As tecnologias do terceiro milênio

por Ana Marina Godoy (ensaio inacabado)

Foi graças as novas tecnologias que, como diz Manuel Castells pudemos compartilhar deste mundo globalizado. Ö mundo encolheu e podemos ter acesso a ele de dentro de nossa casa. As redes interativas de computadores estão hoje crescendo espontaneamente, promovendo a integração global, criando novas formas de interação humana, moldando nossas vidas e ao mesmo tempo sendo moldadas por elas.

 

Ana Marina Godoy é turismóloga formada pela UFPR, profissional de marketing através de MBA pela Fundação Getúlio Vargas e consultora em ambas as áreas.
anamarinagodoy@ig.com.br

Na virada deste século muito do que estava apenas no campo da ficção passou a ser realidade. O que existia antes somente como promessa no campo virtual ganhou a dimensão do real graças as novas tecnologias desenvolvidas e colocadas à disposição do homem. Novos paradigmas foram estabelecidos a partir da globalização do conhecimento. Estamos ainda assistindo o processo de transformação do mundo e vem ocorrendo de maneira tão rápida que estamos ainda engalfinhando neste mundo cibernético. Temos, contudo, o privilégio de participar do alvorecer da cibercultura e por esta razão estaremos, cremos, muito mais próximos do processo que viverão nossos filhos do que ocorreu entre nossa geração e a de nossos pais(1).

Foi graças as novas tecnologias que, como diz Manuel Castells pudemos compartilhar deste mundo globalizado. Ö mundo encolheu e podemos ter acesso a ele de dentro de nossa casa. As redes interativas de computadores estão hoje crescendo espontaneamente, promovendo a integração global, criando novas formas de interação humana, moldando nossas vidas e ao mesmo tempo sendo moldadas por elas. A revolução ainda não terminou e há quem diga, como Nicholas Negroponte, que ainda neste milênio, “vamos nos surpreender falando tanto ou mais com as máquinas do que com outros seres humanos”. Esperamos, contudo, que isso não signifique que venhamos a conhecer mais a máquina do que o ser humano. Que tenhamos mais intimidade com a primeira do que com o segundo.

A informatização nos permite navegar por mundos desconhecidos, num processo contínuo de descobertas, compartilhando experiências e nos integrando à toda a humanidade, na ânsia de saber, conhecer, desvendar e descobrir. Nada está tão longe que não podemos ver e nem tão próximo que não tenha ainda segredos a desvendar.

O espaço geográfico passou a ter outro significado. O tempo também ganhou nova importância. O ciberespaço promoveu a anulação de ambos, na medida que é flexível no tempo, não localizável no espaço e desterritorizado. Através do ciberespaço tudo está à nossa disposição em tempo real.

Este mundo virtual tem origem no sonho humano, portanto, a virtualidade faz parte da natureza do homem. Foram as tecnologias criadas que permitiram o surgimento do ciberespaço. É um espaço de comunicação aberta que permite a interconexão global, ocasionando a comunicação em larga escala: de muitos para muitos. Pierre Levy o define como “o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial de computadores e das memórias dos computadores”.

Certamente irá se tornar a memória da humanidade já que os múltiplos saberes e a complexidade e volume das informações disponíveis não podem mais se sustentar apenas na memória humana.

O ciberespaço é um enorme hipertexto, aberto a múltiplas conexões e outros hipertextos. O leitor é ao mesmo tempo um ator e um autor, agente de interação com as inúmeras interfaces. Dentro da área do saber e do conhecimento a virtualidade não é uma exclusividade do ciberespaço. Na leitura clássica (livros), o texto e o leitor propiciavam um processo de engajamento semelhante. A leitura é feita de interconexões à memória do leitor que a remete para fora da linearidade do texto.

A velocidade com que a informação circula está estritamente ligada a rapidez com que você acessa os computadores à distância e os diversos recursos disponíveis ao teu alcance. As grandes companhias podem dispor de todas as informações e de tudo o que acontece em suas unidades ao alcance do braço.

Comunidades dispersas podem conectar-se em instantes, pois o ciberespaço é transnacional e a partir dele passamos a redimensionar nossa interação baseada em informações digitais, coletivas e imediatas.
E o real é clone do virtual…e vice-versa…universos replicantes

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