Egocentrismo, megalomania e arrogância

Por Adilson Luiz Gonçalves
Amor próprio e autoestima são necessários à estabilidade emocional, motivando ao enfrentamento dos desafios da vida, à superação de limitações, enquanto que egocentrismo, megalomania ou arrogância podem assumir características patológicas.
Pessoas conscientes e empáticas podem ter momentos em que um desses comportamentos ocorre, mas são capazes de reconhecê-los, contê-los e desculparem-se por eventuais excessos.
No entanto, há pessoas que se acham o “centro do mundo”, superiores ao que consideram simples mortais. Normalmente, são carentes de afeto e colocam todas as suas “fichas” numa “missão”, num projeto ou gosto pessoal, que passa a ser seu único propósito na vida, não necessariamente que isso importe a outrem. Quando isso ocorre, elas ficam visceralmente incomodadas ao ponto de desmerecerem e até ofenderem quem não as louva.
É uma espécie de narcisismo que só vale em seu meio, que não necessariamente tem valor numa escala universal, às vezes nem na métrica específica.
O que fazem, pensam ou defendem passa a ser seu único interesse, seu único assunto em qualquer local, às vezes de forma deselegante e agressiva quando não lhe dão a importância que considera ter, a ponto de perderem a compostura, soltando sua “metralhadora cheia de mágoas” em todas as direções, atingindo até quem os tolera, segue ou respeita.
O que elas fazem é o melhor, o mais importante, o paradigma da perfeição! E os que discordarem disso são considerados medíocres, execráveis ou ameaças.
Humildade é um território desconhecido, um tabu que só vale para os outros em relação a elas. Tanto é que esquecem facilmente as ofensas que fazem quando são elogiados pelos ofendidos, como se nada houvesse acontecido. Isso revela o melhor dos outros, pessoas de boa alma, capazes de perdoar, mas não se sabe até quando.
Pessoas assim não pedem desculpas por seus destemperos, mesmo sabendo que erraram, o que também é raro. Preferem transferir seus erros para outrem ou perdoar a si mesmos, o que, ao menos, envolve um pouco de autocrítica honesta.
A imagem que fazem de si as coloca num “olimpo”, exigindo reconhecimento ou alardeando aos quatro ventos seus méritos e conquistas.
Querem se cercar de adoradores, criticando quem não os celebra. Se não estão onde acham que merecem estar, menosprezam ou criticam de forma contumaz, desagregadores por conveniência.
Com isso, até o que fazem de efetivamente bom e útil é ofuscado pela megalomania e arrogância que expressam.
Esse “modus vivendi” talvez seja uma forma de compensação, algo como uma armadura que esconde suas limitações em outros âmbitos. Elas tanto atraem pessoas como as afastam por não se adequarem aos seus interesses. Também pode ser um láudano à falta de afeto, traumas ou limitações. Freud, Jung e Lacan talvez expliquem.
Autoestima é um importante instrumento profissional e pessoal. No entanto, quando associada a egocentrismo, megalomania e arrogância, o resultado é preocupante!
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras






