Adilson Luiz Gonçalves Colunistas Crônicas

HANS ZIMMER

Hans Zimmer recebeu o prêmio Max Steiner, em 2018.

Maximilian Raoul Walter Steiner, ou, simplesmente, Max Steiner foi um dos principais compositores de temas para cinema, entre as décadas de 1930 e 1960. Ele compôs clássicos para filmes clássicos, uma longa lista que inclui: King Kong (1933), A Carga da Brigada Ligeira (1936), Anjos de Cara Suja (1938), Sargento York (1941), O Tesouro de Sierra Madre (1948), O Gavião e a Flecha (1950), A Nave da Revolta (1954), Rastros de Ódio (1956) e O Candelabro Italiano (1962).

Max está no mesmo nível de outros maravilhosos compositores, que também emprestaram seu talento à Sétima Arte: Francis Lai, Henry Mancini, John Williams, Jerry Goldsmith, Vangelis, Maurice Jarre, Bernard Herrmann, Alfred Newman, Nino Rota e Ennio Morricone.

Todos são autores de obras cheias de nuances, grandiosas, das orquestradas às instrumentalmente mais simples, todas inesquecíveis e fundamentais, às vezes mais memoráveis que os próprios filmes para as quais foram compostas.

Mas, e Hans Zimmer, como entra nesse universo?

Quem teve a oportunidade de assistir ao magnífico espetáculo “Hollywood in Vienna”, no qual ele recebeu a premiação, pode ter uma vaga ideia da excepcional produção desse compositor alemão. Além dos virtuosos membros de sua banda, com a qual tem feito show pelo mundo, ali estavam a ORF Orquestra Sinfônica da Rádio de Viena, o Coral da Orquestra Filarmônica de Viena, e solistas do naipe da australiana Lisa Gerrard.

Zimmer compôs para filmes como: Rain Man (1988), O Rei Leão (1994 e 2019), Gladiador (2000), Pearl Harbor (2001), Piratas do Caribe (2003, 2006, 2007 e 2011), Batman (2005, 2008, 2012 e 2016), O Código da Vinci e sequências (2006, 2009 e 2016), Sherlock Holmes (2009 e 2011), A Origem (2010), Rush (2013), Blade Runner 2049 (2017) e Top Gun: Maverick (2022), apenas para citar alguns.

E Interstellar (2014), Adilson Luiz?

Interstellar…

Bem, sou apaixonado pelas trilhas sonoras de Código da Vinci e Gladiador, mas Interstellar é um capítulo à parte.

Para mim, é comum assistir o mesmo filme várias vezes, e põe várias vezes nisso!

A primeira vez que vi Interstellar, afora as poderosas presenças de Anne Hathaway, Jessica Chastain e Ellen Burstyn, fiquei surpreso com a concepção de TARS e CASE – os robôs – e, sobretudo, com a trilha sonora de Hans Zimmer. Ela é, sem sombra de dúvida, ao menos para mim, personagem do filme! Sem ela, o filme não seria tão imersivo e notável!

Em algumas de suas composições, Hans Zimmer faz lembrar o “Bolero”, de Maurice Ravel: temas que se repetem num crescendo, que nunca é monótono ou enfadonho, mas, soam como fios condutores, que levam ao clímax ou anticlímax das cenas.

Não à toa, ele é um dos mais requisitados compositores da atualidade, provando que ainda se faz muita música boa para cinema, daquelas que a gente fica para ver os letreiros até o fim, quando as luzes da sala já estão acesas e a equipe de limpeza em ação. E não para por aí: a música sai com a gente, em assobios ou “pan-paran-pans” (aí, já é John Williams, rsrs)!

Hans Zimmer é um expoente nesse universo de resistência, que valoriza instrumentistas e solistas, harmonias e criatividade sonoras.

Compositores como ele e outros, aqui mencionados, comprovam que a boa música pode afetar positivamente cada um dos sentimentos e sentidos humanos.

Isso é uma benção, em tempos de pobreza, mesmice, agressividade e vulgaridade musicais extremas, nas telonas e, principalmente, fora delas.

Adilson Luiz Gonçalves é engenheiro e professor universitário.Santos – SP algbr@ig.com.br

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