A INSEGURANÇA EM NÍVEIS INSUPORTÁVEIS
Rio de Janeiro (RJ), 30/10/2025 – Pessoas passam em moto na praça da Vila Cruzeiro ao lado de barricadas que foram colocadas para conter avanço de policiais durante a Operação Contenção. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Houve um tempo em que a malandragem era o que havia de mais preocupante no Rio de Janeiro. De certa forma, o malandro fazia parte do folclore carioca.

As favelas eram habitadas por pessoas trabalhadoras e berço de grandes artistas, que desciam o morro para brilharem no asfalto, deixando seus nomes gravados na cultura brasileira.

Infelizmente, nos anos de 1980, em meio a um processo de democratização há tanto aguardado, foi lançada a semente de um processo, que agora atinge níveis insuportáveis, configurando uma verdadeira guerra civil.

O crime organizado atingiu um tal nível de sofisticação e abrangência que tem permitido que atue e domine em vários setores, inclusive econômicos, sociais e institucionais, tornando o crime um grande e lucrativo negócio, com um enorme poder de controle e aliciamento.

Como chegamos a esse nível?

Bem, salvo engano, foi na mesma década de 1980 que o crime organizado começou a prosperar e ocupar espaços, praticamente sem interferência direta dos poderes constituídos. Porém, eles indiretamente contribuíram para isso.

Planos econômicos equivocados tiveram impactos socioeconômicos dramáticos, resultando em falências, desemprego e campo fértil para disputas político-ideológicas deletérias.

O crime organizado se aproveitou desse contexto para se instalar onde os governos negligenciaram, criando ali seus guetos, tornando gente honesta refém, seja pela violência, seja por assumir funções de estado, criando dependência e, até, idolatria por seus líderes. O crime se tornou uma opção para sustento de desesperados e um terrível atrativo para alguns jovens, que trocaram a esperança do estudo e do trabalho honesto por desejos realizados sob a mira de fuzis e, agora, com armas e meios que nem a polícia e as forças armadas possuem.

Certas comunidades viraram territórios ou refúgios de criminosos, tendo sua população honesta como “escudo humano”.

O Rio de Janeiro se destaca nesse processo caótico por ser mundialmente conhecido, mas outras cidades talvez estejam em situação ainda pior. O malandro de outrora hoje seria beatificado!

Como agravante geral, tentativas de reverter esse processo nefasto de décadas são abordadas por algumas mídias e ONGs como violação de direitos humanos, tratando criminosos como vítimas e policiais como criminosos, numa total inversão de valores, que não propõem soluções para as reais vítimas, as pessoas decentes!

O crime organizado só ganhou as proporções atuais graças à inépcia das instituições, incluindo maus governos, legislações que favorecem a impunidade, decisões inconsequentes e a uma noção totalmente equivocada de direitos humanos e de democracia.

O sangue de inocentes está nas mãos dos que permitiram que chegássemos a tal ponto e dos que se negam, com suas ações e omissões, a mudar esse cenário dantesco!

Adilson Luiz Gonçalves

Escritor, Engenheiro e Pesquisador Universitário

Membro da Academia Santista de Letras

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