A Casa Sul Global lança manifesto que defende a importância da filantropia de justiça socioambiental no fortalecimento de soluções locais à crise climática
Documento propõe que o futuro do financiamento para clima, natureza e pessoas seja construído com base na justiça socioambiental para que os recursos cheguem às comunidades e grupos em seus territórios
No contexto da COP30, a Casa Sul Global lança o manifesto “Sul Global no Centro: por uma nova arquitetura de financiamento para Clima, Natureza e Pessoas”, um chamado urgente para transformar a maneira como os recursos internacionais são destinados às soluções climáticas e sociais.
Elaborado por uma coalizão de organizações e fundos de justiça socioambiental da América Latina, África e Sudeste Asiático, o documento propõe uma reestruturação profunda da lógica de financiamento global, atualmente marcada por desigualdades e concentração de poder no Norte Global. A iniciativa reafirma a importância de colocar as vozes, saberes e experiências dos territórios no centro das decisões e fluxos financeiros.
Uma nova arquitetura para o financiamento global
O manifesto apresenta diretrizes para a construção de uma arquitetura de financiamento mais legítima, responsável, justa, diversa e solidária, baseada na escuta ativa, na confiança e na solidariedade entre povos e comunidades. Essa proposta parte do reconhecimento de que a resposta já existe, e está nas soluções criadas nas comunidades e territórios do Sul Global.
A legitimidade dessa estrutura se apoia na garantia de que as comunidades mais impactadas pelas mudanças climáticas sejam ouvidas e tenham poder efetivo nas instâncias decisórias. A responsabilidade compartilhada propõe mecanismos menos burocráticos, mais ágeis e perenes, capazes de garantir que os recursos cheguem a quem realmente precisa. A dimensão da justiça e da reparação busca enfrentar as marcas do legado colonial e combater o racismo e as desigualdades de gênero que ainda moldam a distribuição global de recursos.
A diversidade e a interseccionalidade são princípios centrais, assegurando a integração de fundos comunitários, indígenas, quilombolas, feministas, de juventude e de base, valorizando as múltiplas vozes e formas de atuação do Sul Global. A solidariedade, por fim, surge como eixo essencial dessa transformação, um compromisso concreto com as populações que estão na linha de frente da proteção do clima, da natureza e da vida, e que há décadas constroem soluções resilientes e inovadoras a partir de seus próprios territórios.
O papel dos fundos de justiça socioambiental
Os fundos filantrópicos para justiça socioambiental do Sul Global são apresentados no manifesto como mecanismos eficazes para democratizar o acesso aos recursos e potencializar soluções locais. Nascidos dos próprios territórios, eles atuam com transparência, inovação e proximidade, garantindo que o financiamento chegue diretamente a quem promove ações concretas de adaptação climática, regeneração ambiental e justiça social.
Esses fundos são capazes de mobilizar e distribuir recursos com agilidade e efetividade, reduzindo riscos e custos e fortalecendo a autonomia das comunidades. Suas práticas de governança são baseadas em confiança e responsabilidade compartilhada, alinhadas às necessidades reais dos territórios.
Uma aliança global pelo protagonismo do Sul
O manifesto é também um convite à ação conjunta entre filantropia, governos, setor privado e sociedade civil. A proposta é fomentar um ecossistema de financiamento global que reconheça a potência das soluções que emergem dos territórios e mova recursos de forma justa, transparente e descentralizada.
A Casa Sul Global, lançada durante a COP30 em Belém, consolida-se como uma plataforma de articulação política, mobilização e produção de conhecimento do e para o Sul Global, reunindo dezenas de organizações comprometidas em transformar a filantropia em uma força de justiça e equidade.
“Os fundos de justiça socioambiental do Sul Global apontam caminhos possíveis para uma nova arquitetura de financiamento baseada na escuta, na confiança e na solidariedade entre povos e comunidades. O manifesto é um chamado à ação coletiva para reconstruir essa estrutura com legitimidade, responsabilidade, justiça, diversidade e solidariedade”, conclui o documento.
Serviço
Manifesto Sul Global no Centro: por uma nova arquitetura de financiamento para Clima, Natureza e Pessoas
Disponível em: Link
Local: COP30, Belém (PA)
Período: 12 a 20 de novembro de 2025






