Em Rhede Política

Atenção gestores: ‘política’ entrou no grupo

Por Juliana Algodoal,

Especialista em Comunicação Corporativa, professora PhD em Análise do Discurso em Situação de Trabalho – Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem

Tempo de eleições! Tempo daquelas discussões sobre política que ocorrem no almoço de domingo em família, no táxi, nas redes sociais etc e que têm grande potencial para se transformarem em verdadeiras “reuniões de condomínio”.
 

Com a proximidade da data das eleições e o início da propaganda eleitoral gratuita, que começa ser veiculada em TV e rádio a partir de 26 de agosto, a probabilidade desse tema que o brasileiro ama debater, pode alterar a rotina das empresas.
 

Diante da polaridade que estamos vivenciando em torno da política, apimentada pelas discussões calorosas nas redes sociais, como os líderes podem conduzir esse debate no ambiente corporativo, da forma mais democrática possível, sem fazer do escritório um campo de guerra, de disseminação de fake news e de censura?
 

É bem difícil manter o foco na reunião, no projeto ou naquela atividade em grupo, especialmente nessa época em que os jornais dão mais espaço para os fatos políticos que envolvem as eleições e provocam esse debate a todo instante. Não que isso seja ruim, pelo contrário. Mas, certamente, acaba tomando mais tempo que o necessário na execução de tarefas, nos inícios de reuniões, no cafezinho, na hora do almoço.
 

Para o líder, é fundamental estar preparado para contornar possíveis desavenças políticas para que não afetem o clima e as relações na empresa e impactem nas rotinas. Estabelecer uma regra pode parecer autoritário demais, mas é preciso que o líder repasse com as equipes os posicionamentos da empresa quanto à sua participação em campanhas políticas.
 

Ainda que algumas empresas sejam partidárias e tragam isso nas suas diretrizes internas, ao líder cabe a tarefa árdua de ter o ‘bom senso’ apurado para interferir rapidamente em discussões acaloradas e conseguir transformar “conflitos de ideias” em “apresentação de ideias”, sem deixar de lado o respeito ao próximo, pois as pessoas precisam saber que suas opiniões serão respeitadas no ambiente de trabalho.
 

Por outro lado, é um bom momento para praticar um exercício sobre diversidade, que traz benefícios e inovação para as empresas. É a riqueza do debate. Um líder precisa estar treinado para escutar e lidar com alguém no time que pensa diferente dele.
 

Ainda que não haja um estudo mais estruturado sobre isso, mas talvez esse seja o momento de entender se as empresas com cultura de diversidade amadurecida têm mais facilidade em conduzir essas divergências de opinião política entre seus colaboradores.
 

Diferente do que acontece nos grupos de WhatsApp ou no almoço em família, sair do grupo ou esperar o mais sensato dar um fim ao que pode virar uma briga, não é uma opção no trabalho.
 

Conduzir esse tema nas empresas é uma arte e para realizar isso de forma democrática, o líder pode seguir algumas dicas que vão ajudá-lo a não desestimular o debate ou ‘riscar o fósforo das desavenças’ pessoais que vão se transformar em desentendimentos profissionais mais tarde. São elas:

  • Conhecer e divulgar as regras da empresa sobre apoios políticos;
  • Usar o bom senso para estancar as discussões mais agressivas;
  • Estar ciente que seu papel é transformar conflitos de ideais em apresentação de ideias;
  • Promover a consciência política e o entendimento de que política vai além dos políticos;
  • Respeitar as diferenças de ideias e estar sempre atento para nunca, jamais invadir a liberdade de expressão de ninguém;
  • Ter coerência com o posicionamento político da empresa para conduzir o tema com as equipes;
  • Jamais usar seu cargo para influenciar seus liderados;
  • Lembrar que pessoas que ocupam cargos de liderança em uma empresa são muito mais que um CPF. Representam um CNPJ e sua conduta com a equipe também pode revelar o comportamento da própria empresa. Isso se aplica a entrevistas para imprensa e posts nas redes sociais;
  • Falar de política sem falar do político é possível. O posicionamento político de um gestor não requer a declaração de seu voto. Suas expectativas políticas podem ser declaradas por meio de temas e plataformas que mais o agradam ao invés de partidos e candidatos;

É nessa época que os brasileiros tentam chegar mais perto da política, dos ideais que defendem, dos candidatos. Por isso, incentivar a ampliação do conhecimento e da politização é de utilidade pública e pode ajudar cada colaborador a cobrar e exercitar sua tarefa de cidadão, bem além do voto.
 

É também papel de um líder abrir caminho, ampliar horizontes para ajudar a si próprio e aos seus colaboradores a entender que as atitudes políticas estão presentes em nosso cotidiano corporativo, há muito mais tempo que apenas durante eleições nacionais.

Sobre Juliana Algodoal
 

Considerada uma das maiores especialistas em Comunicação Corporativa do país, Juliana Algodoal é PhD em Análise do Discurso em Situação de Trabalho — Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem e fundadora da empresa Linguagem Direta*. Acumula mais de 30 anos de experiência no desenvolvimento de projetos que buscam aprimorar a interlocução no ambiente empresarial – tendo como clientes grandes companhias, como Novartis, Pfizer, Aché, Itaú, Citibank, Unimed, SKY, Samsung, Souza Cruz, dentre outras. Também é presidente do conselho administrativo Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.

Deixe um comentário