TV EXCELSIOR

A TV Excelsior teve vida extremamente curta (1960-1970), mas extremamente importante em múltiplos aspectos.
Sua programação era de excelente qualidade além de inovadora, incluindo a introdução de novelas diárias e do videotape. Com ela, o padrão da TV brasileira subiu significativamente de patamar.
Sua novela mais emblemática foi a longeva “Redenção” (1966-1968), com seus 596 capítulos, pioneira por ter sido a primeira dotada de uma cidade cenográfica e a abordar temas complexos, como o transplante de coração. Lembro de outra produção, na qual o personagem de Carlos Zara recebia um transplante de cérebro do personagem de Henrique Martins, o que deve ter sido inspirado no filme “Os dois mundos de Charly” (EUA, 1968). Não encontrei referência a ela. Outras produções inesquecíveis foram “A Muralha”, “A Pequena Órfã” e “Legião dos Esquecidos”. Já no ocaso da emissora, a novela “Dez vidas”, foi concluída quase sem elenco…
Até Pelé participou da novela “Os Estranhos”!
Foi a Excelsior que promoveu o primeiro festival de música brasileira (1965), vencido por Elis Regina, no frescor de seus 20 anos, “nadando de costas” ao interpretar “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Ali, a “Pimentinha” foi definitivamente consagrada.
Séries inesquecíveis foram primeiramente exibidas nela, tais como: Jornada nas Estrelas, Missão Impossível e Dr. Kildare, que provavelmente inspirou o papel de Francisco Cuoco em “Redenção”.
A TV Excelsior tinha como mascotes dois personagens infantis, uma menina e um menino, que apareciam em quase todas as vinhetas, incluindo as de Natal e festas de junho, entre outras.
Era um tempo em que as programações começavam por volta das 10 horas e encerravam por volta de meia-noite.
Em São Paulo, as emissões eram no Canal 9, e inciavam com imagens da capital, ao som de uma música, com solo de acordeão (creio que era Caçulinha que tocava): “Bom dia, São Paulo! São Paulo do meu coração!… Canal 9 está entrando em seu lar. TV Excelsior está no ar! Bom dia! Bom dia! Bom dia!”.
Até quando havia problemas de transmissão, havia uma vinheta: “Não desligue não! O problema é nosso! Estou fazendo o que posso para consertar a televisão. Um bom programa vem aí…”.
Tenho na memória que educador Padre Charbonneau fazia a abertura da programação, sempre com uma mensagem positiva e agradável, com seu indefectível sotaque franco/canadense.
Eu era muito jovem e nem sempre encontro referências documentais para minhas reminiscências afetivas, mas lembro bem do programa musical “Times Square” e do “Dois na Bossa”, este com Elis Regina e Jair Rodrigues, o “Cachorrão”, fazendo duetos memoráveis, inclusive registrados em LPs.
As transmissões esportivas eram narradas por Geraldo José de Almeida, que criou expressões como: “Olha lá! Olha lá! Olha lá!” e “Seleção Canarinho”, e chamava Pelé de “O Craque Café”. Provavelmente ele foi uma inspiração para Osmar Santos.
Infelizmente, por não se alinhar politicamente com o regime de governo de então, o que também afetou sua saúde financeira, a TV Excelsior foi extinta. A Panair, que também era do grupo, teve o mesmo destino. No entanto, ela deixou um legado indelével na mente de quem teve o privilégio de acompanhar sua programação e história.
Tenho andado nostálgico de certas coisas. Saudades…
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras
…






