Liberdade seletiva

LIBERDADE SELETIVA
Liberdade é um substantivo feminino que, segundo o Oxford Languages, tem as seguintes definições: grau de independência legítimo que um cidadão, um povo ou uma nação elege como valor supremo, como ideal; conjunto de direitos reconhecidos ao indivíduo, isoladamente ou em grupo, em face da autoridade política e perante o Estado; poder que tem o cidadão de exercer a sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a lei.
Por essas definições, a liberdade é um conceito relativo, que tem sido interpretado segundo os interesses e crenças de quem a menciona.
A pré-história e o reino animal seriam exemplos de uma liberdade plena, sem nenhum freio. O início da civilização passou a regulá-la, estabelecendo regras, ampliando-a, reduzindo-a ou suprimindo-a, física, mental ou espiritualmente, de acordo com os interesses dos detentores de poder da vez.
A Revolução Francesa teve como lema: Liberdade, Igualdade, Fraternidade! Até hoje ele é referenciado e reverenciado. Porém, ela mesma o renegou, no período de terror que lhe seguiu.
No entanto, ele permaneceu como um ideal. Cartas Magnas de várias democracias, e até em ditaduras de esquerda e direita, o mencionam. Porém, a igualdade é um conceito mal entendido por certas ideologias, pois seres humanos não são autômatos, embora exista quem tente torná-los, pela doutrinação. E sempre há os que se acham superiores aos outros, qualquer que seja a ideologia ou religião. Ah, o ego!
A fraternidade também é utópica, ainda mais quando a pregação do ódio entre seres humanos divide para governar ou prevalecer.
Quanto à liberdade, uma frase cada vez menos presente no cotidiano afirma que: “O direito de um termina quando começa o do outro”. Isso porque são cada vez mais comuns exemplos de pessoas e grupos exigindo direitos, até de forma radical, agressiva ou acintosa, ao arrepio dos direitos de outrem, querendo impor suas demandas, conceitos e ideais à sociedade. Acreditam que têm direito às liberdades que exigem, cabendo aos outros apenas o dever de aceitá-las, sem questionamentos.
Com isso, a liberdade, além de quimera, virou motivo de querelas.
Faltam medidas que a tornem aplicável de forma a que haja respeito mútuo. Tanto é que, infelizmente, antevendo perigosamente um novo período de terror, há quem, em nome de seu entendimento do que considera liberdade, fraternidade e igualdade, defenda transgressões e crimes seletivamente, pregue censura a quem não comunga de suas ideias e advogue a perseguição e até o extermínio de quem se opõe, ou não apoie.
Em resumo, consideram justificada a aplicação dos mesmos métodos utilizados tanto pelas ditaduras sangrentas que abominam, como pelas que defendem.
Se há uma coisa que não é relativa na liberdade é a condição de ser uma via de duas mãos, e não a mão pesada de quem quer exercer poder de forma absoluta, defendendo-a hipocritamente em discursos, mas a vilipendiando sistematicamente, na prática.
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro e Pesquisador Universitário
Membro da Academia Santista de Letras






