A literatura no cotidiano escolar: didatizante ou arte literária?

A literatura no cotidiano escolar: didatizante ou arte literária?

Jozaene Maximiano Figueira Alves Faria[*]

RESUMO: O presente artigo tem por objetivo apresentar concepções sobre a literatura no contexto escolar. Dependendo da abordagem adota reflete da maneira como as práticas de leitura são organizadas nos espaços educativos. Para tanto fundamentamos nossas discussões Coelho (2000); Frantz (2001); Vigotski (2009) defendo a literatura como arte, que considera as diferentes interpretações e sentimentos gerados no ato da leitura.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura. Arte Literária. Cotidiano escolar. Educação.

ABSTRACT:

This article aims to present conceptions of literature within the school context. The approach adopted influences how reading practices are organized in educational settings. To support our discussions, we draw on the works of Coelho (2000), Frantz (2001), and Vygotsky (2009), advocating for literature as an art form that values the different interpretations and emotions generated during the act of reading.

KEYWORDS: Literature. Literary Art. School Life. Education.

Introdução

A literatura infantil é importante para o desenvolvimento das crianças, mesmo para aquelas que ainda não se apropriaram da língua escrita. No entanto, encontramos diferentes concepções literatura que influenciam nas práticas de leitura realizadas na sala aula: a literatura didatizante e a literatura como arte. A primeira utiliza as obras literárias como meio de ensinar conhecimentos, moralidade, impondo tarefas e obrigações, a outra, compreende a literatura como Arte, na qual as experiências estéticas são valorizadas e o livro é como uma obra de arte que desperta diferentes interpretações e sentimentos em cada leitor, a cada vez que realiza a leitura.

Nosso texto, fundamenta-se pela na segunda concepção, pois corrobora na formação do leitor e escritor na perspectiva dialógica, criativa e valoriza as experiências das crianças. Assim, fundamentamos nossas discussões Coelho (2000); Frantz (2011); Smolka (1989); Vigotski (2009).

A arte e o lúdico na literatura

A literatura infantil entendida como prática social é uma possibilidade de vivenciar diferentes formas de linguagem, universos simbólicos e compreensões de mundo. Ao ter contato com os livros, as crianças ampliam seu repertório cultural, criam bases para imaginação e constroem sentido que se relacionam com sua realidade e vão além dela.

Vigotski (2003) em seu livro Psicologia Pedagógica, fundamentada na Psicologia Histórico-Cultural, critica compreende a literatura como Arte, na qual os leitores são convocados a interpretar e sentir as histórias assim como fazemos com as obras de arte. Nesse livro o autor critica o uso didatizante da literatura, pois cerceia as possibilidades da Arte Literária.

Frantz (2011) também apresenta alguns critérios de seleção de livros infantis que devem ser evitados: didatismo/pedagogismo, moralismo, adultocentrismo, infantilismo, visão fechada de mundo.

De acordo com Coelho (2000), a literatura não pode ser compreendida apenas como um gênero textual, mas como uma forma de arte baseada na fruição, encantamento e reflexão.  A autora também discute a literatura como arte ou como pedagógica, a primeira desperta sentimentos, modifica a leitura de mundo do leitor e a segunda serve para instruir.

Smolka (1989) apresenta a literatura de maneira lúdica, pois a partir das leituras as crianças brincam de criar e representar as narrativas, trazem elementos da fantasia e realidade, tais produções podem ser consideradas para posteriores elaborações de livros de histórias escritos e confeccionados com as crianças. Nesse contexto de brincadeiras, a literatura “… como uma forma essencialmente lúdica de linguagem escrita, constituía importante elemento mediador no processo de aquisição da escrita.” (SMOLKA, 1989, p. 22)

Seguindo essa perspectiva, destacamos Vigotski (2018) sobre a criação literária na idade escolar, que defende “a criação infantil está para a criação dos adultos assim como a brincadeira para a vida. A brincadeira é necessária para a criança do mesmo modo que a criação literária infantil o é, antes de mais nada, para desencadear, adequadamente, o empenho do próprio autor.” (Vigotski, 2018, p. 90). Desse modo, o autor evidencia a importância da brincadeira na criação literária, que sejam livre amarras que cerceiam a criatividade das crianças e que seja valorizadas o interesse e as experiências delas.

Dentre elas citamos Frantz (2001) que traz contribuições importantes sobre a literatura: “o texto literário é fator imprescindível no processo de formação do leitor.  É a porta de entrada paro o mundo da leitura”.  (Frantz, 2001, p. 16). Nessa obra, a autora traz a importância do lúdico, pois possibilita a crianças transitar entre o real e o imaginário ampliando sua percepção de mundo “ por meio da fantasia, da imaginação, da emoção e do ludismo a criança apreende a sua realidade, atribuindo-lhe um significado, veremos que o mundo da arte é o que mais se aproxima do universo infantil, à medida de que ambos falam a mesma linguagem simbólica e criativa” (FRANTZ, 2011, p. 42-43)

Considerações finais

         Os autores supracitados evidenciam a concepção da literatura como Arte, que provoca sentimentos, emoções, criam a necessidade de se comunicarem, criam bases importantes para criações futuras a partir do que vivenciaram e adicionam novos elementos, sendo assim corroboram a aprendizagem da leitura e da escrita de maneira lúdica e criativa, valorizando as experiências das crianças com práticas significativas.

Referências Bibliográficas

COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: Teoria, análise e didática. São Paulo: Moderna, 2000.

FRANTZ, Maria Helena Zacan. A Literatura nas séries iniciais. 1ª ed. Ijuí, RS: Editora Vozes, 2011.

SMOLKA, A.L.B. A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo. 13. Ed. São Paulo: Cortez, 1989.

VIGOTSKI, Lev Semionovitch. Psicologia Pedagógica. Tradução Claudia Schilling. Porto Alegre: Artmed, 2003.

VIGOTSKI, Lev Semionovitch. Imaginação e criação na infância: ensaio psicológico livro para professores. Tradução e revisão técnica Zoia Prestes e Elizabeth Tunes. São Paulo: Expressão Popular, 2018


Jozaene Maximiano Figueira Alves Faria
[*]Mestre em educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação/PPGED/UFU. Professora da Educação Infantil na rede Municipal de Ensino de Uberlândia, ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0499-8472 e e-mail: josy2209@yahoo.com.br.

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