ESCOLÁSTICA ROSA, A FÊNIX E A QUIMERA

Na mitologia grega, a fênix era uma ave que tinha a capacidade de renascer das próprias cinzas. Na mesma fonte, a quimera era um animal híbrido capaz de lançar fogo pelas narinas .
Considerando essas características, a fênix e a quimera até poderiam coexistir, ainda mais com a simbologia que passou a caracterizar uma como ressurgimento e outra como um sonho irrealizável ou resultante de imaginação.
Há muito tempo imaginei um Centro de Ciências e Tecnologia em Santos, semelhante à “Cité des Sciences et de l’Industrie” de La Villette, na França, um magnífico complexo cheio de atrações sobre vários temas.
Pensei nesse futuro voltando ao tempo das aulas de Artes Industriais, no ginasial cursado no Primo Ferreira, que inspiraram eu e vários de meus colegas a trilharem o caminho das Ciências Exatas, entre outras.
Primeiro considerei a área da antiga pedreira do Marapé, lá se vão quase 30 anos. Porém, o tempo passou e o local agora é ocupado por condomínios residenciais, a ideia ficou nas “cinzas” do esquecimento, qual fênix vítima do fogo da quimera.
Há pouco tempo, conheci a “Ciudad de las Artes y de las Ciencias” de Valência, na Espanha, o que me fez voltar ao tema.
Mas onde seria possível implantar um equipamento fornecido de múltiplos laboratórios, espaços para experimentos e projeções de maior complexidade, ambientes para espetáculos imersivos, como os que ocorrem em shopping centers e centros de eventos de São Paulo, com as restrições de espaço existentes em Santos?
Pensei no prédio do Acácio de Paula Leite Sampaio, mas ele já está destinado à “Escola do Legislativo”.
Desta vez, perseverei, pois considero que, além de um equipamento educacional de alcance regional, destinado a escolas públicas, privadas e pesquisadores, ele também teria apelo turístico de amplo espectro e inovador.
Santos apresenta de equipamentos turísticos relevantes, como o Aquário, o Orquidário, o Museu de Pesca e outros, mas não apresenta de um equipamento voltado para Ciências Exatas e da Terra, no qual alunos e visitantes podem conhecer de forma lúdica e motivadora temas ligados à Física, Química, Geologia, Astronomia, Arqueologia etc. projetos podem ser viabilizados, para pesquisadores; e “fichas podem cair”, para quem não entendeu nada do que estudou. O Brasil precisa tanto disso!
Criar um Centro de Ciências em Santos teria essa função!
Audiovisuais contariam histórias de grandes descobertas científicas, discorreriam sobre civilizações antigas, viagens espaciais, eventos marcantes e temas ambientais. Demonstrações de física, experiências e simuladores contribuem para o entendimento efetivo das aulas e, parafraseando o bordão de Buzz Lightyear, possibilitarão que a imaginação dos alunos e visitantes vá “ao infinito e!”.
Tudo isso precisa de espaço, e o complexo da Escolástica Rosa, no Bairro Aparecida, me parece ser o local ideal, além de também possibilitar um resgate histórico.

Pertencente ao patrimônio da Santa Casa de Misericórdia de Santos, poderia ser criada uma fundação que reúne empresas de tecnologia e mecenas para restaurar e adaptar suas grandes salas, galpões e áreas livres, resgatando o “DNA” que formou jovens técnicos desde a primeira metade do século passado, o que também tem um alcance social inestimável.
Meu pai, um tio e eu mesmo estudamos lá, aprendendo profissões desde cedo, o que define nosso futuro profissional, no meu caso, como engenheiro e pesquisador.
Os ambientes poderão ser patrocinados por empresas, recebendo seus nomes em troca do fornecimento completo e manutenção de equipamentos e monitores. Alguns espaços poderão ser localizados para eventos, potencializando receitas a c essórias.
Enfim, um Centro de Ciências em Santos pode ser uma grande experiência!
No caso da Escolástica Rosa, transformará o que alguns podem considerar uma quimera, numa fênix que renasce das “cinzas” do abandono, ajudando a motivar e nortear novas gerações!
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro, Pesquisador Universitário e membro da Academia Santista de Letras






