São PauloBYD
Um dia até o nome da cidade será privatizado
Por Gilberto da Silva
Em São Paulo tudo está dominado pela política do naming rights. Virou uma febre essa doação do espaço público em troca de migalhas. O Estado Incompetente diz não conseguir administrar os espaços públicos com a gorda verba recebida dos impostos e das taxas recolhidas. Na moral: nós não vamos pagar nada, mas vamos vender tudo!

É o show do espaço público privatizado. Febre com ar de marketing moderno feito na medida para curar defeitos de administração. O discurso é sempre o mesmo: o estado não tem capacidade de gerir e manter os equipamentos públicos. Que acabe, então, com o Estado!
Vou tratar aqui apenas dos espaços públicos. Privado é privado e eles que se entendam…
Tudo começou timidamente com as estações do Metrô e linhas de trens sendo renomeadas. Feitas na medida para os interesses locais: Carrão – Assaí Atacadista; Saúde – Ultrafarma; Penha – Lojas Besni, ; Paulista – Pernambucanas; Jurubatuba – Senac ; Morumbi – Claro. Furto-me em falar daquelas que remetem aos clubes de futebol.
Peguei-me contando e prevendo o futuro:
Parque IbiraqueraPepsico
Vale do Anhangabaú Da Felicidade – na real o proprietário é outro mais acostumado em construir estádios de futebol..,
Marginal Pinheiros do Ypê
Praça 14BIS
Largo da Batata Chips
Marginal do Tietê Omo
Avenida São João
Mercado Municipal McDonald’s
Teatro Municipal Globoplay
É tão lindo andar na Paulistabet de São Paulo!!!! (lembrei aqui do trecho da música do Premeditando o Breque)
Os nomes dos bairros também serão alvos:
Bela Vista Balas Juquinhas,
Pari Hospital Santa Joana,
Butantã Coronavac,
CambuCica (na infância eu adorava abrir uma latas de marmeladas, mas creio que essa marca não exista mais…),
Água Rasa Tintas Coral,
Biblioteca Mário de Andrade Saraiva,
Consolação Cemitérios,
Vila Carrão BMW,
Brás Brastemp,
Vila Prudente clínica dentária,
Anhembis e morumbis todos já previamente definidos.
O que se perde não é só o nome do espaço público. Perde-se a referencia histórica, a geografia e toda a simbologia do local.
O que falta mesmo são modelos de gestão pública eficiente; parcerias que não envolvam renomear os espaços; transparência real nos contratos etc. E participação popular na coisa pública. O povo precisa participar dessas decisões.







