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A EDUCAÇÃO COMO FORMA DE SOCIALIZAÇÃO DO EDUCANDO NO COMBATE AS DROGAS DENTRO DO AMBIENTE ESCOLAR

Marco Aurélio da Silva[1], Aristéia Mariane Kayser, Evandra Oliveira Cardoso Rech

 

RESUMO 

Constantemente o termo droga caracteriza-se; como um desafio para os trabalhadores da área da saúde, e principalmente a familiares e sujeitos usuários. Assim, há uma urgência em desmistificar a presente ideologia distorcida que obscurece em algo ilusório ou errôneo e introduz na população uma consciência social antidrogas, classificando e responsabilizando tal produto como principal responsável pela crise social, ou seja, os males da sociedade.

ABSTRACT

Constantly the term drug is characterized, as a challenge for health care workers, and especially the family and the users. Thus, there is an urgent need to demystify this ideology that obscures distorted into something illusory or erroneous in the population and introducing an anti-drug social awareness, responsibility and classifying such products as the main responsible for the social crisis, or the evils of society.

 

INTRODUÇÃO

   “… Podes considerar feliz quem, graças à  razão,  não   alimenta   desejos nem temores …”(SÊNECA, 1991, p. 30)

Como quantificar o tempo passado, presente e futuro; Família patriarcal,  curandeiros, bruxas entre outros, em um processo histórico da formação familiar. Na contemporaneidade deparamos com alguns conceitos linguísticos modernos como informação da tecnologia, merchandising, outros vários conceitos no que se refere à estrutura familiar, por fim temos outros conceitos como mestres em empreendedorismo social. Com dizia Cazuza: “Tuas idéias não correspondem aos fatos o tempo não pára” “teu futuro é duvidoso eu vejo grana eu vejo dor”. Apoderando-se da literatura, observam-se atributos sociais acrescidos ao longo do tempo se dão conforme contexto geográfico, ou seja, identidade cultural de inserção do sujeito.

É uma sociedade sem emoção,  cartático capitalismo,   efêmero, ilusório, fictício, dados epidemiológicos. Contudo, é possível certifica-se tal sociedade não aprendeu a conviver de forma pacífica, humanizada com o diferente, logo, há recriminação, ou seja, uma culpabilidade para tais indivíduos; cujo seus comportamentos são caracterizados como; anormais, desviantes, indivíduos de alta periculosidade[2] a ordem social, são muitas vezes meramente rotulados como; dependentes químicos, viciados[3], traficantes, maconheiro ou marginal, drogaditos, ser antissocial, sujeitos penalizados como infrator por ter tido atitudes consideradas imorais, conseqüentemente são punidos, excluídos da sociedade logicamente como conseqüência perdem sua dignidade ou cidadania[4]. MAAKAROUN  (1991, p. 80) ressalta que: “Apenas uma personalidade com certo grau de estrutura resiste a pressão.”

Percebemos que se trata de amadurecimento da personalidade do jovem, esta personalidade só é formada quando existe uma relação saudável no ambiente familiar, escolar e ainda nas questões afetivas. Pois, esta maturação esta diretamente ligada à autoestima, e a segurança frente às diversidades que a vida propõe a estes jovens. Podemos afirmar que trata-se de uma via de duas mãos, temos de um lado a maturidade e de outro a imaturidade, a qual é seguida de insegurança, incertezas, instabilidades emocional como familiar, auto estima baixa, exclusão social. Portanto são alguns fatores que com certeza contribui para o envolvimento destes jovens com as drogas[5].

Para tanto quanta indiferença infinda dos humanos para com seus iguais. Percebe-se, nem tudo é; só alegria dos contos de Lobato, igualdade como sonhara Luther King, fartura como na utopia de Morus, o libido como na ciência de Freud, união como na imaginação de Lennon, a simplicidade como a arte de Fellini, a perseverança como o amor de Tereza, a beleza como nas telas de Van Gogh, felicidade como nos filmes de Disney, só pessimismo, tal afirmara Nietzsche, só carência, tal previa Malthus, tão solitário, quanto o via Jean-Paul Sartre, tão mau, quanto pensara Kierkegaard, tão complexo, quanto explicara Einstein, tão rotulado, como afirmara as canções de Cazuza.

Há intelectuais como Lunardi Filho acredita que a humanização é a essência do ser humano deve permear a práxis sujeito, corroborando com essa ideia gastão e campos acreditam que a humanização caracteriza-se como uma aposta radical, isto, por que acredita na autonomia e protagonismo dos sujeitos. Logo, Freire educador libertário nos deixou legado que é possível modificar perfil da sociedade, usufruindo de método baseado na troca de experiência, de vivência de conhecimentos.

Percebem-se tais autores enxergam a humanização como um fortalecedor da autonomia e protagonismo dos sujeitos, uma vez que, ela requer uma sociedade, em defesa dos direitos humanos, de respeito à singularidade. Logo, o usuário de drogas é sujeito corresponsável pelo desencadear de bibliográfica não tão belíssima como almeja a sociedade do empreendedorismo social. Contudo, precisa ter sua cidadania respeitada. Assim, há uma urgência em desmistificar a presente ideologia distorcida que obscurece em algo ilusório ou errôneo e introduz na população uma consciência social antidrogas, classificando e  responsabilizando tal produto como principal responsável pela crise social, ou seja, os males da sociedade. Nesse sentido, conseqüentemente a sociedade ao responsabilizar o cidadão esquece a dimensão humana da dor, do sofrimento, a desvalorização do sujeito. Sabe-se nossa sociedade é regida por leis, logo, estas leis por si responsabiliza os sujeitos por seus atos.

Contudo, é necessário repensar o perfil epidemiológico e sanitário, utilizando um modelo assistencial humanizado baseado na prevenção e a valorização do sujeito. Isto requer a necessidade de observar de forma humanizada o histórico familiar do indivíduo, observado sua infância, sua adolescência, sua juventude, sua velhice, ou seja, as condições sociais no ambiente de inserção do sujeito.

Sendo assim torna-se possível averiguar a necessidade das políticas públicas focalizarem ou atear discussões estruturais e de apoio aos sujeitos por trás do usuário de drogas.  Partindo da necessidade de conhecer o perfil epidemiológico deste sujeito desconstruindo tal ideologia negativa, de exclusão social pacifica, na maioria das vezes construída pelos meios de comunicação, principalmente a mídia. Porém, tais informações trazem consigo teor informativo agravante de responsabilização do sujeito usuário a roubos e outras formas de violências, logo, obstruem o passado da civilização, uma vez que, as drogas sejam licitas ou ilícitas sempre estiveram presente em nossa sociedade.

Sabe-se que drogas termo é comumente empregado a produtos alucinógenos, que por sua vez têm sido sinônimo de entorpecente, para tanto intitulamos droga produtos químicos que causam efeitos prazerosos e agem no sistema nervoso central, sejam substancias naturais ou sintéticas de produção industrial farmacêutica, laboratorial, etc.

Constantemente o termo droga caracteriza-se; como um desafio para os trabalhadores da área da saúde, e principalmente a familiares e sujeitos usuários. Nesse sentido visivelmente observamos nos dias atuais conceitos pré-estabelecidos pela sociedade, os quais dificultam pensar e agir estrategicamente no resgatar o sujeito usuário de drogas, assim, corroborando a não desmistificação das imagens de individuo perigoso ou criminoso.  Contudo, tais sujeitos classificados como morgadios, são membros de uma cultura de dominação, de hierarquização de opressão que obstrui ou desconhece os desencadeantes ou agravantes de tal perfil epidemiológico, logo, subjuga, classifica, controla e estigmatiza esses sujeitos delimitando-os um assujeitamento social.

Na sociedade capitalista, individualistas encontramos jovens,[6] sem perspectiva e direcionamento para sua vida, ou seja, ficando propícias as diversas situações as quais são inerentes ao meio ambiente. Sabemos que os jovens têm a necessidade de satisfação imediata e na grande maioria destes jovens não são refletida a conseqüência dos seus atos.

“Se o prazer o domina, como resistirá ao cansaço e ao perigo, à pobreza  e às ameaças que pairam sobre a vida? Como suportará a visão da morte, as dores, a fúria dos elementos, e tantos inimigos obstinados, ele que se deixa vencer por tão débil adversário?” (SÊNECA, 1991, p. 25)

Neste sentido utilizaremos a filosofia de Nietzsche, como um processo emancipatório na busca da felicidade. Pois, para este pensador devemos sim romper com velhos hábitos, mas, direcionando nossa vida de forma consciente não se trata de planejamento de como vive vida, mas também não seria viver a vida por viver. Para Nietzsche viver a vida viver cada momento intensivamente. Para este educador basta a si mesmo,[7] é um processo de conformidade com a natureza, ou seja, este jovem deve fazer de sua vida algo virtuoso.

CONCLUSÃO

É preciso uma ação-reflexão que nos remete a pensar alternativas de resolução ou conscientização, de respeito às diferenças, de apreender a trabalhar soluções viáveis diante das diversidades sociais a partir de visão solidária transformadora, agir pacificamente respeitado singular, pois conseqüentemente é inadmissível esquecer a dimensão humana da dor, do sofrimento, a desvalorização do sujeito.  Ao instante, que o usuário é penabilizado como infrator moral, e conseqüentemente perde sua dignidade ou cidadania. Logo, a humanização vem convocar a desmistificar a presente ideologia distorcida que obscurece em algo ilusório ou errôneo e introduz uma consciência social anti-drogas responsabilizando a droga como principal responsável pela crise social, ou seja, os males da sociedade.  Nesse sentido, humanização da sociedade objetiva; o respeito à singularidade, uma vez que o usuário de drogas sujeito que precisa ter sua cidadania respeitada.

REFERÊNCIAS

ALBERASTURY & KNOBEL. Adolescência Normal. 10ª Edição, Porto Alegre, Artes Médicas. 1992.

BRASIL, Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH). Curso de Direitos Humanos e Mediação de Conflitos, disponível em: http://cursos.educacaoadistancia.org.br/ acesso/ Mar 2001.

BUCHER, Richard. Prevenção ao Uso Indevido de Drogas. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1989.

CAVALCANTE, Antônio Mourão. Drogas. Esse Barato Sai Caro: Os Caminhos da Prevenção. Rio de Janeiro, Record, 1997.

CUNHAL, P. J.; ZAGONEL, P. S.  As relações interpessoais nas ações de cuidar em ambiente tecnológico hospitalar. São Paulo: Acta paulista de enfermagem. V.21, n.3,  2008.

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, RJ.  Realização Centro de Estudos e Pesquisas da Primeira Vara da Infância e Juventude, 2000.

MAAKAROUN, Marília. Tratado de Adolescência: Um Estudo Multidisciplinar. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1991.

KAPLAN, Sheila; Corrêa, Beatriz. Conversando sobre saúde com adolescentes. Rio de Janeiro: Instituto Ciência Hoje, 2007.

STELLA R. Taquette. Violência contra a mulher adolescente e jovem. Rio de Janeiro: EDUERJ. 2007.

SÊNECA. A Vida Feliz. Tradução André Bartholomeu, revisão Técnica Aercio Flávio Consolin. Campinas, SP: Pontes, 1991.

SISSA, Giulia. O Prazer e o Mal:  Filosofia da Droga. Tradução de Marcos de Castro – Rio de Janeiro – Civilização Brasileira, 1999.

WALEY & WONG, D. L. Enfermagem Pediátrica. Elementos Essenciais e Intervenção Efetiva. Segunda Edição, Rio de Janeiro, Ed. Guanabara Koogan, 1983.

VARGAS, Eduardo Viana. Por uma Genealogia das “Drogas”. Comunicação apresentada

no XXVI Encontro Anual da ANPOCS; Caxambu, 2002.

[1] Marco Aurélio da Silva: Graduado em Filosofia (UNIFRA), Especialização em Educação Ambiental (UFSM)  /Gestão Municipal (UFRGS)/Gestão Educacional (UNICID)

Aristéia Mariane Kayser: Graduada em Enfermagem (FISMA), Especialização em Educação Ambiental (UFSM) /Urgência Emergência e Trauma/Gestão Educacional (FACISA)

Evandra Oliveira Cardoso Rech: Mestre em Psicologia Clínica (UNISINOS), Doutoranda em Medicina e Ciências da Saúde (PUCRS)

ma22@zipmail.com.br;k0132@hotmail.com; evandracardoso@fasb.edu.br

 

 

[2] No jornal Estado de Minas de 23 de novembro de 2002:21, a reportagem anuncia que traficantes de menor periculosidade são postos na rua novamente devido a superlotação na carceragem da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes da Gameleira, onde celas com capacidade para 28 detentos abrigam 199, situação certamente não muito diferente da maioria das grandes cidades brasileiras ou de outros países. Nos EUA um quarto dos dois milhões de pessoas que compõem a população carcerária daquele país, uma das maiores do mundo, está cumprindo pena por causa de drogas, a maioria por crimes relacionados à maconha. (Burgierman, 2002:87)

[3] Na pesquisa realizada pelo IBGE sobre o desempenho das vendas em diversos setores industriais, em 1999, a cerveja e o chope aparecem como produtos que ocupam o impressionante 4o lugar por faturamento entre os produtos industriais, com receita de 4,3 bilhões de reais e um consumo anual per capita de 50,3 litros, perdendo apenas para combustíveis e automóveis. Outros dados interessantes desta pesquisa é que, em vinte anos, a venda de cigarros passou da 28a para a 46a numa constatação de que a nicotina já não é mais uma droga tão em moda, ao passo que os medicamentos ocupam a 7a posição nesse ranking, com faturamento de 3,3 bilhões de reais no período (J.B., 01/05/2002: 11). Segundo estimativas, no verão de 2002/2003 a produção mensal de cerveja certamente ultrapassará os cinco bilhões e meio de litros (Jornal da Globo, 20/12/2002)

[4] Vargas, em sua Genealogia das Drogas, chama a atenção para a contemporaneidade do conceito e para  como, “de um modo geral, o vocábulo ‘droga’ designa ora substâncias materiais, ora juízos de valor, quando não os designa simultaneamente.” 2002.:3.

[5] BUCHER (1989, pág. 64) afirma existirem outros fatores contribuintes para a experimentação, como: “para ser melhor aceito em determinados grupos, pelo desejo de viver experiências diferentes, sair da rotina, etc. (…) O importante em tudo isso é nos atermos ao ao fato de a maioria das pessoas que experimentam drogas usarem-na uma ou poucas vezes e pararem. E como se, não havendo mais curiosidade nem sedução do novo e do segredo, não existisse mais necessidade de recorrer a ela.”

[7] Entretanto, como todos os sábios, saibas que sigo a natureza: é sábio não se distanciar dela e obedecer a seu exemplo e lei.” (SÊNECA,1991, p. 25)

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