.
Infelizmente, é perceptível que as más influências têm sido mais bem-sucedidas na cooptação de jovens, e os influenciadores não estão apenas nas redes sociais digitais. Também estão na base familiar falha, nos “professores” doutrinadores, na mídia inconsequente e nas legislações lenientes.
A solução para proteger a infância e a adolescência de más influências é controlar as redes sociais? Quem propõe esse controle tem moral para tanto, considerando o que apoiou anteriormente, quando defendia o que hoje diz combater como sendo normal, consensual, uma “doença” ou passível de penalizações brandas?
Não existem outros mecanismos legais que permitam a punição de “influenciadores” digitais que fazem apologia do crime, da sexualidade precoce e de abusos contra crianças e adolescentes? Como esse combate deve ser feito também fora das redes sociais, em situações que são históricas e amplamente conhecidas?
Infelizmente, há muita hipocrisia, incoerência, inconsequência, radicalismo e oportunismo na política brasileira.
Isso também tem sido uma péssima influência, tão ou mais difícil de controlar.
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro e Pesquisador Universitário
Membro da Academia Santista de Letras






