Cazuza rock

Silas Correa Leite

-Você não vai acreditar, CAZUZA vive. Letras de rocks, cazuzinhos, blues e Mbps, que
se o Frejat conhecer e sacar cem por cento vai sentir o alto estilo e padrão Cazuza de
qualidade, e vai querer colocar harmonias, melodias, ritmos e arranjos peculiares,
para, revigorando, cantar Cazuza. Fragmentos de diário imaginário em prosa e verso
que têm tudo a ver, tudo a ler, e tudo a cantar com arranjos próprios de evocar e
homenagear Cazuza, reverberando-o em alto estilo top musical pop.
Arquivo secreto baixado de uma nuvem estrambólica “ ROCK GROSELHA ,
Fragmentos de Diário Imaginário do CAZUZA” (Letras e Rocks Afins), arquivo
descriptografado (ou vice-versos), apresenta pensadilhos, pensagens de Cazuza, num
ser, permanecer, estar e continuar que não teve conserto, mas pelo menos tem
concerto. Letras ao seu estilo e estalos, aqui e ali viajando na maionese do ácid rock;
ídolo que deixou seu legado e que fez da bossa nova rock and rol lupicínica e
emepebelizou seu pensar/sentir/criar num moinho de contestações, mostrando
também a sua cara e coragem. Cazuza foi único. E suas criações ainda reverberam
mundos e fungos. O autor, deste livro único no gênero, Silas Corrêa Leite, que o
traduziu e por assim dizer também o reescreveu no mesmo timbre e tons e tais,
curtindo o inventário de assim inventariar o fazer poético, aqui destilando
orquídeas murchas em zonas de desconforto. Nem sempre se vê lágrimas no escuro,
cantou o Lobão. Deve ser isso de Cazuza ser único e potente no que deixou de sua
sina feroz de sacar, criar e registrar focos de insanidades sociais. Por essas e outras,
ROCK GROLSEHA pondo fogo nas cortinas para abrir-se novamente o espetáculo que
tem que continuar, custe o que custar. E assim, ferir de presença as ausências que
fazem parte do show de amar e reverenciar, e reverberando evocar CAZUZA em
artes.
O Projeto de LIVRO: ROCK GROSELHA, Fragmentos do Imaginário Diário Secreto de
Cazuza – Resumo “Cazulando” – Casulo/Cazuza
“O tempo não para” – Cazuza – O artista CAZUZA foi aquele roqueiro que jamais
compreendemos; o homem que jamais conhecemos inteiramente enquanto
qualquer uma coisa ou outra. Nem direito sacamos as verdades e as mentiras de sua
perigritante ‘vidamorte’. As músicas que ele fez pra nós, que jamais esqueceremos e
que soarão para sempre, sempre tão atuais, modernas, instigantes, inteligentes, e
mesmo as letras com críticas, de zoação, de ataque, de filosofia pura e simplesmente
contra todas as baratas hipocrisias sócio-patogênicas, aqui algumas delas “deliradas”
em fragmentos que de uma forma ou de outra deliberam bem o perfil do grande pop
star ausente CAZUZA.

O cantor que com sua voz desafinada aprontou todas, botando lenha na fogueira da
vida de tantas vaidades e incompletudes. Foi um afortunado que riu de sua própria
origem e meio, transformando seu inferno infinito e particular em portentoso acid
rock. O bicho grilo virando porra-louca. O apocalíptico cavaleiro da alegre figura
detonando parasitas, embustes, traumas e neuras em fragmentos e matizes de
desvairados inutensílios, aqui enlivrados em prosa, verso e letras. CAZUZA que
detonou a MPB desbaratinada, retraduziu o rock pauleira de adrenalina em
afrobrasilis-lupiscínico, deu seus saltos, regurgitou, gritou e botou todo mundo para
dançar ao seu ligeirinho jeito esquisito e louco, botando seu bloco na rua e atirando
o pau no guarda. Quer mais?
Nosso ícone de rock tupiniquim em safra boa morreu de overdose de sexo, drogas e
rock and roll. Já pensou? Novas gerações dançam ao ritmo de CAZUZA. Lutando
contra as misérias do cotidiano (Caetanear, por que não?), brigando contra suas
próprias raízes, recorreu ao escárnio, ao deboche, à sátira, à ironia, e à própria
detonação do status quo dos podres poderes de uma sociedade-cloaca, hipócrita,
pústula.
CAZUZA falou pelos cotovelos, amou por todos os poros, cantou as amarguras de seu
bizarro tempo tenebroso, sacando desde logo e precoce que berrar é humano. Lutou
contra a vaca profana da burguesia que fede. Lutou contra todas as regras-vômitos,
as normas de rigor formol, em ritmos e tons e tais, e viveu intensamente (e corajosa-
mente) a mil por hora em tão pouco tempo no palco iluminado que foi sua
existência.
Por fim, lutando contra a terrível doença fatal que o vitimou na sua loucura viral, viu
a cara da morte, lutou contra ela. A sua própria vida-livro aberto uma verdadeira
guitarra destrambelhada fazendo chover no piquenique (Saravá Paulo Leminski),
quando se viu, já era, fui. Um extraterrestre entre nós, numa existência vulcão,
cometa?
Aqui nesse projeto de livro as malversadas pinceladas imaginárias (e “imarginálias”)
em fragmentos dessa fera ferida que radicalizou tudo, o amor, o sexo, a música. O
homem que enfrentou a morte de cara lavada, porque, afinal, de uma forma ou de
outra, o tempo não para e, sorry Rock Groselha, CAZUZA ainda vive.
Talvez tudo isso dê uma opera rock. A vida não tem conserto. Mas com CAZUZA pelo
menos tem concerto.
Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br

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